Única em 30 há esperança

Livro: A Única Esperança Published on Oct 30, 2013 Este livro apresenta histórias de pessoas que um dia, em meio a circunstâncias contraditórias, acharam esperança. Por que uma única esperança ? - Reposta: 'E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome [Jesus Cristo] há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos.' (Atos 4.12) A salvação só pode ser conseguida por meio de Jesus Cristo. E Deus pelo seu amor tem colocado está esperança ao alcance de todos. Há uma música dentro da minha alma É uma que eu tentei escrever de novo e de novo ... Eu sei agora você é minha única esperança. Postado por Tenha Esperança. Reações: ... Contra toda esperança, em Esperança creu... Marcadores. Adoradores/ Músicas (206) ... Regência divina — única esperança de toda a humanidade A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová — 1973 A longa espera em esperança terminará em breve Há 30 anos fornecendo assessoria meteorológica de qualidade para meios de comunicação e diversos setores do mercado, a empresa Climatempo afirmou em release distribuído à imprensa que o inverno amazônico deste ano é muito esperado para pôr fim a uma das temporadas de fogo mais letais da história do Brasil. De acordo com a empresa, […] A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) se tornou a única esperança de atendimento médico para comunidades que sofrem a pandemia da COVID-19 em áreas dominadas por grupos criminosos, às ... Jesus é a única esperança, Jesus é suficiente para atravessarmos esta pandemia, as dores e separações desta vida, porque Jesus nasceu, viveu, deu a sua vida, e ressurgiu vitorioso, servimos há Jesus vitorioso que está vivo a destra de Deus, e logo voltará para buscar seu povo.

Os meses em que vivi na rua, toda a fome que passei e a bicicleta que mudou tudo para melhor.

2020.10.10 14:16 TapperTotoro Os meses em que vivi na rua, toda a fome que passei e a bicicleta que mudou tudo para melhor.

Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 3/365
Uma espécie de diário aberto: Os meses
Olá ...
Hoje não devo escrever muito, e decidi partilhar uma prosa que escrevi nos meses que sobrevieram o meu divórcio (editado: escrevi mais do que achava que escreveria).
Para colocar em perspetiva: depois de sair da casa que era minha (comprada e que ficou para a minha ex-esposa e para os meus filhos) consegui alugar uma casa por alguns meses, mas não conseguia trabalhar por causa da profunda depressão, além de não receber respostas positivas por parte das empresas para onde mandava o meu curriculum e em poucos meses todas as minhas poupanças acabaram e acabei por ter de ir morar para a rua. Morar na rua implica passar fome - já passei noutros momentos da minha vida, pois durante grande parte da minha infância, o país em que nasci e vivi até antes de me ter mudado permanentemente para Portugal, viveu em guerra civil - felizmente Portugal é um país relativamente seguro, mas nada fácil principalmente para pessoas negras (acreditem, por mais inteligente e boas referências uma pessoa negra tenha aqui em Portugal, é muito difícil arranjar algum emprego que os próprios portugueses consideram "condigno", e todos os lugares em que trabalhei cá eram fora da minha formação - Estatística, Gestão, Informática e Administração, fora os conhecimentos de informática que tenho mas que infelizmente ainda não tenho um diploma para provar que tenho, mas em breve isso mudará. (lembra-se, estou a estudar e no final do próximo ano recebo um diploma de Desenvolvedor de Software).
Felizmente por causa do meu trabalho com as artes, conheço muita gente que apesar de não me poderem ajudar com a questão da casa, arranjavam-me algo para comer durante os meses em que vivi na rua e saí da cidade em que fui viver depois do divórcio, muita gente passou-me contactos que elas tinham e eu arranjei um emprego num bar (aos finais de semana e feriados de noite-madrugada) e com esse dinheiro eu conseguia comer e poupar para comprar uma bicicleta.
Porque uma bicicleta?
Simples: eu caminhava mais de 10 quilómetros todos os dias que voltava do trabalho no Bar, às 02:00 da madrugada. Nessa mesma altura em que comecei a trabalhar no bar, ia para um lugar em que tinha uma escola antiga que era usada como estúdio de ensaio para bandas e outras atividades culturais e recreativas, e lá ficava a preparar as minhas refeições e compor músicas (além de tratar da minha higiene). Felizmente, eu não preciso de dormir bastante ou consigo passar até uma semana sem dormir (literalmente) e também aproveitava o facto de que existia uma praia fluvial por perto para ir tirar uma soneca lá nos dias em que estava muito exausto. Infelizmente o dinheiro que ganhava no bar, mesmo com as gorjetas não servia para alugar sequer um quarto (mesmo tendo eu comida de graça no bar para jantar de noite e pequeno almoço de madrugada, e poupando algum dinheiro); então a bicicleta ajudar-me-ia e ajudou bastante a tanto poupar mais algum dinheiro que gastava com o autocarro para ir trabalhar, quanto poder me deslocar para mais entrevistas e futuros trabalhos.
Passado um mês depois de começar a trabalhar no bar, recebi uma resposta de uma das fábricas em que tinha mandado o meu curriculum e que ficava há mais ou menos 10 quilómetros do edifício em que tinha a sala de ensaio; depois de ir para a entrevista de dia, na tarde do dia seguinte eles ligaram-me a dizer que eu tinha ficado com o trabalho e que começaria já no dia seguinte (nota, faltavam alguns euros para poder comprar a bicicleta nesse dia e eu tinha de arranjar uma maneira de conciliar os dois trabalhos, pois um terminava às 02 da madrugada e o outro começava às 05:30 da madrugada, mas de forma rotativa - uma semana às 05:30, e outra às 13:30, e nas sextas feiras a hora em que saia de um era muito depois da hora em que eu tinha de entrar para o outro trabalho - bar e fábrica).
Essa incógnita dos dois trabalhos que não deram para conciliar. O que fiz?
Bem, uma coisa de cada vez. Primeiro, fui trabalhar para o bar numa quinta feira que era feriado e tinha de entrar para a fábrica na sexta feira, às 05:30, e como ainda não tinha a bicicleta, saí do bar e caminhei até à fábrica, estava super empolgado e feliz por ter um trabalho a tempo integral, e como sairia às 13:30, não havia nenhum problema em não ir para a praia fluvial tirar uma soneca. Nesse dia, lembro-me que não foi difícil aprender a trabalhar com as máquinas da fábrica (tenho essa facilidade aprendizado absurda); mas passei todo o turno de trabalho a pensar em como lidar com essa incógnita e cheguei à conclusão que somente ia trabalhar no bar (e não poderia trabalhar lá porque não tinha como mudar os meus horários de trabalho em ambos os lugares) até a conseguir comprar a bicicleta e calhar a sexta feira em que o meu horário de trabalho na fábrica terminava depois do início do meu horário de trabalho no bar (num terminava às 21:30 e noutro começava às 17:00).
Segundo, trabalhei nos dois lugares durante uma semana, falei com os meus empregadores e como não deu para mudar os horários, despedi-me do bar e fiquei a trabalhar somente na fábrica, e no meio disso tudo, comprei a bicicleta e todos os dias, de segunda à sexta, numa semana acordava às 03:45 da madrugada para pedalar por uma hora até ao trabalho e depois mais uma para voltar até ao estúdio às 13:30 e noutra entrava às 13:30 e às 21:30 pedalava eu até ao estúdio de ensaios para espairecer e criar alguma coisa artística e fazer a minha higiene pessoal, além da comida para o dia seguinte ...
A fome e a rua!
A fome: em menos de 4 meses eu saí dos meus 98 quilogramas de peso, para os 66 quilogramas. Isso para mim resume tudo, mas ainda assim consegui ter energias para caminhar e lembro-me de ficar pasmo que em menos de uma semana eu tinha caminhado mais de 100 quilómetros (gravei uma foto com isso e uso-a para lembrar-me sempre do quão forte sou capaz de ser nos momentos de maior adversidade. A fome nunca é só fome, é também propulsora de ansiedade, fragilidade psicológica além da física, desmotivadora . . . mas venci a fome com toda as forças que reuni quando decidi voltar a viver e lembro-me muito bem que sempre que eu ia trabalhar para o bar, e sorria, não era um sorriso para esconder as dores no estômago ou todo o caos da minha vida nos últimos meses, mas sim um sorriso cheio de esperança e motivação, pois como já disse, pelo que parece, sou muito bom a começar do zero e a além de sobreviver, viver. A rua ofereceu-me muito mais do que eu podia imaginar, não no quesito segurança contra todos os elementos da sociedade e natureza, mas na paz que mesmo lá, no fundo do poço do conceito da sociedade materialista, encontrei e que me ajudou a ter mais forças para superar tudo ...
Enfim, sempre que me referir ao mês de junho de 2019, será para falar do mês em que recomecei realmente a minha vida depois do divórcio e de superar a depressão, a fome e o viver na rua, pois nesse mês eu consegui um trabalho a tempo inteiro, comprei uma bicicleta, conheci a minha atual namorara (uma mulher incrível que muito amo) e voltei a viver entre as quatro paredes em que me encontro hoje. Cá fica um dos textos literários que escrevi num dos meses em que morei na rua e perdia de forma assustadora a minha massa corporal:

GRÃOS, LEGUMINOSAS, TUBÉRCULOS E FUNGOS
É assim que se destrói o homem, em atenção, não! Não apenas o ser portador do mastro sexual, mas o animal de espécie humana. O fumo varre o meu olhar entre a realidade num lado, e a minha mente do outro, o vidro duplo no meio, física transparente da janela; da direita para a esquerda, embriagado pelo vento, enquanto se dissipa o tempo. Mas não! É assim que desaparece a minha vida. Enquanto como arroz, ao acordar, mas somente depois de passadas seis horas. Até lá, permaneço de estômago vazio a tentar escapar da morte. E ervilhas, e alface no dia da alface, e cenoura no dia da cenoura, e cogumelos, não os mágicos, no dia da não cenoura, depois de se terem acabado as regalias de poder escolher comer tudo exceto carne.
Conto cada moeda e frequências que me restam. A dissolução do acordo fraternal, previsível e instável, levou tudo, depois de seis anos a negar o evitável; anos que se prenderam à todas as decisões tomadas, desde o momento em que os meus pais, acidentalmente, deram vida ao humano que me tornei, até milhares de dias atrás, minutos que antecederam a rutura. Mas não! Não é assim que se destrói, põe-se fim ao marco de toda uma tentativa de encontrar a felicidade e a paz, nos braços de quem só me teve por posse, como se de um escravo se tratasse a minha existência, tal como foram enjaulados os meus antepassados mais próximos, acorrentados e separados do que lhes era posse por direito de nascença, alguns dias antes do meu nascimento.
Ao olhar para o fumo que se dissipou por completo, vejo as arvores que ao de longe são menores do que o meu medo, mas ao de perto, são tão altas quanto ou mais do que a minha alma que clamou por ajuda, à minha mãe, se é que ainda a posso chamar mãe; à minha irmã, não tão adorada desde sempre; ao meu irmão, em quem me espelho inversamente; aos agiotas, que nunca soube onde encontrar; aos ladrões que guardaram o meu dinheiro todo, durante a vida que perdi; aos traficantes, de tudo e menos alguma coisa; aos assassinos, de sonhos e modos; aos meus amigos, envenenados pela mulher que me desposou outrora; aos que ajudei um dia, a troco de nada; e ainda assim, nem mesmo por não merecer um pingo de empatia, ainda assim, ninguém me estendeu a mão, exceto?
Exceto a única pessoa que em meio tempo passou a ver quem sou, e descobri que sempre foi tudo; o que se esconde por baixo da máscara, quem se esconde por baixo do olhar e dos sorrisos, muitas vezes falso, muitas vezes desnecessário, mesmo não podendo dar mais do que o último centavo que lhe resta, permaneceu aqui, ao lado, a segurar-me pela mão e pelo olhar, numa tentativa de reanimar o homem, mas não o que carrega entre as pernas a corda reprodutiva, e sim o humano que nunca deixou, e se nega a deixar de ser uma criança, a mesma que chora sempre que se lembra de todas as vezes em que quase morreu, e que também morreu um dia, mas voltou por ter encontrado a resposta para a continuidade da vida, a criança que tem, com o passar de cada ano, menos dias para chorar, enquanto se prepara para ser o motivo do choro de, talvez, menos pessoas do que consegue contar, com quatro dos seus cinco dedos da mão esquerda.
É assim que se destrói um homem. Enquanto como arroz, antes de me deitar e desejar acordar noutra manhã, até lá, permaneço de estômago vazio a tentar escapar da morte. E ervilhas, e alface no dia da erva, a não psicoativa, e cenoura no dia da cenoura, e cogumelos, não os mágicos, no dia da não cenoura. Porque quem jurou amar-me abandonou-me quando tudo ficou extremamente difícil e necessário. E todos os que me amam, ainda, os mesmos que deduzo que não sabem o que é amar, estão longe agora que estou mais perto da transcendência. E apesar de me ter afastado propositadamente, para desperdiçar comigo mesmo alguns poucos anos da minha vida, ainda assim, me sinto indigno de pena, dissociado de tudo o que é meu, não por direito de nascença, mas por direito de divindade, de criação, de clonagem da minha acidez desoxirribonucleica, e dos meus glóbulos falciformes, alimentados pelos açucares naturais do pouco que me resta para comer, e pela gordura, e músculos do meu sempre magro corpo.
E assim se mutila e assassina o homem, fazendo-o comer-se a si mesmo, do tutano dos ossos para fora, até que inclusive os sonhos se tornem o único alimento imaginável que lhe resta para adormecido energizar a vida.
Reinicia.
Com amor;
Aladino.
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2020.09.28 10:24 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 2: Que se lixe isto, vou comprar um carro]

Olá amigos. Hoje vamos falar de carros, um assunto que me é muito querido.

Take-Aways Principais

Driving is love, driving is life

Quando tinha 14 anos os meus pais deram-me uma motinha de 50cc velhinha. Tinha dezenas de milhares de quilómetros, estava a precisar de algum trabalho, gastava muita (MUITA) gasolina, mas era minha. A partir desse dia tornei-me independente: tinha a possibilidade de ir onde quisesse, quando quisesse. Toda a cidade passou a estar acessível no espaço de minutos e não horas, e as aldeias envolventes em "meias horas" e não horas. Deixei de ter que pedir para que me levassem aos sítios, passei a ir quando queria ou precisava. Com algum dinheiro da mesada podia ir saindo com os amigos e começando a ter uma vida mais "adulta". Pouco tempo depois, ainda por volta dos 14, aprendi a conduzir carros também (em estradas privadas, claro).
O valor desta transição é absolutamente imensurável no desenvolvimento de um miúdo. Passa a haver responsabilidade. Quando tinha acidentes, o que acontece de certeza, a culpa era minha e havia consequências. O corpo doía, a mota aparecia riscada e a precisar de reparações, e o que não conseguisse fazer eu tinha que encontrar forma de pagar. Os vizinhos queixavam-se do barulho. Quando chovia chovia-me em cima, e quando fazia frio de manhã a mota não queria pegar. Mas! Quando queria ir ao Continente comprar doces podia ir, quando queria ir visitar o meu pai não tinha que pedir boleia a ninguém, e por aí fora.
A experiência de começar a conduzir muito cedo, particularmente no ambiente "controlado" de uma cidade pequena, serve também para desenvolver algum instinto (à falta de melhor expressão) para a condução, nomeadamente para as duas partes fundamentais que as constituem:
Eu não sei como tem sido ultimamente, mas o processo de obter a licença dos 14 anos há quase 20 anos atrás era ridiculamente simples. Eu sinto que isso não é necessariamente mau, pois reduz a barreira de entrada à condução numa altura em que ainda é possível ganhar aquele "jeito" para a condução sem se tornar uma coisa estrangeira e forçada. Tudo somado, foi facilmente uma das experiências que mais serviram para me fazer crescer naquela altura, e algo que pretendo certamente incutir em infelizes filhos que alguma vez venha a ter.
Quando fiz 18 anos deram-me um carro (muito) velhinho para as minhas voltinhas em Coimbra, para onde iria estudar. Mais uma vez, é um privilégio: era muito velhinho, o seguro era baratinho e o imposto também, mas mesmo assim nem toda a gente conseguia ter o seu próprio carro. Por ter carro nunca precisei de usar os autocarros muito regularmente, o que me permitiu poupar noutras coisas: podia fazer as minhas próprias mudanças quando mudava de casa, podia participar em actividades extra-aulas com mais facilidade, etc etc. Fui quase sempre designated driver, mas sempre foi uma responsabilidade que aceitei com muito gosto: é bom de ter a oportunidade de levar os meus amigos a casa em segurança no fim de uma noite de castanhada. Se eu próprio quisesse participar na castanhada, a Maria normalmente voluntariava-se para trazer o carro para casa.
Ter um carro velho, sem modernices como sensores (ahah), GPS, rádio (exacto), direcção assistida ou ABS, permitiu-me fazer certas coisas. Com a liberdade de experimentar, pude tentar fazer várias reparações eu próprio; notavelmente, o disco de embraiagem que neste momento está nesse carro, que ainda anda, fui eu que o coloquei lá. Pude também fazer uso de alguns baldios que há em Coimbra e arredores para aprender a controlar o carro em situações mais extremas; uma espécie de curso de condução em condições adversas do homem pobre. O que é que acontece se tiver que fazer uma travagem de emergência em piso escorregadio? Como compensar a falta de ABS caso as rodas tranquem? E se a traseira deslizar?
Conduzir, para mim, não é um privilégio nem uma mania nem um capricho. É uma das pedras basilares da forma como lido com o dia-a-dia, uma forma inalienável de independência. O transporte pessoal é uma extensão do meu corpo e conduzir é um escape muito, muito importante.

Viver no campo sem carro

Durante os primeiros 6 meses que passei no UK tive que viver sem transporte próprio; apenas conduzi carros alugados por curtos períodos para ver casas ou fazer mudanças. Usei esses meses para me ambientar, deixar passar o primeiro inverno, estabelecer-me no trabalho e tratar de todas aquelas burocracias que discutimos no capítulo anterior. Aguentei todo esse tempo graças ao facto de a empresa para quem trabalho oferecer um serviço de shuttles para funcionários, que liga o campus às cidades e vilas mais próximas, numa das quais eu vivo. Isto permitiu-me não me preocupar com transportes para o trabalho durante meses, o que foi uma benesse incrível.
Estes primeiros meses foram de adaptação, de exploração e de cometer erros parvos. De aprender a perceber os Ingleses, como se comportam nas coisas mais básicas, e de me tentar misturar com eles com sucesso. Eu optei por viver no campo (i.e. significativamente fora das cidades grandes aqui à volta) por várias razões:
Tirando as viagens casa-trabalho-casa, a minha mobilidade estava muito reduzida. Ir a qualquer lado envolvia caminhar uma distância suficientemente grande para me chatear, no mínimo até à estação dos comboios e depois outro tanto onde quer que fosse. Ir às compras era um pau no cu porque tinha que as arrastar pelo monte acima até casa, pelo menos até descobrir que os supermercados entregam em casa por um preço muito muito razoável.
E depois há a rede de transportes. Eu adoro andar de comboio, mas infelizmente aqui é impossível. Nós somos dois, e ir à cidade mais próxima custa-me, pelo menos, umas 20 libras em bilhetes de comboio. Para comparação, demoro uns 25min a chegar lá de carro (mais ou menos o mesmo) e gasto talvez 2 ou 3 libras de combustível. Já para não falar no congestionamento a certas horas, em que não só os bilhetes são estupidamente mais caros, como temos que fazer a viagem toda em pé. Viagens grandes então nem se fala! Eu quero ir à Escócia ver se encontro a Nessie, e a viagem de comboio para 2 pessoas, ida e volta, ia-me custar facilmente 1000£!! Os comboios em si são espectaculares; fazem os nossos velhinhos Intercidades parecer ainda mais velhos e merdosos do que são mesmo.
Aos autocarros aplicam-se comentários semelhantes, com algumas agravantes. Não só são caros como tendem a não andar a horas, são populados com as pessoas mais nojentas que se consiga imaginar, e devem ser limpos à saída da fábrica e nunca mais.
Se calhar sou eu que sou maniento, se calhar acham que sou um snob mal habituado que anda de cu tremido desde cachopo, se calhar acham que devia era viver uns anos sem carro para ver o que é bom. Eu cá acho que paguei as minhas favas e agora mereço andar de carro até me doerem os joellhos. Eu antes quero poder ter carro e viver deslocado da cidade, do que viver no centro e andar no meio do magote enfiado em autocarros bolorentos e metros a cheirar a mijo. São escolhas. Não vejo grande apelo na "vida cultural" da cidade, da qual até posso desfrutar pegando no carrito e indo lá ver o que é o quê.

Comprar um carro

Um dia destes, com a conta do banco recheada de dinheiro de devolução de impostos, decidi que estava na hora de comprar um carro. Andei a ver carros novos e usados, e decidi que o hot hatch era para mim. Algo na vizinhança das 20000 libras, 10 pagas à entrada e outras 10 pagas em prestações durante uns 3 anos. Parecia-me razoável, estava bem dentro dos limites do que podia pagar e não me impedia de ir chegando aos meus objectivos de poupança.
Marquei um test drive e apanhei um comboio até ao stand. Chegado lá, aproveitei para fazer todas as perguntas e mais alguma ao vendedor, entre as quais como funcionaria o financiamento. Aí ele entregou as más notícias: com menos de 3 anos de residência, é virtualmente impossível conseguir financiamento para um carro, muito menos naqueles valores. Chateei-me, chamei um taxi e fui-me embora sem muito mais conversa. Fiquei fodido. Ainda verifiquei junto do meu banco com esperança da que eles, sabendo quanto ganho, etc, fizessem um jeitinho. Os valores a que me podia candidatar era muito mais baixos do que alguma vez funcionariam, por isso desisti do financiamento. Pela primeira vez na minha vida, ia comprar um carro a pronto.
Passei umas semanas a estudar melhor o mercado de usados. Andei a ver no autotrader [1], aparentemente o site mais popular de anúncios de carros. A primeira coisa em que reparei foi o quão mais baratos os carros são aqui que em Portugal. Eu sempre achei os carros usados caríssimos em Portugal, mas isto trouxe à luz o quão roubado o tuga médio é quando compra um carro. Para terem uma ideia, um familiar meu tinha comprado um carro por 5000€ (valor ajustado ao mercado) pouco antes de me mudar para cá. O mesmo carro, mesmo ano, mesmo trim level, com menos quilómetros, aqui custava 750£. Telefonei-lhe a gozar com ele, foi incrível.
Então decidi que o meu orçamento seria os tais 10k que pretendia originalmente dar como entrada. Deixei de parte a ideia do hot hatch para poder comprar algo mais recente, pois queria um carro com 2 ou 3 anos no máximo. Este limite não era tanto por cagança, mas porque queria apostar mais na fiabilidade do que noutros aspectos. Um carro mais novo, com menos quilómetros, tem uma probabilidade menor de me dar problemas no início, o que me compra tempo para conhecer o panorama de oficinas aqui à volta, o que esperar do seguro, etc. Pequeno, novo, simples, fiável; fui à caça
Há um conjunto de coisas a ter em atenção quando se procurar um carro usado:
Curiosamente, acabei por comprar o meu carro no mesmo stand onde fui antes, ao mesmo vendedor que me tinha entregue a triste notícia sobre o financiamento. Ele ficou impressionado por me ver de volta, mas a vida tem dessas coisas. Apenas fiz um test drive, e comprei imediatamente o carro. Pode parecer precipitado, mas:
bom negócio. Um bocadinho acima do valor de mercado segudo o autotrader, mas nada de muito preocupante.
Ficou marcado ir levantar o carro dali a 2 dias, e entretanto teria de tratar do seguro. Eu já tinha feito algumas simulações de seguros, portanto sabia o que esperar, mas mesmo assim achei caro: quase 1000£ ano para o seguro de um carro pequeno. Entretanto tenho explorado melhor o assunto, e parece que o mercado de seguros no UK sofre de graves problemas:
Para tornar o sistema verdadeiramente insultuoso, há seguradoras que oferecem potenciais descontos se instalarmos no carro um tracker da sua eleição [4]. Ou seja: cobram o que quiserem e ainda querem saber onde ando e a que velocidade ando, e se eu conduzir "bem" segundo lá os critérios deles, fazem-me um desconto; se não gostarem da minha condução sobem-me o preço. Naturalmente, mandei-os passear e paguei mais por um seguro sem tracker. Honestamente, acho a mera proposta de me deixar espiar por um potencial desconto no seguro nojenta: é o reflexo de um sistema profundamente partido. Ninguém diz a um português o que é conduzir "bem", caralho.
O seguro do carro trata-se todo online, o que para mim é muito estranho, e até se pode verificar online se o carro tem seguro [5]. Os comparadores de preços [6] são nosso amigos, mas cuidado com eles por vezes; já li casos de pessoas que tiveram apólices canceladas por tentarem muitas comparações com detalhes ligeiramente diferentes (infelizmente não encontrei uma ref para esta, mas penso que foi no /LegalAdviceUK). Correndo o risco de me repetir, o sistema de seguros auto aqui está profundamente desregulado e a precisar de alguém com tomates para o resolver. Certamente não será o BoJo.
No dia em que levantei o carro:
Dias depois recebi o novo V5C em meu nome. O V5C é uma espécie de livrete, ou "documento único" se formos modernos, mas ao contrário do livrete nunca deve andar no carro pois é muito fácil transferir o V5C para outro nome sem intervenção do dono anterior. Mais curiosamente ainda, o V5C não prova propriedade do carro, apenas quem é o "registered keeper" dele. Por outras palavras, a minha única forma de demonstrar que sou dono do carro é a factura que me deram quando o comprei. Neat.
Sentei-me no carrito, carreguei no botão para arrancar o motor pensando "que modernice", e ele lá acordou. Curiosamente, só nesta altura é que me ocorreu: se calhar não era uma má ideia ir ler sobre as regras da estrada aqui. Sorte a minha, o governo tem a totalidade do Highway Code [8] disponível no site, e tenho-o lido aos bocadinhos. Mais sobre isso no próximo capítulo.
Curiosamente, não é preciso termos connosco nenhuma documentação quando conduzimos [9]. Os Ingleses têm uma abordagem diferente da nossa no que toca à documentação; é tudo guardado em bases de dados do governo, e eles só precisam de verificar a matrícula contra a base de dados para saber se está tudo bem. O condutor apenas precisa de ter a carta de condução, e alguma identificação por conveniência. Eu pessoalmente costumo ter o cartão de cidadão e a carta de condução. Idealmente teria o passaporte, mas evito andar com o passaporte no bolso, e o cartão de cidadão deve ser mais do que suficiente como identificação até no mundo pós-brexit. Na realidade penso que a carta de condução por si chegaria, mas mais vale estar seguro né?
Virei proprietário do meu próprio veículo! Mais um, porque nunca vendi o bolinhas que está em Portugal.

Conclusão

Tenho que confessar que estou impressionado pela positiva com a experiência que foi comprar um carro no UK. O processo foi muito mais simples do que esperava, e praticamente tudo se tratou no stand na hora da compra. Até o seguro podia ter ficado logo resolvido, mas eu preferi fazer em casa com mais algum controlo sobre isso. Nota-se que é um sistema muito mais polido que em Portugal, pelo menos na minha experiência.
A minha relação próxima com a condução começa a entrar, infelizmente, em rota de colisão com o status quo: vivemos num mundo que cada vez menos suporta o transporte individual. Há gente a mais no mundo, e há carros a mais no mundo, há fumo a mais no mundo. Na realidade, há "a mais no mundo" de quase tudo o que é mau, pessoas incluídas. Sinto que esta minha necessidade de conduzir vai brevemente bater de frente contra a necessidade global de cortar no transporte individual a favor de transportes colectivos. Até lá, vou aproveitar as espectaculares estradas de campo aqui à volta, particularmente a horas em que não estejam completamente congestionadas. Fiquem de olho, o próximo capítulo vai falar sobre a experiência que é conduzir no UK, e como é que difere do que eu esperava.
Desta feita apontei para um post mais curto que o anterior, que essencialmente parte este assunto em dois: este primeiro cobre o processo de como (e porquê) comprei o carro, e o seguinte vai cobrir a experiência de conduzir em si. Notei que o engagement no capítulo 1 foi menor que nos posts anteriores, e suspeito que ler uma epopeia tão longa não ajuda; digam-me nos comments se tenho razão.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

Referências

Capítulos Anteriores

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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.19 09:18 virgomaterdei A minha mãe tem câncer avançado

Um belo dia, após uma faxina, ela sentiu uma dorzinha no seio e um pequeno nódulo. Fazia, já de rotina, a mamografia e nada de anormal até então. Na mesma semana da dor, conseguiu consulta com o mastologista e, após o radiografia e a biópsia, foi confirmado o diagnóstico de carcinoma ductal (pelo que entendi, um câncer se desenvolveu no ducto da glândula mamária, por onde passa o leite). Segundo os médicos, todo o prognóstico era muito bom: a doença foi descoberta com muita antecedência, estava apenas na mama, encapsulada; ela não tem hipertensão, diabetes, obesidade, não fuma, não bebe e não tem histórico de câncer, qualquer que seja, na família. Aliás, fica um elogio ao SUS: quimioterapia, radioterapia e cirurgia de retirada total da mama e a reconstrução com plástica foram feitos com muita rapidez e sem que desembolsássemos um centavo sequer. Até os remédios para enjoo foram dados. Após um ano, achávamos que, finalmente, nosso inferno acabou. Não havia mais qualquer sinal da doença.
Com menos de um ano depois, ela percebeu dois pequenos caroços na região da costela. Foi cogitado que fosse um tumor benigno, não relacionado ao câncer, um lipoma (tumor de gordura). Isso foi acompanhado de falta de ar. Após nova biópsia, resultado: metástase para os pulmões, com derrame pleural (líquido na pleura, que acaba por impedir a total expansão do pulmão para captar ar). Começamos (falo no plural porque apesar do câncer estar nela, o sofrimento é compartilhado) de novo a quimioterapia, além da cirurgia. Esse segundo ciclo de quimioterapia foi feito no privado, por meio do convênio militar (meu pai é policial). Paralelamente, surgem dores fortíssimas nas costas. O câncer se disseminou para as costas, mais especificamente a coluna. Fez radioterapia e as dores cessaram, mas a quimioterapia continuou. Agora, com outros medicamentos e um deles a deixou hipertensa.
A doença parecia domada. As dores fortíssimas na coluna voltaram. O médico decidiu interromper a quimioterapia e manter apenas um medicamento, que em vez de tentar (em vão) matar o câncer, tenta contê-lo. Aparentemente não funcionou, porque o pulmão agora está cheio de pequenos nódulos. Vamos agora para a terceira rodada de quimioterapia, com novos medicamentos e o médico me avisou: a chance de resposta é de, em torno, 30%. Ainda há outras duas opções, mas parece que, inevitavelmente, em algum momento, o câncer não responderá mais aos tratamentos. Torço para estar enganado.
Eu tenho pesadelos. Choro antes de dormir e às vezes, acordo chorando. Nunca, nem nos meus piores pesadelos, imaginei presenciar a minha mãe, a pessoa que mais amo no mundo, nessa situação. Ela tinha planos: aposentar-se e clinicar como psicóloga. Tudo interrompido. Queria tentar um doutorado (ela concluiu o mestrado durante toda essa tempestade). Queríamos viajar, falávamos em conhecer a Argentina ou o Rio Grande de Sul. Hoje, nem a um restaurante ela consegue ir, ficar sentada numa cadeira se tornou um martírio. As dores estão sendo controladas com morfina. A lesão não chegou à medula, mas há risco, e com o comprometimento nervoso, parar de andar (só uma infeliz hipótese, mas está no horizonte). Hoje falamos de morte e ela me disse que, em momento algum isso passa por sua cabeça; ela permanece aparentemente forte, já eu estou ruindo por dentro. A situação, inclusive, fez eu me reaproximar da religião, já que eu era ateu (achava, mas pode dar outro relato).
Uma esperança era a imunoterapia, medicamentos que ensinam o próprio organismo a reconhecer as células cancerosas e matá-las, mas veio um balde de água fria: ela não a expressão de uma proteína chama PDL1. Ou seja, quimioterapia, radioterapia e controle de sintomas são as únicas opções possíveis. Dói tanto. Tanto. Eu me sinto impotente. Estou vendo a pessoa mais importante da minha vida definhando e sofrendo e posso fazer nada. Obrigado a quem leu. Amem os seus pais. Amo muito os meus. São pessoas incríveis.
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2020.08.18 18:00 Vl4dimirPudim A história da ULIP

