Ideias para dias fora com os amigos

Receber os amigos em casa é uma delícia, né? Jogar conversa fora tomando uma cerveja gelada ou drink no conforto da sua própria casa é um ótimo programa para os fins de semana. E claro que as comidinhas não podem faltar! Por isso, vamos te mostrar 4 receitas práticas, rápidas e deliciosas de petiscos para receber os amigos em casa ... Fora umas coisas super diferentes como o dadinho de tapioca e o muffin de pé de moleque que são deliciosos. ... Pessoalmente vou usar como fonte de ideias para montar cardápios e também como referência para montar os pratos deixando-os além de apetitosos, lindos como os servidos no hotel!! Receber AMIGOS em casa: Ideias de Entrada. 3/jul/2012 - Melhores dias, todos os dias. Veja mais ideias sobre Fotografia de reflexos, Humor de gatos, Caixas para gatos. Não fique sem Ideias: dicas para receber amigos de fora Nada traz mais calor e felicidade no Natal do que seus amigos e parentes vindo à sua casa para festejar e celebrar. Porém, coordenar atividades para hóspedes de outra cidade pode significar momentos mais estressantes que escolher a roupa perfeita para o Ano Novo. Nós preparamos uma lista com 20 ideias criativas e para todos os bolso. Confira! ... Pen drives são bem úteis nos dias de hoje, mas um pen drive comum não tem tanta graça quanto os pen drives com formatos de personagens de filmes, por exemplo. ... Olha que legal esse mini jogo de golf. Ótimo para os amigos que apreciam o esporte, mas não ... 3 – Traga conteúdos de fora do Brasil. As duas dicas acima já devem ser suficientes para encher a sua pauta de conteúdos por longas semanas… Mesmo assim, se ainda estiver em busca de mais ideias, vale estudar o que os concorrentes andam publicando lá fora. 30/jan/2018 - Explore a pasta 'Decoracao Feijoada' de Amanda no Pinterest. Veja mais ideias sobre Decoracao feijoada, Festa, Decoração festa. Com estas orações para os dias difíceis, o Padre Alberto Gambarini, quis convidar seus amigos a não desistir. A não desistir de si mesmos. A não desistir dos outros. A não desistir da Vida. O Motivo é muito simples: podemos reagir, porque Deus jamais desiste de nós!

Hipocrisia

2020.10.22 15:12 Cadaverin Hipocrisia

Quero comecar pedindo desculpas pela falta de acentuacao nas minhas palavras. Este computador esta com o teclado americano e nao estou disposto a perder meu tempo formatando isso corretamente. Conto com a leitura corretiva de voces.
Eu sou uma pessoa bastante razoavel. Nao costumo falar fora de hora, dar opinioes que nao sejam requisitadas ou ser parcial. Cada um tem sua historia, cada um tem seu momento, e minha pequenez eh grande o suficiente para entende-la e aceita-la. Sou ninguem no grande ciclo das coisas.
Dito isso: odeio hipocrisia. Eh provavelmente a unica coisa que me arrepia os pelos da nuca com raiva. Da minha otica, eh muito simples manter sua palavra. Claro que existem cenarios onde voce absorve novas ideias e acaba mudando uma opiniao, mas isso nao eh o caso de agora.
Meu instagram era bombardeado com mensagens criticas a respeito de quem furava a quarentena para ver duas, tres pessoas. Que julgava quem saia pra fazer uma coisa minuscula. Pessoas ILUMINADAS, daquelas que tentam passar para voce o quao grandiosamente astutas elas sao por conseguirem ficar em casa. Eu trabalhei normalmente durante a quarentena, inclusive em outras cidades/predios, vendo pessoas novas diariamente. Todos de mascara, todos se distanciando, mas mesmo assim eu estava la, ``furando`` a quarentena.
Claro que a motivacao era valida, eu estou trabalhando. Nao posso me negar a ir. Algumas pessoas conseguiram home office, mas eu fui uma das escaladas para estar aqui todos os dias. As criticas para os ``furadores`` nao era para mim, mas nao tinha como nao senti-las de qualquer forma. Eu vi amigos durante o comeco - sempre as mesmas pessoas, que ja moravam juntas, e estavam de home office. Quando eu postei uma fotinha com eles, me julgaram. Desceram-me o cacete virtual por me dar certa liberdade social.
Agora entramos numa fase mais branda - como se isso fosse realmente verdade e nao soh um apelo desesperado dos nossos governantes para que o pais nao se afunde numa miseria economica ainda maior - e de repente todo mundo esqueceu disso. Quem mais postava aquelas futilidades de ``estou de olho em vcs!!!`` ``nosso pais eh muito ignorante`` ta se enfiando na praia, com 400 estranhos diferentes; ta lotando bar, ta fazendo churrasco, ta vivendo como se tudo estivesse normal e como se ha meses atras nao estivesse tentando criar uma imagem de ``sabedoria iluminada`` com seus tweets provocativos, seus stories repetitivos sobre ``consciencia social`` e outras baboseiras tantas.
No fim, eu prefiro a pessoa que cagou pra quarentena desde o inicio. Ou aquela que respeitava mas nao se metia na vida dos outros (como eu). Eu odeio ver as mesmas pessoas que tanto encheram o saco perpetuar o ciclo que elas julgavam, como se AGORA estivesse tudo certo.
Brasileiro eh uma raca maldita, com todo respeito a todos nos, ja que tambem sou. Adora entrar na onda da racionalidade soh pra sentir-se parte de um rebanho. Encheram tanto o saco de quem votou no bolsonaro/no proprio presidente e agora tao beijando estranhos no bar da esquina.
(soh um adendo, nao votei nele e nao votarei)
Nao sejam hipocritas. Pensem no que voces vao falar; se realmente eh baseado no que voce acredita/como voce age ou se vc apenas ta falando pra entrar na moda e tentar ganhar pontos com a militancia social que voce escolheu. Talvez ninguem se lembre, mas os que lembram te olham com olhos viciosos e gostariam muito de dizer-lhes na mesma quantidade que voces disseram.

Mas infelizmente nada se muda. Tudo que posso fazer eh odia-los de longe com suas linguas levianas e suas memorias de peixe dourado.
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2020.10.21 18:18 freddyjoker O Lado Ruim das Vitórias: A Derrocada da Era Crefisa