Após a expulsão dos texugos de teemo city nos Estados Unidos de Renatinho, eles foram para a ilha deserta sul do arquipélago de Pudinisland, lá eles fundaram um país livre das opressões dos humanos, e se consagraram o principal vencedor da 1° guerra Gnomistica ( só os Texugos acham que só eles ganharam a guerra ).
Após vários anos dessa guerra, a população almentará muito e assume a presidência Pripiat Kosvok, um texugo aparentemente normal, mas ele não era, ele dá um golpe de estado e intala uma ditadura que digamos "não seguem os direitos humanos", o nome do país é alterado para República dos texugos felizes, mas após alguns revoltas oprimidas as pessoas acabam aderindo as ideia do regime.
Havia vários relatos de tortura, perseguição política e miséria no estado dos texugos, isso ocasionou milhões de protesto em toda Pudinisland, a tenção era grande o povo temia e esperava um guerra, mas a UNP ( União das Nações de Pudinisland ) obrigada as potências do arquipélago a não criarem uma 2° guerra Gnomistica. Ela obriga a Rússia 2 a ceder os territórios da ilha comprida do oeste, mas especificamente o sul, que não havia nada além de mata é panda, a Rússia 2 "concorda" com os termos imposto pela UNP e acaba cedendo os territórios com uma população estimada de 4784 russos, boa parte militares na reserva ou aposentados, e milhões de pandas camponeses, plantadores de coxinha, A República dos texugos felizes, descobre uma grande reserva de minérios de vodka e petróleo de dinossauros mortos.
Eles invadem o local e enviam primeiramente prisioneiros de guerra e condenados para trabalhar em condições precárias dentro dessas minas. Porém eles decidiram escravizar a população Nativa também, incluindo os camponeses pandas. Uma dessas pessoas é Cleber Salgado, um ex militar russo que se aposentou devido a um assistente de trabalho ( uma granada explodiu no seu pé, e ele ficou sem pé ), ele foi um dos que foram levados para os campos de trabalho forçado, porém numa noite ele decidiu arriscar sua vida para tentar escapar desse pesadelo, ele conseguiu fugir para a mata, faz uma jangada e partiu até o território russo, lá ele falou com o gonverno e falou o que estava acontecendo com o antigo território.
Após meses de preparo ele consegue se reunir com os camponeses que fugiram é alguns pandas na região fronteiriça entre os russos e a República dos texugos felizes, ele monta um pequeno grupo armado com apoio dos russos. É parte para o campo de trabalho forçado de Vulkiguli, para libertar seus camaradas. A invasão a Vulkiguli falha, o exército de Cleber é totalmente destruído, muito perderam a vida e os que sobreviveram foram levados para prisões de trabalho forçado.
Cleber Salgado reúne mais uma vez um exercício, dessa vez ele Consegue Chamar os Pandas, que nem se quer falavam inglês, foram para guerra milhões de pandas, eles usavam apenas um chapéu de palha e uma ak 47.
A guerra de Miskivolk ( outro campo de trabalho forçado) contou com Cleber Salgado em pessoa, e alguns furrys, A batalha foi um sucesso, a rápida tomada fo forte de Susk Vantork Foi essencial para trasformar-lo numa fortaleza aliada, ganhado o fronte e derrotado o exército dos texugos pelo Atrito. Pouco a Pouco, o exército dos texugos foram recuando, e a meia noite é declarado a Vitória sobre o comando de Cleber Salgado e pelos grandes soldado Pandas que defenderam bravamente com suas vidas.
O forte foi usado como base pelos Exército aliados é, se tornou um grande ponto de refugiados de prisões, lá havia um grande acampamento improvisado que acomodava 150 mil pessoas Cíveis e soldados, Um Hospital militar, Depósitos feitos de madeira, Algumas plantações de coxinha, O forte foi todo murado e colocado guardas 24/7 para defender o forte. Pouco anos após o término da guerra, essa seria o início da cidade de Clepolis. Após a guerra de Miskivolk, houve várias outras guerra e invasões aliadas e inimigas, a maior delas foi a invasão aliada a principal base aérea da região, a Kormingtar 01, Essa foi a primeira grande derrota do exército dos texugos, que possibilitou o exército de Cleber receber suprimentos diretamente da russia 2, por vias aéreas, Também possibilitou a patrulha aérea da região, por conta dos helicópteros e aviões deixados pelos texugos, em sumo foi a principal batalha de toda Guerra pela libertação de U.L.I.P.
Agora Com o exército dos texugos recuando, o sul da ilha Dlinnyy era de Cleber, as vastas cadeias de túneis subterrâneos cheios de Chade ( o mineiro revolucionário super power revolution ), às vastas montanhas de Vodka, As estepes dos unos, Tudo era de Cleber. finalmente havia paz, mas Cleber Salgado Queria mais, Ele invade a ilha de Ostrov Krabov e... Começa a tocar Crab Island do Noisestorm...(NÃO '-')...
[Bom podemos perceber que Cleber Salgado perdeu a linha, o poder subiu a cabeça, então essa informação é importante]
...nada contasse? "AH MEU DEUS OLHA AQUELE MÍSSIL...BOOOOOOOMMMM" todo o exército de Cleber tinha ido por água abaixo, Cerca de 3 milhões de pessoas morreram, 15 milhões de Caran Morreram! ( F ). Sim a República dos texugos felizes tinha lançado um míssil 15x mais forte que a bomba De Nagasaki em um ilha composta apenas por caranguejos e o exército de Cleber. ( inclusive é por causa dessa bomba que a ilha tem esse formato de um "c" de lado). Essa armadilha foi crucial para a Guerra, será que Os Texugos triunfaram dessa vez? Será que o Cleber vai perder? A primeira derrota dos Russos? Resposta: (Tá Parei XD)
Essa armadilha deixa Cleber (mais) louco (do que ele já estava), Ele começa a beber litros de vodka, sua mente foi abalada completamente, Isaías, o seu melhor amigo panda havia morrido na quela emboscada, Penny a única mulher que ele amou na sua vida, havia traído ele com seu irmão Dias antes... Cleber sofreu. Mas isso não era o suficiente para Abalar o grande Cleber Salgado Peixes o Rei das Coxinhas, Com sua Bravura, Sua Mente Blindada de Belo soldado RUSSO e 30 litros de vodka ele não se abalava por nada... Foi então que ele planeja o plano Braba ruiva 2, Que consistia em Invadir a grande ilha Schastlivyy ostrov Barsukov, a ilha principal do estado dos texugos. A operação seria muito Difícil, mas para um louco... quero dizer um Gênio militar como o Cleber, o que é difícil? Ele passa Semanas sem dormir, focado no seu plano.
Até que chega o dia da ação. Começando com um bombardeios Noturnos, na cidade de Belo Texugo Horizonte, e em bases próximas a cidade, Após 2 Horas de constante Bombardeios, os primeiros ParaquedistasSaltam de seus aviões, caindo levemente em pastos verdejantes, juntos com os paraquedistas, Cerca de 300 mil soldados russos, desembarcaram em portos, costas e praias de Belo Texugo Horizonte, Foi um dia glorioso para os soldados aliados e um péssimo dia para os Texugos.
Na manhã do dia seguinte, os bombardeios acalmaram, e o grande exército liderado por claber marchava para o Rio de Texugo, Saqueando Vilas e pequenas cidades e tomando Fortalezas. Ao todo foram 15 dias Marchando. O exército estava motivado como nunca, eles contavam as História mais epicas é assustadoras e cantavam juntos Hinos de seus países, era lindo, aquilo para os soldados era nada além de uma grande aventura, de que sairiam Glorioso e orgulhoso de se mesmo. Mas a tomada do Rio foi mais Complicada do que eles esperavam...
A começar pela retomada dos Bombardeios, que foram eficazes no início, mas por conta das artilharias ante-aéreas, foram obrigados a recuar. Havia muitas resistência, e por conta das ante-aéreas o reforço dos paraquedistas não aconteceu como o esperado, ficando só com o reforço marítimo. Mas após 2 dias de batalha intensa, a presença do exército dos texugos era desprezível. Porém os traficantes de doginho dos morros se juntaram para lutar contra os soldados aliados, os morros de Rio de Texugo eram bem diferentes dos combates em campo aberto ou das ruas das cidades, os inúmeros becos e ruelas confundiam profundamente os soldados, fora o conhecimento geografia intenso dos traficantes locais, que além de serem traficantes eram apoiados pelo exército dos texugos. Essa Guerra foi muito massante para os Aliados que passaram por experiência terríveis até para soldados Russos. Ao longo de 7 dias de guerra, Rio de Texugo finalmente era Posse dos Aliados.
Agora eles partiam para uma jornada de 6 dias para São Texugo Paulo, indo pelo Costa que era repleta de bases da marinha dos texugos, o que dificultou o suporte marítimo dos russos, além de eles estarem completamente sem nem um apoio areio. Mas logo o tempo passa e lá estão o exército de Cleber há 10 quilômetros da capital São Texugo Paulo, que era a mais bem prepada é militarizada de todas as outras cidades, Todo o resto do exército profissional dos texugos estava lá, também toda a marinha e aeronáutica. Alguns bombardeiros e aviões decidiram embarcar nessa última viagem, uma viagem sem volta, ( F pelos pilotos que se sacrificaram pelos aliados ).
Guerreiros.
"A batalha sangrenta, que fez de nossos aliados pó e sangue, que cremaram nossos corpos, mas não nossa dignidade, que Feiram nosso peito com uma bala, mas não feriram nossa esperança, que Bombardiaram nossos batalhões, mas não nossos corações, Que afundaram nosso encouraçados, mas ainda vive em nossos passados, Escondidos em falsos deuses dourados. Jogaram Armas químicas contras nós, diminuindo assim nossos Karmas, Fazendo assim, com nossas inchadas, Trocadas Por lindas Armas, o Trabalho escravo, trocado por um liberdade. Podem matar, mas já mais terminaram o legado sem fim de um Guerreiro Pudim."
"Poema feito por Vladimir Pudim 2 de agosto de 2020"
Nesse trecho do poema "Guerreiros" retrata bem a Vitória sofrida dos Aliados, que para defender sua tirania Pripiat Kosvok usa de táticas desumanas contra nós, como armas químicas, lança Chamas e Torturas. Nessa batalha também teve a naufrágio do RSS Borisland, o grande navio russo da 1° guerra Gnomistica. Mas por fim Pripiat Kosvok foi morto e a paz foi instaurado no Novo Estado Dos Texugos Felizes. De quase 1 milhão de soldados que participaram diretamente da operação barba ruiva 2, apenas saíram vivos Por volta de 150 mil. ( um F a todos )
Foi instaurado um estado livre na República dos texugos felizes, voltando a ser o estado livre dos texugos [obviamente com ligação direta a Rússia 2 pq né?], mas especificamente falando da região de Cleber Salgado, a Rússia 2 toma o controle da região (por conta dos minerios) basicamente transformando a região em um estado fantoche. Vendo isso Cleber Salgado ( que está louco ) temia o estado que ele lotou para conquistar, se tornar novamente algo autoritário, ele vai até o kremlin, durante um pronunciamento oficial do gonverno russo ( que estava sendo transmitido para todos da russia 2 e até de toda Pudinisland ) ele invade o pronunciamento, dá um soco na cara de Gorbachev 2 ( presidente da russia 2 na época) fazendo ele desmaia, Cleber pega o microfone e proclama a União das linhas do imperio Pudinesco, ou U.L.I.P, Cleber Salgado acabou de dar um golpe de estado, pra não ocasionar mais uma guerra, a ONP concordou em deixar a U.L.I.P livre.
Cleber volta para o seu país recém criado, como chefe da nação, Ele é ovacionado pela sua população, todos de todas as cidades celebram sua liberdade. Cleber começa a exportar os minerais o ocasiona uma rápida crescida no Pib, ele começa a investir em infraestrutura e em pesquisa e desenvolvimento, principalmente na pesquisa do minério de Salsichomita, recém encontrado nas cavernas subterrâneas da U.L.I.P, vários pesquisadores do MUNDO todo foram para lá, entre eles os pesquisadores do Acre, que descobriram propriedades ante-gravitacionais na Salsichomita, quando energização, sua capacidade de armazenamento energético é 5000 de vezes mais eficiente do que as baterias comuns, um minério leve e muito especial, foi dos dinossauros que Cleber encontrou o lucro, e os dinossauros a revolução tecnológica que eles tanto queriam, foram vendidos toneladas de Salsichomita para o Acre, enriquecendo muito o estado de Cleber.
Após a chegada de Vladimir Pudim ao gonverno Russo, as relações da U.L.I.P com o Arquipélago de Pudinisland melhorou muito, principalmente com a Rússia 2, pois Vladimir Pudim foi ex-parceiro de combate de Cleber Salgado Peixes, antes do acidente da granada, A U.L.I.P cresceu e se tornou um país multe cultural, com Humanos russos, Caranguejos, Furrys e texugos que desertaram do estado dos texugos e Muitos pandas gordos.
O país atualmente
Nome oficial: União das linhas do imperio Pudinesco População: 2.457.998 habitantes Maioria ética: PANDA Pib per capita: 10.930 dólares Moeda oficial: Rubulo da U.L.I.P Religião oficial: Budismo dos Bandas Capital: Clepolis Presente: Cleber Salgado Peixes Gastos Militares: 2 Bilhões de dólares N° de ogivas nucleares: 0 Estado Atual: Em paz Favorável à uma unificação: não
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2020.08.17 06:41 futebolstats A Carreira de Ederson Moraes em Números

Quando cita-se um dos melhores goleiros da atualidade, o nome de Ederson Moraes que atualmente joga pelo Manchester City da Inglaterra e também joga pela Seleção Brasileira, deve ser levado em conta.
Ederson Lúcio Santana de Moraes nasceu em 17/08/1993 em Osasco, região metropolitana de São Paulo. Antes de ser o arqueiro – goleiro – do Manchester City, Ederson teve passagens por clubes de Portugal. Porém, o que mais se sabe sobre a carreira dele? Por quais clubes atuou? Quais feitos atingiu até aqui na sua carreira?

Juvenil

Antes de chegar onde chegou, Ederson Moraes iniciou a sua carreira como goleiro na base do São Paulo Futebol Clube em 2006 e ficou por lá até no ano de 2009. Foi aprovado especificamente no dia 5 de novembro de 2006, de acordo com uma ficha guardada por Luiz Batista da Silva Júnior que é popularmente conhecido como Luizinho. Ele era o preparador de goleiros da base do São Paulo naquela época.Neste mesmo ano (2006), Luizinho chegou a treinar Rogério Ceni por um curto período de tempo.
Naquela época, o então garoto de 13 anos – Ederson – impressionou nos treinos em Cotia e curiosamente, Luizinho relatou que Ederson era zagueiro em uma escolinha de futebol em Osasco e ele foi indicado por Toninho, antes avaliador técnico.
Luizinho foi preparador de Ederson na categoria sub-15 do São Paulo. Quando o então garoto subiu para o time sub-17, encontrou concorrentes mais evoluídos fisicamente. À época, ele tinha 1,75 m de altura e apenas 56 kg, segundo dados da ficha e por esta razão, não conseguiu espaço e acabou saindo do São Paulo. Depois de alguns meses, foi para o Sport Lisboa e Benfica de Portugal.
Observação: trecho retirado do site do Globo Esporte

Benfica

Categorias de Base

Mesmo tendo passado na base do São Paulo, como já foi dito acima, Ederson foi dispensado do clube e quando tudo parecia perdido, a oportunidade de alavancar a sua carreira surgiu do outro lado do Oceano Atlântico.
Longe de casa e da família, passou por dificuldades, mas as superou e em 2011, aos 18 anos, jogou 10 partidas pela equipe sub-19 do Benfica e ainda no mesmo ano, para dar sequência ao jovem arqueiro, a equipe lisboeta – Benfica – o emprestou para um clube que disputava a 3ª divisão do futebol português naquela época.

A Carreira de Ederson em Números

Ribeirão

2011-12

Para Ederson ganhar “rodagem”, o Benfica o emprestou para o Grupo Desportivo Ribeirão, clube que disputava a 3ª divisão do futebol português e assim sendo, em 28 de agosto de 2011, o jovem goleiro de 18 anos recém-completados fez a sua estreia como profissional em partida válida pela 1ª fase da Taça de Portugal, a qual o Ribeirão empataram em 0-0 com o Pontassolense e nas penalidades, o Pontassolense levou a melhor e venceu por 5-3.
Em 04/09/2011, na estreia do Ribeirão na 3ª divisão nacional, empate em 1-1 com o Marítimo B. Posteriormente, em 22 de abril de 2012, Ederson fez o seu último jogo com a camisa do Ribeirão, ao qual perdeu para o Varzim por 1-0.
Em suma, na sua 1ª temporada como profissional, Ederson Moraes disputou 30 jogos, sofreu 30 gols e não sofreu gols em 9 jogos; média de 1 gol sofrido por partida. Quanto ao Ribeirão, somou 44 pontos em 30 rodadas e terminou em 7º lugar na Zona Norte da 3ª divisão do futebol português e com isso, não se classificou para os play-offs e com isso, teve de amargar mais uma temporada na 3ª divisão nacional.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2011-12
30309502695
Pd – Partidas disputadas, Gs – Gols sofridos, Jssg – Jogos sem sofrer gols, CA – Cartões amarelos, CV – Cartões vermelhos e Mj – Minutos jogados

Rio Ave

2012-13

Na janela de verão de 2012, Ederson ganhou a chance de jogar por uma equipe da Primeira Liga – 1ª divisão do futebol português – e esta equipe era o Rio Ave.
À esquerda Ederson Moraes e à direita Jan OblakEm 18 de agosto de 2012, na estreia do Rio Ave na Primeira Liga 2012-13, Nuno Espírito Santo – técnico do Rio Ave naquela época – escalou Ederson como titular e esta foi uma estreia para se esquecer, pois os Vilacondenses – Rio Ave – perdeu para o Marítimo por 1-0. Na rodada seguinte, Jan Oblak foi o goleiro titular do time e daí em diante, foi efetivado como o titular da equipe e no primeiro jogo do arqueiro esloveno como titular, o Rio Ave venceu o Sporting por 1-0 fora de casa.
Embora tenha perdido o posto de titular para Oblak na Primeira Liga, na Taça de Portugal e na Taça da Liga, Ederson era o goleiro titular e das duas competições nas quais ele foi o titular, destaque para a Taça da Liga onde o Rio Ave chegou até as semifinais e foi eliminado pelo Porto por 4-0. Ainda convém lembrar que Oblak foi expulso aos 9 minutos do segundo tempo e mesmo com a entrada de Ederson na equipe, isso desestabilizou os Vilacondenses.
Em suma, na sua 1ª temporada como goleiro dos Vilacondenses, Ederson disputou 8 partidas, sofreu 14 gols e só não foi “vazado” em um jogo; média de 1,75 gols sofridos por partida. Quanto ao Rio Ave, terminou o Campeonato Português em 7º lugar, chegou até a semifinal da Taça da Liga e foi eliminado na 4ª fase da Taça de Portugal.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2012-13
814110695

2013-14

Mesmo com o retorno de Jan Oblak ao Benfica, o Rio Ave foi atrás de outro goleiro e trouxe o francês Romain Salin e no início, Nuno Espírito Santo escalava o arqueiro francês como titular e assim sendo, somente em 20 de outubro de 2013, em confronto válido pela 3ª fase da Taça de Portugal contra o Esperança Lagos é que o goleiro brasileiro teve a sua primeira chance como titular e no seu primeiro jogo da temporada, o Rio Ave venceu o Esperança Lagos por 3-0.
Em 03/11/2013, em jogo da 9ª rodada da Primeira Liga, Ederson entrou no lugar de Romain Salin ainda aos 25 minutos do primeiro tempo e com ele em campo, a equipe vilacondense venceu o Braga por 1-0. Ainda assim, Nuno Espírito Santo escalou o arqueiro francês como titular na partida seguinte e em 01/12/2013, o técnico o escalou pela primeira vez como titular em um jogo do Campeonato Português, ao qual o Benfica venceu o Rio Ave por 3-1, porém mesmo tendo levado 3 gols na sua estreia como titular, o técnico bancou a permanência dele como titular para o restante dos jogos da equipe vilacondense na Primeira Liga 2013-14.
Posteriormente, o Benfica e o Rio Ave voltaram a se encontrar em duas finais; da Taça de Portugal e da Taça da Liga sendo que na final da primeira competição, Ederson foi o goleiro titular e mesmo assim, derrota por 1-0 para os Encarnados (Benfica). Na verdade, o Benfica levou a melhor nas duas ocasiões.
Em suma, na sua 2ª temporada como goleiro dos Vilacondenses, Ederson Moraes disputou 28 partidas, sofreu 27 gols e não foi vazado em 13 jogos; média de 0,96 gols sofridos por partida. Quanto ao Rio Ave, além de ser o vice-campeão da Taça da Liga e da Taça de Portugal, terminou o Campeonato Português em 11º lugar.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2013-14
282713502427

2014-15

Com o término da temporada 2013-14, Nuno Espírito Santo deixou o comando do Rio Ave para assumir o comando do Valencia da Espanha e para o seu lugar, a equipe vilacondense apostou em Pedro Martins. Mesmo com a mudança de treinador, Ederson iniciava essa temporada como reserva, desta vez de outro goleiro brasileiro, Cássio Albuquerque.
Em 24 de setembro de 2014, no primeiro confronto da eliminatória da Taça da Liga contra o Chaves, Pedro Martins escalou Ederson como o goleiro titular pela primeira vez nessa temporada e nessa ocasião, Rio Ave e Chaves empataram em 1-1. Posteriormente, no segundo confronto entre as duas equipes em novembro, Ederson viu do banco as duas equipes empatarem em 0-0 e nos pênaltis, a equipe vilacondense se classificou para a fase de grupos da Taça da Liga ao bater o Chaves por 4-2 nas penalidades.
Ainda no mesmo ano (2014), Pedro Martins escalou o jovem goleiro brasileiro de 21 anos como titular em mais 6 partidas.
Em 1 de fevereiro de 2015, em jogo da 19ª rodada da Primeira Liga, Ederson jogou diante do Estoril como titular e deste jogo em diante, passou a ser o goleiro titular do Rio Ave. Quanto ao resultado dessa partida, vitória da equipe vilacondense por 2-1 sobre o Estoril.
Em 23/05/2015, em confronto válido pela última rodada (30ª) da Primeira Liga, o jovem arqueiro brasileiro de 21 anos jogou a sua última partida pelo Rio Ave, a qual a equipe vilacondense perdeu para o Sporting por 1-0 em pleno Estádio dos Arcos (estádio do Rio Ave).
Em suma, na sua última temporada com a camisa dos Vilacondenses, Ederson disputou 28 jogos, sofreu 33 gols e não foi vazado em 7 partidas; média de 1,17 gols sofridos por partida. Quanto ao Rio Ave, chegou até as semifinais da Taça de Portugal, foi eliminado na fase de grupos da UEFA Europa League e da Taça da Liga e alem disso, terminou o Campeonato Português em 10º lugar.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2014-15
28337402520


Benfica

2015-16

Após passagens por Ribeirão e Rio Ave respectivamente, em 27 de junho de 2015, Ederson foi reintegrado ao Benfica. Então, em julho do mesmo ano (2015), assinou oficialmente um contrato de 5 anos com o clube lisboeta em um acordo de 500 mil euros e além disso, o Benfica definiu uma cláusula de liberação no valor de 45 milhões de euros (cerca de 199,7 milhões de reais). Ainda é importante mencionar que o Rio Ave manteria 50% dos direitos econômicos do próximo goleiro.
No início dessa temporada (2015-16), Ederson era a segunda opção de Rui Vitória – técnico do Benfica naquela época -, pois o arqueiro titular dos Encarnados era o compatriota Júlio César e com isso, antes da sua primeira oportunidade pela equipe principal do Benfica, o jovem goleiro de 21 anos jogou 4 partidas da Segunda Liga – 2ª divisão do futebol português – pela equipe B dos Encarnados.
Em 21/11/2015, em confronto válido pela 4ª fase da Taça de Portugal, Ederson recebeu o seu primeiro e único cartão vermelho da carreira e o pior é que ele não estava jogando, pois é, mesmo no banco de reservas foi expulso. Quanto ao resultado da partida, o Benfica perdeu para o Sporting por 2-1 na prorrogação e com isso, os Encarnados deram adeus as chances de conquistar o seu 26º título dessa competição.
Em 29/12/2015, na estreia do Benfica na fase de grupos da Taça da Liga, Rui Vitória escalou Ederson como titular pela equipe principal pela primeira vez e no primeiro jogo como titular, o Benfica venceu o Nacional da Madeira por 1-0.
Em 5 de março de 2016, em jogo da 25ª rodada da Primeira Liga, Ederson voltou a ganhar uma chance como titular devido a uma lesão de Júlio César e no seu primeiro jogo nesse ano (2016) como titular, o Benfica venceu o “Dérbi de Lisboa” – clássico entre Benfica e Sporting – por 1-0. Com este resultado, os Encarnados assumiram a liderança da Primeira Liga 2015-16 e desde então, o jovem goleiro de 22 anos passou a ser o goleiro titular do time.
Em 05/04/2016, no primeiro confronto das quartas de final da UEFA Champions League (Liga dos Campeões) contra o Bayern de Munique da Alemanha fora de casa, a equipe alemã venceu o clube lisboeta por apenas 1-0. Convém lembrar que o time alemão costumava golear os seus adversários jogando na Allianz Arena sendo que na fase de grupos, aplicou 3 goleadas lá e o Benfica conseguiu levar apenas 1 gol. Posteriormente, as duas equipes empataram em 2-2 no segundo confronto e com isso, o Bayern avançou para a fase seguinte dessa edição da Liga dos Campeões.
Em suma, na sua 1ª temporada como goleiro dos Encarnados, Ederson Moraes disputou 22 jogos, sofreu 18 gols e não foi vazado em 9 partidas; média de 0,81 gols sofridos por partida. Quanto ao Benfica, foi campeão da Taça da Liga e da Primeira Liga, chegou até as quartas de final da Liga dos Campeões e foi eliminado na 4ª fase da Taça de Portugal.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2015-16
22189311971

2016-17

Apesar de ter feito uma excelente temporada 2015-16, no primeiro jogo do Benfica nessa temporada em 7 de agosto de 2016, Rui Vitória escalou Júlio César como titular e os Encarnados venceram o Braga por 3-0 e com isso, sagraram-se campeões da Supertaça Cândido de Oliveira (Supercopa de Portugal).
Em 13/09/2016, na estreia do Benfica na fase de grupos da UEFA Champions League 2016-17, Ederson voltou a ser o goleiro titular, porém no seu primeiro jogo como goleiro titular nessa temporada, o clube lisboeta e o Besiktas da Turquia empataram em 1-1 no Estádio da Luz, em Lisboa (estádio do Benfica).
Em 24/09/2016, em jogo da 6ª rodada da Primeira Liga, o camisa 1 dos Encarnados voltou a ser escalado como titular. Quanto ao resultado do jogo, o Benfica venceu o Chaves por 2-0 fora de casa e desde então, passou a ser o “guarda-redes” – goleiro – titular dos Encarnados.
Em 28 de maio de 2017, em confronto válido pela final da Taça de Portugal, Ederson jogou a sua última partida com a camisa dos Encarnados no triunfo por 2-1 sobre o Vitória de Guimarães e com isso, pela 26ª vez, o Benfica se sagrava campeão da Taça de Portugal.
Em suma, na sua 2ª e última temporada como arqueiro do clube lisboeta, Ederson Moraes disputou 40 jogos, sofreu 27 gols e não foi vazado em 24 partidas; média de 0,67 gols sofridos por partida. Quanto ao Benfica, além de ter sido campeão da Supertaça Cândido de Oliveira e da Taça de Portugal, também foi o campeão da Primeira Liga 2016-17, porém chegou até a semifinal da Taça da Liga e foi eliminado nas oitavas de final da Liga dos Campeões.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2016-17
402724513552

Títulos que conquistou no Benfica - Primeira Liga2015-16 e 2016-17 - Taça de Portugal2016-17 - Taça da Liga2015-16 - Supertaça Cândido de Oliveira2016
- O vídeo abaixo mostra algumas das melhores defesas de Ederson com a camisa do Benfica - Este vídeo foi publicado no YouTube em 3 de abril de 2017por The best sports

Manchester City

2017-18

Ederson sendo apresentado como o mais novo reforço do Manchester CityEm 1º de junho de 2017, o Benfica anunciou que Ederson era goleiro do Manchester City da Inglaterra, estima-se que os Cityzens – Manchester City – desembolsaram 35 milhões de libras/40 milhões de euros (cerca de 170,2 milhões de reais) para contratar o arqueiro brasileiro. Na época, essa transferência fez dele o 2º goleiro mais caro da história – atualmente é o 4º goleiro mais caro de todos os tempos – depois de Gianluigi Buffon (33 milhões de libras/52 milhões de euros). Posteriormente, Alisson Becker do Liverpool (€ 75 milhões) e Kepa Arrizabalaga do Chelsea (€ 80 milhões) superaram ele e o Buffon. Além disso, a transferência de Ederson igualou-se a de Axel Witsel como a maior taxa que um clube já pagou por um jogador do Benfica.
Ederson foi imediatamente escolhido por Pep Guardiola – técnico do Manchester City – como o primeiro goleiro e com isso, Claudio Bravo passou a ser o segundo arqueiro e assim sendo, em 12/08/2017, na estreia do Manchester City na Premier LeagueCampeonato Inglês – dessa temporada, o goleiro brasileiro jogou a sua primeira partida pelo seu novo clube, a qual os Cityzens venceram o Brighton por 2-0 no AMEX Stadium (estádio do Brighton).
Em 09/09/2017, em jogo da 4ª rodada da Premier League, em um lance da partida, em uma disputa de bola, Ederson levou um chute no rosto de Sadio Mané e após o fim do primeiro tempo, foi substituído por Bravo. O resultado disso tudo: Ederson levou 8 pontos e Mané foi expulso pelo árbitro John Moss e acrescenta-se a isso, o atacante senegalês foi suspenso por 3 partidas. Quatro dias depois, o Manchester City debutou na fase de grupos da UEFA Champions League contra o Feyenoord da Holanda. A novidade dessa partida foi que o arqueiro brasileiro teve de usar uma proteção igual a que o ex-goleiro Petr Čech – ex-Arsenal e Chelsea – usava. Quanto ao resultado do jogo, os Cityzens venceram a equipe holandesa por 4-0.
Em suma, na sua 1ª temporada com a camisa dos Cityzens, Ederson Moraes disputou 45 partidas, sofreu 36 gols e não foi vazado em 21 jogos; média de 0,8 gols sofridos por partida. Ainda convém lembrar que o brasileiro foi o segundo goleiro que mais vezes saiu de campo sem sofrer gols (16 jogos sem sofrer gols), ficando atrás apenas de David De Gea do Manchester United (18 jogos sem sofrer gols). Quanto ao Manchester City, foi campeão da Premier League e da Copa da Liga Inglesa, no entanto, chegou até as quartas de final da Liga dos Campeões e foi eliminado nas oitavas de final da Copa da Inglaterra.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2017-18
453621204005

2018-19

Em 12 de agosto de 2018, na estreia dos Cityzens nessa edição da Premier League, Ederson saiu de campo sem ser vazado, pois o Manchester City venceu o Arsenal por 2-0. Na rodada seguinte, em 19/08/2018, Ederson se tornou o primeiro goleiro a prover uma assistência na história da Premier League quando o seu chute da saída do gol chegou até Sergio Agüero e o atacante marcou o primeiro gol da goleada por 6-1 sobre Huddersfield Town.
Ao final dessa temporada, Ederson foi incluído na Seleção da Premier League e além disso, na sua 2ª temporada como goleiro dos Cityzens, Ederson disputou 55 jogos, sofreu 38 gols e saiu de campo sem ser vazado em 28 ocasiões; média de 0,69 gols sofridos por partida. Assim como na temporada anterior, Ederson foi o 2º goleiro que mais vezes saiu de campo sem sofrer gols (20 vezes), ficando atrás apenas do compatriota Alisson Becker (21 jogos sem sofrer gols). Quanto ao Manchester City, foi campeão da Premier League, da Copa da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, porém foi eliminado nas quartas de final da Liga dos Campeões.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2018-19
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2019-20

No primeiro jogo de Ederson nessa temporada, em 10 de agosto de 2019 – estreia dos Cityzens nessa edição da Premier League -, saiu de campo com um “clean sheet”, pois o Manchester City venceu o West Ham no London Stadium por 5-0.
Em 27/12/2019, em jogo da 19ª rodada da Premier League, Ederson foi expulso pela primeira vez no campeonato ao chocar-se com o atacante Diogo Jota e em decorrência disso, Guardiola teve de fazer uma alteração, tirou Agüero para colocar Claudio Bravo, e como senão bastasse, os Cityzens perderam para o Wolverhampton por 3-2 no Molineux Stadium.
Devido à pandemia do COVID-19 (Novo Coronavírus), após o revés por 2-0 para o Manchester United na 29ª rodada da Premier League, em 8 de março de 2020, o campeonato inglês e a maioria dos campeonatos mundo afora foram paralisados e após um hiato de 3 meses, a Premier League voltou na segunda quinzena do mês de junho e logo no retorno do campeonato – em 17/06/2020 -, o Manchester City enfrentou o Arsenal no Etihad Stadium e venceu por 3-0.
Em 26/07/2020, Ederson foi premiado com a “Luva de Ouro” da Premier League 2019-20 por ter sido o arqueiro menos vazado do campeonato – 16 partidas sem sofrer gols – e vale ressaltar que nesse mesmo dia, o City goleou o Norwich por 5-0 no Etihad Stadium.
Em 15/08/2020, em confronto válido pelas quartas de final da Champions League, o Manchester City perdeu por 3-1 para o Lyon da França e sendo assim, pela 3ª vez consecutiva o clube caiu nessa mesma fase do torneio e no dia seguinte após o revés, um dos jornais de Manchester fez críticas contundentes à Ederson e também aos outros 2 compatriotas; Fernandinho e Gabriel Jesus.
Em suma, na sua 3ª temporada na Inglaterra, Ederson Moraes disputou 44 partidas, sofreu 37 gols e saiu de campo sem ser vazado em 20 jogos; média de 0,84 gols sofridos por partida. Quanto ao Manchester City, foi campeão da Copa da Liga Inglesa e da Supercopa da Inglaterra, foi vice-campeão do Campeonato Inglês, chegou até a semifinal da Copa da Inglaterra e caiu nas quartas de final da UEFA Champions League.
PdGsJssgCACVMj na temporada 2019-20
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Títulos que conquistou no Manchester City - Premier League2017-18 e 2018-19 - Copa da Inglaterra2018-19 - Copa da Liga Inglesa2017-18, 2018-19 e 2019-20 - FA Community Shield(Supercopa da Inglaterra) 2018 e 2019
- O vídeo abaixo mostra algumas das melhores defesas executadas por Ederson com a camisa do Manchester City - Este vídeo foi publicado no YouTube há cerca de 11 meses atrás por Saviola

Números de Ederson na Seleção Brasileira

Brasil

Seleções de Base

Após boas atuações pelo Rio Ave, em novembro de 2015, Ederson disputou 2 jogos pela Seleção Sub-23 do Brasil (Seleção Olímpica). Posteriormente, jogou mais 3 partidas pela Seleção Olímpica. Apesar de ter jogado 5 partidas pela seleção sub-23, Ederson não foi convocado para a disputa do Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no ano seguinte (2016).