Olá amigos torcedores,
O post será longo, por isso vou quebrar em tópicos, para que possa pular as partes que não lhe interessarem:
1.Você não é o cara que defendia a permanência do Luxa? Tá feliz agora?? Não, obviamente não estou feliz, meu time perdeu quatro jogos consecutivos, coisa que não acontecia há vários anos. Mas ainda acho que demitir o Luxemburgo foi um erro. Entendam por favor uma coisa muito importante, que é essencial que os torcedores coloquem na cabeça, para que quem sabe um dia os dirigentes coloquem também: TROCAR O TÉCNICO NÃO RESOLVE NADA. Mais a respeito disso no texto a seguir.
2. Recapitulando a Era Crefisa:
2.1-2015: Em 2015 começou o que será conhecido para sempre como Era Crefisa. Uma parceria entre o clube e a marca, motivada por paixão dos dois lados, com o objetivo de recuperar um clube de imenso potencial que se encontrava enterrado numa vala de incompetência de vários anos.
Várias contratações, vários chapéus e, logo de cara, um título da Copa do Brasil. Todos nós comemoramos, nos emocionamos, começamos a pensar que estaríamos diante de uma nova era Parmalat, de super times e muitas taças. Mas deixam a nostalgia de lado e pensem com pragmatismo: aquele time jogava bem? NÃO! Ganhou aos trancos e barrancos e enganou a torcida e a direção que Marcelo Oliveira fazia um bom trabalho. Por causa disso, ele foi mantido na temporada seguinte, até se tornar insuportável continuar assistindo o show de horrores, que todos já conheciam. Aí está o primeiro erro: Deveríamos ter aproveitado a nova força do elenco e o título que acalmou os críticos e nos colocou em evidência para bolar um plano a longo prazo, escolher um técnico com as características que queríamos e montar o time em função dessa ideia.
2.2-2016: No ano seguinte, mudança de técnico: veio Cuca. Cuca era uma boa ideia, é um bom técnico, tem uma boa visão de futebol. Teria sido uma boa opção pra começar a temporada, ajudar a planejar as contratações, treinar na pré-temporada, mas o técnico deu sorte. O título de 2016 foi possivelmente o melhor dessa era, jogando um futebol legal, com um time bom. Cuca, infelizmente quis sair e, fomos forçados a recomeçar nosso projeto, coisas da vida.
2.3-2017: O escolhido para prosseguir foi Eduardo Batista. A escolha pode ser debatida, mas foi o caminho traçado pela diretoria. Porém, após apenas cinco meses, mais um erro amador: fomos tentar convencer Cuca a retornar. Aposto que muitos palmeirenses gostaram da ideia, tomados por nostalgia e memórias boas. Mas demos o primeiro sinal de que não sabemos o que estamos fazendo, contratamos um profissional sem ter confiança em seu trabalho e o demitimos na primeira oportunidade por razões sentimentais. Que entidade séria faz algo assim??
Por vários fatores, Cuca não durou nem seis meses no cargo e, mais uma vez, um recado para o mundo: O Palmeiras não respeita técnicos e não faz ideia do que está fazendo. Aproveitem essa pausa para refletir: O que mudou com a mudança de técnico? Já tivemos quatro mudanças e um título, vocês acham mesmo que esse título foi a regra ou a exceção?
2.4-2018: Continuando: Roger Machado. O próximo nome, a próxima aposta. Técnico jovem, perfil diferenciado, projeto a longo prazo, novas ideias. A propaganda foi a mesma... a mesma enganação. Na metade do ano, já estava demitido. A essa altura, no ápice do desespero e do amadorismo, fomos atrás de Felipão. Jogamos pro alto as ideias novas e o projeto. A diretoria queria alguém que pudesse aguentar as críticas da torcida e protegê-los delas, o presidente além de incompetente foi covarde.
Felipão, assim como Cuca, conseguiu dar algum jeito num time claramente superior à concorrência, com um elenco muito mais rico que os demais. Com isso, tivemos o título de 2018.
2.5-2019: As costas largas e o futebol resultadista conseguiram manter o bigode no cargo por mais de um ano, algo inédito nessa Era. Mas quando o resultados pararam de vir, ficou escancarada que a ideia de jogo não era bonita. Algo que já sabíamos. Mas novamente, precisávamos dar o recado: Não respeitamos técnicos e não sabemos o que estamos fazendo. Dessa vez, sobrou inclusive para Alexandre Mattos. Todos pagavam o pato, menos quem era realmente responsável, diretoria AMADORA e presidente COVARDE.
2.6-2020: Para 2020, mais ilusões, mais promessas, mais propagandas: Vamos atrás de Sampaoli. Mas advinha só, o argentino estava atento e viu o que aconteceu nos últimos anos. Técnicos desrespeitados, diretoria covarde e emocional, o elenco que antes carregava o piano, agora não tinha mais nível pra isso. Não ia ter dinheiro pra contratar, não ia ter estabilidade. Quem de vocês aceitaria trabalhar assim?? Ao ouvir o ÓBVIO não, a última amostra de amadorismo e covardia: Luxemburgo. Assim como 2018, dane-se o projeto, dane-se a mentalidade, a renovação. Nós da diretoria só queremos alguém que possa tomar bronca no nosso lugar, alguém que se tudo der errado, possamos apontar o dedo, mandar embora e dizer "é uma nova folha, uma nova oportunidade, um novo projeto" pela quinta vez.
3.Conclusões: Ganhamos títulos, então não pode estar tudo tão ruim... ESTÁ! E OS TÍTULOS ENGANARAM A TODOS! Todos os clubes sobem e descem a escada da relevância e do favoritismo quase aleatoriamente, porque são todos INCOMPETENTES e nunca sabemos quem vai ser o próximo menos incompetente da vez. Sabem porquê? Porque são geridos por torcedores! Alguém que usará sua paixão para motivar suas escolhas, automaticamente não está qualificado para tal escolha. Vocês acham que Paulo Nobre foi bem porque era mais palmeirense que os outros? NÃO! Paulo Nobre foi bem porque soube separar onde e quando deveria ser torcedor.
Agora vamos assistir o Flamengo aprender a lição em apenas um ano que não aprendemos em cinco: é necessário um projeto, é necessário ter paciência, é necessário SER PROFISSIONAL. Ver clubes como Internacional e Galo passar a nossa frente com menos dinheiro e menos relevância nacional, simplesmente porque foram minimamente competente. Estamos atrás DO SANTOS na tabela, o Santos afundado em dívidas, proibido de contratar, contando migalha pra pagar salários. Não é possível que vocês achem que o que estamos fazendo está certo.
4.Comparações com o Liverpool: Como é de praxe nos meus posts, mais um paralelo com o Liverpool: Eu sou torcedor dos Reds e acompanhei quase trinta anos de jejum por incompetência administrativa. Sabe como isso acabou? Um empresário americano comprou o clube e contratou profissionais para tomarem as decisões. Klopp foi contratado para um projeto, seu primeiro contrato foi de três anos. Ele perdeu jogo pra cacete, vários vices, várias humilhações, várias piadas, várias derrotas em clássicos. Mas isso não abalou a diretoria, porque eles não são torcedores, eles são gestores e o fracasso é aceitável quando se traça um caminho vencedor. Invés de queimar dinheiro com contratações, eles sentavam com a COMISSÃO TÉCNICA PERMANENTE (que incluía analistas de desempenho e o próprio Klopp) e analisavam o mercado. A diferença entre o vice de 2018 e o título de 2019 na Champions League forem apenas duas contratações (precisavam de um goleiro e um zagueiro e fizeram as contratações mais caras da história para trazer as melhores opções disponíveis nessas posições. Poderiam ter usado esse dinheiro para trazer dois ou três goleiros decentes e dois ou três zagueiros decentes, mas eles queriam jogadores para ser campeão!). O Liverpool foi o time grande da Europa que menos gastou com contração nos últimos anos. Do vice do Inglês de 2019 pro título de 2020, não teve NENHUMA mudança no time titular. Simplesmente eles se mantiveram firmes e competentes, só que os outros times continuaram circulando na roda da incompetência.
5.Mensagem aos torcedores: Como torcedor, eu vejo esses fatos e entendo. Vemos coisas assim no futebol a vida toda em todos os clubes. Mas como empresário e gestor, eu vejo essas coisas e passo mal. Uma entidade séria, com objetivos sérios... demite funcionários por razões sentimentais; não tem competência de traçar um plano de ação, com opções e alternativas; não consegue digerir críticas sem demitir todos os envolvidos para agradar um bando de conselheiros, que também são torcedores sentimentais que não tem capacidade ou competência para opinar em nada disso. Luxemburgo tinha que ficar, porque a diretoria e o presidente tinham que morrer com essa escolha, tinham que entender que usar treinador de escudo para críticas até ele não aguentar mais, só pra arranjar outro, é destruir nosso clube, nosso time, nosso respeito perante ao mundo e o mercado.
Agora Angel Ramirez também nos deu o óbvio NÃO. Disse, que não largaria o projeto atual dele no meio para embarcar na nossa bagunça, talvez na próxima temporada, dependendo de como estiverem as coisas. Nossa diretoria não esperava isso: ALGUÉM SENDO PROFISSIONAL. Um homem que mantém sua palavra e quer terminar o que começou e não se deixar levar pela ambição e emoção para entrar num possível furada? QUE ABSURDO!
6.Projeções para o futuro: Eu tinha medo da Leila como presidente, porque ela parecia "torcedora demais" e parecia não manjar nada de futebol. Mas honestamente, acho que com o poder de barganha dela (sem ela e sua empresa, não temos dinheiro pra nada) ela pode ser justamente o que precisamos: alguém pragmático, de costas largas, que não vai precisar contratar escudos; alguém que vai admitir que não entende suficiente de futebol para tomar decisões sobre o assunto e VAI CONTRATAR DIRETORES E ADMINISTRADORES PROFISSIONAIS. Que não vão agir com ação, emoção, sentimentalismo e nostalgia e perpetuar nossa participação nessa montanha russa de incompetência que é o futebol brasileiro.
NÃO IMPORTA os resultados, o desempenho em campo, nada disso é razão para demitir um técnico no meio da temporada. Existem vários outros fatores influenciando essas coisas além de UMA PESSOA. Quando os jogadores preguiçosos vão pagar o pato? Quando o presidente vai olhar em volta e falar 'melhor eu sair' ou no mínimo 'melhor eu pagar alguém que saiba o que está fazendo'? Esse elenco foi esculachado ano passado inteiro, mas esse ano a culpa é do Luxa. Essa diretoria foi esculachada por vários anos, mas agora a culpa é do Luxa. E o resultado disso? Os técnicos que poderiam dar jeito nisso não querem vir mais. Nós conseguimos solidificar a imagem de MOEDOR DE TÉCNICO.
7.FIM:Eu tenho pena do Luxemburgo, que entrou nessa barca furada porque estava desesperado para provar que ainda tinha o jeito, que ainda podia ser um dos melhores. Um homem que nos deu tanto, um ídolo do clube, disposto a ser usado de escudo para uma diretoria ridícula, sabendo que seria o primeiro a cair, mesmo não tendo nem metade da culpa pelas derrotas.
Argumentem o quanto quiserem de formação, escalação, jogadas ensaiadas, mas parem de se enganar achando que mudando só o técnico, essas coisas vão se acertar.

tldr: A diretoria troca de técnico para mascarar sua incompetência e nós estamos caindo nessa manobra porque eles deram sorte de levantar um ou outro caneco no caminho. Chega de ser complacente com amadorismo e covardia por parte dos gestores, chega de achar que o técnico é culpado de tudo. Chega de #ForaLuxa, cadê o #ForaGalliote??

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2020.10.21 15:35 CigarraMarron Eu sou uma vadia louca?

Bem, pra começar eu nunca fui a pessoa que idealizava o amor romântico, sempre achei essa ideia falsa e as pessoas que diziam viver morrendo de amor fracas e irracionais. Eu me apaixonava toda semana pro uma pessoa diferente, me divertia muito, tinha momentos intensos em vários aspectos, pra mim isso era ótimo, vivia a ideia de "amor" tradicional, mas sem sofrer por isso, já que não me apegava a ninguém. Junto a isso, sempre fui uma pessoa muito ambiciosa e tenho expectativas enormes para meu futuro, e se apegar a qualquer pessoa seria um tiro no pé, pois ia acabar formando família (o que na minha cabeça restringe exponencialmente a capacidade de uma pessoa se movimentar em busca das suas ambições).
Há alguns anos um amigo de infância se declarou pra mim e decidi entrar num relacionamento sério. E embora não estivesse caída de amores por ele, resolvi tentar por que ele sempre foi uma pessoa maravilhosa. Como já era de se esperar, ele foi um companheiro maravilhoso, atencioso, cuidadoso, amoroso, não deixava a desejar no sexo, praticamente o parceiro ideal, mas não pra mim. Ele queria ter família (filhos, cachorro, galinha, cavalo, casa na roça), não tem ambições, é tranquilo e tradicional, não esquenta com nada no universo. Ele ser assim me irritava, pq eu não aceitava que alguém pudesse ser tão passivo, ainda assim fiquei quase 4 anos no relacionamento, pois toda vez que eu pensava em terminar, minha razão me acusava, dizendo que eu tava jogando fora um homem que a maioria das mulheres gostariam de ter. Então fui só empurrando, até que achei desculpas para justificar o fim do relacionamento, me convenci dessas desculpas e pulei fora, sem olhar pra trás (embora até hj fique me pergunte se não teria sido melhor me adaptar a aquele relacionamento).
Mudei de estado, a trabalho e isso me ajudou a superar o fim do relacionamento que seria ideal, mas não pra mim. Corri atrás das minhas ambições, carreira, viagens, amizades, network. Por dois anos fui solteira e me diverti muito, mesmo que as vezes batesse aquela carência e o vazio.
Nesse tempo acabei entrando numa empresa que não me dava perspectiva de crescimento rápido, como sempre acho que não tenho tempo a perder, fiz uma proposta que se ele não pudesse me promover nos próximos 12 meses eu pediria demissão pra fazer intercâmbio. 4 meses antes de embarcar pro intercambio conheci um rapaz legal na empresa e nos aproximamos e começamos a namorar, apesar de meu intercâmbio estar marcado (obvio que eu não desistiria disso por ele, e nem por ninguém). Optamos por continuar o namoro a distância, foram fucking 7 meses infernais. Mas nem eu e nem ele ficamos com outras pessoas, embora eu tivesse dado a ele permissões (e ele não houvesse me dado permissão nenhuma). Nesse meio termo minha mãe (que mora há 2,5h de avião do lugar que meu namorado mora) ficou doente e tive que voltar do intercâmbio e dar assistência a ela. Fiquei 2 semanas com meu namorado e fui embora de novo, passar um mês com minha mãe.
Durante esse um mês que fiquei fora o meu namorado se envolveu com outra pessoa, ele já estava muito confuso, por que eu jurava que amava ele, mas tava sempre abrindo mão dele por outras coisas. AO saber que ele se envolveu com outra pessoa eu surtei do fundo do meu coração (embora concorde com relacionamento aberto e tivesse anteriormente dado permissões a ele), comecei a julgá-lo e culpa-lo, embora minha razão dissesse: "ele tolerou coisas que nem vc toleraria e ele ainda quer ficar com vc e é sincero com vc".
Meu namorado está muito confuso, e não confia muito em mim. O que é muito compreensível pq eu dou bastante brecha tanto pra a confusão quanto pra desconfiança. Eu vivo como se fosse muito desapegada, embora eu tenha um sentimento por ele, nunca faço promessas de amores eternos e sempre digo que vamos durar até quando durarmos e isso deixa ele bem inseguro, ele acha que não quero futuro com ele. Por mais que eu sinta por ele, tudo que sinto, eu não consigo deixar claro o quanto ele vale pra mim, e na verdade eu nem sei se vale, ou se ele é só o espelho do que eu achava ideal (já que tem as mesmas ambições que eu).
No meio dessa confusão de ele ter ficado com outra pessoa, demos um tempo de 1 semana, que era o tempo que faltava pra eu retornar pra cidade dele. Falei que ele estava solteiro até eu voltar, ele se aproximou da moça com quem ele ficou e agora que cheguei tivemos uma conversa muito séria, ele disse que queria ser solteiro, pra viver aventuras, já que nunca foi solteiro desde os 18 anos, tive a impressão de que ele estava gostando dessa moça (mas em uma semana? Como pode ser? Carência?), ele disse que não quer terminar comigo pq me ama, mas que sente falta de algumas coisas em mim (como a presença física e emocional, e sexo, já que pra ele transar 4 vezes ao dia parece pouco), sugeriu que eu abrisse o relacionamento pra ele, pra ele suprir essas ausências minhas que confesso que são significantes pra ele e ele sempre deixou claro. Eu analisei bem e decidi que queria tentar isso, como uma forma de compensá-lo por ter tolerado as situações que trouxe pra nosso relacionamento que só tem um ano e cujo eu passei um total de 8 meses longe, sem vê-lo. Só que apesar de ser super de boa com a ideia de abrir relacionamento, poliamor e tudo mais, eu comecei a cobrar dele que ele não deveria me impor isso (sendo que ele sempre se mostrou bem aberto a negociações e sugestões e demonstrou o quanto se importava com meus sentimento em relação a isso). Minha cabeça aprovou isso, mas minhas emoções estão transformando isso num inferno pra mim e pra ele e tudo que faço e pressionar. E agora estou pensando em trai-lo, pq estou "muito magoada" e "quero que ele me pague por fazer eu passar por isso". Ele desde o inicio foi bem claro que não abre a relação, ele jamais aceitaria e tmb odeia mentira e traição, por isso tem me contado tudo que tem feito. Marquei alguns encontros aos quais comparecerei. Mas tenho achado injusto, justamente por ele ser tão transparente comigo.
Ai comecei a me questionar, será que gosto mesmo desse rapaz e só estou com ciumes e medo de perdê-lo depois de tudo que passamos e ainda estamos "juntos"?
Será que só tô apegada a ideia de futuro com ele (devido nossos objetivos similares)?
Será que só sou uma vadia louca brincando com o sentimento de alguém que nunca me deu espaço pra desconfiança?
Será que no fundo eu sou egoísta demais pra ficar com alguém e tenho que me acostumar com a ideia de viver só na vida, seguindo meu preceito de desapego (simplesmente pq não quero abrir mão de nada por alguém)?
Sejam sinceros, sem medo de me magoar, sei que a maioria aqui tem a mente bem aberta e poderá me criticar de forma racional.
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2020.10.15 22:58 AdsonLeo [Encontro Miojo] Tiro ao Alvo