Seleção Principal

O primeiro técnico a convocar Ederson para a disputa de uma competição (Copa América Centenário) foi Carlos Caetano Bledorn Verri – conhecido como Dunga -, mas foi desconvocado devido a uma lesão. Posteriormente, o Brasil foi eliminado na fase de grupos dessa edição especial da Copa América e em decorrência da má campanha da Seleção, Dunga foi demitido e para o seu lugar, a CBF – entidade máxima do futebol brasileiro – decidiu apostar as suas fichas em Adenor Leonardo Bachi – Tite – e mesmo com a mudança de treinador, Ederson continuou sendo convocado para os jogos da Seleção Principal do Brasil, mas como a segunda opção, pois o goleiro titular da Seleção era – ainda é – Alisson Becker.
Em 11 de outubro de 2017, em partida válida pela última rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo FIFA de 2018 contra o Chile, pela primeira vez na sua carreira, Ederson atuou como titular e na sua estreia como titular da Seleção Brasileira não sofreu gols e assim sendo, vitória do Brasil por 3-0 sobre a seleção chilena.

Copa do Mundo FIFA de 2018

Em maio de 2018, Tite divulgou a lista final dos 23 jogadores convocados para a disputa da Copa do Mundo FIFA de 2018 na Rússia e o nome de Ederson Moraes estava na lista e assim sendo, viu do banco o Brasil iniciar a fase de grupos da Copa do Mundo empatando em 1-1 com a Suíça. Ainda pela fase de grupos, vitórias por 2-0 sobre a Costa Rica e sobre a Sérvia respectivamente e com isso, a Seleção Brasileira terminou em 1º lugar nesse grupo.
Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou o México e venceu por 2-0. No entanto, na fase seguinte, a Seleção Brasileira perdeu para a Bélgica pelo placar de 2-1 e com isso, deu adeus as chances de conquistar o hexacampeonato e teve de adiar o sonho de conquistar o 6º título mundial para a Copa de 2022.

Copa América 2019

Ederson foi o titular no amistoso contra a Arábia SauditaEm 12 de outubro de 2018, num amistoso contra a Arábia Saudita, Ederson atuou como titular pela 2ª vez e novamente foi bem-sucedido, pois o Brasil venceu a seleção saudita por 2-0. Ainda no mesmo ano – em 20/11/2018 -, ganhou mais uma chance como titular em um amistoso e pela 3ª vez saiu de campo sem sofrer gols; o Brasil venceu Camarões por 1-0.
Antes da disputa da Copa América 2019 que realizar-se-ia no Brasil, Ederson foi titular por mais duas vezes (2 amistosos); no empate em 1-1 com o Panamá em 23 de março de 2019 e pouco antes do início da Copa América contra o Catar em 06/06/2019 quando o Brasil venceu por 2-0.
Assim como ocorreu na Copa do Mundo FIFA de 2018, Ederson seguiu sendo a 2ª opção e viu do banco o Brasil estrear com uma vitória por 3-0 sobre a Bolívia na fase de grupos da Copa América 2019. Na duas rodadas seguintes, empate em 0-0 com a Venezuela e vitória por 5-0 sobre o Peru respectivamente e assim sendo, o Brasil terminou em 1º lugar no grupo A.
Nas quartas-de-finais, o Brasil tentou de todas as formas furar a “retranca paraguaia”, mas não obteve sucesso e após um empate em 0-0 no tempo regulamentar, Brasil e Paraguai tiveram de decidir a vaga para a próxima fase nos pênaltis e graças a uma defesa e um chute para fora de Derlis González, a Seleção Brasileira venceu a disputa por pênaltis por 4-3 e com isso, se classificou para a semifinal dessa edição da Copa América.
Nas semifinais, a “Seleção Canarinho” enfrentou a Argentina e venceu por 2-0 e na final da Copa América 2019, triunfo por 3-1 sobre o Peru no estádio do Maracanã no Rio de Janeiro e com isso, pela 9ª vez na sua história, o Brasil se sagrava campeão de uma edição da Copa América.

Total

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Prêmios individuais - O Jogo: Team of the Year: 2016 - Melhor goleiro: Primeira Liga: 2016–17 - Equipe do ano PFA: Premier League: 2018–19
Recorde - Recorde Mundial incluído no Guinness Book pelo maior pontapé da sua grande área: fez a bola atingir 75,35 metros

Considerações Finais

Com base em todos os números apresentados até aqui pode-se concluir que Ederson é um dos melhores goleiros da atualidade e antes de ser contratado pelo Manchester City, Guardiola já havia o observado de perto em um jogo de mata-mata da Liga dos Campeões, ao qual o Bayern de Munique – time que o treinador espanhol comandava naquela época – venceu o Benfica por “apenas” 1-0, mas o que mais chamou a atenção do técnico foi a habilidade de Ederson com os pés. Inclusive, um ex-goleiro do Manchester City – Shay Given – em 2018 elegeu o arqueiro brasileiro como o melhor do mundo com os pés.
Ederson também é descrito como um goleiro ágil com excelentes reflexos e claro, sabe sair jogando com os pés se necessário.
E para vocês? Ederson Moraes é um dos melhores goleiros do mundo atualmente? E por fim quem merece ser o titular da Seleção Brasileira: Alisson ou Ederson?
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2020.08.07 23:21 Vl4dimirPudim HISTÓRIA DA U.L.I.P Idealizada pelo ME.GERMAN e escrito pelo VLADIMIR PUDIM

Após a expulsão dos texugos de teemo city nos Estados Unidos de Renatinho, eles foram para a ilha deserta sul do arquipélago de Pudinisland, lá eles fundaram um país livre das opressões dos humanos, e se consagraram o principal vencedor da 1° guerra Gnomistica ( só os Texugos acham que só eles ganharam a guerra ).
Após vários anos dessa guerra, a população almentará muito e assume a presidência Pripiat Kosvok, um texugo aparentemente normal, mas ele não era, ele dá um golpe de estado e intala uma ditadura que digamos "não seguem os direitos humanos", o nome do país é alterado para República dos texugos felizes, mas após alguns revoltas oprimidas as pessoas acabam aderindo as ideia do regime.
Havia vários relatos de tortura, perseguição política e miséria no estado dos texugos, isso ocasionou milhões de protesto em toda Pudinisland, a tenção era grande o povo temia e esperava um guerra, mas a UNP ( União das Nações de Pudinisland ) obrigada as potências do arquipélago a não criarem uma 2° guerra Gnomistica. Ela obriga a Rússia 2 a ceder os territórios da ilha comprida do oeste, mas especificamente o sul, que não havia nada além de mata é panda, a Rússia 2 "concorda" com os termos imposto pela UNP e acaba cedendo os territórios com uma população estimada de 4784 russos, boa parte militares na reserva ou aposentados, e milhões de pandas camponeses, plantadores de coxinha, A República dos texugos felizes, descobre uma grande reserva de minérios de vodka e petróleo de dinossauros mortos.
Eles invadem o local e enviam primeiramente prisioneiros de guerra e condenados para trabalhar em condições precárias dentro dessas minas. Porém eles decidiram escravizar a população Nativa também, incluindo os camponeses pandas. Uma dessas pessoas é Cleber Salgado, um ex militar russo que se aposentou devido a um assistente de trabalho ( uma granada explodiu no seu pé, e ele ficou sem pé ), ele foi um dos que foram levados para os campos de trabalho forçado, porém numa noite ele decidiu arriscar sua vida para tentar escapar desse pesadelo, ele conseguiu fugir para a mata, faz uma jangada e partiu até o território russo, lá ele falou com o gonverno e falou o que estava acontecendo com o antigo território.
Após meses de preparo ele consegue se reunir com os camponeses que fugiram é alguns pandas na região fronteiriça entre os russos e a República dos texugos felizes, ele monta um pequeno grupo armado com apoio dos russos. É parte para o campo de trabalho forçado de Vulkiguli, para libertar seus camaradas. A invasão a Vulkiguli falha, o exército de Cleber é totalmente destruído, muito perderam a vida e os que sobreviveram foram levados para prisões de trabalho forçado.
Cleber Salgado reúne mais uma vez um exercício, dessa vez ele Consegue Chamar os Pandas, que nem se quer falavam inglês, foram para guerra milhões de pandas, eles usavam apenas um chapéu de palha e uma ak 47.
A guerra de Miskivolk ( outro campo de trabalho forçado) contou com Cleber Salgado em pessoa, e alguns furrys, A batalha foi um sucesso, a rápida tomada fo forte de Susk Vantork Foi essencial para trasformar-lo numa fortaleza aliada, ganhado o fronte e derrotado o exército dos texugos pelo Atrito. Pouco a Pouco, o exército dos texugos foram recuando, e a meia noite é declarado a Vitória sobre o comando de Cleber Salgado e pelos grandes soldado Pandas que defenderam bravamente com suas vidas.
O forte foi usado como base pelos Exército aliados é, se tornou um grande ponto de refugiados de prisões, lá havia um grande acampamento improvisado que acomodava 150 mil pessoas Cíveis e soldados, Um Hospital militar, Depósitos feitos de madeira, Algumas plantações de coxinha, O forte foi todo murado e colocado guardas 24/7 para defender o forte. Pouco anos após o término da guerra, essa seria o início da cidade de Clepolis. Após a guerra de Miskivolk, houve várias outras guerra e invasões aliadas e inimigas, a maior delas foi a invasão aliada a principal base aérea da região, a Kormingtar 01, Essa foi a primeira grande derrota do exército dos texugos, que possibilitou o exército de Cleber receber suprimentos diretamente da russia 2, por vias aéreas, Também possibilitou a patrulha aérea da região, por conta dos helicópteros e aviões deixados pelos texugos, em sumo foi a principal batalha de toda Guerra pela libertação de U.L.I.P.
Agora Com o exército dos texugos recuando, o sul da ilha Dlinnyy era de Cleber, as vastas cadeias de túneis subterrâneos cheios de Chade ( o mineiro revolucionário super power revolution ), às vastas montanhas de Vodka, As estepes dos unos, Tudo era de Cleber. finalmente havia paz, mas Cleber Salgado Queria mais, Ele invade a ilha de Ostrov Krabov e... Começa a tocar Crab Island do Noisestorm...(NÃO '-')...
[Bom podemos perceber que Cleber Salgado perdeu a linha, o poder subiu a cabeça, então essa informação é importante]
...nada contasse? "AH MEU DEUS OLHA AQUELE MÍSSIL...BOOOOOOOMMMM" todo o exército de Cleber tinha ido por água abaixo, Cerca de 3 milhões de pessoas morreram, 15 milhões de Caran Morreram! ( F ). Sim a República dos texugos felizes tinha lançado um míssil 15x mais forte que a bomba De Nagasaki em um ilha composta apenas por caranguejos e o exército de Cleber. ( inclusive é por causa dessa bomba que a ilha tem esse formato de um "c" de lado). Essa armadilha foi crucial para a Guerra, será que Os Texugos triunfaram dessa vez? Será que o Cleber vai perder? A primeira derrota dos Russos? Resposta: (Tá Parei XD)
Essa armadilha deixa Cleber (mais) louco (do que ele já estava), Ele começa a beber litros de vodka, sua mente foi abalada completamente, Isaías, o seu melhor amigo panda havia morrido na quela emboscada, Penny a única mulher que ele amou na sua vida, havia traído ele com seu irmão Dias antes... Cleber sofreu. Mas isso não era o suficiente para Abalar o grande Cleber Salgado Peixes o Rei das Coxinhas, Com sua Bravura, Sua Mente Blindada de Belo soldado RUSSO e 30 litros de vodka ele não se abalava por nada... Foi então que ele planeja o plano Braba ruiva 2, Que consistia em Invadir a grande ilha Schastlivyy ostrov Barsukov, a ilha principal do estado dos texugos. A operação seria muito Difícil, mas para um louco... quero dizer um Gênio militar como o Cleber, o que é difícil? Ele passa Semanas sem dormir, focado no seu plano.
Até que chega o dia da ação. Começando com um bombardeios Noturnos, na cidade de Belo Texugo Horizonte, e em bases próximas a cidade, Após 2 Horas de constante Bombardeios, os primeiros ParaquedistasSaltam de seus aviões, caindo levemente em pastos verdejantes, juntos com os paraquedistas, Cerca de 300 mil soldados russos, desembarcaram em portos, costas e praias de Belo Texugo Horizonte, Foi um dia glorioso para os soldados aliados e um péssimo dia para os Texugos.
Na manhã do dia seguinte, os bombardeios acalmaram, e o grande exército liderado por claber marchava para o Rio de Texugo, Saqueando Vilas e pequenas cidades e tomando Fortalezas. Ao todo foram 15 dias Marchando. O exército estava motivado como nunca, eles contavam as História mais epicas é assustadoras e cantavam juntos Hinos de seus países, era lindo, aquilo para os soldados era nada além de uma grande aventura, de que sairiam Glorioso e orgulhoso de se mesmo. Mas a tomada do Rio foi mais Complicada do que eles esperavam...
A começar pela retomada dos Bombardeios, que foram eficazes no início, mas por conta das artilharias ante-aéreas, foram obrigados a recuar. Havia muitas resistência, e por conta das ante-aéreas o reforço dos paraquedistas não aconteceu como o esperado, ficando só com o reforço marítimo. Mas após 2 dias de batalha intensa, a presença do exército dos texugos era desprezível. Porém os traficantes de doginho dos morros se juntaram para lutar contra os soldados aliados, os morros de Rio de Texugo eram bem diferentes dos combates em campo aberto ou das ruas das cidades, os inúmeros becos e ruelas confundiam profundamente os soldados, fora o conhecimento geografia intenso dos traficantes locais, que além de serem traficantes eram apoiados pelo exército dos texugos. Essa Guerra foi muito massante para os Aliados que passaram por experiência terríveis até para soldados Russos. Ao longo de 7 dias de guerra, Rio de Texugo finalmente era Posse dos Aliados.
Agora eles partiam para uma jornada de 6 dias para São Texugo Paulo, indo pelo Costa que era repleta de bases da marinha dos texugos, o que dificultou o suporte marítimo dos russos, além de eles estarem completamente sem nem um apoio areio. Mas logo o tempo passa e lá estão o exército de Cleber há 10 quilômetros da capital São Texugo Paulo, que era a mais bem prepada é militarizada de todas as outras cidades, Todo o resto do exército profissional dos texugos estava lá, também toda a marinha e aeronáutica. Alguns bombardeiros e aviões decidiram embarcar nessa última viagem, uma viagem sem volta, ( F pelos pilotos que se sacrificaram pelos aliados ).
Guerreiros.
"A batalha sangrenta, que fez de nossos aliados pó e sangue, que cremaram nossos corpos, mas não nossa dignidade, que Feiram nosso peito com uma bala, mas não feriram nossa esperança, que Bombardiaram nossos batalhões, mas não nossos corações, Que afundaram nosso encouraçados, mas ainda vive em nossos passados, Escondidos em falsos deuses dourados. Jogaram Armas químicas contras nós, diminuindo assim nossos Karmas, Fazendo assim, com nossas inchadas, Trocadas Por lindas Armas, o Trabalho escravo, trocado por um liberdade. Podem matar, mas já mais terminaram o legado sem fim de um Guerreiro Pudim."
"Poema feito por Vladimir Pudim 2 de agosto de 2020"
Nesse trecho do poema "Guerreiros" retrata bem a Vitória sofrida dos Aliados, que para defender sua tirania Pripiat Kosvok usa de táticas desumanas contra nós, como armas químicas, lança Chamas e Torturas. Nessa batalha também teve a naufrágio do RSS Borisland, o grande navio russo da 1° guerra Gnomistica. Mas por fim Pripiat Kosvok foi morto e a paz foi instaurado no Novo Estado Dos Texugos Felizes. De quase 1 milhão de soldados que participaram diretamente da operação barba ruiva 2, apenas saíram vivos Por volta de 150 mil. ( um F a todos )
Foi instaurado um estado livre na República dos texugos felizes, voltando a ser o estado livre dos texugos [obviamente com ligação direta a Rússia 2 pq né?], mas especificamente falando da região de Cleber Salgado, a Rússia 2 toma o controle da região (por conta dos minerios) basicamente transformando a região em um estado fantoche. Vendo isso Cleber Salgado ( que está louco ) temia o estado que ele lotou para conquistar, se tornar novamente algo autoritário, ele vai até o kremlin, durante um pronunciamento oficial do gonverno russo ( que estava sendo transmitido para todos da russia 2 e até de toda Pudinisland ) ele invade o pronunciamento, dá um soco na cara de Gorbachev 2 ( presidente da russia 2 na época) fazendo ele desmaia, Cleber pega o microfone e proclama a União das linhas do imperio Pudinesco, ou U.L.I.P, Cleber Salgado acabou de dar um golpe de estado, pra não ocasionar mais uma guerra, a ONP concordou em deixar a U.L.I.P livre.
Cleber volta para o seu país recém criado, como chefe da nação, Ele é ovacionado pela sua população, todos de todas as cidades celebram sua liberdade. Cleber começa a exportar os minerais o ocasiona uma rápida crescida no Pib, ele começa a investir em infraestrutura e em pesquisa e desenvolvimento, principalmente na pesquisa do minério de Salsichomita, recém encontrado nas cavernas subterrâneas da U.L.I.P, vários pesquisadores do MUNDO todo foram para lá, entre eles os pesquisadores do Acre, que descobriram propriedades ante-gravitacionais na Salsichomita, quando energização, sua capacidade de armazenamento energético é 5000 de vezes mais eficiente do que as baterias comuns, um minério leve e muito especial, foi dos dinossauros que Cleber encontrou o lucro, e os dinossauros a revolução tecnológica que eles tanto queriam, foram vendidos toneladas de Salsichomita para o Acre, enriquecendo muito o estado de Cleber.
Após a chegada de Vladimir Pudim ao gonverno Russo, as relações da U.L.I.P com o Arquipélago de Pudinisland melhorou muito, principalmente com a Rússia 2, pois Vladimir Pudim foi ex-parceiro de combate de Cleber Salgado Peixes, antes do acidente da granada, A U.L.I.P cresceu e se tornou um país multe cultural, com Humanos russos, Caranguejos, Furrys e texugos que desertaram do estado dos texugos e Muitos pandas gordos.
O país atualmente
Nome oficial: União das linhas do imperio Pudinesco População: 2.457.998 habitantes Maioria ética: PANDA Pib per capita: 10.930 dólares Moeda oficial: Rubulo da U.L.I.P Religião oficial: Budismo dos Bandas Capital: Clepolis Presente: Cleber Salgado Peixes Gastos Militares: 2 Bilhões de dólares N° de ogivas nucleares: 0 Estado Atual: Em paz Favorável à uma unificação: não
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2020.07.24 00:14 pm_me_your_gynoecium Sou uma bosta no meu curso, e em tudo, pois me saboto.

Não costumo postar aqui mas... Não suportaria postar isso numa rede social não anônima, ou falar com amigos pq resultaria em ouvir respostas pré prontas, sabe? "que isso, não fala assim, imagina..." fora que já tenho quase 30 anos, deveria ser mais equilibrada.
Enfim, eu faço agronomia há 4 anos numa federal e estou na metade do curso ainda, eu gosto do que estudo, mas sou bem ruim no rendimento, no máximo sou mediana, e eu estudo pra isso, bastante, mas sou meio lenta no aprendizado porque faço isso autodidata, nas aulas fico presente só de corpo, a cabeça se enfia dentro de si mesma. O problema é: tenho ansiedade social. Tirar uma dúvida em sala? Ir numa monitoria? Falar no grupo da turma? São coisas que eu evito a todo custo, mesmo que esse custo seja eu permanecer uma bosta no curso, eis a parte da sabotagem. Uma bosta. Faço uma IC voluntária e é o máximo que consegui. Nunca tive uma bolsa remunerada, até fiz provas pra monitoria mas não passei.
Eu não tenho networking, não tenho perspectiva de conseguir, não participei de congressos, nem de empresa junior, entro muda e saio calada, nenhum professor me conhece ou enxerga porque não me destaco em nada, na quarentena não vi nenhuma live, não li um livro de estudo, apenas fiquei aprendendo a tocar violão. Literalmente, essa foi a única coisa "produtiva" que consegui fazer entre um surto e outro com medo de morrer de covid. Comecei a me questionar se eu não deveria estudar programação e viver trabalhando dentro de casa sozinha (seria um sonho, o que estraga é a programação que eu acho muuuuito difícil pelo que já tentei pegar, não sei se sou capaz, ou mesmo por onde começar sem ter como investir) e largar a faculdade. Por outro lado sou pobre e fodida, não dá pra largar as coisas assim sem insistir. Sigo insistindo, exceto agora na quarentena.
Eu não me acho capaz de melhorar. Sinto vontade de encerrar minha história por aqui. Ao mesmo tempo sigo tentando continuar, faço terapia há uns 3 meses mas não tem me feito melhorar em nada, até agora só serviu pra me ajudar a reconhecer que tive uma família narcisista (não que minha terapeuta seja ruim, mas eu realmente tenho uma dificuldade enorme de falar ao vivo com alguém novo, ainda mais algo pessoal e em apenas 50min, sou uma pessoa bem fechada). Tenho sentido bem menos esperança de umas semanas pra cá, estou com medo de mim mesma e uns pensamentos bem negativos... Estou com medo de parar de ter medo.
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2020.07.09 15:30 viciado_em_FM_ "El Potro del Faro", conto de Leonardo Ritta.

El Potro del Faro
Leonardo Ritta
Os dias em Cabo Polônio passam de um jeito diferente. Não mais devagar: apenas diferente. Mesmo hoje, quando os turistas chegam com seus barulhos, seus vícios e suas virtudes, ainda se nota a paz que sempre rondou aquela ponta de terra.
Só há uma certeza em Polônio. Os 24 segundos que a luz do farol leva para fazer uma volta. A noite, estrelada em céu aberto, é uma tela em negativo, riscada por um pincel claro. O farol ainda desempenha um papel importante no vaivém dos navios que rondam aquele canto esquecido. Faz tempo, há gente que cuida dele, para que não se apague e para que mantenha as embarcações a uma distância segura. O seu papel é bonito: mostra que é preciso estar perto dele para compreender que é preciso estar longe.
A certeza do cabo passa pela certeza de que haverá quem o cuide. Quem são os faroleiros? Por que alguém romperia a lógica média de ter uma vida normal? Talvez se imagine que seja solidão. Mas tem algo mais. O mar chama algumas pessoas sem motivo. O rugido das ondas, o estalar da água nas pedras. Algo chama. E foi esse chamado que inundou a mente de Gonzalo, o velho faroleiro.
Ele sempre foi quieto. Atlético, poderia ter sido um ator, não fosse a timidez. Desde cedo, fez o que todo guri de Montevidéu faz: jogou bola. Na adolescência, se destacou como um meio campo nato, daqueles que regiam uma orquestra. No futebol platino, era muito mais um domador tocando uma tropilha de potros do que um maestro. Nascera em 1942 e lembrava vagamente da festa do Maracanazo.
Talvez essa mística tenha influenciado Gonzalo a pender para o futebol. As suas atuações na várzea não tardaram a chamar atenção de pessoas ligadas aos clubes da capital uruguaia. Foi numa manhã de sábado, num campo barreado, que um olheiro foi falar com Gonzalo. Ele jogou 90 minutos com pilchas de gala. Eduardo, o olheiro, já era tordilho e tinha olho bom para o futebol. Convenceu o rapaz a visitar as canchas de alguns clubes.
Juntos, visitaram vários. O Centenário já era um monumento ao futebol e impressionava. Mas foi num clube bem mais modesto que Gonzalo ouviu o chamado das águas. Pararam para almoçar na Cidade Velha depois de algumas visitas, quando Eduardo pediu que Gonzalo não se empolgasse muito com o clube que visitariam. Fora campeão nacional em 1927, mas já não era tão pujante. Terminadas as milanesas, fizeram a volta na Baía de Montevidéu e chegaram ao Cerro, bairro operário da capital.
Em frente ao portão do Estádio Olímpico de Montevidéu, Gonzalo sentiu algo estranho. Nenhuma epifania, nada abrupto. Mas, ao olhar para a cancha do Rampla Juniors, ele deixou de ser o Gonzalo de sempre. O estádio ficava na margem do Rio da Prata, e os anéis da arquibancada não faziam a volta completa. Jogava-se -e se torcia- com uma vista espetacular para a Baía. O meia estava decidido: jogaria ali. Não importava o salário, não importava nada.
O meia fez um teste e foi contratado. Era parte do escrete Friysis. Gonzalo se adaptou, fardou, virou titular. Recebeu ofertas para trocar de clube, mas algo fazia ele ficar: era aquele curso d’água, que assistia aos seus passes desconcertantes. De tanto ver o futebol pateado de Montevidéu, o Prata talvez já tivesse perdido as esperanças de testemunhar um jogador daquele nível. Ainda que forte e combativo, era limpo e elegante nas jogadas. Todos queriam ver Gonzalo marchar em campo com seu trote de cavalo andaluz. Não tardou a ser apelidado de el potro.
Tudo ia bem até que, no fútbol de potrero oriental, num clássico contra o Cerro, viu sua perna esquerda dobrar de uma maneira pouco usual. Um beque rival aplicou-lhe uma tesoura por trás, torcendo as pernas do meia. Hoje, saberíamos que se romperam os ligamentos. À época, ele só sabia que não jogaria mais profissionalmente.
Gonzalo não conseguiria jogar um jogo picado do campeonato nacional. O rapaz tímido, agora na casa dos vinte e poucos anos, teve sua única vocação esvaziada por uma entrada desleal. Seus pais haviam falecido poucos invernos antes, de modo que não lhe restava ninguém de amparo.
Tinha vigor para muitos anos de qualquer atividade. Menos para o futebol profissional. Em casa e sem muitas perspectivas, resolveu ir ao estádio que não encarava há meses. Das arquibancadas, mirava o rio. Pensou que deveria fazer algo que ainda o mantivesse próximo da água. Não podia nadar, não sabia pescar. Tampouco sabia navegar. Apenas ouvia aquele chamado.
Dali uns dias ou meses, ele nunca soube precisar, ouviu no rádio que estavam procurando um faroleiro novo para Cabo Polônio. Não entendia nada de faróis, tampouco sabia onde ficava o lugar. Mas foi à sede da Armada Nacional entender melhor. Era apto ao trabalho, e um total de três pessoas haviam se inscrito: ele, um idoso e um padre. Não tardou para ser avisado de que ganhara o emprego.
Depois de arrumar suas coisas, embarcou num ônibus para Rocha, capital da província onde ficava o farol e de lá, a cavalo, chegou ao povoado de pescadores. Se hoje o local parece inóspito, calcule nos anos 1960.
O antigo faroleiro precisava de um sucessor. Já não aguentava as lides diárias, que não eram muitas. Limpeza, manutenção do farol, tarefas de registro. Gonzalo daria conta tranquilamente. E mais: ficaria sozinho e próximo ao mar. Lembraria até o fim da vida a sensação de chegar próximo às pedras. Ver os leões marinhos -seus vizinhos-, sentir o cheiro do mar e ver aquele descampado. Ele sentiu a mesma coisa que sentira quando colocara os olhos pela primeira vez na cancha do Rampla Juniors. Era ali o seu lugar.
Chamou atenção um campo de futebol modesto, no gramado plano al rededor do farol. O antigo faroleiro, já com a pressa de quem quer regressar para sua casa, disse que os pescadores costumavam jogar ali às vezes. Gonzalo sentiu felicidade e pavor juntos. O futebol estava longe da sua realidade, mas logo abaixo dos seus olhos. Depois, quando subia para limpar os vidros do farol, via que era a mesma relação que os navios tinham com a luz que a construção emanava: chegavam perto para saber que deveriam ficar longe.
O farol era bonito. Caiado na base, subia alto e iluminava todo o vilarejo, indo até as pedras mais distantes no mar. A casa do faroleiro também era boa. Típica meia água uruguaia, simpática pela frugalidade. Gonzalo se adaptou rápido à rotina.
Um dia, no terraço, tomando mate aos pés do farol, viu os pescadores chegarem com uma bola. Vieram alguns marinheiros também. Enquanto um senhor barrigudo prendia fogo no parrillero, eles iam se dividindo em dois times. A bola rolaria sob os seus olhos, com o mar de testemunha.
Gonzalo assistiu a tudo lá de cima. Viu o jogo, o assado, o vinho. Era o mesmo fútbol de potrero que encontrara na capital. A cena passou a se repetir conforme o verão se aproximava. Os fins de tarde eram animados pelas partidas. Depois, juntavam tudo, davam tchau para ele e partiam.
Um dia, depois de uma semana de chuvas e de frio em pleno verão, Gonzalo acordou irritado. O barulho de gaivotas, os leões marinhos agitados, achou que estava cansado daquilo. Mateou em silêncio e viu o sol aparecer tímido pela primeira vez em dias.
Ao entardecer, mesmo com o campo encharcado, os jogadores apareceram. E pareciam estar ainda mais felizes, como que a comemorar a trégua da chuva. Jogavam descalços, de bombachas arremangadas. Alguns inclusive entravam em campo de boina. Uma confusão organizada.
Gonzalo entendeu que não tinha raiva do Farol, a quem já tinha se irmanado. Era só saudade da bola. Foi naquele dia que o seleto grupo de pescadores de Cabo Polônio conheceu El Potro del Faro. Tímido, apareceu em volta do campo, sendo cumprimentado por todos. Bartolomé, pescador de uns 30 e poucos anos que pareciam 60 de pele e 20 de energia, convidou o faroleiro para jogar. O homem que nunca havia ficado nervoso jogando partidas contra o Nacional tremeu diante de 12 pescadores destreinados.
Timidamente, arremangou as bombachas, tirou as alpargatas e entrou no time que jogava sem camisa. Há coisas na vida que não se desaprendem. Quem nasceu com a bola no corpo não perde. Gonzalo deu dois ou três passes para sentir o joelho e ganhar confiança, percebendo que estava tudo aparentemente bem.
Quando se deu por conta, estavam todos boquiabertos com o requinte das jogadas do faroleiro. Embora tivesse bom físico, nunca imaginaram que aquele homem de poucas palavras fosse um jogador daquele quilate.
Foi então, no assado depois do jogo, entre carne e copos de tannat, que Gonzalo contou sua história. Os pescadores queriam ouvir causos e saber mais sobre a vida em Montevidéu. O mais velho deles, Hernán, entre uma tragada e outra do seu palheiro, achou estranho um jogador tão bom estar naquele fim de mundo.
Gonzalo disse que a água o havia chamado. Quando soube do posto no Farol de Cabo Polônio, sabia que ali era seu lugar. Quando chegou, teve certeza. O pescador, coçando a barba amarelada pelo fumo, entendia. O campo e o mar, quando chamam, são irrecusáveis.
Assim Gonzalo passou os anos. Fez amizade com os pescadores, daquele seu jeito tímido. Jogou futebol, comeu assado, aprendeu a pescar. Cuidou do farol por quase quarenta anos. Levou uma vida monástica, sempre perto do mar. Manteve junto de si a bola, da mesma forma que aquela imensidão oceânica.
Quando a velhice o alcançou, trocou o farol pela casa de repouso em Rocha e as lides pelas memórias. O chamado das águas, que ouvira 60 anos atrás, era quase um susurro. Já há anos sem visitar Polônio, pediu aos cuidadores que arranjassem um meio de levá-lo ao Farol para uma despedida. Ele sentia que a luz do seu próprio farol se apagaria. Era como se ele estivesse vendo, da meia lua adversária, o juiz posicionar o apito entre os lábios para o silvo final.
O acesso ao vilarejo ficara mais fácil. Os 4x4 faziam a travessia em poucos minutos. Falaram com o novo faroleiro e pediram para Gonzalo passar a noite lá por uma última vez. El potro foi bem recebido por todos. Houve um grande assado, e, claro, uma partida de futebol entre pescadores, marinheiros e até alguns turistas que hoje são frequentes no povoado.
Finda a festa, já na escuridão, Gonzalo foi acomodado no seu antigo quarto, como se nunca tivesse deixado o aposento. Ficou lá, sentindo-se velho e fraco, como se aquele corpo não fosse seu. Lembrou o vigor dos tempos de Rampla Juniors, lembrou a imensidão da vida de faroleiro. Entendeu que os clarões que ele abria no campo eram iguais aos clarões que o farol abria no mar.
De madrugada, foi dar uma última olhada no campo. Aquele mesmo campo onde jogou pela maior parte da sua vida. Seu Centenário particular.
Parado, pouco depois da meia cancha parcamente desenhada, olhou para o gol, olhou para o farol e sabia que havia chegado a hora. O árbitro apitaria. E ali, esperou o farol lhe dar as costas, como que a poupá-lo desse momento triste. Naqueles segundos de escuridão -única certeza do cabo-, el potro encontrou a única certeza da vida. Ia para sua eterna noite entre cancha e mar. O velho faroleiro finalmente descalçava as chuteiras.
https://medium.com/puntero-izquierdo/el-potro-del-faro-a7bb5e87bdf1
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2020.06.11 06:28 horribleguitarplayer O fato de não ter um amigo próximo com quem possa conviver está me matando por dentro