Olá pessoal! Mais um encontro aqui para você que, como empre, também está disponível no meu blog.
O encontro de hoje é na verdade duas sugestões de minigames para você colocar na mesa. Estas gincanas divertidas são elaboradas por gigantes das nuvens. Ávidos atiradores de pedra, os gigantes tem orgulho de seus poderosos braços e precisão milimétrica.
Talvez os aventureiros foram pegos numa disputa entre clãs gigantes e os líderes clamam pelo voluntariado deles. Quem sabe um amigo gigante precisa se distrair ou treinar pro próximo Campeonato Mundial de Arremesso. Ou uma poderosa gigante das nuvens é a guardiã de uma masmorra, castelo ou portal que levará a grandes aventuras e tesouros sem fim.
Seja como for, os jogos são: Derrube a Ave e Pequenino na Cesta. Permita que o grupo decida entre si em qual jogo cada um participará. Se possível personagens diferentes estarão em cada round, e o próprio gigante pode sugerir ou demandar isto. Desta forma não só todos os jogadores se divertirão nos minigames, mas também escolhas óbvias para mais de uma rodada terão de ser melhor feitas.
Nomes em negrito se referem a criaturas encontradas em material de D&D 5ª edição e serão seguidos por uma notação entre parênteses com o nome do livro e página em que se encontram.

Derrube a Ave

Gosto de pensar que o nome deste em inglês seria Roc Thrown, uma joguete com Rock Thrown - atirar pedras - e Roc, a ave. Imagino que o tamanho delas e a pretensão de serem senhoras dos céus daria a dose certa de desafio e satisfação sádica aos gigantes das nuvens entediados. Ou então o ódio entre eles e dragões leve os gigantes a criarem desculpas para atirar coisas contra tudo o que voa e ouse invadir seus domínios nas nuvens.
Seja como for, um cloud giant (Monster Manual, 154) com a variante New Giant Option (Storm King's Thunder, 245) precisa de alvos para seu arremesso de pedras. Um dos personagens deve servir. Ele informa que ele próprio pode conjurar a magia fly para permitir que o voluntário voe até 240 ft (alcance máximo do ataque com pedra do gigante) no ar. O gigante então terá três chances para acertar atirando pedras muito lisas e aerodinâmicas, que se assemelham a discos.
O gigante não se opõe a qualquer artifício que aumente as chances da criatura desviar, como aumento de CA, magias de escape como Mirror Image, etc. Porém, apenas os participantes deste jogo podem fazê-lo. Todo o dano dado pelos arremessos será não letal, apenas deixando o personagem inconsciente caso chegue a 0 pontos de vida. Se necessário for, o gigante conjura feather fall para ajudar um personagem a chegar seguro ao solo.
Caso queira podem ser efetuadas até 3 rodadas deste jogo, uma vez que um cloud giant pode conjurar até três vezes ao dia cada uma das magias fly e feather fall. Se mais de um gigante participa da brincadeira faça quantas achar cabível.

Pequenino na Cesta

Nesta variante do jogo Anão no Barril, o gigante prepara uma arena circular com diversas cestas distribuídas ao longo da borda. Essa distribuição é feita de forma que, independente de onde alguém estiver na arena, a pelo menos 60 ft terá uma cesta. Cada cesta tem tamanho o suficiente para acomodar uma criatura de tamanho médio.
Junto do gigante, na arena, estarão os personagens voluntários. A função deles é apenas escapar. A do gigante é conseguir chegar perto o suficiente de um personagem e arremessá-lo para uma das cestas. Para isso use a ação Fling presente no gigante variante de SKT.
Este jogo tem um número de rodadas limitadas ao dobro da quantidade de alvos. Assim, o gigante tem um pouco de margem de erro. Personagens muito ágeis ou espertos, que consigam escapar das primeiras tentativas do gigante, acabarão rápido com o jogo. O gigante arremessa com precisão e acerta automaticamente em uma das cestas personagens que não tenham sucesso no teste de resistência. O dano é aplicado da mesma forma e sempre não letal. Um personagem que caia numa cesta está fora do jogo e deve deixar a arena.
Para todos os fins é proibido voar, se tornar invisível, modificar o tamanho do corpo para ficar menor que small ou maior que medium, ou usar qualquer outro truque que inviabilize as chances do gigante perceber e interagir com um personagem. Com mobilidade e sagacidade o suficiente é possível manter distância e achar formas de não cair na cesta.
Gostou dos jogos? Tem alguma crítica, elogio ou sugestão? Deixe um comentário! Se tiver usado alguma ideia apresentada no texto comente aí como foi, adorarei ler como tudo se deu na sua mesa. Até a próxima.
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2020.10.14 08:50 PlayMoreZeppelin_ Ressaca que não passa...

Alerta de textão!! Se puder me ajudar como eu poderia tirar essa neura da minha mente, ficaria imensamente agradecida, na moral. Essa merda tá me corroendo
Quero desabafar sobre uma experiência que eu vivenciei no começo do ano e até agora, já quase no final do ano, n consigo tirar da minha cabeça. E, esses sentimentos ficam me atormentando.
Bom, nesse ano de 2020, eu concluo o ensino médio. Então, como muita gente, sabe. É o ano q tá td mundo na neura, querendo badalar e passar o máximo de tempo cm os amigos. Pq vai saber para qual caminho a vida vai levar cada um.
Logo no começo do ano, nós organizamos um churrasco para enturmar melhor o pessoal q era de outro período e mudou para a manhã. Além da galera nova q entrou. Essa tal festa aconteceu num condomínio de uns amigos meus, td planejado, os pais do menino q iriam cuidar do churrasco e td o mais, são SUPER liberais, então, na certa bebida, narguilé e outros trem td autorizado.
Eu estava bem empolgada cm a festa, td combinado pra n dar b.o. aq em casa. Táok, chegou uns dias antes da festa, tava td dando errado. Aquela bagunça q é pra organizar festa pra rapaziada, fora os meus próprios b.o.’s. Estava passando por uns momentos difíceis, deprê pra kct. Cheguei a falar para minha amiga q eu ia de carona, que n iria mais. Tava cm um puta pressentimento ruim. Mas, ela queria muito q eu fosse, pq tava de olho num carinha, q ela tava ficando. E ela n queria ficar sozinha (ela é meio tímida). Blz, ela insistiu tanto q eu acabei mudando de ideia, e deixei os meus pressentimentos de lado.
Chegamos na festa, e eu já dei de cara cm um ex-amigo meu. Nós sempre tivemos uma relação meio conturbada, pq ficamos muito próximos de repente, há alguns anos. Já tive grande carinho por ele, mas ele é uma pessoa um tanto difícil de lidar.
Flashback Quando começamos a ficar próximos, percebi q ele estava criando sentimentos mais fortes q amizade por mim. Então, decidi jogar a real, quando ele foi sincero cmg. N fui rude nem Nd, até pq o considerava muito msm. Ele, no início, pareceu levar de boas a situação. Porém, depois ele começou a forçar a barra, teve um episódio numa festa na casa dele-despedida dele, pq ele foi fazer intercâmbio por um ano(na qual, muitos amigos dele estavam, e tds eles sabiam do que tinha acontecido-pelo menos, a versão dele da história), em que ele tinha bebido uns gorós. Ele foi até onde eu estava, e eu percebi q ele já tava meio alterado. Então, já fiquei mais em alerta. Ele começou a tentar me acariciar, sabe. Falando no meu ouvido, tentando me abraçar e td. Aí, falei pra ele, q n tava curtindo. Principalmente, pq ele tava tentando forçar na frente dos amigos dele. E, basicamente, tds eles ignoraram o fato de eu estar desconfortável cm a situação td. Me despedi, rapidamente, de tds e dele. E, fui embora.
Durante esse ano de intercâmbio dele, ele sempre me ligava, e por um tempo, cheguei a acreditar como ele afirmava cm tanta convicção q ele tinha se desiludido, e queria só amizade. Acreditei, pq ele falava sobre várias minas q ele tinha pegado e td. Agora, vejo que na intenção de me causar algum ciúmes ou algo do tipo. Pois, quando ele voltou do intercâmbio, a família dele deu outra festa, e eu fui convidada.
E, por um tempo, achei q ele realmente tinha desiludido. Fiquei muito feliz, pq realmente apreciava a amizade dele. No entanto, foi só ele beber um pouco, q ele começou a fazer td q ele fez na despedida. Até msm na frente dos pais dele. Fiquei super constrangida, pq entre uma conversa cm o pai dele, ele meio q deixou a entender q a gente já tinha tido um lance mais sério*. Eu fiquei: WTF?. Já comecei a ficar puta da vida, então chamei um Uber. Ele pediu desculpas, e pediu para fazer companhia, enquanto eu esperasse. A gota d’ água foi quando ele tentou me forçar a beijar ele na garagem dele. Aí, eu surtei, falei pra ele, tudo q estava entalado. Ele falou coisas horríveis. O pior de td é q a garagem dele tem câmera, então provavelmente, td mundo lá dentro viu o nosso pequeno espetáculo. O Uber chegou e eu me mandei. Isso foi antes do ano letivo desse ano.
Quando voltamos às aulas já n éramos mais amigos. Então, foi bem tenso vê-lo na festa, assim de cara. Achava q ele n iria.
Retomando Voltando a festa desse ano, ao chegarmos fomos falar cm o pessoal. Até aí, tava td ótimo. Eu e a minha amg rachamos a conta na adega. Estava economizando para chutar o balde nesse dia.
Bebi pra caramba(bebidas suaves, Askov, Corote, algumas batidinhas) , mas como estou acostumada, nem estava tão alterada. Depois disso, oq me lembro foi de td mundo estar mais doido q td, e eu ter tomado um copão de batida de vodka de maracujá misturado cm Halls (experimentos). Foi aí, que td, absolutamente TD, começou a dar errado.
Foi quando bateu o álcool de uma vez, como já tava percebendo q tava ficando doida. Peguei e fui sentir perto dos narguileiros de plantão, trocando ideia. (A essa altura nem lembrava do paradeiro da minha amiga). Só sei q já tinha passado um pouco aquela baque da brisa, então me levantei da cadeira. Tava td okay, até alguém me pegar CM TUDO no colo, mano. TURU BOM? Era ele, o meu ex-amigo, falando: Calma, calma e meu nome.
Percebi q ele tava alterado, então comecei a entrar em pânico. E falei pra ele me colocar no chão. Mas, com o reboliço td de ele ter me levantado do chão, a brisa bateu forte de novo. Me senti fraca e impotente (por fora), por dentro? Eu estava puro pânico, pq sabia q td mundo tava doidão. Ninguém ia notar NADA. Ele me levou no colo para fora do salão, e sentou num banco lá fora. Ele me colocou no banco e sentou do lado. Ergueu as minhas pernas e colocou no colo dele. Eu estava totalmente sem forças, meio desnorteada.
Então, ele colocou a minha cabeça no ombro dele e o meu braço ao redor do pescoço dele. Um pessoal q tava perto começou a notar e perguntaram se eu queria água, ele respondeu q ss, mas q ELE queria cuidar de mim. Aí, n sei, oq deu em mim, mas, eu comecei a questioná-lo sobre o pq de ele ter feito td aquilo antes e ter me abandonado. (Eu sei, sou uma idiota. Mas, acho q até msm o meu consciente, antes daquela noite, n fazia ideia do quanto eu valorizava a amizade dele). Como ele n respondia, eu repetia e repetia. Mas, ele n me olhava nos olhos. Então, eu peguei o rosto dele para ele me olhar nos olhos. Foi, nesse exato momento, que a merda aconteceu.
Ele, simplesmente, me segurou forte e tascou um beijo de língua, daqueles de pegada msm. Eu estava enojada, n queria q ele me beijasse. N queria beijá-lo, n retribui o beijo. Tentei me desvencilhar dele, porém estava totalmente sem forças devido ao porre q eu tomei. Foi péssimo, td mundo lá. Ele alisando td ao alcance dele. Quando ele finalmente me largou. Eu disse um bom: KRL. Vc nunca muda msm. Eu estou interessada em outra pessoa. (Ele sabia disso) Msm, essa pessoa pela qual, por acaso, ainda estou apaixonada, namorava.
Então, ele ficou puto, falou q eu tinha provocado ele. E q ELE estava saindo cm outra pessoa, e que eu o tinha usado, apenas pq a pessoa q eu queria n estava disponível. Td mundo ouvindo. E eu sem forças NENHUMA para ao menos me defender. Me sentindo um nojo. Eu sei q foi “apenas” um beijo, mas para mim, foi muito mais q isso.
Como se já n bastasse, ele ligou para a melhor amiga dele, e contou td oq tinha acontecido. Me colocando óbvio como a bruxa sedutora da história. Tds ao redor observando, afinal nunca fui uma pessoa de ficar cm vários. Aí, a mãe do meu amigo q tava organizando a festa, veio e começou a gritar comigo (tb estava alterada e n era pouco). Ela gosta muito desse menino q me beijou e o defendeu, falando q ele era um menino responsável por já ter feito intercâmbio. E eu mal conseguia balbuciar algo.
Finalmente, quando ela parecia q ia voar em mim, um menino q estudou cmg há muitos anos, falou pra ela q já era demais. E me pegou e levou para longe da confusão. Foi aí, q eu desabei. Me senti suja, pelas coisas q ele falou de mim(tanto para a melhor amiga dela, quanto para as pessoas ao redor), pela forma como a mulher gritou coisas horríveis. E além disso, senti raiva de mim msm, por permitir me sujeitar àquele estado. Chorei muito, lembrando de td e dos problemas q estava passando. O beijo dele indo e vindo na minha mente. As mãos dele no meu corpo. Fiquei tão enojada, que tive que vomitar. E o menino me acalmando, dizendo q tudo iria ficar bem.
Aí, quando eu comecei a me sentir segura, pela primeira vez EM HORAS, ele perguntou se eu queria ficar com ele. N acreditei. Disse q n, e que queria q ele fosse embora. Justamente, nessa hora, minha amg chegou. Devastada.
Contando td a maior ressaca física da minha vida nesse domingo, que se seguiu, após a festa. Nd se compara ao porre q eu tive q aguentar nas semanas q se seguiram na escola. Foi horrível. Nunca dei muita importância para oq as pessoas falam sobre mim. Acho q oq me abalou mais, foi o fato de eu msm ter a msm opinião delas sobre mim. Isso me deixou no chão.
As pessoas que foram a festa contaram oq aconteceu as que n foram. Lembro de entrar no banheiro feminino e a rodinha de meninas pararem a conversa. Minhas amgs de outra sala me contavam oq elas falavam pelas minhas costas, porém sei q elas suavizavam por n quererem me ver pior do que eu já estava.
Os meninos foram os piores, principalmente, os amigos deles. Claro que n foram tds, teve até um menino q ficou puto da vida, aparentemente, ele era o único sóbrio da festa. E viu OQ realmente aconteceu. Eles ficavam me oferecendo bebidas e encontros. Além de olhares maliciosos.
Pelo menos, quando o isolamento começou eles pararam de mandar mensagens ou falar sobre nos grupos. Tive que sair da escola por motivos financeiros, oq ajudou bastante nas fofocas plm.
O meu ex-amigo teve a cachorra de me mandar mensagem, quando eu saí. Perguntando se eu estava bem, q ele ficou sabendo q eu estava saindo da escola. Para falar a vdd, acho q ele pensa q n me lembro de Nd daquela noite. Bloqueei o número dele.
Sei q foi “somente um beijo”, fico repetindo isso a mim msm, para minimizar a situação. Tento ocupar minha mente a td tempo. Mas, uma coisa difícil é vc fugir de algo q está encravado na sua memória. Quando lembro daquela noite, td a vergonha, nojo, esses sentimentos tomam conta como estivesse ocorrendo novamente naquele exato momento. Já chorei muito, muito msm. Pfv, se alguém chegou até aq e tenha algo a dizer, ficarei feliz se puder me ajudar. Tenho estado muito angustiada. N contei a ninguém esses mínimos detalhes.
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2020.10.12 03:11 zsagattigerz Minha esposa pediu um tempo.