Esses três meses sozinhos na quarentena me fizeram pensar em várias coisas.
Eu tenho grandes amigos, pessoas com quem converso há quase 10 anos mas a maioria deles eu nunca nem vi na vida, ou se vi, foram em ocasiões bem breves. Eu sou muito muito muito grato a todos eles, todos foram e continuam sendo muito importantes para mim, mas a sensação de que não há ninguém por perto, fisicamente falando, é aterradora.
Eu observo as pessoas ao meu redor com seus círculos de amizade e fico morrendo inveja por dentro. Minha aderência social é de uma porta (aliás, dependendo da porta, ela tem mais contato com gente do que eu) então eu sempre acabo me frustrando ou não conseguindo progredir em nada com ninguém. Tenho feito tratamento e praticado algumas coisas para melhorar isso, mas o tempo só vai passando e o progresso cada vez mais invisível.
O mais impressionante é que eu já desisti de ter uma 'turma" porque aceitei que isso é insonhável pra quem está chegando perto dos 30 do jeito que eu cheguei. Depois eu desisti de ter alguns poucos amigos porque parecia que eu precisava focar só em um mesmo, mas agora até isso me parece impossível. Pior é que eu vivo me sentindo culpado porque querer esse tipo de coisa. Acho que é algo que estou idealizando demais, sendo ingênuo demais, mas eu vejo as outras pessoas e me parece tão normal, tão comum, tão corriqueiro. Não me parece injusto eu querer experienciar isso também, não estou pedindo nada demais.
Junto disso vem aquela insatisfação de não conseguir compartilhar minhas interesses, paixões, meus momentos felizes, momentos tristes, conquistas, comidas, uma conversa causal e etc, além de acompanhar essas mesmas coisas de outra pessoa. Apesar de ter aprendi a lidar até certo ponto com isso, existe um limite para o quanto você aguenta a solidão.
Nos meus mais delirantes sonhos eu até fico pensando se tivesse uma namorada. Teoricamente é uma relação com mais """compromisso""" e que seria mais certeiro para eu conseguir satisfazer essas vontades e poder retribuir. Não enxergo esperança nenhuma nisso mais, infelizmente. É algo tão inalcançável que nem me imaginar nessa situação eu consigo mais.
A única conclusão que eu chego é que devo ser chato demais.
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2020.02.08 06:05 old-viking Os 45 erros de Democracia em Vertigem - o documentira de Petra Costa

Encontrei esse ótimo artigo em inglês sobre as mentiras do filme Democracia em Vertigem, de Petra Costa no site ideiasradicais.com.br e resolvi traduzi-lo. Em seguida, acrescentei algumas pinceladas e voilà! Os links estão no texto. Vamos lá:
Quem mora no Brasil e assiste ao documentário The Edge of Democracy, dirigido e narrado por Petra Costa, percebe que trata-se de um documentário com fortes narrativas partidárias. Em mais de duas horas, a maior parte do filme pode ser resumida em omissões, falsidades ou teorias da conspiração sobre a política brasileira.
Alguns bons exemplos disso são as cenas em que Petra e sua mãe endeusam Dilma e Lula, a ponto de chamar Lula de “Escultor cujo material é argila humana”.
Mas o filme cumpre seus objetivos de ignorar fatos, dados e evidências para vender ao mundo nada além das opiniões do Partido dos Trabalhadores sobre o processo de impeachment, a prisão de Lula e a eleição de Jair Bolsonaro em 2018.
Aqui listamos 45 erros, omissões e mentiras do filme.
1. Ignora a dimensão dos protestos de impeachment contra Dilma
Houve muitos protestos contra o governo de Dilma Rousseff, sendo cinco deles notáveis. O protesto de 13 de março de 2016 foi o maior ato político da história do país, superando até o Diretas Já. Mas o documentário mostra apenas alguns manifestantes mais reacionários e oculta a escala real dos atos e o quanto sua remoção do cargo foi desejada pela população.
2. “Ninguém esperava uma prisão tão rápida. Todos foram pegos de surpresa".
O documentário diz que “o caso dele [Lula] chegou ao tribunal de apelações mais rapidamente do que qualquer outro caso da Lava-Jato”, mas isso não é verdade. Uma revisão feita pelo economista Carlos Goés mostrou que a duração do processo, do tribunal de julgamento ao tribunal de apelações, não foi atípica. "Mesmo se analisarmos apenas os processos contra o acusado no âmbito da Lava-Jato, não se pode dizer que houve algo de extraordinário nos procedimentos de Lula", disse Goés.
3. “Dos 443 congressistas, apenas 2 eram da classe trabalhadora”
Petra diz que Lula decidiu recorrer à política quando viu que apenas 2 dos 443 congressistas eram da classe trabalhadora. Confiando cegamente na palavra de Lula (um método repetido em todo o filme), ela não verificou que nunca houve 443 congressistas em ambas as casas, de forma que a afirmação é provavelmente mentirosa. De fato, desde o fim do regime militar e a redação da presente Constituição o número de congressistas nunca mudou; continuou fixo até hoje: 594.
4. "O PT representava a esperança de que as terríveis injustiças do país fossem finalmente resolvidas"
Um estudo realizado pelo Banco Mundial de Riqueza e Renda apontou que a desigualdade de renda não diminuiu entre 2001 e 2015. O crescimento econômico do país teve pouco impacto na redução da desigualdade, pois beneficiou apenas os 10% mais ricos, de acordo com o relatório.
5. “[Com Lula] As taxas de desemprego atingiram o menor número da história”
Uma tese de 2017 do economista Rafael Baccioti mostrou que as taxas de desemprego registradas no Brasil nos anos 50, 70 e 80 eram menores do que as dos mandatos de Lula, situando-se entre 2% e 3%.
6. O escândalo de Mensalão é mencionado, mas sua relevância é completamente ignorada
No julgamento do Processo Penal n. 470 pelo Supremo Tribunal, ficou claro que o Mensalão era um esquema centrado no desvio de fundos públicos para comprar apoio de congressistas. Tudo isso para permitir a aprovação de projetos de interesse do governo Lula a toque de caixa. O Mensalão foi um esquema diabólico que visava colocar o Congresso Nacional de joelhos perante Lula para que ele pudesse executar seu ambicioso projeto de poder.
7. Dilma perdeu seu prestígio porque vociferou contra bancos e taxas de juros
Quando Dilma assumiu o cargo, no início de 2011, a taxa SELIC - o equivalente brasileiro ao Federal Funds Rade - estava abaixo de 8,75%. No final daquele ano, subiu para 12,5% e depois caiu para 7,25%. O Plano não funcionou e as taxas de juros voltaram a subir, atingindo mais de 14% e só diminuíram novamente quando a equipe econômica de Temer assumiu. Dilma fez discursos contra rentistas, mas seu governo foi o que mais os favoreceu.
8. "Quotas racistas"
A produção mostra um manifestante que pede a remoção de Dilma do cargo, dizendo que o PT (Partido dos Trabalhadores) havia instituído "cotas racistas" - referindo-se às políticas de ação afirmativa estabelecidas nas universidades públicas na última década. Mas, de acordo com uma pesquisa de opinião pública de 2013, 62% da população brasileira mostrava-se a favor de todos os três tipos de ação afirmativa de acesso à universidade pública: raça, estudantes de escolas públicas e baixa renda. Com relação apenas à alunos de escolas públicas e de baixa renda, a aprovação sobe ao patamar de 77%.
9. O Bolsa Família foi criado por Lula
Ao falar sobre os mandatos de Lula, Petra sugere que as políticas que ajudaram os mais pobres eram exclusivas dos anos do PT, ignorando que os programas de redistribuição de renda começaram muito antes. Em 2001, o próprio Lula criticou o programa Bolsa Escola, chamando-o de "uma ninharia".
10. Michel Temer era um traidor desde o início de seu mandato como vice-presidente
Quando as marchas contra Dilma estavam acontecendo no início de 2015, Michel Temer escreveu em sua conta no Twitter: “Um processo de impeachment é impensável, criaria uma crise institucional. Não há uma base legal nem política para isso.” Naquele ano foi ele quem assumiu a articulação política para o governo e a executou bem, como afirmou o representante Orlando Silva, um dos ex-vice-líderes do governo de Dilma na Câmara.
11. “Dilma tirou posições do PMDB”
Segundo o filme, a rebelião de Temer ocorreu porque Dilma tentou restringir a interferência do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) em seu governo. Mas isso não é verdade. Em 12 de março de 2016, ele conseguiu evitar que seu partido rompesse laços com o governo. Quatro dias depois, a presidente Dilma Rousseff nomeou Mauro Lopes para o Ministério da Aviação Civil, na tentativa de criar uma divisão dentro do partido de Temer.
12. Ignora a crise econômica
Por alguma razão, Petra não achou uma boa ideia esclarecer que as políticas econômicas do PT levaram a mais longa crise econômica do Brasil e a mais de 10 milhões de desempregados. Somente após a primeira meia hora do filme é que a recessão é levemente mencionada, sem nenhum comentário sobre seu tamanho ou consequências.
13. Petrobras foi espionada pelo FBI
Documentos vazados em 2013 indicam que o governo dos EUA espionou a Petrobras. Embora essa seja uma acusação séria, é um salto lógico usá-la para argumentar que o país desejava o impeachment para, de alguma forma, assumir o controle da empresa.
14. “Moro: o homem treinado nos Estados Unidos”
O ex-juiz e atual ministro da Justiça participou do Programa Internacional de Liderança de Visitantes em 2007, o mesmo que a ex-presidente Dilma Rousseff participou em 1992.
15. “Aécio Neves não aceitou os resultados”
O documentário diz que Aécio Neves, o maior oponente de Dilma na corrida presidencial de 2014, não aceitou os resultados da votação e foi por isso que entrou no Tribunal Superior Eleitoral contra Dilma e Temer. Mas o próprio Aécio admitiu que fez isso apenas para irritar o Partido dos Trabalhadores e Dilma. Ele não acreditava nas ações do próprio partido.
16. “Aécio defendeu o impeachment”
Quando os pedidos de impeachment começaram a se acumular, Aécio Neves rejeitou a ideia. Ele só abraçou o movimento em 2016, quando participou dos protestos em São Paulo e foi assediado por manifestantes.
17. “Grupos de direita usaram algoritmos de mídia social”
Estudos recentes mostram que a influência dos algoritmos de mídia social na radicalização política dos eleitores foi supervalorizada. Fora isso, os grupos de direita e de esquerda usaram as mesmas táticas para expressar seus pontos de vista.
18. A crise internacional versus más políticas
O documentário afirma que, após “um declínio global nos preços das commodities e uma série de erros econômicos, o país entrou em recessão”. Mas um relatório do FMI revelou que 183 dos 192 países examinados registraram um crescimento econômico superior ao do Brasil entre 2015 e 2016. Segundo o economista Marcel Balassiano, mais de 90% dos países do mundo cresceram mais que o Brasil entre 2011 e 2018 .
19. Dilma foi responsável por todos os problemas do país
Para Petra, quem era a favor do processo de impeachment "acreditava que a presidente era culpada por todos os problemas do país", mas não menciona provas ou pesquisas. Trata-se apenas da opinião pessoal dela (Petra). Um estudo realizado por Reinaldo Gomes, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluiu que cerca de 90% do desempenho econômico negativo durante o mandato de Dilma pode ser atribuído a "erros nacionais", ou seja, podem ser atribuídos à maneira como as políticas do país foram conduzidas.
20. Fraude fiscal é pior que corrupção
Dilma foi acusada por violar leis de responsabilidade orçamentária e fiscal, algo que seu governo chamou de "pedalada fiscal" na tentativa de diminuir sua magnitude e conseqüência. O filme subestimou, mas o economista Carlos Goés explicou a seriedade dessas fraudes. Dilma começou, inclusive, a andar de bicicleta, a fim de que a população acreditasse que “as pedaladas da Dilma” fossem no sentido literal e não um eufemismo para fraude fiscal.
21. Omite o julgamento do Tribunal de Contas Federal
O processo de impeachment foi fundamentado no julgamento do Tribunal de Contas da União, que rejeitou as contas do orçamento do governo em outubro de 2015 devido a fraudes fiscais. Nada disso é mencionado no documentário.
22. “Precisamos de uma comissão internacional”
"Por que eles não criaram uma Comissão Internacional com especialistas em orçamento público e pediram um relatório oficial?" - pergunta Lula no filme. A resposta é simples: é exatamente por isso que existe o Tribunal de Contas Federal, que rejeitou as contas.
23. Quando começou a queda de Dilma?
Para o ex-deputado Jean Wyllys, começou no Dia do Trabalho de 2013, quando a presidente fez um discurso dizendo que os ricos, banqueiros e rentistas seriam os que “pagariam pela crise”. No entanto, esse discurso foi sobre mudanças nas tabelas de imposto de renda e reajuste dos valores do Bolsa Família. Não faz sentido acreditar que o empresariado fabricaria balanços de suas próprias empresas, muitas delas em estado falimentar, com o único objetivo de prejudicar a imagem da presidente.
24. Discurso inaugural de Temer
O filme foi editado de forma a sugerir que Temer estava atacando princípios seculares do estado, declarando que seu governo seria "um ato religioso". O que ele disse foi “o que queremos fazer agora, com o Brasil, é um ato religioso, é um ato de reconexão entre toda a sociedade e os valores fundamentais de nosso país”. Ele se referia a necessidade de reunir a população, dividida e polarizada, após o processo de impeachment.
25. O acordo selado entre Romero Jucá e Sérgio Machado
No áudio vazado entre Romero Jucá e Sérgio Machado, o ex-senador Jucá disse que seria mais fácil mudar o presidente e estancar o sangramento, para criar um pacto nacional. Petra afirmou que essa foi a motivação por trás do processo de impeachment. Mas ela, maliciosamente, omitiu a parte em que Machado disse: “Eu acho que as únicas saídas [para Dilma] são remoção ou renúncia. A remoção é a opção mais suave. Michel poderia construir um governo baseado na união nacional, um grande acordo, protegeria Lula, protegeria todos ”
Petra não menciona que este "grande acordo" também serviu para proteger o Partido dos Trabalhadores.
26. O maior arrependimento de Lula
Quando Petra pergunta a Lula se ele se arrependeu de algo, ele lamenta não ter enviado ao Congresso um projeto de lei para "regular a mídia". No entanto, em 2004, seu governo enviou ao Congresso um projeto de lei para a criação de um Conselho que teria o poder de punir jornalistas. Felizmente a proposta foi rejeitada.
27. Liberdade de imprensa sob os governos do PT
Lula se gabou de "ter feito o que eles fizeram" sobre a liberdade de imprensa, mas não foi realmente assim. Em 2004, Lula solicitou uma revogação de visto para o jornalista americano Larry Rohter, porque ele escreveu que o ex-presidente tinha um problema com a bebida.
Quando lhe disseram que era inconstitucional expulsar o jornalista, por ser casado com um cidadão brasileiro, sua resposta foi: “foda-se da constituição”.
28. Congresso trabalhando livremente sob os governos do PT
Ele também se gabou dos governos do PT deixarem o "Congresso trabalhar livremente". Mas foi sob seu governo que o Mensalão aconteceu, um esquema para comprar apoio no Congresso e garantir que Lula aprovasse os projetos que quisesse.
29. Quais foram as acusações contra Lula?
O documentário afirma que, após dois anos de investigação, a "acusação real" foi que "Lula havia recebido um apartamento de uma construtora". Só isso! Ignorando os muitos outros casos contra ele, alguns dos quais ele foi considerado inocente. Lula foi condenado por corrupção em dois veredictos diferentes e atualmente está sendo acusado em outros seis casos.
30. Marisa morreu 4 meses depois de também ser acusada
O filme sugere que a esposa de Lula, Marisa Letícia, morreu como resultado da perseguição contra ele e sua família. Porém, o que não é dito durante a cena é que o próprio Lula a culpou pelos cheques de aluguel não pagos de um apartamento que os investigadores afirmam ser apenas a fachada de um esquema para adquirir o imóvel com dinheiro da Odebrecht.
31. Lula era o principal candidato nas pesquisas, mas…
Em 2018, Lula era o principal candidato à presidência, mas também tinha os maiores números de rejeição entre todos os candidatos, 31% (empatado com Jair Bolsonaro). Uma vitória potencial não seria tão fácil.
32. Operação Lava-Jato vs. crise econômica
Em uma de suas audiências, Lula perguntou a Sergio Moro se ele “sentia-se responsável pela Operação Lava-Jato ter arruinado a indústria da construção civil do país”. Trata-se de outra narrativa partidária já que estudos mostraram que o combate à corrupção ajuda a economia e os negócios de qualquer país.
33. Motivos bizarros de votação dos congressistas
O documentário mostra muitos congressistas dando razões esdrúxulas para seus votos pelo impeachment, em nada relacionados às acusações contra Dilma, sugerindo que o processo foi injusto. Mas um processo de impeachment é também uma ferramenta política. Os votos no processo de impeachment do ex-presidente Collor, por exemplo, foram semelhantes.
34. A condução coercitiva de Lula aconteceu em prol de sua própria segurança.
O filme critica a condução coercitiva de Lula em um determinado depoimento, já que ele nunca tinha se negado a depor voluntariamente à Polícia Federal. Sérgio Moro, porém, justificou a ação alegando a necessidade da condução coercitiva para evitar maiores perturbações e turbulências, que haviam ocorrido em atos jurídicos anteriores.
35. O vazamento do telefonema entre Dilma e Lula (o caso Bessias)
O documentário detalha o conteúdo da conversa telefônica e foca na ilegalidade do vazamento feito por Sergio Moro. A gravação da conversa foi posteriormente anulada como prova pelo juiz da Suprema Corte Teori Zavascki, por ter sido interceptada poucos minutos após a expedição do cancelamento do grampo pelo Juiz Moro. Tanto Lula quanto Dilma foram processados mais tarde pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, por obstrução de Justiça, mas foram absolvidos.
36. A conversa entre Temer e Joesley
O documentário editou maliciosamente um diálogo para sugerir que o ex-presidente Temer apoiou uma possível obstrução da Justiça pelo empresário Joesley Batista, a fim de não ser denunciado por Eduardo Cunha. Temer foi absolvido em 2019 porque os promotores consideraram a prova "frágil".
37. O Congresso mudou de posição: Temer não deveria ser investigado!
O documentário critica o fato de que os congressistas que se dizem favoráveis ao combate à corrupção protegeram Michel Temer das investigações. Mas, na realidade, as investigações não pararam depois que seu mandato terminou. Temer chegou a ficar preso por alguns dias.
38. "Temer fez tudo o que eles queriam, vendendo reservas de petróleo para empresas estrangeiras"
Em algum momento, é mencionada uma mudança no modelo de concessão de grandes reservas de petróleo na costa do Brasil. Era um acordo de compartilhamento de produção e se tornou uma concessão. Mas, desde 2015, muitos ministros de Dilma eram favoráveis à mudança. Tanto o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, quanto o ministro das Finanças, Joaquim Levy, advogaram por mudanças na lei.
39. “Temer fez tudo o que eles queriam, enfraquecendo as leis que proibiam o trabalho escravo”
Em 2017, a Justiça do Trabalho editou uma portaria que tentava impedir o abuso de poder e atos arbitrários por inspetores do trabalho. Isso aconteceu porque mais de 90% dos casos de trabalho escravo foram absolvidos. O filme não mostra que, por causa de uma decisão da juíza da Suprema Corte, Rosa Weber, a portaria nunca entrou em vigor.
40. “Temer fez tudo o que eles queriam, aprovando medidas de austeridade que minariam os pobres”
As medidas de austeridade começaram com Dilma Rousseff logo após sua reeleição em 2014 e se intensificaram em 2015, ano em que 87% dos programas sociais existentes sofreram cortes.
41. Omitir o tamanho e a dimensão dos protestos contra Michel Temer
Segundo estimativas da polícia, os protestos contra Dilma em todo o país reuniram 2,4 milhões de pessoas em 15 de março de 2015 e 3,6 milhões em 13 de março de 2016. Os protestos contra Temer em setembro de 2016 reuniram apenas 48.000 pessoas.
42. Sérgio Moro retirou Lula da eleição presidencial
Um jornalista disse que foi a prisão de Lula promulgada por Moro que o removeu da disputa presidencial. A verdade é que, no Brasil, a suspensão dos direitos políticos ocorre após a condenação em um tribunal colegiado, como determina a Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo próprio Lula.
43. E quanto à tentativa de assassinato ao Bolsonaro?
A produção fala sobre a polarização e o enfraquecimento da democracia brasileira, ignorando a facada que o presidente Bolsonaro sofreu, durante a campanha presidencial.
44. Um passado subterrâneo falso para seus pais
O documentário conta um pouco da história da família de Petra e os retrata como ativistas políticos que se desmobilizaram durante a ditadura militar. Mas, de acordo com uma resenha do livro “O tempo do Poeira: História e memórias do jornal e movimento estudantil da UEL nos anos 1970”, do jornalista Astier Basílio, “todo ano, os pais de Petra visitavam a família na capital do estado, Belo Horizonte. Era, portanto, um esconderijo que permitia uma folga.
45. A mãe do diretor não está ausente nas empresas familiares
A mãe de Petra, Marilia Andrade, não é uma figura neutra, distante do negócio de construção da família, como o filme tenta pintá-la. Pelo contrário, ela é uma das acionistas da Andrade Gutierrez, empresa profundamente envolvida nos escândalos de corrupção, e ainda com participação ativa nas empresas, segundo Astier Basílio.
Confira nosso artigo explicando as principais mentiras deste filme aqui.
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2020.01.16 00:50 TheTanzanite Por que o futuro da humanidade é sombrio

EDIT: Esse post não tem o intuito de deixar ninguém depressivo, por mais que não sejam notícias boas, vejam isso como uma oportunidade de não ficar perdendo tempo com certas cobranças e amarras da sociedade que você sabe que não faz sentido com o que você realmente é ou quer ser. É também uma forma de redirecionar qualquer "raiva" que você tenha no espectro político para quem realmente está causando isso tudo.
Esta é apenas uma tradução das partes relevantes do tópico postado por logiman43 no /DarkFuturology.
10 anos atrás eu era o cara me acorrentando em árvores, 5 anos atrás eu era o cara bloqueando a rua para chamar a sua atenção sobre o consumo de carne. Eu já fui preso, ridicularizado e "linchado". Agora eu estou apenas cansado. Eu sou um Ph.D em Relações Internacionais com especialização em Conflitos Climáticos (e 2 outros diplomas em Direito e Economia).
Aqui você irá achar 30,000 papers científicos sobre esta situação fodida.
Para os amantes de áudio, aqui você tem uma conversa de 30 minutos sobre como tudo deverá colapsar. "Não há crescimento infinito".
5 anos atrás existia uma série chamada 'The Newsroom'. Era uma série série com alguma comédia sobre o mundo midiático. Existe um clipe famoso da série (04:48) sobre o colapso do clima. Era "cômico" na época, porém agora é a realidade.

Aquecimento Global:

De acordo com um report de 2018, a temperatura global já está 1ºC maior do que a era pré-industrial.
O que irá acontecer a cada incremento de 0.5ºC? O rastreador de ações climáticas mostra que chegaremos aos 3.5ºC com as políticas atuais em 2050. Climate stripes - Veja o salto em 1995
Gráfico mostrando emissões de carbono por continente. Veja a explosão na Ásia
Neste gráfico, você tem todos os níveis de CO2, CH4, N20, temperatura e nível do oceano.
As 20 piores consequências do aquecimento global
+9 Gráficos
1.5ºC - Este costumava ser o ponto em que os cientistas achavam que estávamos OK. Em 2018, o IPCC queria parar o aquecimento global neste temperatura, prevendo que a atingiríamos com 10% de chance em 2023. Nesta temperatura, ondas de calor tão quentes quanto o Deserto do Saara acontecerão no mundo todo, todo ano. Haverá destruição massiva de plantações, 70% dos corais no oceano perderão a sua cor e secas afetarão 360mi de pessoas (Fonte).
Advinhe só? De acordo com o - já antigo - report do IPCC de 2019, nós já estamos quase atingindo 1.5ºC. A quantidade de 'loss events' (Tsunamis, Tempestades, Enchentes, Queimadas) entre 1980 e 2015 QUADRUPLICOU.
Históricamente, todo summit pelo clima falhou em atingir a meta de limitar as emissões GHG, não chegando nem perto. Outro ângulo. Inclusive, estudos recentes alertam que metas do Acordo de Paris já estão fora do nosso alcance.

Biomassa e a 6ª Extinção

A Terra aparenta estar passando por um processo de "aniquilação biológica". Mais da metade do número total de animais que um dia dividiram o planeta com os humanos já se foram. Um estudo de 2017 checou as populações animais ao redor do planeta examinando 27,600 espécies de vertebrados - quase metade das espécies que sabemos que existem. Eles descobriram que mais de 30% delas estão em declínio. Algumas espécies estão enfrentando um colapso completo, enquanto populações locais de outras estão sendo extintas em áreas específicas. Além disso, humanos exterminaram 60% das populações animais desde 1970. (Fonte)
Aproximadamente 40% das espécies de insetos estão em declínio, de acordo com um estudo e eles não são as únicas criaturas sofrendo. Nos últimos 50 anos, mais de 500 espécies de anfíbios entraram em declínio - e 90 foram extintas - devido a uma doença mortal de um fungo, que corrói a carne de sapos. (Fonte)
E plantas estão sendo extintas 350x mais rápido do que o normal
De outro lado, veja a explosão de animais domésticos entre 1950 e 200. Gado é uma das causas do aquecimento global. Ex: A Amazônia está sendo desmatada não pela madeira, mas para abrir espaço para criação de gado. (Fonte).

População

A curva íngrime na população. Se nossos números crescem em média 228,000 por dia, em uma semana nós teremos adicionado 1.589.000 pessoas extras à população mundial. Para se preparar, a Humanidade precisa produzir mais comida nas próximas 4 décadas do que já produzimos nos últimos 8.000 anos (Link p/ Paper). Porém estamos desperdiçando tanta comida e perdendo tanta água com irrigação, que é possível que a sociedade colapse em 2040 devido à escassez catastrófica de alimento.

Permafrost e Metano

Solo no Ártico está liberando mais CO2 do que 189 países.

Com um aumento de 2ºC, esperamos que 6.6 milhões de km² descongelem e isso crie um 'feedback loop' que libere muito metano, o que significa que o descongelamento do permafrost e calotas polares se torne um processo de extinção que se auto acelere.
Os oceanos já estão borbulhando com Metano e o que é mais assustador é que nós sabemos que existem patógenos congelados no permafrost - patógenos como Anthrax.

Doenças

Conforme a Terra aquece, animais serão forçados a migrar em massa. Isso significa que animais transportando doenças tropicais (como Malária) passarão a conviver entre nós. Para se ter uma idéia de quão isso é assustador, doenças como 'Camel Flu' (MERS) tem uma taxa de mortalidade de 36%.
E os hospitais não estão preparados para os desafios da mudança climática
Report do World at Risk. Eles listaram dezenas de doenças que os experts sugerem possuir o potencial de causar epidemias que podem escalar fora de controle, entre elas o Ebola, Zika Virus e Dengue. Uma pandemia pode infectar o mundo em horas e matar milhões pois NENHUM país está totalmente preparado. 100 Anos atrás a Gripe Espanhola infectou 1/3 da população e matou 50 milhões de pessoas.
Atualmente, a poluição do ar está tão alta que a China e India ultrapassam os gráficos. Sem uma máscara, você ficará doente.

Erosão do Solo Superficial

Nós estamos ficando sem solo arável (Fonte) e até 2055, nós não teremos mais nada.
Este é o aviso do autor de "Surviving the 21st Century", Julian Cribb para uma conferência internacional do solo em Queenstown, NZ em 15/12/16.
"10kg de Solo Arável, 800L de água, 1.3L de Diesel, 0.3g de Pesticidas e 3.5kg de CO2 - Isso é o necessário para entregar uma refeição, apenas para uma pessoa" - Cribb diz.
É necessário 2000 anos para se formar 5cm de solo arável e se você acha que isso não te afetará, espere até que comida se torne a commodity mais rara da Terra. Se você acha que já viu a barbaridade humana, espere até que estes mesmos humanos estejam famintos e desesperados por comida. Isso não significa milhões de pessoas famintas, sginificará bilhões de pessoas sem comida. Incluíndo você.

Escassez de Água Doce

A India tem 5 anos para solucionar a crise hídrica, a África do Sul tem a pior seca em 1000 anos, Zâmbia tem 2mi de pessoas à beira da inanição graças à seca.
De acordo com o report das Nações Unidas, em 10 anos, 4 bilhões de pessoas serão atingidas pela falta de água doce, das quais 2 bilhões estarão severamente em falta.

O evento "Blue Ocean"

Um evento Blue Ocean significa que grandes quantidades de luz solar não serão mais refletidas de volta ao espaço. Ao invés disso, o calor será absorvido pelo Ártico. Enquanto o Oceano Ártico possui gelo, a maior parte da luz solar é refletida e o "centro de frio" permanece perto do Pólo Norte.
Isso não apenas significa que o calor adicional terá que ser absorvido pelo Ártico, mas também que os padrões de vento irão mudar radicalmente, ainda mais do que já estão mudando hoje. O que causa com que outros 'pontos de virada' sejam atingidos antes do esperado. É por isso que o evento 'Blue Ocean' é muito importante e possivelmente será atingido abruptamente em 2022. (Fonte).

O feedback loop da camada de gelo

Quando falamos do crescimento do nível do mar, está se tornando cada vez mais difícil prever uma vez não estamos apenas aquecendo o ar, o calor está ficando preso nos oceanos também, o que significa que as camadas de gelo no círculo do ártico está derretendo por cima e por baixo - Ou seja, estão derretendo MUITO mais rápido do que estimamos até nas nossas estimativas mais radicais. (Vídeo).
Se você está preocupado com os refugiados da América Central/Latina ou África, você pode começar a pensar nas dezenas de milhões de pessoas que começarão a escapar continente a dentro das inundações.
Isso TRIPLICA as nossas estimativas anteriores.

Evento Wet Bulb

Mudança Climática causará ondas húmidas de calor, que matarão até pessoas saudáveis.

Ondas de calor extremas que matam pessoas saudávels em horas atingirão partes do subcontinente indiano a menos que as emissões globais de carbono sejam drasticamente cortadas rapidamente. Mesmo foras destes hotspots, 3/4 da população de 1.7bi - particularmente agricultores no Ganges e vales Hindus - serão expostos a um nível de humidade classificado como "Perigo Extremo" até o final do século.
A nova análise avalia que o impacto do clima na combinação mortal de calor e humidade, classificado como a temperatura "Wet Bulb" (WBT). Quando a humidade chega em 35ºC, o corpo humano não consegue mais se regular através do suor e até pessoas saudáveis sentadas na sombra, morrerão em até 6 horas. Já existem partes do mundo em que a humidade atinge 32ºC a 33ªC.

Acidificação do Oceano

Acidificação do Oceano tornará a mudança climática pior ainda

Os oceanos estão absorvendo uma grande parcela do CO2 emitido na atmosfera. Na realidade, oceanos são o maior absorvente de CO2 do mundo, muito maior do que as capacidades de absorção da floresta amazônica. Mas quanto mais CO2 os oceanos absorvem, mais ácidos eles ficam em uma escala relativa pois uma parte do carbono reage com a àgua para formar ácido carbônico.
Se a acidificação diminuir as emissões marinhas de enxofre, isso poderá causar um aumento na quantidade de luz solar atingindo a superfície da Terra, acelerando o aquecimento - o que é exatamente o que o estudo do Nature Climate Change prevê. Pesquisadores estimam que o pH do oceano irá diminuir em 0.4pH até o final desse século se as emissões de carbono não pararem, ou em 0.15pH CASO o aumento pare em 2ºC. (Fonte)
Já está acontecendo uma extinção em massa nos oceanos.

Porque prevenção do desmatamento é mais importante que replantá-las.

Há tanto CO2 na atmosfera que plantar novas árvore já não pode mais nos salvar.

Cientistas estimam que precisamos plantar 1 trilhão de árvores para mitigar o Aquecimento Global. SEM PERDER NENHUMA ÁRVORE já que uma árvore queimando libera todo o CO2 de volta.
A Amazônia está perdendo 3 campos de futebol por minuto graças à queimadas - Mapa Interativo. No momento, estamos perdendo 13-15mi de hectares de árvores por ano na América do Sul, África e Oeste Asiático que estão sendo convertidos para agricultura. (Fonte)
Então se assumirmos que plantemos 1mi de árvores a cada passo que você dê, então 20 passos serão 20mi de árvores, correto? 1 trilhão de árvores é o equivalente a 2.5x mais do que a distância em que você está até a Estação Espacial Internacional, isso sem contar toda a poluição liberada para plantar as sementes, toda a logística de preparo do solo arável e o descarte de lixo. Uma ação para resolver um problema, afeta diversos outros que também contribuem para o aquecimento.

Migrações

Se prepare para centenas de milhões de refugiados do clima - MIT.

Até 2050 haverão 1.5bi de migrantes. Sim, em 30 anos. O que aumenta drasticamente o potencial de conflitos e violência. Um estudo pelo Pentágono confirma que haverão guerras causadas por problemas relacionados a refugiados do clima.
Apenas um exemplo rápido, a Índia poderá bloquear o rio Indus, matando centenas de milhões de paquistaneses. (Fonte). Ambos países que possuem armas de destruição em massa. Nos próximos 30 anos haverá também um crescimento do fascismo e campos de concentração, o que já acontece nos EUA com mexicanos e na China com os Uighurs.