Estou passando por uma situação muito difícil, a minha esposa me deixou a 5 dias atrás pedindo um tempo em nosso casamento, tirou todas as coisas dela do apto e foi pra casa da minha sogra, minha esposa continuo conversando comigo pelo WhatsApp falou que era um tempo até eu me tratar do meu problema com álcool e cigarro e até indicou um psiquiatra ai entã eu mostrei fraqueza fique pedindo pra ela volta e etc... Então ela falou muitas coisas ruins dizendo que não volta mais e que tudo acabou e pra mim seguir a minha vida porque eu só atrapalhei a vida dela. Então falei adeus pra ela e Continuei postando coisas no whatsapp e ela vê todos, comecei a conversar com a minha sogra que me disse pra eu deixar ela que ela volta e fala coisas ruins pra mim pq está brava. Eu amo muito a minha esposa e não queria perder ela. Eu sei que errei pq estava fumando cigarro escondido dela e tenho problema com álcool. Estou desesperado fui na paróquia aqui perto de casa e rezei pra deus me ajuda e eu não tenho nem um amigo pra conversa, estou sozinho no meu apto. Eu ainda sinto no fundo que meu casamento ainda não acabou é uma sensação que não consigo explicar. Mas, parece que ainda vamos volta. O que eu na entendo nas mulheres é o porque ela está fazendo isso comigo dizendo que tudo acabou pra eu esquecer ela e seguir a vida. Mas continua vendo meus status no whatsapp não me bloqueou e pediu pra eu me tratar do meu problema com álcool. poxa eu fico na dúvida se acabou mesmo ou ela só está brava e vamos volta. Estou chorando muito e com o psicológico abalado as mulheres são muito complicadas tem momentos que dá esperança e em outros não.. alguém já passou por uma situação assim ?
12/10/2020 Deixei de fumar e estou tomando remédios para ansiedade, fui até a paróquia do bairro e rezei por mim e minha esposa.
13/10/2020 Ontem minha esposa havia me bloqueado no WhatsApp e hoje pela manhã me desbloqueou. Minha pediu pra eu mandar mensagem para a minha esposa mas eu estou com medo da reação dela.
14/10/2020 Após dias discutindo no whatsapp ela me bloqueou varias vezes e desbloqueou hoje trocamos Bom dia ! E ótimo trabalho, não vou fala mais nada quando chegar de noite eu vou mandar um Boa Noite!
16/10/2020 2 dias sem conversar com a minha esposa, estou conversando muito com a minha sogra e ela me falou que a minha esposa está reclamando muito, que eu destruí a vida dela que ela não sabe oque fazer daqui pra frente.. ela é de São Miguel zona leste , e quando a gente se casou ela veio comigo para o Butantã. Hoje estou sentindo 0 de chances dela volta pra mim e ainda estou me sentindo mal por isso, continuo sem beber ou fumar..
17/10/2020 Fui na paróquia e pedi a deus que me absolva meus erros com a minha esposa e ilumine a minha cabeça para o melhor caminho. Fiz uma reflexão sobre a minha esposa e ela não foi uma boa pessoa comigo, já houve agressões físicas e verbais pela parte dela, todo meu salário era controlado por ela, sexo era umas 2 ou 1 vezes ao mês, ela tinha muitas alterações de humor e já chegou a me expulsa do apto por algumas vezes por motivos muito infantis. Havia muita hostilidade por parte dela contra mim, mas tbm tinha momentos em que ela esta bem. Eu sentia pena dela pq eu acreditava que ela estava com algum problema mental e eu não sabia como ajudar. Na última briga ela me colocou pra fora do apto de madrugada e não deixava entrar tive que pegar um uber e ir para casa da minha mãe e acabei comprando umas brejas e bebi muito lá pois eu estava triste., Então no outro dia voltei e pedi para abrir a porta pois eu precisava pegar algumas roupas assim que ela a abriu eu entrei e disse que não iria sair, ela chamou a polícia que informou para ela que não poderia me tirar do apartamento porque está alugado em meu nome, então ela saiu e foi para casa da mãe, no outro dia voltou com um caminhão de mudança e levou tudo TUDO só deixou o sofá e o microondas pra mim. Cara foi uma puta de uma sacanagem isso. Ela sinceramente acho que ela não eu uma pessoa boa para estar ao meu lado e estou iniciando um processo dentro de mim de mejo por ela e perdendo o amor. Hoje ela postou algumas mensagens no WhatsApp como indireta para mim. A mãe dela me disse que ela tá estranha. Claro deve tá batendo o arrependimento e a falta por mim. Mas a bixa e tão orgulhosa que não vai mandar e nem eu l. Na boa to tranquilo, já tô gostando da ideia de volta pra casa da minha mãe junta uma grana e compra um carrão pra mim. A minha dor já passou por ela e coloquei uma data limite de até o final de outubro passou disso tchau não voi fica esperando ela.
18/10/2020 Em uma breve conversar com a minha sogra ela me disse que não esta vendo a filha dela bem com essa separação e está preocupada com ela. Agora eu estou super puto da vida porque acho que ela esta resistindo a volta pra mim mesmo sofrendo. Que foda, minha vida está de cabeça para baixo , por mais que eu tente esquecer ela vendo vídeo motivacionais, religiosos ..etc isso não passa nem o tempo está ajudando. O termino foi no dia 02/10/2020 .. continuo seguindo o conselho minha sogra de não fala com ela...eu errei muito com ela. Se ela me dar mais uma chance cara eu sou muito sortudo mas não acredito que isso vai acontecer. Eu não me vejo com outra pessoa só de pensa sinto nojo eu gostava dela, eu nunca senti dor tão forte como essa tá piorando a cada dia estou ha 3 dias seguidos sem dormir vou acabar morrendo ou ficando louco morador de rua. Eu sinto que ela esta pensando em mim a gente tinha uma conexão qual que de alma gêmea . Porque ela está fazendo isso comigo? Ela tá me deixando assim pra eu sofrer e nunca mais beber ou fumar se for isso ok já aprendi a lição. Estou ficando de saco cheio já dessa putaria vou meter o louco e começar a xingar ela e a mãe dela. Porra, a mãe dela fica me dando esperança dizendo que ela volta e bla bla bla que ela gosta de mim que ela quer que eu mude que eu melhore que eu acorde para o relacionamento que não se torne pior do que já estava. mano, mas minha esposa fala que ACABOU ai me bloqueia ai desbloqueia fica vendo meus status ai me manda mensagem me xinga ai bloqueia ai desbloqueia ai fica vendo meus status denovo. Tô ficando maluco já. Ai que porra. Ela médica veterinária e e está trabalhando em plantões de 12hs ela deve tá muito puta comigo, aqui no Butantã temos praças aonde ela costumava passear com os cachorros todos os dias agora na zona leste ela não pode fazer isso então e casa e trabalho nossa ela deve tá sofrendo... Cada dia que passa eu vou sentindo mais falta e nesse momento acredito que as chances dela volta comigo são mínimas, eu tenho dificuldade de conquista outras mulheres e não vou superar nunca a perda do meu amor. Caraio a vida é foda com a gente. 2- Que situação tudo isso aconteceu por culpa minha. Estou sofrendo pra caraio e ela mais ainda pq teve que larga o trabalho .. me sinto no fundo do poço , talvez eu nunca volte a vê-la novamente. 3- Minha sogra mudou o tom das conversas acho que azedou de vez não volta mesmo. O apartamento está financiado no nome da mãe dela e tem que paga multa na boa eu quero que se foda porque a minha esposa levou as coisas então elas que se virem pra paga o aluguel e a multa.
19/10/2020 Hoje a minha sogra me pediu para fala com a minha esposa minha sogra quer muito que eu fique com a filha dela ela gosta muito de mim e eu dela.(coisa rara de acontecer) Bom, por enquanto a minha esposa ou ex. Sei lá. tá me respondendo na boa sem agressividade, vamos ver o que vai rolar. / A conversa com a ex. azedou e ela me falou que a única coisa que tem pra resolver comigo é a separação em juiz. Minha sogra disse pra mim que ela tá falando isso agora e tem certeza que a gente vai volta. / Mano, azedou de uma tal forma que me tenho mais esperança de nada. Acabou mesmo
20/10/2020 Minha ex. Bloqueou whatsapp telefone em todas as redes sociais tivemos as conversas por telefone e quando dizia que gostava dela e que mudei e me arrependo do erro ela até dava um bom sinal que tbm gosta, me contou que está passando uma grande dificuldade no trabalho e está difícil fica na casa da mãe dela. Eles tiveram uma briga ontem. Ela por ter saido do apartamento acha que eu tenho que pagar a multa de recisão sozinho. Tá sendo um inferno. Ela tomou a decisão errada e está claramente arrependida com isso. Não quer ficar na casa da mãe dela. Eu peço a Deus que em guarde e me proteja eu não entendo como a pessoa que me dizia me amar e 15 dias atrás agora me odeia e não quer me ver. Eu amo tanto essa pessoa e não consigo superar e acredita que estou passando por esse tipo de situação, agora não tenho nem um tipo de contato com ela. Meu deus do céu me arrependo por ter bebido e fumado essa foi a causa do termino do meu casamento.(ainda tenho um sentimento de alívio ou que algo ainda vai muda) / Rolou mais um quebra pau entre minha sogra e minha ex. Esposa agora a minha ex saiu da casa da mãe mandou várias mensagens pra mim e a merda fedeu de um jeito que não teu volta não. Minha ex agora não quer fala comigo e nem com a minha sogra .. caraio que barraco feio da porra que eu me envolvi com essa mulher ela é muito louco e agressiva até com a mãe dela. Gente do céu pedi o interesse nela total só me sobrou dó agora porque ela saiu da casa da mãe e não sei pra onde foi ... Eu acho que ela esta surtada da cabeça não se acalma de jeito nem um. Meu deus do céu. O pior que ela mexe com uns negócios de macumba e parece que essa porra tá afetando a vida dela.. tínhamos uma vida tão boa e ela chutou o pau da barraca assim do nada caraio, nunca pensei em passa por uma situação assim na minha vida. Há 15 dias atrás uma pessoa que se deitava comigo dizia que me amava, fazia amor comigo agora me odeia.. caramba estou transtornado com essa situação. Coisa horrível.
20/10/2020 Minha ex. Está descontrolada a mãe dela expulsou ela de casa disse que ela está insuportável, aparentemente ela surtou, agora está mandando mensagem para mim e para a minha sogra com tons agressivos. Estamos preocupados com ela pois ela já agia assim com agressividade com a gente mas parece que piorou .. agora a situação virou caso de preocupação com ela pois não sabemos qual será a atitude dela. Ela continua me mandando mensagem mas nem respondo.. ela não está com a cabeça boa não.
Uma coisa não se encaixa nessa história! 13h ela foi explusa de casa 17h ela me disse que alugou um apartamento 19h Postou foto no whatsapp já no novo apartamento com os móveis nele eu vi na foto mesa, e outras coisas que eram do nosso apartamento. Detalhe, a mãe dela estava no trabalho como iria expulsa ela de casa ?
Eu estou sendo manipulado 🥺 É tudo uma farsa.. meu deus quem são essas pessoas que estão conversando comigo? Não to entendendo mais porra nem uma.
22/10/2020 Estou começando a me sentir mais aliviado e com pensamentos positivos, porém as vezes ainda sinto uma dor pela falta dela, talvez eu nunca consiga esquecer a fernanda. Vou levar essa dor dentro de mim pelo resto da minha vida. Só um milagre pode salvar meu casamento nesse momento. Me bloqueou novamente no whatsapp mais uma facada no coração. (Não bloqueou só retirou a foto dela) fazendo joguinhos novamente, estou perdendo minha sanidade mental com essas atitudes.
A mãe dela tá sendo muito boa comigo. Porém a filha dela não está cooperando não quero mas estou desconfiado que a mãe dela só está sendo boa comigo porque o contrato do apartamento está no nome dela e tem a multa e o aluguel desse mês pra pagar. Caraiooooooooo minha mente está a mil.
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2020.10.05 20:48 iagom Mandei 3 mg de xanax e fui dado como desaparecido

Vou contar desde o início.
Uma vez eu sai c um amigo meu e a gente mandou 6mg de xanax sem tolerância (olha a ideia dos cara kakak) numa praça perto da casa dele. Eu lembro só de ter mandado 4mg, nem lembrava que a gente tinha mandado outro, ele que me disse depois. A gente tava fumando lá de boa e pum, blackout kakak. Só lembro de uma cena depois. A gente tava voltando p casa dele, não sei por quê já que era só chamar uber da praça, e chegaram dois caras para assaltar a gente. Um tava c uma faca eu acho, muito agressivo kakakak. Meu amg não tem memória disso, mas eu lembro dessa cena. O cara chegou putão falando assim "passa tudo se não vou te matar" e meu amigo nem aí kakak. O cara não entendeu nada. A gente tava muito suave. Passamos o celular e as nossas mochilas p cara numa calma kakak eu até pedi p pegar minha carteira de identidade na minha mochila kakak aí depois não tenho memória de mais nada. A gente foi até a casa do meu amigo e vai saber o que aconteceu c os pais dele lá.
Aí, um tempo depois, eu fui nessa mesma praça c um ex-amigo meu. Eu tinha mandado 3mg e fumado. Quando chega uma mulher que eu nunca vi na vida me chamando. Ela me contou que me conheceu no dia que eu tinha mandado 6mg. Parece que eu cheguei p ela e falei assim: "Gostei muito de você, mas sou virgem" kakkakakakakakakkak meu deus vei.
A mulher tava dando mole p mim e eu tava muito louco véi. Sem noção nenhuma. Um mano que passa chá nessa praça falou p meu ex-amigo assim: "cuidado com essa mulher". Depois esse memo cara falou p mim que se pá foi ela que planejou p eu e meu amigo sermos assaltados. Olha o nível kakakak. O vulgo da muié era Arlequina kakkakakakka
Aí beleza, a muié me chamou p ir p casa dela e eu muito louco véi, o meu ex-amigo nem aí tmb memo c o cara tendo sido avisado. Aí eu fui sozinho. Eu tenho 18 anos. Ela tinha 27. Eu peguei DOIS ÔNIBUS p outra cidade (venda nova, eu sou de BH) com as duas filhas dela kakkakkaakakak inacreditável
Chegando lá eu tava sem bateria, aí não tinha como avisar meus pais. E ela não tinha carregador. Só no outro dia eu consegui um carregador e liguei p minha mãe. Minha mãe tava desesperada, não entendi nada. Eu fui dado como desaparecido kakakkaakkaaka
Tive que ir na delegacia depois. Passei a viagem toda de Uber de volta p BH tentando convencer a mulher p não ir cmg na delegacia. Ela tava falando que ia sim e tals toda hora e eu falando p ela não ir. Ela queria que eu chamasse ela de namorada kakak véi. Foi umas 30 vezes que eu falei até ela concordar em não ir. Quando cheguei meu pai tava desesperado na delegacia...... meu deus viu kakak que que eu arranjei nesse dia
E eu acho que ela jogou um cp meu fora. Eu tinha um de 2mg no meu bolso e pretendia mandar de manhã no dia seguinte, só que ela não tava concordando c isso. Eu acordei e tinha sumido
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2020.10.05 14:48 umnickqualquer Visita Matinal