Os super-ricos

Os ricos sabem que é tarde de mais e que serão os únicos que sobreviverão. (Artigo). Eles já estão costruindo bunkers e comprando passaportes neozelandeses para se refugiarem quando der merda e é por isso que eles estão ficando exponencialmente mais ricos. Por exemplo, Canada, Noruega e Brasil irão 'floodar' o mundo com petróleo para obter lucro máximo (Artigo do NYT "Flood of Oil is Coming").
Se qualquer coisa acontecer, os super-ricos irão apenas comprar passaportes por $1M+ e fugir enquanto migrantes serão colocados em campos de concentração, os ricos estão planejando nos deixar para trás.

Porque o atual sistema econômico está quebrado

O sistema econômico está completamente quebrado e não só nos EUA comot ambém na Europa, Austrália, América do Sul e Ásia. Eu estive pesquisando este assunto por anos e fico 'embasbacado' quão ruim realmente está.
Os ultra-ricos possuem $32 trilhões, sem contar assets mobiliários, ouro, iates e cavalos de corrida, em contas offshore.
Visualização da diferença entre $50,000, $1mi e $1bi. A média de income nos EUA é de $32,000/ano. Supondo que cada degrau em uma escada representa $100,000, então metade da população americana ainda está no começo ou apenas no 1º degrau, são quase 200 milhões de pessoas que não conseguem nem subir um degrau nesse sistema. Os lares conjuntos de 80% estão no quinto degrau da escada enquanto um bilionário...um bilionário está 10.000 degraus acima da escada, o que é o equivalente à 5 prédios do tamanho do Empire State. Lá de cima, eles não conseguem distinguir a diferença dentre um milionário e um sem-teto nem se eles quisessem. E Jeff Bezos? Ele está na metade do caminho até a Estação Espacial, o equivalente a 24 Everests em cima do outro.
Se você tivesse um trabalho que pagasse $2.000/HORA e você trabalhasse 40 horas por semana, sem férias e de alguma forma economizasse todo esse dinheiro, você teria que trabalhar mais de 25.000 anos para chegar na mesma fortuna de Jeff Bezos.
Outras menções notáveis:

Por que ninguém fala do colapso?

Por que ninguém fala do colapso? Porque um mundo sem esperança é um mundo de caos, imagine 7 bilhões de pessoas percebendo que eles não tem 200, 100, 50 anos restantes mas sim apenas 20 ou 30.
Além disso, os ricos estão tentando promover éticas de trabalho em que você não tenha tempo para ler, assistir ou estudar sobre nada do que foi dito acima. Nós estamos ficando cada vez mais isolados um dos outros por causa de tecnologias como Facebook ou Tinder e pra completar, os políticos estão tentando desestabilizar o mundo que conhecemos, para criar confusão e conflito entre nós. Dividir e Conquistar. Por que você acha que a Rússia está por trás do Brexit, do movimento Black Lives Matter e do crescimento do fascismo na Europa?
A Rússia influenciou as eleições americanas, criando centenas de grupos de Facebook Pro-Trump, pagou também para rodar propagandas patrióticas "MAGA" no Facebook.
Por que você acha que há tantos protestos rolando ao redor do mundo ultimamente? Aqui estão os maiores protestos acontecendo agora.
LUTE!
Para mais: /collapse
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2019.09.05 20:20 Ellfenn Mais 50 da série de itens inúteis para rpg

  1. Anel de Proteção. Um anel que aumenta a Classe de Armadura do usuário em 50 (transformando o usuário em uma estátua de metal).
  2. Mochila do Enjoo. Uma mochila que fica com náusea e aleatoriamente vomita itens guardados nela.
  3. Amuleto de Narração. Um amuleto que narra em voz alta tudo que o usuário faz.
  4. Anel do Desajeitado. Um anel que força sua mão a agarrar qualquer coisa que você derrube.
  5. Anel do Voo. O anel voa, não você. Tente não deslocar o dedo.
  6. Bracelete da Masculinidade. Um bracelete que dá ao usuário completo controle sobre sua barba.
  7. Flecha do Retorno. Uma flecha que retorna ao dono (na mesma velocidade em que foi atirada).
  8. Copo do Existencialismo. Um copo que está sempre meio cheio (ou meio vazio).
  9. Espada Comestível. Uma shortsword em todos os aspectos, porém ela é deliciosa. -1 de dano por mordida, se recupera de 2 mordidas por dia.
  10. Moedas Pacifistas. Moedas que se recusam a pagar por qualquer compra de uma arma.
  11. Dado Mentiroso da Mentira. Faz o usuário falhar em todos os testes de blefe, porém o usuário acha que teve sucesso.
  12. Banana da Frustração. Quando você tira a casca, tem outra casca por baixo. Sempre.
  13. Espada do Embotamento. Uma espada que, quanto mais você afia, mais ela perde o fio.
  14. Anel da Megainvisibilidade. O usuário fica invisível para todos, mas tudo fica invisível para o usuário.
  15. Pedra da Álgebra. Uma pequena pedra que resolve qualquer cálculo ao ser colocada no chão atraindo pedras próximas para mostrar o resultado. Uso sem cautela pode criar montanhas ou destruir o planeta.
  16. Sapatos do Desconforto. Dão ao usuário bônus de velocidade, porém são sempre 2 números muito pequenos.
  17. Colar do Cinismo. Tudo que o usuário fala soa como sarcasmo para quem ouve.
  18. Calças do Desamasso. Calças que nunca ficam amassadas.
  19. Capa da Invisibilidade. Quando colocada, capa fica invisível. Não o usuário, só a capa.
  20. Óculos de Identificanão. Um par de óculos que identifica todos os seres no campo de visão do usuário como “Anão” ou “Não Anão”.
  21. Anel do Controle Menor. Um anel que permite o usuário controlar uma formiga de tamanho normal.
  22. Varinha de Criar Varinha. Uma varinha que cria uma varinha. Um uso apenas.
  23. Anel da Desarqueria. +2 para atacar com um arco, mas há 25% de chance do usuário errar a mão que ele deve soltar ao tentar atirar a flecha.
  24. Adaga da Refeição. Após atirada, retorna ao usuário se atingir comida (com a comida).
  25. Anel de Presente de Despedida. Um anel que cura todas as criaturas ao redor do usuário caso o usuário morra.
  26. Anel da Desinvisibilidade. Um anel que faz o usuário acreditar que está invisível, apesar de qualquer evidência do contrário.
  27. Sapatos de Caminhar na Água e na Lava. O sapato esquerdo caminha na lava, o direito caminha na água. Nenhum funciona sem o outro.
  28. Orbe de Detecção de Luz. Um orbe que emite um fraco brilho quando exposto à luz.
  29. Espada do Conhecimento. Uma espada que, ao invés de atacar criaturas, recita fatos interessantes sobre elas.
  30. Pergaminho da Tulpamancia. Um pergaminho que não invoca nada, mas que dá ao usuário uma forte sensação de quealguma coisa foi invocada.
  31. Varinha da Drenagem. Um canudo, mas que suga líquidos sozinho. Líquido sai da outra ponta. Capaz de sugar 1 litro por minuto.
  32. Faca da Briga de Bar. Quando enfiada em madeira, faca usa ventriloquismo para insultar bêbados próximos.
  33. Moeda da Dúvida. Uma moeda que tem 60% de chance de responder uma pergunta de “Sim” ou “Não” corretamente. Um uso por dia. Moeda não responde a mesma pergunta exceto se condições mudarem.
  34. Mochila de Recebimento Aleatório. Quando usuário tenta tirar um item dela, ele recebe um item aleatório, porém nunca o que ele quer.
  35. Corda de Desamarro. 25 metros de corda irrompível. Caso amarrada, se desamarra sozinha depois de 1d6 turnos.
  36. Carteira do Desaparecimento. Uma carteira aparentemente normal. Desaparece sempre que você precisa dela e retorna quando você não precisa.
  37. Copo da Transformação. Um copo metálico que transforma qualquer bebida alcoólica colocada nele em água fresca, e qualquer outro líquido em água suja.
  38. Pergaminho de Agqpowj. Um pergaminho que torna o usuário incapaz de pronunciar qualquer coisa escrita nele.
  39. Bigode do Carisma. Um bigode falso que dá ao usuário +5 em Carisma, porém o usuário soa como um bêbado sempre que tenta falar.
  40. Pedra de Peso. Uma pequena pedra que pesa 1 kg quando em contato com pele, e 1 tonelada caso não haja contato.
  41. Anel da Presunção. Um anel que causa um forte senso de superioridade no usuário.
  42. Garrafa de Ar. Uma garrafa de vidro vazia, mas que quando aberta solta ar com a força de um secador de cabelo.
  43. Chapéu da Indecisão. Um chapéu que faz o usuário querer tirá-lo quando coloca, mas querer colocá-lo quando tira.
  44. Adaga da Cura. Uma adaga que causa 1d4 de dano e 1d6 de cura.
  45. Esponja de Carga. Uma esponja capaz de segurar 100 litros de qualquer líquido. Todo o líquido anterior deve ser espremido antes de poder ser usada novamente.
  46. Capa de Se Achar o Foda. Uma capa que balança ao vento, mesmo se não houver vento.
  47. Livro Mágico de Datilografia. Um livro de magias que contém todas as magias do usuário. Permite o mestre mudar uma única letra do efeito da magia que o usuário tentar usar. O novo efeito então ocorre.
  48. Chave da Esperança. Uma chave que entra em qualquer fechadura, mas não consegue abrir nenhuma.
  49. Pirulito do Terrível Destino. Um pirulito que tem o gosto que você irá sentir quando morrer.
  50. Pergaminho da Visão. Cura a cegueira de qualquer um que ler o pergaminho.
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2019.09.04 15:45 Gsuque Tabela de Itens Mágicos que provavelmente você ja viu ou não que da pra usar em sessões

  1. Anel de Proteção. Um anel que aumenta a Classe de Armadura do usuário em 50 (transformando o usuário em uma estátua de metal).
  2. Mochila do Enjoo. Uma mochila que fica com náusea e aleatoriamente vomita itens guardados nela.
  3. Amuleto de Narração. Um amuleto que narra em voz alta tudo que o usuário faz.
  4. Anel do Desajeitado. Um anel que força sua mão a agarrar qualquer coisa que você derrube.
  5. Anel do Voo. O anel voa, não você. Tente não deslocar o dedo.
  6. Bracelete da Masculinidade. Um bracelete que dá ao usuário completo controle sobre sua barba.
  7. Flecha do Retorno. Uma flecha que retorna ao dono (na mesma velocidade em que foi atirada).
  8. Copo do Existencialismo. Um copo que está sempre meio cheio (ou meio vazio).
  9. Espada Comestível. Uma shortsword em todos os aspectos, porém ela é deliciosa. -1 de dano por mordida, se recupera de 2 mordidas por dia.
  10. Moedas Pacifistas. Moedas que se recusam a pagar por qualquer compra de uma arma.
  11. Dado Mentiroso da Mentira. Faz o usuário falhar em todos os testes de blefe, porém o usuário acha que teve sucesso.
  12. Banana da Frustração. Quando você tira a casca, tem outra casca por baixo. Sempre.
  13. Espada do Embotamento. Uma espada que, quanto mais você afia, mais ela perde o fio.
  14. Anel da Megainvisibilidade. O usuário fica invisível para todos, mas tudo fica invisível para o usuário.
  15. Pedra da Álgebra. Uma pequena pedra que resolve qualquer cálculo ao ser colocada no chão atraindo pedras próximas para mostrar o resultado. Uso sem cautela pode criar montanhas ou destruir o planeta.
  16. Sapatos do Desconforto. Dão ao usuário bônus de velocidade, porém são sempre 2 números muito pequenos.
  17. Colar do Cinismo. Tudo que o usuário fala soa como sarcasmo para quem ouve.
  18. Calças do Desamasso. Calças que nunca ficam amassadas.
  19. Capa da Invisibilidade. Quando colocada, capa fica invisível. Não o usuário, só a capa.
  20. Óculos de Identificanão. Um par de óculos que identifica todos os seres no campo de visão do usuário como “Anão” ou “Não Anão”.
  21. Anel do Controle Menor. Um anel que permite o usuário controlar uma formiga de tamanho normal.
  22. Varinha de Criar Varinha. Uma varinha que cria uma varinha. Um uso apenas.
  23. Anel da Desarqueria. +2 para atacar com um arco, mas há 25% de chance do usuário errar a mão que ele deve soltar ao tentar atirar a flecha.
  24. Adaga da Refeição. Após atirada, retorna ao usuário se atingir comida (com a comida).
  25. Anel de Presente de Despedida. Um anel que cura todas as criaturas ao redor do usuário caso o usuário morra.
  26. Anel da Desinvisibilidade. Um anel que faz o usuário acreditar que está invisível, apesar de qualquer evidência do contrário.
  27. Sapatos de Caminhar na Água e na Lava. O sapato esquerdo caminha na lava, o direito caminha na água. Nenhum funciona sem o outro.
  28. Orbe de Detecção de Luz. Um orbe que emite um fraco brilho quando exposto à luz.
  29. Espada do Conhecimento. Uma espada que, ao invés de atacar criaturas, recita fatos interessantes sobre elas.
  30. Pergaminho da Tulpamancia. Um pergaminho que não invoca nada, mas que dá ao usuário uma forte sensação de que alguma coisa foi invocada.
  31. Varinha da Drenagem. Um canudo, mas que suga líquidos sozinho. Líquido sai da outra ponta. Capaz de sugar 1 litro por minuto.
  32. Faca da Briga de Bar. Quando enfiada em madeira, faca usa ventriloquismo para insultar bêbados próximos.
  33. Moeda da Dúvida. Uma moeda que tem 60% de chance de responder uma pergunta de “Sim” ou “Não” corretamente. Um uso por dia. Moeda não responde a mesma pergunta exceto se condições mudarem.
  34. Mochila de Recebimento Aleatório. Quando usuário tenta tirar um item dela, ele recebe um item aleatório, porém nunca o que ele quer.
  35. Corda de Desamarro. 25 metros de corda irrompível. Caso amarrada, se desamarra sozinha depois de 1d6 turnos.
  36. Carteira do Desaparecimento. Uma carteira aparentemente normal. Desaparece sempre que você precisa dela e retorna quando você não precisa.
  37. Copo da Transformação. Um copo metálico que transforma qualquer bebida alcoólica colocada nele em água fresca, e qualquer outro líquido em água suja.
  38. Pergaminho de Agqpowj. Um pergaminho que torna o usuário incapaz de pronunciar qualquer coisa escrita nele.
  39. Bigode do Carisma. Um bigode falso que dá ao usuário +5 em Carisma, porém o usuário soa como um bêbado sempre que tenta falar.
  40. Pedra de Peso. Uma pequena pedra que pesa 1 kg quando em contato com pele, e 1 tonelada caso não haja contato.
  41. Anel da Presunção. Um anel que causa um forte senso de superioridade no usuário.
  42. Garrafa de Ar. Uma garrafa de vidro vazia, mas que quando aberta solta ar com a força de um secador de cabelo.
  43. Chapéu da Indecisão. Um chapéu que faz o usuário querer tirá-lo quando coloca, mas querer colocá-lo quando tira.
  44. Adaga da Cura. Uma adaga que causa 1d4 de dano e 1d6 de cura.
  45. Esponja de Carga. Uma esponja capaz de segurar 100 litros de qualquer líquido. Todo o líquido anterior deve ser espremido antes de poder ser usada novamente.
  46. Capa de Se Achar o Foda. Uma capa que balança ao vento, mesmo se não houver vento.
  47. Livro Mágico de Datilografia. Um livro de magias que contém todas as magias do usuário. Permite o mestre mudar uma única letra do efeito da magia que o usuário tentar usar. O novo efeito então ocorre.
  48. Chave da Esperança. Uma chave que entra em qualquer fechadura, mas não consegue abrir nenhuma.
  49. Pirulito do Terrível Destino. Um pirulito que tem o gosto que você irá sentir quando morrer.
  50. Pergaminho da Visão. Cura a cegueira de qualquer um que ler o pergaminho.
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2019.07.07 23:07 almofarizdosombra Feedback sobre texto

Nos últimos tempos, tenho andado a escrever uma pequena história e gostava de ter algum feedback. Já mostrei a alguns amigos, mas queria obter outro tipo de feedback menos parcial. O objetivo não é necessariamente publicar, mas também melhorar e aprender algumas coisas. Deixo aqui os primeiros três capitulos. É um romance dramático. Desde já obrigado a quem tirar um pouco do seu tempo para ler. Qualquer tipo de feedback é apreciado.

I
Sempre Bem
Sinto o seu cabelo suave enquanto lhe acaricio a cara lisa e macia. E linda. Muito linda. Aqueles cabelos sempre foram a minha perdição. Pretos, encaracolados, macios e cuidadosamente bem tratados. Mas não se pense que sou fraco, afinal até os homens mais fortes têm fraquezas. Vide o exemplo do Super Homem, individuo possuidor de uma super força, uma super velocidade, invulnerável até à mais poderosa bomba nuclear. Exceto à kryptonite. Com as devidas diferenças, eu acredito que sou um Super Homem. E aqueles cabelos são a minha kryptonite.
Ela agarra-me a mão como ninguém sabe agarrar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
Aproximo-me até estarmos quase colados. Ela está estranhamente calma. Eu estou estranhamente calmo. É como se já soubéssemos o que vai acontecer. Na verdade, não era difícil de advinhar. Há coisas na vida que são inevitáveis como o céu ser azul, depois de sábado ser domingo ou a morte. Mas mesmo nas inevitabilidades, a vida consegue ser imprevisivel. Peguemos no exemplo da morte: toda a gente sabe que vai morrer, mas não sabe quando, como, onde nem porquê. Até há quem já esteja morto e ainda não saiba. Mas eu não gosto de pensar na morte. Eu, qual Super Homem, estou sempre bem.
Os nossos lábios tocam-se ou pelo menos eu acho que sim, mas não tenho a certeza. Não tenho a certeza porque não sinto. Nada. Todo aquele momento inevitável que era suposto ser o pináculo da nossa relação até então, tantos rios que fizemos para desaguar naquele mar e agora estou adormecido. Vem-me à cabeça Let It Happen de Tame Impala.
It's always around me, all this noise, butNot really as loud as the voice saying"Let it happen, let it happen (It's gonna feel so good)Just let it happen, let it happen"
All this running aroundTrying to cover my shadowAn ocean growing insideAll the others seem shallowAll this running aroundBearing down on my shouldersI can hear an alarmMust be morning
É mesmo de manhã. Pego no telemóvel para ver as horas: 7:30. Foda-se, já estou atrasado. Procedo à minha rotina matinal: desligo o alarme; levanto-me da cama; ligo a torneira para aquecer a água; vou buscar a toalha e a roupa interior; sento-me na sanita a pensar na vida enquanto espero que a água aqueça; tomo banho; volto ao quarto para me vestir; como o pão com manteiga e bebo o café que a minha magnífica mãe pôs na secretária enquanto estava no banho; arrumo o PC e o carregador na mochila; ponho os headphones e ligo o Spotify. Tudo isto em meia hora. Não sei se é rápido ou lento, mas já sigo esta rotina há tanto tempo que o faço inconscientemente.
No caminho até ao autocarro, cruzo-me sempre com quatro cães. O primeiro é pequeno e peludo e traz consigo uma certa inocência e fragilidade; o segundo é já bem mais forte e imponente, mas muito calmo e pacífico. Acho que nunca o vi a ladrar ou sequer agitado o que não é muito normal para um cão daquela envergadura; o terceiro é a personificação do ditado “cão que ladra, não morde”; por último, mas não o menos importante, um pouco mais distante dos outros três, está o meu favorito: um pastor alemão de médio porte, tristonho, solitário e carente. Não sei o que se passa com ele, mas, seja a que hora for, está sempre deitado no chão no mesmo cantinho a olhar para a pequena porta gradeada à sua frente, esperando uma alma caridosa que passe para lhe dar o carinho que ele necessita. E eu bem tento, mas ele não me deixa. É bem jogado, eu não sou de confiança. Dejá vu. Tenho tanta pena dele que até já pensei em raptá-lo para lhe dar uma casa em que ele seja amado. Até comentei isso com ela.
Nós falamos tanto. Não me lembro da última semana que passei sem falar com ela, seja por mensagens ou (o meu favorito) pessoalmente. Por vezes estou eu perdido nos meus pensamentos como muitas vezes acontece e dou por mim a pegar no telemóvel e mandar-lhe uma mensagem. Falamos da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Ela tem uma cadela linda. Gosto tanto dela que é o meu wallpaper do telemóvel.
Já cheguei e nem reparei. Faço isto tantas vezes que já é automático. Instantâneo. Às vezes gostava que não fosse assim, que tomasse mais atenção ao que me rodeia, que aproveitasse mais os momentos, mais lentamente. Na verdade, neste caminho rotineiro, só há duas coisas às quais presto atenção e vejo com olhos de ver: cães e mulheres. Os cães iluminam o meu dia e aquecem o meu coração de tão fofos e inocentes que são. As mulheres fazem-me viajar. Por cada uma que passo, reparo nos seus traços, na sua postura, no seu olhar e imagino que aquela pode ser o amor da minha vida. Mas não é. Nunca é. E ainda bem para elas, certamente estão melhores sem mim. Dejá vu.
Chego ao portão e vou buscar o telemóvel para ver qual é a sala. Tenho uma mensagem do Diogo. «Não vens à avaliação?». Foda-se, esqueci-me. Não faz mal, eu safo-me, estou sempre bem.
II
Música Fria
“Isola-se a incógnita no primeiro membro e passa-se tudo o resto para o segundo membro com a operação inversa”.
Olham todos para mim com raiva e inveja. Outra vez.
“Certo, mais uma vez, mas na próxima não quero que sejas tu. Quero ouvir os outros”.
Eu não pedi isto. Eu não tenho culpa. Parem de olhar assim para mim. Enfio a cabeça no caderno e tento afastar os olhares, a inveja e a raiva da minha cabeça. Foca-te. Pensa em momentos melhores. Respira. Quem me dera que a Filipa gostasse de mim. Não, é impossível. De todos os pretendentes, nunca me iria escolher. Quando tens pretendentes muito mais fortes, confiantes e experientes, porquê escolher o mais fraco? Para não falar da beleza dos candidatos que é um fator muito relevante nestas discussões. Aí a diferença é abismal. A única vantagem que tenho é que somos amigos, mas a amizade não conta muito nestas coisas.
Dou por mim a resolver o resto dos exercícios. Já é automático. Instantâneo. Para mim, a matemática corre-me nas veias. Quem me dera que fosse assim nos outros aspetos da vida. Quem me dera que todos gostassem de mim. O meu sonho é que um dia toda a gente goste de mim. Vai ser tão fácil viver sem os olhares de julgamento, a inveja, o ódio.
Levantam-se todos, é hora de intervalo. Dez minutos a respirar ar fresco enquanto dou voltas à escola. Apesar de tudo, uma pessoa tem que se manter em forma. Se passo o dia numa sala e as aulas de educação física são o que são, como é que é suposto manter a forma física? Além disso, não tenho mais nada de interessante para fazer. Os temas de conversa são aborrecidos, não aprendo nada. E se não estou a aprender ou a evoluir é uma perda de tempo. Encontro a Filipa ao voltar para a sala. “Vais ficar hoje?”. Hoje é a reunião dos pais e normalmente a turma toda fica lá fora à espera deles. É melhor que ficar em casa sozinho com fome à espera que a tua mãe volte para te fazer o jantar. Assim pelo menos posso comprar um Snickers na máquina para enganar a fome. “Não sei.”. “Fica. O que é que vais fazer em casa sozinho?”. Eu já sabia que ia ficar. Estava só a fazer um teste para ver se ela se importava.
As aulas da tarde são sempre a mesma coisa. O que é habitualmente uma turma irrequieta, está agora apática.
“Dom João quarto casa com Luísa de Gusmão a 12 de janeiro de 1633”.
Quem me dera viver nesta época. Era tudo tão mais fácil. Evitava-se todo este jogo para descobrir se aquele era realmente o amor da tua vida, se vale a pena continuar, se vale a pena tentar ou se o amor da tua vida existe sequer. Simplesmente combinavas com outra pessoa que iam ser o amor das vossas vidas. Dava jeito a toda a gente. Evitava-se todo o tipo de confusões, dramas e lamúrias. Há quem diga que isso é que traz a magia às coisas. Eu digo que é uma merda. No modelo antigo, pessoas como eu podiam ser felizes. Assim, a possibilidade é bastante baixa para não dizer nula.
“Qual é a tua música favorita?”, pergunta-me a Filipa enquanto vejo a mãe a passar.
“Não gosto de música”.
“O quê?! Nunca conheci ninguém que não gostasse de música. É impossível. Toda a gente gosta de música.”.
“Eu não gosto”. Desta vez não estava só a tentar ganhar a atenção dela, é mesmo verdade, não gosto de música.
“Vou-te mostrar uma música.”. Olha para o telemóvel e põe uma música. Até não é má.
“É uma música fria”.
Ri-se. “És estranho.”. Diz isto enquanto me olha nos olhos. “Olha quero pedir-te um favor.”.
“Diz”.
“Ando a ter algumas dificuldades com matemática e pensei que tu me podias ajudar. Podíamos aproveitar este tempo e tu vinhas a minha casa fazer os TPC’s comigo. Que achas?”.
Ela não tem dificuldades a matemática. Pelo menos nunca aparentou ter até agora. Ou será que tem? As aparências iludem. “Pode ser”.
Sorri. “Vamos então.”.
É a primeira vez que alguém me convida para a sua casa. Não sei o que esperar, mas vai ter que ser rápido senão a minha mãe preocupa-se. Provavelmente consigo fazer aquilo tudo em dez minutos sem problema.
Afinal é isto. Mesmo que me tivessem dito que ia ser assim, que era disto que devia estar à espera eu não acreditava. Olho para o meu lado esquerdo e vejo a Filipa um bocado abatida. Compreensível. Se para mim foi anticlimático, imagino como terá sido para o outro lado. Tenho que dizer alguma coisa para tentar mudar este momento.
“Gostei da música que me mostraste. Põe outra vez.”. Vejo-a levantar-se, pegar no telemóvel e pôr a música. Acho que resultou. Pelo menos para mim o ambiente está melhor.
III
Tem de Ser
Estico-me para chegar ao telemóvel. “Posso meter uma música?”. Incrível como passados estes anos todos ainda continuo a ter os mesmos hábitos.
“Claro.”. A Sofia olha para mim como se aquele fosse o melhor momento da sua vida e eu fosse o principal responsável por isso. Chego-me perto para retribuir. Beijo-a ao som da Musica Fria. É um bom momento. Por alguns instantes, engana-me. Mas não é ela.
Volto ao telemóvel e abro as mensagens. Já não lhe mando uma mensagem há muito tempo. «Olá». Ela já sabe como isto funciona. Daqui a umas horas, vai-me responder e vamos falar da vida, da morte, do sol, da chuva, do ontem, do amanhã e de cães. Talvez até tenha sorte e receba alguns vídeos da cadela dela.
“Na quarta saio mais cedo. Podias vir aqui.”. A Sofia quer demasiado. É sempre aqui que as coisas começam a descambar. A minha vida amorosa é um ciclo vicioso. Começa sempre no verão e com ele vem uma sensação escaldante, uma energia renovada, a vontade de fazer mais e melhor a cada dia que passa. É por esta fase que ainda não desisti. É por isto que quase vale a pena. Sorrateiro, mas sem piedade, chega o outono. As folhas verdes e viçosas que antes emanavam esperança, estão agora castanhas e cansadas espalhadas pelo chão. É aqui que percebo mais uma vez que ainda não é esta. Não é ela. Aquilo que fazias no verão já não o consegues fazer. É demasiado frio. Agasalho-me para me sentir um pouco mais quente e preparar o inverno. Chega o inverno rigoroso. Todos os anos chega de rompante, sem avisar, sem dó nem piedade. Deixa-me a tremer de frio. Já não faço nada do que fazia no verão, só me apetece ficar em casa à espera que passe a tempestade. Lentamente, chega a primavera. Sinto um cheiro a ilusão no ar, há uma esperança renovada, uma certa vontade de voltar a repetir tudo à espera que desta vez o resultado seja diferente.
Repetir a mesma coisa vezes sem conta à espera de um resultado diferente: a definição de loucura. Todos os génios têm um pouco de loucura e eu, como génio que sou, não fujo à regra. Como génio a minha primeira invenção será um sistema de emparelhamento de casais. Nada dessas aplicações de encontros que há por aí. Nada disso. O meu sistema vai oferecer uma probabilidade de 99,9% dos participantes encontrarem o amor da sua vida. Para isso, os candidatos terão que passar por várias relações com término definido, a fim do algoritmo estudar as suas reações nesse espaço de tempo e também ao término inesperado da relação. Ah sim, esqueci-me de dizer que nenhum deles vai saber quando a relação acaba, isto para fazer com as reações sejam genuínas, com o objetivo de obter dados com a maior credibilidade possível. Também não vão saber quantas relações terão que passar até atingir o tão esperado amor da sua vida ou quanto tempo isso vai demorar. Agora que penso, se calhar este sistema já existe. Se calhar eu estou neste sistema. Se calhar estamos todos neste sistema. Se estivermos mesmo, eu sou a anomalia estatística. O 0,1%. A margem de erro. Não se pode ter sorte em tudo.
“Claro, achas que não ia aproveitar mais uma oportunidade para estar contigo?”. Tretas. Mentiras que eu repito na minha cabeça para me fazer acreditar que é mesmo verdade quando já sei o desfecho desta história.
Ah!, aquela última semana de verão. Acho que desta vez vou já fechar-me em casa no outono. Parece-me que este vai ser rigoroso.
Vejo-a passar no corredor. Ela repara em mim e vem dar-me um abraço. Adoro estes abraços. Ela abraça-me como ninguém sabe abraçar. E mesmo que soubesse, ninguém era capaz de o fazer como ela que emprega toda a sua dedicação, emoção e amor naquele gesto. Amor. Será que ela me ama? Será que eu a amo?
“Estás bem?”.
“Estou sempre bem, já sabes.”.
Vou ao bolso e tiro aquelas bolachas que ela gosta. Dou-lhe uma e começo a comer a outra. Adoro ver aquele sorriso que ela faz quando lhe dou a bolacha. É como se soubesse o que aquele gesto significa para mim.
“Não pareces bem.”.
Ela conhece-me demasiado bem. Demasiado até para o seu próprio bem.
“Mas estou, acredita. E tu?”.
“Já estou melhor. Um dia de cada vez.”.
Fico triste que ela não consiga ser 100% feliz. Se há pessoa que o merece é ela. Gostava de fazer mais por ela, mas não posso. Não consigo. Dou-lhe um beijo na testa e sigo para a aula.
«Hoje vou fazer aquela massa que tu gostas <3». A Sofia faz questão que eu não me esqueça dos nossos compromissos. Olho lá para fora e sinto o outono a chegar. Há uma certa beleza e tranquilidade nesta parte. Apesar de saberes que vêm aí tempos mais frios, ficas de certa forma contente porque tens a consciência do que está a acontecer. Assim, evitas ser apanhado de surpresa e, de repente, ficas sem tempo para te agasalhar. E tu não queres isso. Não queres, porque é assim que ficas doente.
Estou cá fora a fumar um cigarro enquanto olho para a porta. Porque é que estou a fumar? Eu só fumo quando estou stressado. Ou será que isso é uma mentira que eu repito para mim mesmo até acreditar, como tantas outras? Mas esta tenho quase a certeza que é mesmo verdade. Eu passo meses sem fumar até que um dia decido fumar um cigarro. Nestas fases nunca fumo mais do que um maço. Eu nem me apercebo quando elas começam porque não é sempre no outono. É como se o meu corpo dissesse que precisa de nicotina e eu lhe desse o que ele quer. Como muitas coisas na minha vida, já é automático. Instantâneo. Lucky Strike. Reza a lenda que tem este nome, porque, antes da marijuana ser ilegal, alguns maços continham um cigarro de marijuana como bonus.
Já chega. Pára e vai fazer aquilo que vieste aqui fazer. Toco à campainha. Se demorar muito, vou embora. Está calado, faz-te homem. Tem de ser. Há coisas na vida que tem mesmo de ser. É como se costuma dizer: o que tem de ser, tem muita força. Tanta força que me consegue empurrar escada acima, até ao quinto direito, para fazer aquilo que eu não quero fazer. Mas tem de ser.
Recebe-me com aquele sorriso que fazia derreter o coração de muitos. És tão boa para mim, Sofia. Foste tão boa para mim, Sofia.
Oh, I have been wondering where I have been ponderingWhere I've been lately is no concern of yoursWho's been touching my skinWho have I been lettingShy and tired-eyed am I today
Sometimes I sit, sometimes I stareSometimes they look and sometimes I don't careRarely I weep, sometimes I mustI'm wounded by dust
Nada dói mais do que o som duma porta a fechar. O impacto foi tão forte que caí para trás. Fico sentado encostado à parede a olhar para aquela porta que se acabou de fechar. Mais uma. Passa mais uma. Eu não quero saber, podes olhar. Sim, estou aqui no chão a chorar enquanto olho para a porta da mulher que acabei de rejeitar. Algum problema? O único problema aqui é tu não seres ela. Quem me dera que fosses. “É ela, não é?! Eu já sabia!”. Ela não te diz respeito, por isso, quando falares dela, falas com respeito. Era o que devia ter dito, mas eu sou fraco. Nestas questões, sou fraquíssimo. Mas se até o Super Homem tem uma fraqueza, eu também posso ter. No entanto, o que é o Super Homem sem o amor? Podes ser o imperador do mundo inteiro, da galáxia inteira, mas sem amor não és homem nenhum, quanto mais Super Homem.
E se eu me atirasse daqui? Será que morria? Se eu morresse, ninguém ia querer saber. Só ela. E mesmo ela ia ficar triste inicialmente, mas depois ia passar. Até é melhor para ela, evita-se a inevitabilidade a que todas as minhas relações se destinam: fracasso. Todas as amizades, todos os namoros acabam por dar mal de uma maneira ou outra e o pior é que sugo sempre um bocado da outra pessoa comigo. Prefiro não estar cá para ver isso acontecer com ela. Até agora pensei sempre na razão de eu ter tanto azar, afinal eu sou boa pessoa. Agora percebi finalmente. Só há uma possibilidade, um denominador comum, uma pessoa em falta: eu.
Chegou a hora de eliminar os denominadores, mas antes disso tenho que lhe deixar uma mensagem para ela saber o quão boa foi para mim. Desculpa.
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2019.06.02 17:10 HucleberryTwain Texto Ziegler

Ziegler: assim as corporações alimentam a ultradireita

Relator especial da ONU explica como as “sociedades multinacionais privadas” tornaram-se as verdadeiras donas do mundo, e impedem qualquer Estado, cidadão ou política social de conter fome, pobreza e as crises humanitárias.

Jean Ziegler é uma ave rara na cena política suíça, encarnando há quase meio século a figura do intelectual público de projeção global. Seu ativismo político e atuação internacional, como relator especial da ONU, rendeu-lhe uma extensa gama de inimigos, não só entre os bancos, empresários e lideranças conservadoras, mas até mesmo no campo mais progressista. Mas Ziegler continua um observador ativo, e nota que os cidadãos das grandes democracias vivem um “desespero silencioso e secreto”.
Ele, porém, não perde a esperança e insiste que a resposta à atual crise está no fortalecimento de uma sociedade civil planetária. Para Ziegler, os acontecimentos nos últimos anos e a impotência do sistema político em dar respostas mostram que a “democracia representativa está esgotada”.

Eis a entrevista

Vemos em diferentes partes do mundo uma reação popular contra partidos tradicionais e contra a política. Também vemos a vitória de políticos como Orban, Trump, Salvini e Bolsonaro. Por qual motivo o sr. acredita que estamos vendo essa onda?
O mundo se tornou incompreensível para o cidadão, que não mais consegue ler o mundo. As 500 empresas multinacionais privadas têm 52% do PIB do mundo (todos os setores reunidos, bancos, serviços e empresas). Elas monopolizam um poder econômico-financeiro, ideológico e político que jamais um imperador ou papa teve na história da humanidade. Eles escapam de todos os controles de estado, parlamentares, sindicais ou qualquer outro controle social. Eles têm uma estratégia só: maximização dos lucros, no tempo mais curto e não importa a qual preço humano.
Elas são responsáveis, sem dúvida, por um processo de invenção científica, eletrônica e tecnológica sem precedentes, e de fato extraordinário. Até o fim da URSS, um terço dos habitantes do mundo vivia sob algum tipo de regime comunista. Havia a bipolaridade da sociedade dos Estados. O capitalismo estava regionalmente limitado.
A partir de 1991, o capitalismo se espalhou como fogo de palha por todo o planeta e instaurou uma só instância reguladora: a mão invisível do mercado. Isso também produziu uma ideologia que totalmente alienou a consciência política dos homens. Há, hoje, uma ideologia que dá legitimidade a uma só instância de regulação: o neoliberalismo. Esse sistema sustenta que não são os homens, mas os mercados que fazem a história e que as forças do mercado obedecem às leis da natureza.
E qual é a implicação disso para o cidadão?
As forças do mercado trabalham com as forças da natureza e o homem é dito que não é mais o sujeito da história. No neoliberalismo, não é mais o homem que é o sujeito da história. Cabe ao homem se adaptar a esse mundo.
De fato, entre o fim da URSS no começo dos anos 1990, e o ano de 2000, o PIB mundial dobrou. O volume do comércio se multiplicou por três e o consumo de energia dobrou em quatro anos. Isso é um dinamismo formidável. Mas isso tudo ocorreu de uma forma concentrada e nas mãos de um número reduzido de pessoas.
Se considerarmos a fortuna pessoal dos 36 indivíduos mais ricos do mundo, segundo a Oxfam, ela é igual à renda dos 4,7 bilhões de pessoas mais pobres da humanidade. A cada cinco segundos, uma criança com menos de dez anos morre de fome ou de suas consequências imediatas.
E no mesmo relatório sobre a insegurança alimentar no mundo da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) diz: no atual estado de seu desenvolvimento, a agricultura mundial poderia alimentar normalmente 12 bilhões de seres humanos. Ou seja, quase o dobro da humanidade – somos 7,7 bilhões de pessoas hoje. Não há fatalidade. A fome é feita pelas mãos do homem e pode ser eliminada pelos homens. Uma criança que morre de fome é assassinada.
Isso é sustentável?
De forma alguma. A desigualdade não é só moralmente vergonhosa. Mas ela também faz com que o estado social seja esvaziado. Os mais ricos não pagam impostos como deveriam. Os paraísos fiscais, o sigilo bancário suíço – que continua – isso tudo ainda permite uma enorme opacidade. Empresas são contratadas para criar estruturas que impedem que os reais donos do dinheiro sejam encontrados em sociedades offshore. Os documentos revelados pelos Panama Papers mostram muito bem isso. Portanto, podemos dizer que as maiores fortunas do mundo e as maiores multinacionais pagam os impostos que querem.
E qual a consequência disso?
O fato que os mais ricos pilham o país e não pagam impostos gera duas situações: esvaziam a capacidade social de resposta dos governos e impedem contribuições obrigatórias dos países mais ricos às organizações especializadas da ONU que lutam contra a miséria no mundo. Portanto, esse sistema mata.
No fundo, essa ditadura do mercado faz com que os cidadãos entendam que não é o governo pelo qual eu votei que tem o poder de definir o destino. Isso cria uma insegurança completa e a desigualdade não é controlável. Se não bastasse, o cidadão é informado que seu emprego passa por um período profundo de flexibilização. A França, a segunda maior economia da Europa, tem 9 milhões de desempregados e três quartos dos empregos no setor privado são contratos de duração limitada (CDD, contrato de duração determinada). Outros milhões vivem de forma precária, como a maioria dos aposentados.
Quem são, portanto, os atores que influenciam o destino econômico de um país?
Vou dar um exemplo. As sociedades multinacionais privadas são as verdadeiras donas do mundo. Nos EUA, sob a administração Obama, foi criado uma lei que proibia o acesso ao mercado americano de minerais que tenham sido extraídos por crianças em suas minas, principalmente do Congo. O cobalto, por exemplo, foi um deles.
Essa lei gerou a mobilização de Glencore, RioTinto e tantas outras, denunciando que era inaceitável, pois era contra a liberdade dos mercados. Uma das primeiras medidas que Donald Trump tomou ao assumir o governo, em janeiro de 2017, foi a de acabar com essa lei. Como este, existem muitos outros exemplos no meu livro.
Em quais setores?
A agricultura é outro. Em 2011, três semanas antes da reunião do G7 em Cannes, o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi à televisão e declarou que iria propor que a especulação nas bolsas e no mercado financeiro fosse proibida, principalmente sobre o arroz, milho e trigo e outros produtos agrícolas de base. Isso seria uma forma de lutar contra o aumento de preços dos alimentos básicos, especialmente nos países mais pobres.
Faltando poucos dias para o G7, a França retirou sua proposta, depois de ter sido pressionada pelas grandes empresas do setor, como Unilever, Nestlé e outras. Essa mobilização impediu uma ação do presidente da França.
Portanto, voltando ao ponto inicial: o capitalismo é o modo de produção que mais mostrou vitalidade nos avanços tecnológicos e de inovação e tem uma produtividade muito superior a qualquer outro do passado, incluindo o da escravidão. Mas, ao mesmo tempo, o modelo capitalista escapa de todo o controle político, sindical ou da ONU. Eu insisto: ele funciona sob apenas um princípio, que é o da maximização dos lucros, no tempo mais curto possível e a qualquer preço.
E o que isso significa para uma democracia?
É um sistema que priva o cidadão, mesmo numa democracia, de todo tipo de resposta efetiva à precariedade, à desigualdade que destrói o estado social. E é nesse contexto que se cria uma espécie de desespero silencioso e secreto entre os cidadãos. E, como sempre ocorreu na história e como ocorreu nos anos 30 na Alemanha, é neste momento que vêm os grupos de extrema-direita com sua estratégia de criar um bode expiatório.
De que forma?
O discurso é simples. Eles chegam a declaram ao cidadão: sim, sua situação é insuportável. Você tem razão. Não falam como outros que tentam dar esperanças ou dizer que as coisas vão melhorar. Mas, num segundo momento, o que fazem? Apresentam um bode expiatório para essa crise. Na Europa, eles são os imigrantes e os refugiados.
Justamente, em comum, esses movimentos denunciam a entrada de estrangeiros em seus países. Como o senhor avalia?
São governos europeus que cometem crimes contra a humanidade, ao recusar de examinar os pedidos de asilo dos refugiados. O direito a pedir asilo é uma convenção internacional de 1951, ratificada por todos os países, e os governos são obrigados a receber os pedidos.
Os eslovacos, por exemplo, aceitaram apenas 285 refugiados, sob a condição de que sejam cristãos. Em outros locais, como na Hungria, crianças estão na prisão. Mas mesmo assim esses governos continuam sendo sancionados pela UE, que continua a lhes enviar dinheiro. Só Viktor Orban (primeiro-ministro húngaro) recebeu 18 bilhões de euros no ano passado em fundos de solidariedade da Europa. As sanções, portanto, são inexistentes.
E qual tem sido o resultado dessa estratégia desses grupos populistas na Europa?
Eles mudam de paradigma e ganham força. Basta ver os resultados do partido Alternativa para a Alemanha (AfD). Hoje, eles têm o mesmo número de representantes no Parlamento que o tradicional SPD, o partido social democrata alemão que já nos deu políticos como Willy Brandt. O mesmo ocorreu com Matteo Salvini na Itália, Viktor Orban na Hungria, e ainda na Holanda, na Áustria. A estratégia do bode expiatório é uma estratégia que tem funcionado. Além disso, a consciência coletiva está sendo cimentada por uma ideologia neoliberal de que o homem não é mais o sujeito da história e que apenas pode se adaptar à situação e às forças do mercado, que obedecem às leis naturais.
Mas, voltando ao ponto da representatividade, tal cenário não ameaça minar a própria democracia?
Jean Jacques Rousseau publicou seu livro O Contrato Social em 1762, que foi a Bíblia para a revolução francesa. Ele descreveu a soberania popular e o fato de dar a voz a alguém para me representar. A delegação é um pilar do contrato social. Mas esse contrato social, que é a fundação da República, está esgotado. Essa democracia representativa está esgotada.
O povo não acredita mais nela. O povo vê que, ao votar em um deputado, não é ele que toma decisões, mas a ditadura mundial das oligarquias do capital financeiro globalizado. Portanto, há uma percepção de que ela não serve para nada. Não é ele quem vai garantir meu trabalho.
Ao mesmo tempo, esse povo não está disposto a abrir mão de seu poder e nem de sua capacidade de intervenção. No caso dos Coletes Amarelos, na França, um dos pontos principais é o apelo por um referendo popular como mecanismo. O que eles estão dizendo: o Parlamento faz o que quer. Queremos ter o direito de propor leis, de votar por elas. Hoje, a democracia representativa não funciona, num período de total alienação.
Quais são as respostas possíveis?
Retirar essa placa de cimento das consciências, que foi imposta. Liberar a consciência dos homens que é, por natureza, uma consciência de identidade. Se uma pessoa, seja de qual classe social ele for ou de qualquer religião, vir diante dele ou dela uma criança martirizada, algo de si afunda. Ele se reconhece imediatamente nela. Somos a única criatura na terra com essa consciência de identidade. E é por isso que milhões de jovens na Europa e na América do Norte se mobilizam em imensos cortejos, todas as semanas, pela sobrevivência do planeta e contra o capitalismo. O que eles estão dizendo aos seus governos? Que assim não podemos continuar. Façam algo contra essa ordem canibal do mundo.
A questão climática pode ser decisiva nesse contexto para modificar a forma de pensamento?
Pelo Acordo de Paris, cada um dos 190 estados que assinaram assumiu obrigações precisas para limitar as emissões de CO2 na atmosfera. 85% do CO2 emitido vem de energias fósseis. O acordo pede que as cinco maiores empresas de petróleo reduzam 50% de suas emissões até 2030 e de dar parte dos lucros ao desenvolvimento de energia alternativas, como solar, eólica e outras.
Mas o que é que ocorreu desde 2015? As cinco grandes empresas de petróleo do mundo aumentaram, em média, sua produção em 18%. E financiaram energias alternativas somente em 5%. Os jovens dizem: isso não funcionará.
Então, existe esperança?
Por anos, fui membro do Conselho Executivo da Internacional Socialista. Seu presidente, Willy Brandt, dizia a nós jovens, como eu, Brizola e Jospin: não se preocupem. A cada votação, vamos avançar aos poucos e as pessoas vão se dar conta. Lei por lei, vamos instaurar uma democracia social, igualdade de oportunidades e justiça social. Mas isso não ocorreu. No lugar do progresso da democracia social, o que vimos foi a instauração da ditadura mundial de oligarquias do capital financeiro globalizado que dá suas ordens, mesmo aos estados mais poderosos.
Desde a queda do Muro de Berlim em 1989, a liberalização do mercado e a perda do poder normativo dos estados avançou mais que nunca e, ao mesmo tempo, a desigualdade social aumentou. Mas Brandt também nos dizia: quando vocês falarem publicamente, é necessário dar esperança. O discurso deve ser analiticamente exato. Mas ele precisa ser concluído com uma afirmação de esperança. Caso contrário, é melhor ficar em casa.
Mas onde está essa esperança?
É a sociedade civil planetária. É a misteriosa fraternidade da noite, a miríade de movimentos sociais – Greenpeace, Anistia Internacional, movimento antirracista, de luta pela terra – que lutam contra a ordem canibal do mundo, cada qual em seu domínio. São entidades que não obedecem a um comitê central ou a uma linha de partido, e que funcionam por um só princípio: o imperativo categórico.
Emmanuel Kant dizia: “a desumanidade infligida a um outro humano destrói a humanidade em mim”. Eu sou o outro e outro sou eu. Essa consciência, em termos políticos, cria uma prática de solidariedade entre os indivíduos e reciprocidade entre povos. Mas essa sociedade é invisível. Não tem uma sede. Ela é visível cinco dias por ano, no Fórum Social Mundial, organizado pelos brasileiros em Porto Alegre.
O escritor francês George Bernanos escreveu: “Deus não tem outra mão que seja a nossa”. Ou somos nós que mudaremos essa ordem canibal do mundo, ou ninguém o fará.

Notas:

[1] Jean Ziegler ocupa hoje a vice-presidência do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
[2] Em seu novo livro – Le capitalisme expliqué à ma petite-fille (en espérant qu’elle en verra la fin) – O capitalismo explicado à minha neta (com a esperança que ela veja o fim), da editora Seuil, o sociólogo tenta dissecar o sistema atual de produção e suas consequências para a cidadania.
[3] Ziegler já foi deputado federal, professor da Universidade de Genebra e professor da Universidade Paris Sorbonne. No início do século XXI, ele foi ainda o primeiro relator da ONU para o direito à alimentação.
https://outraspalavras.net/outrasmidias/ziegler-assim-as-corporacoes-alimentam-a-ultra-direita/
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2019.04.28 19:50 realistahomem Uma proposta de reforma da previdência

Por Leandro Roque, do Instituto Mises Brasil

João recebe R$ 1.000 por mês. Esse é o seu salário bruto. Desse valor, João paga 8% para o INSS. Isso dá R$ 80. Seu patrão paga 20% desse valor também para o INSS. Isso dá R$ 200. Por mês, portanto, João e seu patrão pagam R$ 280 ao INSS. Esse é o valor que o governo confisca de ambos com o intuito de "cuidar" de João no futuro: o equivalente a 28% do salário bruto de João. Para o governo, João é tolo demais para administrar o próprio dinheiro. Tal tarefa será feita com muito mais carinho e dedicação por burocratas estatais. Em troca de quê? De acordo com as novas regras da Previdência que o governo pretende implantar, João terá de trabalhar por 40 anos e até os 65 anos para conseguir se aposentar com seu salário integral. Ou seja, João e seu patrão terão de pagar, mensalmente, R$ 280 ao INSS durante 40 anos para que, no ano de 2059, João se aposente e receba uma aposentaria mensal de... R$ 1.000. (Para facilitar o exemplo, estou considerando inflação zero pelos próximos 49 anos. Isso significa que, em 2059, R$ 1.000 terão o mesmo poder de compra que têm hoje. Essa forma de raciocinar tem a vantagem de pensarmos tudo em valores de hoje para qualquer época futura, o que mantém o raciocínio mais claro.) Portanto, ficamos assim: durante 49 anos, João terá dado R$ 145.600 para o governo em termos de INSS. (Estou incluindo o 13º salário) Em troca disso, a partir do ano 2059, ele ganhará R$ 1.000 por mês (em valores de hoje). Isso significa que, a partir de 2059, ele terá de viver pelo menos mais 146 meses (12 e 2 anos) para ao menos conseguir recuperar todo o valor que deu para o governo.

Como seria se João tivesse liberdade
Se João aplicasse R$ 200 por mês em títulos públicos por meio do Tesouro Direto, o que já garantiria a João MEIO MILHÃO DE REAIS em 2050. Mas agora vem o principal: esse meio milhão que João terá em 2050, suponhamos que ele pegue todo este dinheiro acumulado em aplique em LCI, caso os juros sejam a 5% de juros reais ao ano (0,4 ao mês), renderão a ele nada menos que R$ 2.000 por mês (em valores de hoje).
Agora compare e se espante:
No primeiro cenário, tudo o que restou a João é receber R$ 1.000 por mês (em valores de hoje). E só. Ele não tem mais nada. Todo o dinheiro que ele deu para o INSS (R$ 145.600) se perdeu. Ele não tem acesso a ele. Tudo o que lhe restou, repetindo, é receber R$ 1.000 por mês.
Já no segundo cenário, João não apenas terá MEIO MILHÃO DE REAIS em sua posse (trabalhando menos tempo), como ainda estará ganhando mais R$ 2.000 por mês só com os juros incidentes sobre esse meio-milhão. (Sim, haverá imposto de renda de 15% sobre esse valor; ainda assim, a diferença de realidade é absurda).
Eis, portanto, as alternativas de João: patrimônio nenhum acumulado e apenas R$ 1 mil por mês para sobreviver, ou patrimônio de meio-milhão de reais acumulado + uma renda mensal de R$ 2 mil.
Isso, e apenas isso, já deveria bastar para acabar com qualquer debate sobre a Previdência. Qual a moralidade desse arranjo?
Reformar a Previdência é enxugar gelo
Pessoalmente, considero essa questão da Previdência brasileira um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.
Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.
E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.
Comecemos pelo básico.
Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em um fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.
Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.
Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.
Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.
E, no Brasil, ela já não está cooperando. Eis os dados do IBGE:
Em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.
Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.
Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?
Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.
Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).
Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.
A não ser mudar totalmente o sistema.
Uma sugestão de reforma definitiva da Previdência
São vários os que têm sugestões para reformar a Previdência com o intuito de perpetuá-la. Já eu sugeriria aboli-la e libertar as pessoas da obrigação de participar dela.
Isso, no entanto, gera um problema: há milhões de pessoas entre 30 e 65 anos que foram obrigadas pelo governo a entrar no esquema insustentável da Previdência e que já obrigatoriamente pagaram muito dinheiro para o INSS. E há também os aposentados que dependem do dinheiro dos ativos para continuar recebendo suas aposentadorias.
O grande desafio, então, é como abolir a Previdência e, ao mesmo tempo, não deixar essas pessoas ao relento. Elas, afinal, foram coagidas pelo governo a entrar neste arranjo. Não havia opção.
Não seria nem ético nem moral simplesmente dizer para essas pessoas que tudo aquilo que elas pagaram foi em vão.
Com esse objetivo, eis a reforma que eu sugeriria, baseada nesta sugerida pelo economista americano George Reisman. Apresento-a na esperança de que ela sirva ao menos como um ponto de partida para discussões e debates adicionais sobre o tema. Ela não tem o intuito de ser definitiva; tampouco ela é à prova de falhas. Trata-se apenas de um modelo-base, que pode ir sendo aperfeiçoado e ajustado à medida que vai sendo implantado. No entanto, vale ressaltar que o objetivo supremo desta proposta é a liberdade econômica do indivíduo.
Começando em janeiro de 2020, a idade mínima de aposentadoria deve ser imediatamente elevada para 65 anos. (Esta idade é a mesma da proposta do governo). O que isso implica?
Em 2015, a idade média de aposentadoria no Brasil foi de 58 anos. Trata-se de uma das menores do mundo (confira a tabela). No México, as pessoas se aposentam com, em média, 72 anos. No Chile, com 69. Em todos os outros países da América Latina as pessoas se aposentam com mais de 60 anos.
Esse aumento para 65 anos, obviamente, será uma grande decepção para todas essas pessoas com 58 anos ou mais, as quais esperavam se aposentar em breve. Felizmente, há uma maneira de fornecer um alívio substantivo para essas pessoas, o que diminuirá bastante seu infortúnio: indivíduos a partir de 58 anos terão o FGTS direcionado ao seu salário (valor esse que o patrão teria de pagar de qualquer maneira) e, principalmente, estarão isentos do imposto de renda até o valor anual R$ 67.467,66 (incluindo o 13º salário).
Esse valor da isenção representa o atual valor máximo sobre o qual incide o INSS (R$ 5.189,82 por mês).
Na prática, uma isenção desse tamanho significa que a esmagadora maioria destes indivíduos não mais pagará imposto de renda até se aposentar.
Esse valor de que o governo estaria abrindo mão em termos de imposto de renda e de FGTS representa uma quantia que o governo não teria coletado de qualquer maneira, uma vez que essas pessoas já estariam aposentadas, sem pagar FGTS e recebendo menos que seus salários atuais.
Mais ainda: como agora o governo não terá de pagar aposentadoria para essas pessoas que têm 58 anos ou mais — pois elas ainda continuarão trabalhando e pagando INSS até os 65 anos —, tal medida mais do que compensaria essa isenção do imposto de renda em termos do orçamento do governo. As receitas da Previdência subirão e as despesas cairão.
Adicionalmente, o fato de que essas pessoas não mais veriam o imposto de renda confiscando uma fatia do seu salário, em conjunto com o fato de que agora o FGTS está incorporado aos seus salários, já deveria servir de grande consolo para a aceitação dessa mudança.
Essa idade de aposentadoria de 65 anos deverá ser mantida por até quinze anos (janeiro de 2033), de modo a possibilitar que todos os trabalhadores que tinham 50 anos ou mais na época de sua implantação (janeiro de 2018) se beneficiem dela.
Entretanto, após esse período de quinze anos (janeiro de 2020 a janeiro de 2035), a idade mínima deverá ser gradualmente aumentada para 70 anos. Esse aumento de 65 para 70 anos deverá ocorrer ao longo de um período de vinte anos (janeiro de 2035 a janeiro de 2055). Ou seja, a cada ano, a idade mínima será elevada em 0,25 ano (um trimestre).
Assim, trabalhadores que tinham 49 anos quando a reforma foi implantada (janeiro de 2020) poderão se aposentar pelo INSS quando tiverem 65 anos e três meses, ao passo que aqueles que tinham 30 anos na época da implantação só poderão se aposentar aos 70 anos.
Após esse período de vinte anos (janeiro de 2055) — que já totalizam trinta e cinco anos desde a implantação da reforma, e com a idade mínima já em 70 anos —, a Previdência começará a fechar as portas. Quem estiver com 70 anos se aposenta em 2055. Quem estiver com 65 anos (ou seja, quem tinha 30 anos em janeiro de 2020) se aposenta em 2060.
E quem estiver com menos de 65 anos não mais irá se aposentar pelo INSS.
Em outras palavras, a partir de janeiro de 2055, a Previdência estará fechada para todos aqueles que tinham 29 anos de idade ou menos quando a reforma foi implantada (janeiro de 2020). Esses jovens trabalhadores de 29 anos ou menos, que não se aposentarão pelo INSS, terão ainda muito tempo para cuidar do seu futuro financeiro, poupando e investindo de acordo com o que foi falado no início deste artigo.
(Aquele grande superávit inicial conseguido no início da implantação do programa pode ser utilizado para restituir, nem que seja parcialmente, todo o dinheiro que esses trabalhadores de até 29 anos já deram para o INSS.)
Portanto, a partir de janeiro de 2055, trinta e cinco anos após a implantação da reforma, a Previdência ficará aberta por mais cinco anos, até janeiro de 2060, esperando as pessoas que tinham 65 anos inteirarem 70 para se aposentar. Após receber seus últimos integrantes em janeiro de 2060, a Previdência fecha para novos entrantes.
Isso significa que, a partir de janeiro de 2060, após 40 anos da implantação da reforma, a Previdência terá exclusivamente apenas pessoas com mais de 70 anos de idade, e não mais receberá nenhum novo aposentado.
Com isso, todo o sistema previdenciário irá progressivamente diminuir e murchar, até desaparecer por completo à medida que seus pensionistas restantes forem morrendo.
Essas pessoas restantes, entretanto, terão de ser bancadas por todo o resto da sociedade. Não há como escapar deste fato. Porém, a sugestão para essas pessoas, que terão entre 30 e 35 anos de idade em janeiro de 2020 — ou seja, ainda serão jovens na época da implantação da reforma — é que sigam os conselhos do início deste artigo e façam planos para uma previdência complementar, apenas para se precaverem de um eventual (e possível) calote do governo.
Em todo caso, supondo um não-calote nessas pessoas, o governo terá de cortar gastos em outros setores.
Felizmente, e ironicamente, se tomarmos a realidade atual como base, lugar de onde o governo pode cortar gastos é o que não falta: ministérios, secretarias, salários dos políticos, salários de toda a burocracia estatal (especialmente do judiciário), cinema, teatro, sindicatos, grupos invasores de terra, concursos públicos, subsídios a grandes empresários e pecuaristas, anúncios publicitários na grande mídia (impressa e televisiva) e em times de futebol. Ou então o governo pode reduzir os superfaturamentos em obras contratadas por empresas estatais, reduzir o número de políticos, abolir várias agências reguladoras custosas, e reduzir os gastos com a Justiça do Trabalho. Ele também pode deixar de administrar correios, petróleo, eletricidade, aeroportos, portos e estradas.
Em suma, de onde retirar gastos para bancar os aposentados restantes é um problema que nunca faltou e não faltará no futuro.
Conclusão
Não interessa a sua ideologia: a demografia se encarregou de fazer com que as obrigações assumidas pela Previdência se tornassem essencialmente impagáveis, a menos que os impostos sejam elevados a níveis intoleráveis.
Quando despida de toda a retórica demagógica, constata-se que a Previdência foi criada e ainda existe porque burocratas acreditam que as pessoas não são capazes de cuidar de si próprias. Na prática, isso é o mesmo que dizer que, dado que um pequeno número de pessoas não tem meios de se alimentar, todos os indivíduos de uma população devem ser forçados a comer em restaurantes estatais.
Pior: não importa o que a lei diga sobre como empregados e empregadores compartilham o fardo da contribuição previdenciária; do ponto de vista econômico, o trabalhador paga todo o imposto. Mises foi o primeiro a desenvolver esta constatação em seu livro Socialism, em que ele disse que contribuições para a seguridade social sempre se dão em detrimento dos salários.
A verdade é que o que está na origem do sistema previdenciário é a filosofia do coletivismo: o sistema forçosamente cria em um esquema coercitivo no qual indivíduos são obrigados a sustentar os pais e os avôs de estranhos para, em troca disso, esses indivíduos futuramente também serem compulsoriamente sustentados pelos filhos e netos de outros estranhos.
O fim deste esquema compulsório e insustentável e um retorno à responsabilidade individual, com cada indivíduo sendo responsável por garantir sua própria provisão para o futuro, gerarão um grande aumento na poupança e na acumulação de capital, pois a poupança de cada indivíduo será investida livremente por ele onde quiser, e não dissipada em esquemas de pirâmide comandados pelo governo.
Essa orientação voltada para o longo prazo, com menos imediatismo e mais prudência, por sua vez, gerará um sistema econômico mais próspero e de enriquecimento mais acelerado, no qual o padrão de vida de todos irá aumentar.
A única reforma realmente adequada para a Previdência Social é a gradual abolição de todo o sistema.
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2019.04.20 23:57 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 2)

O ano é 1420.
Em uma noite chuvosa, um homem encapuzado e vestido de preto dos pés à cabeça finta oficiais pasargadanos dentro do imenso e majestoso Castelo de Woodyard - antigo castelo da família Winchestter e, hodiernamente, a sede da Pasárgada. Por mais que se esforçassem, os soldados não conseguiam sequer triscar suas espadas e lanças nas vestes do invasor. Ninguém sabia como o misterioso homem havia driblado a segurança e adentrado no castelo da Pasárgada. E também não tinham nem noção de como para-lo: ainda que encurralado, o homem conseguia deslizar entre os seus perseguidores com agilidade jamais vista pelos mesmos, sem sequer sacar as duas espadas que levava às costas. O veloz sorrateiro passeou pelas salas do palacete e chegou ao trono do rei sem derramar uma única gota de sangue. Lá estava Matiza Perrier, sempre junto de sua esposa, Zoey Deschamps.
O sujeito se aproximou do rei da Pasárgada e prestou uma reverência à alteza, ainda sem proferir uma palavra sequer. Matiza, com seus longos cabelos negros e seu típico e habitual largo sorriso, debochou de seu exército, que não era capaz de frear as investidas de um simples plebeu. Descendo as escadas de seu trono dourado, Matiza disse aos seus comandados presentes na sala principal do palácio que ele mesmo despacharia o invasor, apunhalando a sua longa espada. O que a rainha e seus subordinados testemunharam nos 30 segundos seguintes beirava o insano.
Em menos de um minuto de confronto, o invasor desconhecido, com as mãos limpas, imobilizou Matiza Perrier. O rei, que era um exímio manipulador de armas brancas e que tinha em suas mãos uma montante suíça - uma espada imensa, que media nada mais nada menos do que um metro e meio - não teve chances contra os inacreditavelmente ligeiros ataques de seu adversário. Em questão de segundos e sob os olhares de sua esposa, Matiza Perrier foi completamente neutralizado. O comandante da Pasárgada riu do fato de ter sido derrotado em um combate por um popular. E, reconhecendo o talento incontestável de seu oponente, permitiu que este lhe dirigisse a palavra para revelar o que lhe trazia ao Castelo de Woodyard. O homem misterioso retirou o capuz e disse seu nome: Constantin Saravåj.
Saravåj discursou por alguns breves minutos ao rei da Pasárgada, dizendo que queria fazer parte dos ambiciosos planos pasargadanos de ter todo continente europeu aos seus pés. O homem - que já não era mais um garoto fantasista - afirmou que estava disposto a dedicar a sua vida inteira à sedenta ganância da Pasárgada. Sem tardar, as palavras de Saravåj convenceram Matiza Perrier, que foi contra a vontade de sua própria cônjuge e aceitou o desconhecido homem iugoslavo em seu exército. O comandante pasargadano, que costumava ser excessivamente seletivo na hora de escolher os seus soldados, mas impressionado como poucas vezes antes pela habilidade e destreza de Saravåj, não só admitiu o iugoslavo como um membro de honra de seu reinado como o fez um integrante da Elite Pasargadana. Na cabeça de Matiza, era preferível ter Constantin Saravåj como um aliado do que na oposição, afinal de contas, se tratava nitidamente de um homem perspicaz e perigoso.
A Elite da Pasárgada era um pequeno grupo de quatorze pessoas - agora quinze - que tinham funções-chave no governo pasargadano e que residiam no Castelo de Woodyard. Líderes militares. Administradores econômicos. Pessoas influentes. E, evidentemente, o rei e a rainha. Eram quem sabia e compactuava com toda sujeira que acontecia por baixo dos panos no governo de Matiza Perrier. E, dada a sua importância, os nobiliárquicos eram os pilares do presente e do futuro do império da Pasárgada: sempre que uma decisão importante pedia por ser tomada, uma reunião em mesa redonda era convocada com os integrantes da elite, para que estes entrassem em um consenso.
É interessante pôr em evidência que a fina flor da Pasárgada não era necessariamente composta por homens e mulheres capacitados e qualificados para seus respectivos cargos. A esmagadora maioria eram amigos pessoais do rei Matiza Perrier. Pessoas em quem ele confiava. Um misto de guerreiros, de fato, idôneos com cidadãos triviais e inseguros que apenas buscavam fama e poder. Naturalmente, a Elite também era composta pelas quinze pessoas mais beneficiadas com o capital desviado do povo de Acqualuza.
Saravåj foi encimado como o espião da Pasárgada e passou a usar o mesmo grande sobretudo branco de Matiza Perrier e dos principais membros pasargadanos, que levava um enorme "P" ao lado esquerdo do peito. O seu trabalho era o de apurar dados importantes dos territórios que faziam fronteira com a Pasárgada, se passando por um diplomata inglês, abrindo caminho para uma eventual invasão pasargadana. De todos os componentes da Elite Pasargadana, o iugoslavo era quem menos tinha contato com o rei. Talvez por passar mais tempo galgando de reino em reino em uma falsa missão diplomática do que no próprio território pasargadano. O único contato direto entre Saravåj e Matiza, em sua maioria, acontecia por meio de cartas ou bilhetes, com informações sucintas e diretas apuradas em terras que interessavam à Pasárgada. Na maior parte do tempo, o rei da Pasárgada sequer recordava de que Constantin Saravåj era um membro de seu esquadrão.
O guerreiro iugoslavo agia feito uma cascavel nas terras pasargadanas, esperando o momento certo para dar o bote. Mesmo após completos cinco anos da morte de Camilly Shaw, o peito do homem ainda somente conseguia abrigar raiva e rancor. Durante este meio tempo, o iugoslavo se absteve de todo e qualquer contato um pouco mais profundo com outro ser humano. Isolou-se em seus próprios pensamentos e focou unicamente em aperfeiçoar as suas técnicas de combate corpo a corpo, volta e meia invadindo e saqueando palácios, bancos e comércios dos burgueses para colocar a teoria em prática, sempre idealizando a queda da Pasárgada em seu horizonte. A medida que Constantin Saravåj arrombava portas, roubava sacos de ouro e assassinava nobres, ele tornava-se mais frio e incapaz de cometer erros ou sentir remorso.
Saravåj nunca conseguiu a total confiança e muito menos a amizade de Matiza Perrier ou de qualquer outro membro do alto escalão da Pasárgada. Mas, em contrapartida, da mesma forma, nunca esteve sob desconfiança. Aos olhos dos pasargadanos, Saravåj era um homem de poucas palavras, sempre com o rosto fechado e quase que invisível, mas que sempre arcava com as suas obrigações com rara eficiência.
Foi então que, sob a escuridão de uma fria madrugada, o guerreiro iugoslavo aproveitou-se de sua camuflagem natural entre os pasargadanos e da sua vasta experiência com roubos e furtos para saquear discretamente um cilindro metálico de acetileno, do depósito do Castelo de Woodyard. O acetileno é um gás impossível de ser avistado a olho nú e extremamente inflamável, usado na época, principalmente, como bomba.
O plano de Saravåj era, desde que colocou os pés pela primeira vez no palacete da Pasárgada, ter em mãos e explodir um cilindro médio de acetileno, causando um incêndio sem precedentes no Castelo de Woodyard. Com as chamas se espalhando pelas cortinas e pelos móveis de madeira refinada, Saravåj iria valer-se da confusão generalizada instalada pelo fogo entre as tropas pasargadanas para chegar até a sala do trono, da mesma forma que fez na noite em que ficou frente a frente com o comandante da Pasárgada pela primeira vez, e enfim, assassinaria o rei Matiza Perrier. Deixar o trono pasargadano vazio seria como jogar queijo aos ratos: por mais que, na teoria, Zoey Deschamps tivesse o apanágio de se tornar a rainha soberana após o falecimento de seu marido, os sobreviventes da avarenta nobiliarquia da Pasárgada, incapazes de entrar em concordância, dariam o pontapé inicial de uma disputa incessante pelo poder, instaurando assim, por mais uma vez, um governo instável sobre as terras de Acqualuza. Enquanto os monarcas pasargadanos testilhariam pelo domínio do império da Pasárgada, Saravåj abandonaria o seu fajuto lugar na Elite Pasargadana para se instalar no forte reino militar da Germânia, em uma crucial e sincera missão diplomática.
O reino da Germânia, do arrogante e egocêntrico rei Lindner Laiterberg, era o único governo que ainda era capaz de bater de frente com o império da Pasárgada. Em um cenário que contava com uma Inglaterra desestabilizada após uma série de escândalos envolvendo o governo de Sabino III e com o leste europeu cada vez mais mergulhado em uma profunda crise econômica, a Germânia, célebre por seu grande e organizado exército de soldados, era a única pedra no sapato da Pasárgada, que já havia tomado a Gália, a Catalunha e Coimbra (atual Portugal) para si, além de ter ao seu favor os abundantes recursos naturais da Península de Acqualuza. O clímax do plano de Saravåj contra a Pasárgada era agir em conjunto com Lindner Laiterberg, aproveitando-se da prepotência do mesmo. O guerreiro iugoslavo tinha em mente denunciar a fragilidade momentânea do reino pasargadano ao rei da Germânia, instigando-o a usar esta oportuna situação à seu favor para invadir as terras pasargadanas, que sequer contariam com um rei para mobilizar as suas tropas visando se defender, para assim, no fim das contas, tomar o vasto reino da Pasárgada para si. Sem a presença de um governo e com o foco voltado para um briga de interesses interna, a Pasárgada estaria totalmente desprevenida diante do ataque e deveria ser esmagada pela robusta hoste germânica em questão de semanas.
Após a queda pasargadana, Laiterberg certamente não se sairia bem em sua primeira experiência como imperador, ao ver tantos territórios sob sua responsabilidade. E, no decorrer do efeito dominó, sob a tutela de um regime menos sólido e menos rigoroso em relação à Pasárgada, cidadãos subversivos gauleses, catalães e coimbrenses provavelmente dariam início a um natural processo de revolução e independência, que tinha tudo para ser bem-sucedido. Mas, em todo caso, ainda que o monstro europeu se tornasse a Germânia e esta viesse a concretizar o plano de colocar a Europa inteira de joelhos, que no princípio era pasargadano, pouquíssimo importava para Constantin Saravåj. Contanto que ele pudesse usar o exército germânico como fantoche para massacrar a Pasárgada e devolver na mesma moeda o calvário que o reino de Matiza Perrier o fez passar há exatos cinco anos, não era significativo o final daquele roteiro. O planejamento de Saravåj não era perfeito e estava recheado de brechas. Mas havia chegado o momento de contar com o acaso - ou com a justiça divina, se esta de fato fosse real. Inspirado na CAJA, o iugoslavo definiu data e hora para realizar a sua conflagração.
Tudo caminhava como o articulado por Saravåj, até que, durante uma noite, o guerreiro despertou em seu quarto no Castelo de Woodyard com uma mão sobre a sua boca. Sem pensar duas vezes e em um movimento rápido e violento, o iugoslavo, em questão de segundos e sem dar tempo de reação ao seu oponente, levantou-se ferozmente e prensou o invasor contra a parede, batendo com força o corpo do desconhecido contra a madeira fina da parede de seu quarto. Mesmo em meio ao breu da madrugada, pôde identificar o rosto familiar: Randolph Mayoral. Inglês com descendência catalã, era o braço-direito de Matiza Perrier e comandante geral do exército da Pasárgada, além de ser a pessoa mais próxima do rei, em quem Matiza Perrier confiava cegamente. Cochichando para evitar chamar a atenção dos guardas noturnos, Saravåj perguntou à Randolph quais eram as suas intenções ali. Randolph Mayoral levantou as suas mãos calmamente, em um gesto de rendição, e afirmou que tinha o melhor dos propósitos. Estava ali para fazer um acordo. Saravåj soltou Randolph, que começou a caminhar lentamente pelo pequeno quarto enquanto falava. O inglês disse que estava observado Constantin Saravåj há algum tempo. Para ele, toda incógnita que envolvia o iugoslavo deixava evidente que este mesmo tinha segundas intenções nas terras pasargadanas. Randolph alegou que foi um espectador do furto de Saravåj ao depósito de Woodyard.
Neste instante, o iugoslavo arregalou os olhos e viu os seus cinco anos de planejamento se esvairando diante de si. Percebendo a aflição de Saravåj, Randolph riu e prometeu que não havia procurado pelo iugoslavo para fazer chantagens. O braço-direito de Matiza Perrier disse que também estava arquitetando uma rebelião contra a Pasárgada. Revelou que não considerava Matiza como digno de liderar um império tão poderoso como o pasargadano. Afirmou que não considerava como justo que Matiza Perrier, um mísero coitado que via a si mesmo como uma figura divina na Terra, tivesse tanta sorte. Sorte para ter metade da Europa à sua disposição. Sorte para ter seus pés beijados pelo povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E sorte para ter uma mulher maravilhosa ao seu lado - a quem ele traía constantemente e abertamente. Randolph Mayoral invejava Matiza Perrier, e estava somente esperando o momento adequado para derrubar o atual rei da Pasárgada de seu pedestal. Saravåj sorriu e disse para Randolph que seria uma honra tê-lo como aliado na revolta contra a Pasárgada.
De imediato, Randolph teceu as suas mudanças na estratégia de Constantin Saravåj: nada de acetileno, explosões ou chamas se alastrando pelo castelo. O inglês preferia optar por preservar o patrimônio histórico, mas sem deixar de lado a matança: o plano de Randolph era fazer do motim contra o governo de Matiza Perrier um enorme e sanguinário espetáculo teatral. Sobretudo, o delineamento do inglês se baseava em fazer com que os seus mais competentes e confiáveis soldados, integrantes do próprio exército nobre pasargadano, dos quais Randolph Mayoral era o capitão, penetrassem na sede da Pasárgada travestidos de cidadãos acqualuzenses, causando um alvoroço absoluto no esquadrão de guerreiros pessoais de Matiza Perrier, que seria atacado de surpresa. Não seria uma tarefa difícil convencer os guerreiros a virarem as suas costas para o rei com ilusórias propostas, envolvendo ouro e reconhecimento. Sem os seus habituais uniformes, com vestes de pano, portando espadas de ferro barato e com o hino de guerra "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!", em alusão à revolução de 1416, os súperos oficiais de Randolph Mayoral teriam a falsa invasão ao Castelo de Woodyard facilitada por ele próprio, que sabotaria as principais entradas do palacete - tarefa que Randolph dividira com Constantin Saravåj. Já dentro do palácio pasargadano, os hábeis oficiais de Randolph, sob a fantasia de militantes do povo de Acqualuza, repetiriam o Domingo Sangrento. Seria acrescida mais uma noite de chacina aos nobres na história da Península de Acqualuza.
O que por trás das cortinas era uma traição ao rei minuciosamente calculada pelos membros do mais alto escalão da Pasárgada, Randolph Mayoral e Constantin Saravåj, aos olhos da Pasárgada, do povo e de toda Europa teria todos os componentes de uma inesperada revolta popular. Seria a explicação mais plausível e não haveriam motivos para suspeitar-se de que Matiza sofrera uma apunhalada pelas costas de um próprio oficial pasargadano, fazendo com que a emboscada de Randolph e Saravåj passasse despercebida por todos. No desfecho, os planos dos dois integrantes da Elite eram idênticos: culminariam com a morte do atual rei da Pasárgada e com o abalamento absoluto da mesma. Saravåj animou-se, elogiou e acatou o planejamento de Randolph Mayoral, e ambos consolidaram a improvável aliança com um firme aperto de mão. Com o sol já nascendo ao Leste, Constantin Saravåj fez questão de abrir a porta de seu quarto para seu cúmplice, para que, a partir do instante em que Randolph cruzasse a porta, ambos dessem início aos preparativos da cova de Matiza Perrier.
Eram quase cinco horas da manhã. Quando enfim pôde voltar para sua cama, Saravåj sentiu um peso de duas toneladas sob seu travesseiro. O iugoslavo sabia que não podia confiar em Randolph Mayoral. Ficava óbvio nos olhos do inglês que o seu plano da rebelião contra a Pasárgada tinha um fundo falso. A real intenção de Randolph era sentar-se no trono vazio da Pasárgada depois da morte de Matiza Perrier, a quem ele fingia admirar. Disso, Saravåj não duvidava: Randolph, de fato, faria tudo o que fosse necessário para ter a Europa inteira à sua disposição. Para ter os seus pés beijados pelos cidadãos da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E para ter Zoey Deschamps - que era uma bela e formosa mulher - como sua esposa. Chegava a ser ridículo de tão óbvio. Trocar Matiza Perrier por Randolph Mayoral seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Sob a visão de Saravåj, Randolph nada mais era do que uma versão menos ingênua do atual rei da Pasárgada. Para que o plano do guerreiro iugoslavo tivesse sequência, o trono pasargadano deveria permanecer vago. Se Randolph Mayoral se auto-coroasse rei da Pasárgada, o seguimento do planejamento de Saravåj perderia o sentido. Saravåj tinha que encontrar uma forma de matar dois coelhos com uma tacada só e tirar tanto Matiza quanto Randolph de seu caminho na noite da fajuta revolta contra o governo pasargadano. Para isso, Saravåj seguiu com a sua encenação. Fingiu ser um leal companheiro de Randolph Mayoral até o dia 11 de Abril de 1420, que, por ironia da vida, era exatamente o mesmo que o inglês fazia com o rei Matiza Perrier.
Eram sete horas da noite. Por coincidência do destino, mais uma vez em uma noite chuvosa, uma tropa de mais de cem homens vestindo roupas simples conseguiu arrombar a principal entrada do Castelo de Woodyard, avançando violentamente dentro deste mesmo pelo salão principal, aos berros. A guarda do castelo foi pega completamente desprevenida. Teoricamente, a segurança deles deveria estar garantida pelos altos e fortes portões de madeira do palacete. Muitos dos guerreiros de Matiza Perrier sequer estavam com suas armas de combate em mãos quando os revolucionários adentraram em Woodyard. Era inegável que Randolph Mayoral sabia como capacitar um esquadrão. Os supostos invasores acqualuzenses avançavam rapidamente dentro da sede da Pasárgada, dizimando sem fazer muito esforço as tropas pessoais de Matiza Perrier.
Naquele mesmo instante, no ponto mais alto do palacete de Woodyard, todos os componentes da Elite Pasargadana - todos, exceto um - estavam reunidos, na habitual mesa redonda de mármore, já cientes de que estavam diante de um ataque de seus próprios cidadãos. Eram várias as perguntas sem respostas. Teria o povo enfim descoberto sobre a corrupção pasargadana? Era a explicação mais verossímil para uma revolta tão repentina. Mas como? Haveria então um traidor infiltrado entre eles naquela sala? Inúmeros integrantes do alto escalão da Pasárgada exaltaram-se e encheram o peito para apontar dedos uns aos outros, fazendo acusações sem provas nem fundamentos. No meio do tumulto, estava o próprio mentor da investida contra os pasargadanos que acontecia alguns andares abaixo dos mesmos. E foi exatamente Randolph Mayoral quem acalmou os ânimos de seus colegas da nobreza com discursos repletos de cinismo. Randolph afirmou que, como Comandante Máximo do Esquadrão de Elite da Pasárgada, era seu dever expor-se ao perigo e descer ao salão principal do palácio para movimentar o exército da Pasárgada, na tentativa de evitar que o desastre alcançasse proporções ainda maiores, sempre em companhia de seu co-comandante, Marcell Cabral. O poderoso homem que estava sentado no centro da mesa redonda, Matiza Perrier, concordou prontamente com Randolph Mayoral.
Marcell Cabral, catalão de origem que foi criado na Inglaterra após ser rejeitado por seus próprios pais, era um amigo de infância de Matiza e um dos membros pioneiros da Elite da Pasárgada. Todavia, do mesmo modo, era um dos integrantes menos importantes e favorecidos do seleto grupo dos "quinze". O comandante pasargadano arrependeu-se amargamente de ter nomeado Marcell Cabral como integrante de seu alto esquadrão. Matiza Perrier julgava o catalão como inapto e intelectualmente muito abaixo dos demais. De fato, Marcell era um garoto inseguro e introvertido, que não demonstrava vocação em nenhuma área do militarismo. Tinha pouca intimidade com armas de combate e também não tinha desenvoltura suficiente para se tornar diplomata ou governante. Geralmente, era isento nas tertúlias da Elite Pasargadana e sequer opinava. Por fim, escondeu-se como co-comandante do primeiro escalão do exército pasargadano, em uma função que se simplificava a somente acompanhar o comandante supremo Randolph Mayoral. Exerceu essa função como pôde, por anos. Até aquela noite.
Enquanto desciam a sequência de escadas do Castelo de Woodyard, Randolph apunhalou Marcell covardemente, pelas costas. Com um pequeno e afiado punhal em mãos e com o catalão já agonizando no chão, o inglês esfaqueou Marcell Cabral mais uma vez, desta vez cirurgicamente na veia jugular de seu pescoço, dando um rápido e trágico fim ao sofrimento de Marcell. Marcell Cabral, por mais que fosse facilmente maleável, era uma testemunha em potencial do golpe contra o rei Matiza Perrier. O corpo sem vida do jovem catalão, em poucos segundos, foi coberto por uma grande poça de sangue, que pingava lentamente gotas cor vermelho-vivo entre um degrau e outro.
Randolph Mayoral, disposto a realizar barbaridades em nome do assassinato de Matiza, na intenção de usurpar o trono da Pasárgada do mesmo, passou a comandar os seus homens de perto quando chegou ao palácio principal. No salão, abriu um grande sorriso quando avistou incontáveis guerreiros que levavam a letra "P" ao peito caídos no chão, já sem vida. O Exército de Elite da Pasárgada, disfarçado de indignados representantes do povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse menor em quantidade, se fazia maior em sua força de combate. Era só uma questão de tempo até que os rebeldes progredissem até a sala do rei e tivessem a cabeça de Matiza em suas mãos. Era nítido que o exército de Matiza Perrier estava desorganizado e, acima de tudo, amedrontado. Totalmente incrédulo de que o que estava acontecendo era real.
Entretanto, poucos minutos depois de Randolph chegar ao palácio principal e começar a proferir palavras de ordem aos invasores, pôde-se ouvir um estrondo ensurdecedor. Como um trovão que caíra dentro do Castelo de Woodyard ou como uma bomba que acabara de explodir nas proximidades do palácio. Após o barulho, soldados dos dois lados do campo de batalha permaneceram estáticos. Randolph Mayoral tentava disfarçar a sua inquietação mordendo os lábios. Ninguém conseguia imaginar o que poderia ter ocasionado um som tão alto e agudo. Foram segundos de tensão no palacete de Woodyard, até que, pasargadanos e acqualuzenses sentiram um calor descomunal em seus corpos. A temperatura do ambiente subiu aceleradamente. E quando os guerreiros, enfim, olharam para os lados, observaram chamas se alastrando pelas quatro paredes do palácio principal. Com seus olhos refletindo o fogo ardente, Randolph Mayoral não teve dúvidas: Saravåj havia quebrado o pacto.
O inglês permaneceu inerte, sem sequer morder os lábios desta vez. Constantin Saravåj havia colocado tudo a perder. Observando os seus homens lutando contra um adversário a mais, Randolph foi forçado a admitir em poucos minutos que a operação que prometia ser o pontapé inicial de um eventual governo pasargadano sob sua tutoria havia fracassado. Randolph Mayoral, enfim, tomou a relutante decisão de ir na mão contrária de todo pensamento que havia passado pela sua cabeça nas últimas semanas e rugiu para todas paredes do saguão principal, ordenando que os revolucionários cessassem a invasão. Os soldados da Elite Pasargadana, ainda travestidos de cidadãos de Acqualuza, retardaram para compreender o comando. O comandante do Exército de Elite da Pasárgada organizou o seu pelotão e mudou o alvo dos guerreiros: a meta, a partir daquele instante, era defender a sala real e caçar o atual espião da Pasárgada por todo metro quadrado do palacete. Randolph não sabia exatamente quais eram as intenções de Saravåj com o incêndio, mas era evidente que àquela altura do campeonato o iugoslavo era mais um inimigo do que qualquer outra coisa. Um grande ponto de interrogação invadiu o inconsciente de todos aqueles homens com vestes de pano de segunda sujas com sangue. Chegava a ser paradoxal. Há alguns minutos atrás, todos eles estavam dando a alma para assassinar Matiza Perrier a todo custo. E agora, por mais controverso que soasse, a missão era proteger o mesmo Matiza Perrier. E como se não bastasse, nenhum dos pasargadanos sabia com precisão quem era o responsável pela espionagem na nobiliarquia da Pasárgada. Nenhum daqueles homens tinha a mínima noção de quem era Constantin Saravåj Mandragora. Tão perdidos quanto os soldados pessoais de Matiza, os homens do Exército de Elite da Pasárgada tentaram seguir à risca a determinação de seu capitão, ignorando as chamas que se dispersavam pelas paredes como se houvesse um dragão feroz dentro do Castelo de Woodyard.
Alguns andares acima, Constantin Saravåj vivia um déjà vu após explodir com sucesso o cilindro de acetileno. O iugoslavo, ainda vestindo o sobretudo branco pasargadano, fintava os mais competentes combatentes da Pasárgada - tanto os que usavam fardamento quanto os que usavam trapos - e dançava com o fogo. Com a mesma velocidade anormal da noite em que invadiu Woodyard pela primeira vez, Saravåj concentrava todos os seus esforços em chegar no trono do rei antes dos pasargadanos. Matiza não podia fugir. Os seus cinco anos de planejamento dependiam apenas de sua competência. O espião conhecia o palácio como a palma de sua mão e não demorou muito até que Saravåj, se livrando de todos homens da Pasárgada sem nem mesmo colocar as suas mãos nas duas espadas que carregava nas costas, chegasse com êxito ao luxuoso salão de Matiza Perrier.
Contudo, lá o guerreiro iugoslavo somente pôde observar chamas. Nos quatro cantos da sala. O fogo consumia com voracidade todo móvel de madeira refinada. Subia rapidamente pelas enormes cortinas vermelhas. Derretia todo ouro que havia ali por puro capricho. Mas o trono estava vazio. Não havia nenhum rei. Não havia cetro de ouro, nem manto real. O comandante da Pasárgada não estava ali. Matiza Perrier havia conseguido driblar o incêndio e foi bem-sucedido em sua fuga, sem deixar quaisquer vestígio. Saravåj caminhou vagarosamente até o meio da sala real, tremendo, desconsiderando a temperatura-ambiente absurdamente alta. O iugoslavo olhava em câmera lenta para todos os lados, como uma criança que conhece um lugar pela primeira vez. O curto fio de esperança que dizia para o coração de Constantin Saravåj que tudo daria certo calou. Aquela sala vazia era o seu segundo calvário. Aquela mesma sala onde ele havia colocado Matiza Perrier no chão em poucos segundos. O iugoslavo sentiu a solidão monstruosa de estar sozinho com as chamas. No meio do salão, agachou e levou as mãos ao rosto, como se fosse desabar em lágrimas. E soltou um berro desumano.
As tropas pasargadanas se mobilizaram e controlaram o fogo em poucas horas. As perdas materiais foram inestimáveis. O aroma de cinzas corria por todas as salas do palácio. Muitos integrantes da Pasárgada tiveram os seus corpos degenerados pelo fogo e muitos mais tiveram o seu peito transpassado pelas espadas dos rebeldes. Foram quase mil baixas humanas para a Pasárgada, incluindo Marcell Cabral, membro da elite. Foi a maior chacina ante os monarcas desde o Domingo Sangrento.
Ainda antes que o dia se desse por terminado, o soberano Matiza Perrier não tardou para convocar uma assembleia imediata com todos os quinze membros da Elite Pasargadana. Ainda não estava claro na cabeça do rei o que havia acontecido naquela noite. Uma revolta popular? Mas por que? Como simples camponeses sabotaram a entrada de Woodyard? E como conseguiram causar um incêndio em proporções tão catastróficas? Uma pergunta levava a outra e nada parecia fazer sentido. O rei sabia que decisões pediam por serem tomadas, mas sequer sabia quais eram elas. Todos pasargadanos necessitavam clarear as suas ideias.
Na tradicional mesa redonda, Matiza, em sua primeira fala, ensaiou um fingido discurso de condolência a Marcell Cabral, pelos simbólicos serviços prestados pelo mesmo antes de sucumbir em combate - como se o catalão tivesse sido realmente primordial e valorizado dentro da Pasárgada. Após uma hora de debate, todos os nobres entraram em concordância. Na teoria proposta por Matiza Perrier, um pequeno grupo de revolucionários acqualuzenses, de fato, havia se rebelado e tentado derrubar o governo da Pasárgada naquela noite. A revolta popular era a explicação mais sã, embora fosse impossível dizer como os camponeses levaram tanta vantagem sobre soldados do mais alto escalão da elite pasargadana e de onde vieram as chamas que percorreram o palacete. O plano dos rebeldes clandestinos havia, sem sombra de dúvidas, sido muito bem arquitetado. Com isso, o alerta de Matiza e da Pasárgada foi ligado: existiam pessoas descontentes com o governo pasargadano vigente dentro da Península de Acqualuza. Era difícil saber quem eram e quantos eram. Mas, aparentemente, alguns cidadãos acqualuzenses tinham descoberto o antídoto para a cegueira social que a Pasárgada enraizou naquela região. Agora também haviam vozes contra os pasargadanos. O rei da Pasárgada não podia ir contra os seus fictícios ideais democráticos e simplesmente determinar a árdua perseguição de todos os seus opositores políticos. Matiza, prezando pela sua boa imagem perante o povo, deu carta branca para que os soldados da Pasárgada dessem um fim traumático a todo tipo de agitação revolucionária, mas como sempre, por trás das cortinas e embaixo dos panos. Com a cara limpa, o comandante continuaria discursando de modo hipócrita aos populares sobre a importância da pacificação e do direito igual a todos os cidadãos.
Na realidade, Matiza Perrier declarou guerra a um adversário inexistente: a alienação do povo seguia perfeita. O seu verdadeiro inimigo estava muito mais próximo do que ele podia imaginar. Randolph Mayoral, sempre presente à direita do rei, somente concordou com a cabeça com tudo o que Matiza Perrier expôs e deu gargalhadas falsas das piadas de péssimo gosto que o rei pasargadano emendava entre uma frase e outra.
Contudo, antes que a reunião da Elite da Pasárgada se desse por encerrada, Matiza Perrier percebeu pela primeira e única vez que havia uma cadeira vazia entre eles. Uma cadeira escondida à direita, no fundo. Era onde deveria se fazer presente o iugoslavo Constantin Saravåj. Milhares de hipóteses invadiram os pensamentos do rei pasargadano naquele momento. Talvez Saravåj tivesse tido o mesmo infeliz fim de Marcell Cabral durante a invasão dos rebeldes. Ou quiçá o guerreiro iugoslavo, sempre tão misterioso e retraído, fosse o artífice da agitação do povo acqualuzense contra os pasargadanos, instruindo os cidadãos da península em oposição à Pasárgada após denunciar aos populares a corrupção furtiva da administração de Matiza Perrier. Ou então o ex-espião pasargadano simplesmente tivesse se aproveitado do alvoroço para abandonar a Elite da Pasárgada sem dar satisfações para ninguém e dar novos rumos para a sua vida em outro lugar. Por mais que fosse divertido criar explicações para o sumiço do iugoslavo, o paradeiro de Constantin Saravåj era insignificante para Matiza, desde que este não cruzasse o caminho da Pasárgada mais uma vez. O essencial era que a Pasárgada seguisse mais forte do que nunca. Afinal, o trono de Matiza Perrier persistia intacto e o seu governo tinha cada vez mais o clamor popular. Os pasargadanos caminhavam a passos largos rumo ao seu lugar ao sol no velho continente. A Europa logo contemplaria o maior império que a humanidade já viu. Era apenas questão de tempo. Por mais injusto que fosse, Matiza Perrier tinha impreterivelmente o mundo em suas mãos.
Algumas horas depois da revolta dos cidadãos contra os pasargadanos, nas redondezas do Castelo de Woodyard, um homem encapuzado, vestido de preto dos pés à cabeça, fingia ler um jornal britânico em uma casa noturna. O sujeito somente passava os seus olhos nos letreiros do folhetim, enquanto se concentrava na conversa de dois homens que bebiam rum ao seu lado. Os amigos comentavam sobre o incêndio na sede da Pasárgada. Por mais que o fogo tenha se alastrando por boa parte do palacete, os representantes do governo pasargadano afirmaram que a gênese das chamas fora uma simples vela que caiu acidentalmente sobre uma majestosa cortina de tecido fino. Era óbvio. A Pasárgada não queria demonstrar instabilidade em seu governo.
O homem misterioso já havia escutado o suficiente. Ele levantou-se e se sujeitou ao chuvisco daquela madrugada. O indivíduo caminhou calmamente por alguns minutos, até que parou no exato lugar que deveria representar a linha imaginária que dividia a Península de Acqualuza, na Catalunha, e a vila de Balistres, na Gália. Exatamente na fronteira, o homem retirou o seu capuz, suspirou fundo, como nunca havia suspirado em toda sua vida e voltou os seus olhos ao céu, que abrigava milhões de estrelas naquela noite. O seu nome era Constantin Saravåj.
Naquela mesma noite, à alguns quilômetros do Castelo de Woodyard, uma artista nômade gaulesa que viajava pela Europa levando espetáculos artísticos para zonas periféricas deu a luz à sua primeira filha. A criança nasceu forte e saudável, e logo passou para os braços do pai, também um artista gaulês que partilhava da mesma ideologia de sua mulher. A menina erradiava alegria e paz com o seu choro de vida.
O seu nome era Anne.
A criança da profecia.
[Para os mais espertinhos: eu sei, a Iugoslávia só se formou no começo do século XX, após a Primeira Grande Guerra. A minha trama, de facto, se vale de alguns fatos históricos, como a Idade Média, a conjuntura social desta época e de regiões como a Gália e a Germânia, mas não tem exatamente um compromisso com a história como nós conhecemos. Eu queria um país que aglomerasse toda a região dos Bálcãs para ser o berço do Saravåj, e, talvez por falta de criatividade no momento, batizei essa região de Iugoslávia. Posteriormente, pode ser que eu chame essa tal "Iugoslávia" por outro nome, pra fugir desse impasse - e eu tô totalmente aberto a sugestões, hein. Para os mais espertinhos ainda: eu também sei, o acetileno só foi descoberto em 1800 e tantos. Como eu disse: o universo de Steel Hearts tem a sua própria história alternativa e uma realidade diferente da nossa - e isso serve para qualquer outra dissonância histórica na minha trama].
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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2019.01.01 23:38 JardsonJean Estou há algum tempo sem escrever e sem muita criatividade, nem paciência. Fiz esse texto alguns dias antes da virada sobre experiência pessoais esse em 2018. Meio abstrato, bastante interpessoal. Postando como forma de registro.

Afinal, o que resta?
As palavras… sim. Mas não o vapor, o eixo, o motor… o coração.
Essa deve ser a segunda vez que você deve estar lendo sobre o meu conflito interno relativo a saudade e o luto pelo perdido deleite em despejar numa folha de papel minhas sandices rotineiras. Não posso dizer que tenha qualquer apego pelo papel em si, pois provavelmente nunca escrevi nada memorável nem se quer um trecho em um guardanapo. Minha natureza sempre foi virtual e, mais do que nunca, sinto que é necessário reconhecer isso. Eu nunca quis ser lembrado pela minha presença, pela certeza da minha existência, mas pela fluidez, volatilidade, pelo não-ser. Uma poesia inexplicável se injeta na minha alma quando eu, por um segundo, acredito que é mesmo possível viver assim, sendo uma nuvem de possibilidades que nunca entra em colapso.
É muito difícil. Muito difícil aceitar o contrário. Ainda mais difícil: sentar de frente a uma máquina fria e encarar as letras se agrupando, se auto-corrigindo, lançando luz sobre malditas regras sem sentido, que só servem para traduzir abstrações que não pertencem em nenhuma lugar, a não ser dentro da minha própria cabeça. Por esse motivo, parágrafos como os que você vai ler daqui para frente, deveriam ter sido lidos bem antes e escritos por uma pessoa com muito mais coragem e talento. Alguém que realmente se importasse com a sua própria poética e que não se auto-flagelasse por ela.
Mais um ano. 365 dias dizendo não. 365 dias construindo uma redoma de concreto que se estende em todas as direções. Uma figura inflexível triunfa em seu centro e quer falar de poética. Quer ser lembrado. Há luz, mas não há olhar. Nem ação. Tudo ali dentro é construído pela metade, e quando algo se levanta para além dos 50%, imediatamente, se auto-destrói. 365 dias procurando beleza em pedras e entulho, explosões e planos mal feitos.
Quando um dia, sob a redoma, armei uma rede para dormir, sonhei que todo aquele lixo ao meu redor era ouro. Que as construções digladiavam as alturas dos céus e que, de alguma forma, eu era ainda maior do que qualquer uma delas. Estendi meus braços e senti encostar meus dedos com outros dedos, outros gigantes. Havia uma paz, um gozo, uma brisa. Uma vontade de pertencer a aquela manada, de segurar muito forte aquelas mãos ao meu lado e de confiar. Ter certeza, amar. Quando o sonho acabou, gravei na memória uma última imagem. O sol. Meu pai.
Na pequenez da minha realidade, acordar da existência daquele paraíso, ardeu como o fogo entregue aos homens por Prometeu, uma chama alimentada pelos seus 30 mil anos sofrimento. Assim como ele, minha sina transformou-se em acordar, sofrer e dormir. Uma sina não, uma maldição.
Outro dia, nesses 365, abri uma porta. Cansado da dialética dos destroços e da derrotas, cansado de esperar que aquele sonho fabuloso se repetisse, fez-se diante de mim uma passagem para o mundo de fora, uma oportunidade de expressar a minha espiritualidade, a única que ainda respeito. O meu sexo.
Tive que relembrar que, fora da redoma, as regras mudam. Aguarda-se de mim uma performance que, diga-se de passagem, executo pobremente. É sobre isso que falo quando me refiro ao não-ser. Na minha cabeça, não-ser é magnífico, é a linha de conexão com uma beleza que realmente faz sentido, pertencer ao paraíso dos meus sonhos sem pertencer a lugar nenhum e ainda assim permanecer em contato com os mortais. Na realidade, não-ser é essa cadeia inexpressiva de emoções. O fingimento, as aparências, a mentira. Não-ser é o que costumamos ser. E foi nesse cenário comum que me coloquei ao abrir aquela porta.
Calcei um tênis comum e saí de casa com a desculpa que iria caminhar. Já na rua, cruzei aleatoriamente com meu parceiro do dia que deveria estar me esperando na entrada da cidade, mas decidiu cruzar do seu local de espera até mim em sua moto. Não subi. Pedi para que ele continuasse me esperando na entrada da cidade e fiz questão de dar a impressão que apenas lhe dava uma orientação na rua. A quem essa impressão deveria capturar? A todos os olhos, bocas e ouvidos possíveis. A quem quer que conhecesse a mim ou qualquer pessoa da minha família. Um pequeno rumor que fosse, uma ocasionalidade qualquer, poderia me deixar completamente devastado, impotente e sem resposta. O plano serviu como uma luva. Ele me levou até sua casa e logo que percebi que estava longe o suficiente para não ser reconhecido, eu soube que nada mais importava. Eu poderia tranquilidade, adentrar a casa daquele estranho e dedicar ali 30 minutos, a serviço da sua fome e sede de carne.
Nesses 30 minutos, eu ofertei a minha hóstia. Me entreguei com um calor que pouco se conhece e que poucas vezes se acendeu nesses 365 dias. Para um completo estranho, eu me deixei domar por completo e permiti que ele arrancasse de mim o que eu não entreguei para mais ninguém, o meu genuíno e sagrado prazer. Mas tudo isso é mentira. Pois antes mesmo que gozasse, eu já havia fechado minhas portas e retornado a minha retoma. As poucas gotas que escorreram de mim foram de um esperma aguado e sem vida. Ainda que nada de mal tenha acontecido, eu fui realmente incapaz de me entregar.
Quando retornávamos, pedi para que ele me deixasse um pouco mais longe da entrada da cidade. Uma medida de segurança. Uma imagem ficou gravada na minha memória. Por um instante, sentindo aquele calor intenso, agora físico, não-espiritual, eu vi a luz do sol brilhando sobre meus pelos suados.
Eu olho agora para esse munturo que se tornou a minha casa. A minha redoma. Eu vejo uma beleza que não se explica, mas que só existe aqui e só faz sentido para mim. Uma beleza nociva, cultivada dentro de uma prisão. Uma flor prestes a morrer. Eu não sei para onde eu vou, mas eu sei que a cada dia que passa, as paredes dessa bolha tornam se a cada mais indestrutíveis. Iridescentes, apenas por dentro.
Eu quero ter certeza que algo de mim continua vivo para que eu possa, em contrapartida, continuar enxergando beleza. Sinto que consigo ver o futuro e meu futuro não é a morte. É o isolamento. Eu quero fugir dessa espiral de dor, de não-ser da forma errada, de odiar quem cuida de mim. Eu quero parar de dizer eu, no singular.
Eu quero dedicar esses 365 dias a quem quer que tenha se importado comigo e tenha invadido as duras portas desse calabouço. Eu quero ter te mostrado algo de bom, eu quero ter te iludido com alguma das minhas engenharias mal acabadas, a ponto de explodir. Elas não tem nenhum valor e eu não tenho a menor esperança de colocar algo de grandioso no mundo, mas se eu fui capaz de te mostrar a beleza da minha incompletude, eu fui o meu não-ser. Eu toquei a sua mão.
Eu quero ter sido capaz de controlar todo o universo poético que eu acredito que me rodeia, mas que meu corpo e minhas atitudes antagonizam. Mesmo agora, nessas últimas palavras eu me vejo incompleto, questionando a pobreza do vício de se definir entre pares perfeitos, onde um lado é o Ying e outro Yang.
Na pior das hipóteses, ainda que eu permaneça nessa redoma para sempre, eu quero ser a voz que você ouve agora, lendo esse parágrafo. E eu quero que você saiba que essa é a minha única, verdadeira forma.
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2018.12.29 01:50 JardsonJean Passo o ano inteiro tentando escrever diários e reflexões sobre a minha vida, mas só me forço a colocar qualquer coisa no papel no fim do ano.

Afinal, o que resta?
As palavras… sim. Mas não o vapor, o eixo, o motor… o coração.
Essa deve ser a segunda vez que você deve estar lendo sobre o meu conflito interno relativo a saudade e o luto pelo perdido deleite em despejar numa folha de papel minhas sandices rotineiras. Não posso dizer que tenha qualquer apego pelo papel em si, pois provavelmente nunca escrevi nada memorável nem se quer um trecho em um guardanapo. Minha natureza sempre foi virtual e, mais do que nunca, sinto que é necessário reconhecer isso. Eu nunca quis ser lembrado pela minha presença, pela certeza da minha existência, mas pela fluidez, volatilidade, pelo não-ser. Uma poesia inexplicável se injeta na minha alma quando eu, por um segundo, acredito que é mesmo possível viver assim, sendo uma nuvem de possibilidades que nunca entra em colapso.
É muito difícil. Muito difícil aceitar o contrário. Ainda mais difícil: sentar de frente a uma máquina fria e encarar as letras se agrupando, se auto-corrigindo, lançando luz sobre malditas regras sem sentido, que só servem para traduzir abstrações que não pertencem em nenhuma lugar, a não ser dentro da minha própria cabeça. Por esse motivo, parágrafos como os que você vai ler daqui para frente, deveriam ter sido lidos bem antes e escritos por uma pessoa com muito mais coragem e talento. Alguém que realmente se importasse com a sua própria poética e que não se auto-flagelasse por ela.
Mais um ano. 365 dias dizendo não. 365 dias construindo uma redoma de concreto que se estende em todas as direções. Uma figura inflexível triunfa em seu centro e quer falar de poética. Quer ser lembrado. Há luz, mas não há olhar. Nem ação. Tudo ali dentro é construído pela metade, e quando algo se levanta para além dos 50%, imediatamente, se auto-destrói. 365 dias procurando beleza em pedras e entulho, explosões e planos mal feitos.
Quando um dia, sob a redoma, armei uma rede para dormir, sonhei que todo aquele lixo ao meu redor era ouro. Que as construções digladiavam as alturas dos céus e que, de alguma forma, eu era ainda maior do que qualquer uma delas. Estendi meus braços e senti encostar meus dedos com outros dedos, outros gigantes. Havia uma paz, um gozo, uma brisa. Uma vontade de pertencer a aquela manada, de segurar muito forte aquelas mãos ao meu lado e de confiar. Ter certeza, amar. Quando o sonho acabou, gravei na memória uma última imagem. O sol. Meu pai.
Na pequenez da minha realidade, acordar da existência daquele paraíso, ardeu como o fogo entregue aos homens por Prometeu, uma chama alimentada pelos seus 30 mil anos sofrimento. Assim como ele, minha sina transformou-se em acordar, sofrer e dormir. Uma sina não, uma maldição.
Outro dia, nesses 365, abri uma porta. Cansado da dialética dos destroços e da derrotas, cansado de esperar que aquele sonho fabuloso se repetisse, fez-se diante de mim uma passagem para o mundo de fora, uma oportunidade de expressar a minha espiritualidade, a única que ainda respeito. O meu sexo.
Tive que relembrar que, fora da redoma, as regras mudam. Aguarda-se de mim uma performance que, diga-se de passagem, executo pobremente. É sobre isso que falo quando me refiro ao não-ser. Na minha cabeça, não-ser é magnífico, é a linha de conexão com uma beleza que realmente faz sentido, pertencer ao paraíso dos meus sonhos sem pertencer a lugar nenhum e ainda assim permanecer em contato com os mortais. Na realidade, não-ser é essa cadeia inexpressiva de emoções. O fingimento, as aparências, a mentira. Não-ser é o que costumamos ser. E foi nesse cenário comum que me coloquei ao abrir aquela porta.
Calcei um tênis comum e saí de casa com a desculpa que iria caminhar. Já na rua, cruzei aleatoriamente com meu parceiro do dia que deveria estar me esperando na entrada da cidade, mas decidiu cruzar do seu local de espera até mim em sua moto. Não subi. Pedi para que ele continuasse me esperando na entrada da cidade e fiz questão de dar a impressão que apenas lhe dava uma orientação na rua. A quem essa impressão deveria capturar? A todos os olhos, bocas e ouvidos possíveis. A quem quer que conhecesse a mim ou qualquer pessoa da minha família. Um pequeno rumor que fosse, uma ocasionalidade qualquer, poderia me deixar completamente devastado, impotente e sem resposta. O plano serviu como uma luva. Ele me levou até sua casa e logo que percebi que estava longe o suficiente para não ser reconhecido, eu soube que nada mais importava. Eu poderia tranquilidade, adentrar a casa daquele estranho e dedicar ali 30 minutos, a serviço da sua fome e sede de carne.
Nesses 30 minutos, eu ofertei a minha hóstia. Me entreguei com um calor que pouco se conhece e que poucas vezes se acendeu nesses 365 dias. Para um completo estranho, eu me deixei domar por completo e permiti que ele arrancasse de mim o que eu não entreguei para mais ninguém, o meu genuíno e sagrado prazer. Mas tudo isso é mentira. Pois antes mesmo que gozasse, eu já havia fechado minhas portas e retornado a minha retoma. As poucas gotas que escorreram de mim foram de um esperma aguado e sem vida. Ainda que nada de mal tenha acontecido, eu fui realmente incapaz de me entregar.
Quando retornávamos, pedi para que ele me deixasse um pouco mais longe da entrada da cidade. Uma medida de segurança. Uma imagem ficou gravada na minha memória. Por um instante, sentindo aquele calor intenso, agora físico, não-espiritual, eu vi a luz do sol brilhando sobre meus pelos suados.
Eu olho agora para esse munturo que se tornou a minha casa. A minha redoma. Eu vejo uma beleza que não se explica, mas que só existe aqui e só faz sentido para mim. Uma beleza nociva, cultivada dentro de uma prisão. Uma flor prestes a morrer. Eu não sei para onde eu vou, mas eu sei que a cada dia que passa, as paredes dessa bolha tornam se a cada mais indestrutíveis. Iridescentes, apenas por dentro.
Eu quero ter certeza que algo de mim continua vivo para que eu possa, em contrapartida, continuar enxergando beleza. Sinto que consigo ver o futuro e meu futuro não é a morte. É o isolamento. Eu quero fugir dessa espiral de dor, de não-ser da forma errada, de odiar quem cuida de mim. Eu quero parar de dizer eu, no singular.
Eu quero dedicar esses 365 dias a quem quer que tenha se importado comigo e tenha invadido as duras portas desse calabouço. Eu quero ter te mostrado algo de bom, eu quero ter te iludido com alguma das minhas engenharias mal acabadas, a ponto de explodir. Elas não tem nenhum valor e eu não tenho a menor esperança de colocar algo de grandioso no mundo, mas se eu fui capaz de te mostrar a beleza da minha incompletude, eu fui o meu não-ser. Eu toquei a sua mão.
Eu quero ter sido capaz de controlar todo o universo poético que eu acredito que me rodeia, mas que meu corpo e minhas atitudes antagonizam. Mesmo agora, nessas últimas palavras eu me vejo incompleto, questionando a pobreza do vício de se definir entre pares perfeitos, onde um lado é o Ying e outro Yang.
Na pior das hipóteses, ainda que eu permaneça nessa redoma para sempre, eu quero ser a voz que você ouve agora, lendo esse parágrafo. E eu quero que você saiba que essa é a minha única, verdadeira forma.
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2018.06.18 15:48 Alpha_Unicorn Lista com todos os livros propostos no final dos livros do D&D "Leitura Inspirada", com preços e links para a Amazon

Eu fiz uma lista com links para a Amazon de todos os livros propostos na Leitura Inspirada, dei preferência para as edições em português e impressas; tem alguns valores bem altos ai mas se você preferir comprar eBook provavelmente os encontrará em valores mais acessíveis.
Só pesquisei na Amazon Brasileira, e se tiver algum título em inglês que tenha versão em português, compartilhe com a gente =D
Resolvi botar a sinopse dos livros que tem versão em português para deixá-los em maior destaque
(Os valores dos livros são referentes ao mês de Junho de 2018)
  1. Throne of the Crescent Moon (The Crescent Moon Kingdoms) por Saladin Ahmed R$ 58,92
  2. The Book of Three por Lloyd Alexander R$ 32,33
  3. The Broken Sword por Poul Anderson - R$ 49,48 - The High Crusade - R$ 46,45 - Three Hearts and Three Lions - R$ 32,92
  4. Split Infinity (Apprentice Adept) por Piers Anthony - R$ 31,44 - e o resto da série Apprentice Adept
  5. Gods and Fighting Men por Lady Augusta Gregory - R$ 48,79
  6. Range of Ghosts (The Eternal Sky) por Elizabeth Bear - R$ 61,91
  7. The Face in the Frost por John Bellairs R$ 41,16 (eBook)
  8. BEST OF LEIGH BRACKETT por Leigh Brackett Indisponível - The Long Tomorrow - R$ 65,10 - The Sword Of Rhiannon - R$ Indisponível
  9. A Espada de Shannara. Trilogia a Espada de Shannara por Terry Brooks - R$ 37,00 - e o resto da trilogia
    Há muito tempo as Grandes Guerras do Passado arruinaram o mundo. Vivendo no pacífico Vale Sombrio, o meio-elfo Shea Ohmsford pouco sabe sobre esses conflitos. Mas o Lorde Feiticeiro, que todos julgavam morto, planeja regressar e destruir o mundo para sempre. A única arma capaz de deter esse poder da escuridão é a Espada de Shannara, que pode ser usada somente por um herdeiro legítimo de Shannara. Shea é o último dessa linhagem e é sobre ele que repousam as esperanças de todas as raças. Por isso, quando um aterrorizante Portador da Caveira a serviço do mal voa até o Vale Sombrio, Shea sabe que começará a maior aventura da sua vida.
  10. Hall of Mirrors por Brown Fredric - R$ 24,76 eBook - What Mad Universe - R$ 9,59 eBook
  11. O livro de ouro da mitologia: Histórias de deuses e heróis por Thomas Bulfinch (Autor),‎ David Jardim (Tradutor) - R$ 19,30 - Em inglês - R$ 51,69
    Altares ruíram e templos se perderam nas areias do tempo, mas as religiões da Grécia e da Roma Antigas nunca despareceram por completo. Seu legado de mitos e heróis continua presente até hoje, e é o pilar da cultura ocidental. As histórias passadas de geração a geração há milênios, que hoje são peças-chave das mais populares e consagradas obras de diversas formas de arte estão reunidas aqui, sob as bênçãos de Zeus. As mais cativantes narrativas que a mente humana já criou transportam o leitor para terras onde fatos incríveis acontecem - onde belas ninfas e corajosos heróis veem seus destinos nas mãos de caprichosos deuses e criaturas fantásticas ganham vida.
  12. Uma Princesa de Marte por Edgar Rice Burroughs (Autor) - R$ 27,90 - Em inglês - R$ 19,80 - e o resto da série Mars
    Um século após sua publicação, Uma Princesa de Marte recebe sua primeira versão brasileira do texto original que inspirou o filme John Carter, dos estúdios Disney. O capitão John Carter, combatente do exército confederado, tenta recomeçar sua vida após perder tudo o que possuia com o fim da Guerra Civil Americana. Ele só não poderia imaginar que seu caminho o levaria a terras desconhecidas em outro planeta. Apesar da aparência inóspita, Marte é repleto de vida, com uma flora peculiar e fauna diversificada, habitada por estranhas raças constantemente em guerra umas com as outras. Capturado pelos temíveis tharks, John Carter luta por sua liberdade e busca conquistar o amor de Dejah Thoris, princesa de Helium. Numa jornada repleta de contratempos, ele se envolve em disputas entre as diversas tribos de Barsoom – como o planeta é chamado por seus habitantes –, fazendo poderosos inimigos e ganhando a confiança de importantes aliados. Em seus romances barsoomianos, do qual Uma Princesa de Marte é o primeiro livro, seguido por Os Deuses de Marte e O Comandante de Marte, Burroughs criou um herói marcante, uma cultura vasta e rica.
  13. At the Earth's Core por Edgar Rice Burroughs (Autor) - R$ 21,05 - e o resto da série Pellucidar
  14. Pirates of Venus por Edgar Rice Burroughs (Autor) - R$ 43,81 e o resto da série Venus
  15. Lin Carter - The Warrior of World’s End - R$ 78,81 - e o resto da saga World’s End
  16. GlenCook - A Companhia Negra - R$ 26,91 - Inglês - R$ 25,64 - e o resto da saga Black Company
  17. The Fallible Fiend por L. Sprague De Camp - Indisponível
  18. The Compleat Enchanter - por L. Sprague deCamp (Autor),‎ Fletcher Pratt (Autor) - Indisponível - e o resto da série Harold Shea, e Carnelian Cube
  19. The Watchers Out of Time: Fifteen soul-chilling tales: Fifteen soul-chilling tales by eBook Kindle por H.P. Lovecraft (Autor),‎ August Derleth (Autor) - R$ 55,41
  20. Contos Maravilhosos - Lord Dusaney R$ 32,40 - e outros livros deste autor
    “A leitura dos textos fundamentais do passado nos permite rever os caminhos trilhados pelo gênero e recompor nossa visão do que ele é ou pode vir a ser. O contato com a prosa elaborada de Dunsany e de outros nomes do passado nos ajuda igualmente a somar ferramentas estilísticas aos recursos disponíveis para a escrita de fantasia no Brasil'. Roberto de Sousa Causo.
  21. The Maker of Universes (World of Tiers) por Philip Jose Farmer (Autor) - R$ 15,13 eBook
  22. Kothar: Barbarian Swordsman book #1: Revised (Sword & Sorcery) (English Edition) - R$ 10,07 eBook - e o resto da série Kothar e a série Kyrik
  23. Brian Froud's Faeries' Tales por Wendy Froud (Autor),‎ Brian Froud (Autor) - R$ 89,25
  24. Tempo Dos Gemeos. Lendas De Dragonlance - Volume 1- por TracyWeis, Margaret Hickman (Autor) - R$ 45,00 Inglês R$ 24,64 - e o resto da série Dragonlance
    Isolado na escuridão da Torre de Alta Magia em Palanthas, cercado por inomináveis criaturas do mal, Raistlin Majere traça um plano para conquistar as trevas - e se transformar em seu senhor absoluto. Crisânia, uma linda e devota clériga de Paladine, tenta usar sua fé para afastar Raistlin das trevas. Ela desconhece os desígnios sombrios do mago, e aos poucos ele a atrai para a sua armadilha cuidadosamente preparada.
  25. The Night Land por William Hope Hodgson (Autor) - R$ 33,85
  26. Conan, o Bárbaro - Livro 1 por Robert E. Howard (Autor),‎ Mark Schultz (Ilustrador),‎ Gary Gianni (Ilustrador),‎ Alexandre Callari (Tradutor) - R$ 35,90 - e o resto da série Conan
    Conan, o Bárbaro, é a obra máxima do escritor Robert E. Howard, um dos mais celebrados novelistas de sua geração, criador do gênero Espada & Feitiçaria, e principal inspiração para autores de renome indiscutível, como J. R. Tolkien, George Martin e Michael Moorcock. Dividida em três volumes, a saga apresentará na íntegra todas as aventuras de Conan seguindo a ordem em que foram publicadas originalmente
  27. The Inheritance Trilogy por N. K. Jemisin (Autor) - R$ 61,25
  28. O Olho do Mundo - Livro 1. A roda do tempo - Robert Jordan - R$ 35,80 - e o resto da série Wheel of Time
    Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará. Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al’Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno — o mais rigoroso das últimas décadas —, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira. Quando a vila é invadida por bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como os conduz àquela que será a maior de todas as jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo. “Com A Roda do Tempo Jordan conquista o mundo que Tolkien difundiu.” The New York Times
  29. Tigana - Guy Gavriel Kay - R$ 17,50
    Tigana é uma encantadora obra de mito e magia que vai marcar os leitores para sempre. É a história de uma nação oprimida que luta para se libertar depois de cair nas mãos de conquistadores implacáveis. O povo foi tão amaldiçoado pela feitiçaria do Rei Brandin que o próprio nome da sua bela terra não pode ser lembrado ou pronunciado. Mas anos após a devastação de sua capital, um pequeno grupo de sobreviventes, liderado pelo Príncipe Alessan, inicia uma cruzada perigosa para destronar os reis despóticos que governam a Península da Palma, numa tentativa de recuperar o nome banido: Tigana. Num mundo ricamente detalhado, onde impera a violência das paixões, um povo determinado luta para alcançar seus sonhos. Tigana é um épico sublime que mudou para sempre as fronteiras da fantasia.
  30. Os Olhos do Dragão - Stephen King - R$ 23,50
    O livro conta a história de um reino chamado Delain onde viviam Sua Majestade, Rolando, a rainha Sacha e seus filhos, Pedro e Tomas. Apesar de ser esforçado, Rolando não tinha carisma e era considerado um rei medíocre. Quem contava com a simpatia e o respeito do povo era a rainha. Essa admiração alimentava o ódio de um perigoso inimigo - Flagg, o feiticeiro, um influente conselheiro nas decisões reais.
  31. Hiero's Journey (English Edition) por Sterling Lanier - eBook R$ 24,99
  32. The Unforsaken Hiero (English Edition) por Sterling Lanier eBook - R$ 20,83
  33. O feiticeiro de Terramar (Ciclo Terramar Livro 1) por Ursula K. Le Guin (Autor) - R$ 20,90 - e o resto da série Terramar
    Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.
  34. Swords and Deviltry (Fafhrd and the Gray Mouser) por Fritz Leiber - eBook R$ 12.90 - e o resto da série Fafhrd
  35. H.P. Lovecraft - TUDO - R$
  36. As Mentiras de Locke Lamora (Nobres Vigaristas Livro 1) por Scott Lynch (Autor) - R$ 39,90
    O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho. Matando líderes de gangues, ele instaura uma guerra clandestina e ameaça mergulhar a cidade em um banho de sangue. Preso em uma armadilha sinistra, Locke e seus amigos terão sua lealdade e inteligência testadas ao máximo e precisarão lutar para sobreviver.
  37. [Game of Thrones - George R R Martin]() - R$
  38. The Forgotten Beasts of Eld (FANTASY MASTERWORKS) (English Edition) por Patricia A. McKillip (Autor) - R$ 37,63
  39. The Collected Works of Abraham Merritt: Science Fiction Novels & Fantastic Adventures: The Moon Pool, The Metal Monster, The Ship of Ishtar, Seven Footprints ... The People of the Pit… por Abraham Merritt (Autor) - eBook R$ 4.90
  40. Estação Perdido (Série Bas-Lag) por China Miéville (Autor),‎ José Baltazar Pereira Júnior (Tradutor),‎ Fábio Fernandes (Tradutor) - R$ 55,90 - e o resto da série Bas-Lag
    "Com seu novo romance, o colossal, intricado e visceral Estação Perdido, Miéville se desloca sem esforço entre aqueles que usam as ferramentas e armas do fantástico para definir e criar a ficção do século que está por vir." – Neil Gaiman
  41. Elric de Melniboné. A Traição do Imperador (Português) Capa dura – 3 nov 2014 por Michael Moorcock (Autor),‎ Ricardo Toula (Ilustrador),‎ Dario Chaves (Tradutor) - R$ 27,90 e o resto da série Elric e a série Hawkmoon
    A história de Elric de Melniboné, o imperador albino e feiticeiro, é uma das grandes criações de fantasia moderna. Um fraco e introspectivo escravo de sua espada, Stormbringer, ele é também um herói cujas aventuras e andanças sangrentas levam-no, inevitavelmente, a intervir na guerra entre as forças da lei e do caos. Um clássico do gênero espada e feitiçaria. Neste livro, Elric enfrentará a ameaça ao império de Melniboné e transitará entre o uso da magia e seus princípios morais, que o impedem de tomar algumas decisões. Além disso, sua amada Cymoril encontra-se em perigo, e ele não medirá esforços para salvá-la.
  42. Return to Quag Keep (English Edition) por Andre Norton (Autor),‎ Jean Rabe (Autor) - R$ 12,64 - Witch World - R$ 10,70 - São eBooks
  43. Swords Against Darkness (English Edition) por Robert E. Howard (Autor),‎ Andrew J. Offutt (Editor) - eBook R$ 7,90
  44. Gormenghast por Mervyn Peake (Autor),‎ Tad Williams (Introdução) - R$ 62,69
  45. The Color of Magic por Terry Pratchett (Autor) - R$ 32,10 - e o resto da série Discworld
  46. The Blue Star por Fletcher Pratt (Autor) - R$ 67,96
  47. O nome do vento (A Crônica do Matador do Rei Livro 1) por Patrick Rothfuss (Autor) - R$ 37,90 - e o resto da série do Matador de Rei
    Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
  48. The Broken Lands (Inglês) por Fred Saberhagen (Autor) - indisponível Changeling Earth indisponivel
  49. Homeland: The Legend of Drizzt, Book I: Bk. 1 por R.A. Salvatore (Autor) - R$ 23,96
  50. Mistborn: primeira era: Nascidos da bruma: O império final por Brandon Sanderson (Autor) - R$ 69,99 - e o resto da série Mistborn
    O que acontece se o herói da profecia falhar? Descubra em Mistborn!Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou...Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente.Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa classe social inferior , Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kel vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes.
  51. The Return of the Sorcerer: The Best of Clark Ashton Smith por Clark Ashton Smith (Autor) - eBook R$ 15,60
  52. Change the Sky and Other Stories (English Edition) por Margaret St Clair (Autor) eBook - R$ 9,62
  53. JRR Tolking - TUDO - R$
  54. Coming of the King (Spectra) Hardcover – March 1, 1989 by Nikolai Tolstoy (Author) - $ 0,49 - Amazon Gringa
  55. Tales of the Dying Earth: Including 'The Dying Earth,' 'The Eyes of the Overworld,' 'Cugel's Saga,' and 'Rhialto the Marvellous' por Jack Vance (Autor) - eBook R$ 37,90
  56. Valley of Dreams (Inglês) por Stanley Grauman Weinbaum (Autor) - R$ 26,47 The Worlds of If (Inglês) Capa Comum por Stanley Grauman Weinbaum (Autor) - R$ 26,47
  57. The Golgotha Dancers by Manly Wade Wellman, Fiction, Classics, Fantasy, Horror (Inglês) Capa Comum – 1 mai 2011 por Manly Wade Wellman (Autor) - R$ 32,83
  58. The Cosmic Express por Jack Williamson 1908-2006 (Autor) eBook - R$ 28,83 The Pygmy Planet R$ 25,67
  59. The Shadow of the Torturer: Urth: Book of the New Sun Book 1 (Gateway Essentials) por Gene Wolfe (Autor) eBook - R$ 13,59
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2018.01.13 20:06 fijozico Post-Match Thread: GD Lagoa 5 – 1 FC Ferreiras [1ª Divisão AF Algarve]

GD Lagoa 5 – 1 FC Ferreiras

Estádio Capitão Josino da Costa, Lagoa
Golos do Lagoa: 30', 54', 67', 70', 84'
Golos do Ferreiras: 40' Pedro Duarte

Lagoa

11 inicial:
Suplentes:

Ferreiras

11 inicial: Duarte Encarnação; Mika, David Monteiro, Pedro Colaço, Ricardinho; Diogo Afonso, Ricardo Nascimento, Hagi; João Viana, João Pias, Pedro Duarte
Suplentes: Paulo Bacôco, Jeremy Pereira, Rodrigo Faísca, Peixinho, Álvaro Carrera, Wesley Douglas, Vítor Pestana

Jogo

Eu vou direto ao ponto, meus caros: isto vai ser uma cena muito sucinta, porque sinceramente só me apetece serrar os pulsos depois de tudo o que presenciei em Lagoa. Vão me chamar de tendencioso ao dizer isso, que apenas quero desculpar uma má exibição da minha equipa, mas digo-vos aqui e agora: foi uma vergonha.
O Grupo Desportivo de Lagoa, clube com historial de II Divisão B e III Divisão, chegava a esta jornada na 9ª posição da tabela classificativa, com 16 pontos, após um empate sem golos no terreno do Quarteira.
O Futebol Clube de Ferreiras entrava neste jogo isolado no 1º lugar, com 41 pontos, após uma vitória fora frente ao Sambrasense por 3-0.

Primeira Parte

Eu só me apetece esquecer tudo o que aconteceu nesta partida, portanto vou me limitar a narrar os eventos que apontei no telemóvel.
20' Amarelo ao João Viana por simulação.
29' Amarelo ao Diogo Afonso, não me lembro o que aconteceu no lance.
30' Golo do Lagoa, 1-0. Bola lançada pelo meio a apanhar a defesa do Ferreiras em contra-pé, e o #14, acho eu, do Lagoa a finalizar cruzado muito bem.
36' Amarelo ao Pedro Colaço; falta do Lagoa, quem fez a falta deita-se no chão a agarrar na bola, confusão instala-se com o capitão do Ferreiras, levam os dois amarelo.
40' Golo do Ferreiras, 1-1. Nem me lembrar deste golo me tira a angústia de coração. Canto da esquerda, o Monteiro cabeceia para cima, e o Pedrito, de costas para a baliza, chuta em chapéu, belo golo.
45' Amarelo ao Ricardo Nascimento. Quarto só na primeira parte...

Segunda Parte

54' Golo do Lagoa, 2-1. A defesa do Ferreiras engonha para tirar a bola da entrada da área, o corte fica curto, e a equipa da casa acaba conseguindo voltar a ficar na frente do encontro.
55' Substituição (1/3): Pedro Duarte Álvaro Carrera Estreia do Álvaro de volta ao Ferreiras, jogo meio desinspirado do Pedrito, apesar do golo.
57' E o Nascimento vê o segundo amarelo e é expulso, inacreditável. Lance no meio-campo, lance sem perigo para a baliza do Ferreiras; dividida de bola, o Nascimento tenta ganhar, árbitro marca falta (só a segunda dele no jogo) e mostra o segundo amarelo... Não houve avisos de "essa é a última", nada, para aquele árbitro era cada falta, amarelo. Inacreditável.
66' E acaba assim o jogo do Ferreiras, vermelho para o Mika. Ataque do Lagoa, com fora-de-jogo evidente não marcado, o redes sai para tentar cortar, faz merda, o gajo do Lagoa chuta, a bola vai mesmo para a baliza, e o Mika faz uso dos seus dotes de guarda-redes... Olha, foda-se.
67' Golo do Lagoa, 3-1. E a aposta nem vingou, o gordo do Lamy marca de penalty.
69' Amarelo ao David Monteiro, que surpresa.
70' Golo do Lagoa, 4-1. Ajudem-me, por amor de Deus, ajudem-me. Livre descaído para a esquerda, o redes tá demasiado chegado ao 2º poste, e o livre é muito bem batido para o fundo das redes. Eu já nem sei o que sinto, sinceramente.
73' Substituição (2/3): Diogo Afonso Peixinho Acho que a nova aposta é ver se ficamos com 8, é a única explicação para esta substituição.
79' Substituição (3/3): João Viana Vítor Pestana Substituição que peca por ser a esta hora. Já devíamos tar a bombear bolas para a frente para o Pestana desde o 3-1. Enfim.
84' Golo do Lagoa, 5-1. É que já nem dói, sabem? Mais uma vez o Ferreiras a ser apanhado sem gente na defesa, e o barriga de cerveja Lamy consegue o quinto. Vai para o caralhito, Lamy.
90' Amarelo ao Pias, porque o árbitro já tava há muito tempo sem mostrar um à gente.
E foi isto gente. O desnecessário segundo amarelo ao Nascimento matou o jogo por completo, e o Ferreiras sofre a primeira derrota do campeonato de forma expressiva. Felizmente, o segundo classificado, o Silves, também perdeu, e fica tudo na mesma. O Mika, que tava perto da gente na bancada, ainda foi a correr para o túnel porque aparentemente um dos gajos do Lagoa, que já é conhecido por espicaçar os adversários, mostrou o dedo do meio na direção do pessoal das Ferreiras, mas felizmente ainda o travaram antes de chegar ao túnel mesmo. Novamente, o relato pode ser bastante tendencioso, mas nem tentando ser o mais imparcial possível era capaz de não dar uma nega de todo tamanho à equipa de arbitragem de hoje.

Campeonato

Jogos da Jornada 16

Casa Fora
Carvoeiro United 1 – 2 Quarteira
Quarteirense 3 – 2 Silves
Lagoa 5 – 1 Farreiras
Sambrasense 2 – 0 Faro e Benfica
Culatrense 17:15 Esp. Lagos
Imortal 19:30 Messinense

Tabela Classificativa

Equipa P J V E D GM GS DG
1 Ferreiras 41 16 13 2 1 28 10 +18
2 Silves 31 16 9 4 3 32 15 +17
3 Esperança de Lagos 27 15 8 3 4 27 12 +15
4 Messinense 25 15 7 4 4 19 14 +5
5 Imortal 24 15 7 3 5 19 14 +5
6 Quarteirense 23 16 7 2 7 21 26 -5
7 Quarteira 22 16 6 4 6 22 19 +3
8 Lagoa 19 16 5 4 7 22 18 +4
9 Culatrense 18 15 5 3 7 19 28 -9
10 Faro e Benfica 15 16 4 3 9 14 25 -11
11 Carvoeiro United 10 16 2 4 10 13 32 -19
12 Sambrasense 7 16 1 4 11 12 35 -23
Fase de Promoção Fase de Despromoção

Menções Honrosas

Pelo menos ri-me com as merdas que o pessoal dizia, junto com o riso para não chorar. Que para a semana a gente dê 10 ao Carvoeiro. Adeus.
Ah, e só para terminar: pó caralho, Lamy.
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