O garoto corria tanto quanto a bola. Naquela época, ele chegava junto com os amigos no campinho, pouco depois do meio-dia, ainda com o sol a pino, e o futebol continuava mesmo depois que a luz da tarde morria no horizonte, quando os postes da rua se acendiam e suas mães os mandavam entrar. Bom, agora, daqueles amigos, o homem perdera contato com mais da metade, sua mãe já falecera há 10 anos e os postes da rua não eram mais do que tubos cinzentos com as lâmpadas quebradas, como cadáveres de pedra que por algum motivo permaneciam de pé.
O frio da manhã fez o homem apertar os braços de encontro ao corpo enquanto encarava o terreno baldio diante de si. Ele tinha saído mais cedo de casa e tinha que ficar de olho na hora para não se atrasar para o trabalho, mas, naquele dia, não conseguira sufocar a vontade de apenas passar por ali. A maioria das casas da rua ainda estava em silêncio - incluindo aquela onde ele passara os primeiros 20 anos de sua vida - e uma neblina matinal dava a tudo um ar cinzento, enquanto o homem se lembrava do garoto. Naquela época, ele e os amigos esperavam a manhã inteira pelo fim das aulas, a semana inteira pelo fim de semana, o ano inteiro pelas férias, para estar o máximo possível ali, naquele pequeno pedaço de terra que era o único espaço aberto da rua inteira e que nunca tinha sido grande coisa, mas que era o seu mundo, um espaço diferente de casa, da escola, de todos os outros em que os adultos ditavam as regras. Aquele era um território onde as normas eram conhecidas por todos e zeladas por cada um, um lugar que eles poderiam ter chamado de autônomo, se conhecessem a palavra.
Agora, servia como depósito de lixo para a vizinhança, o canto gramado em que o garoto e os amigos costumavam se sentar pra descansar depois de uma partida atulhado de restos de comida estragada vasculhados pelos animais. O homem olhava da calçada para 20 anos atrás e tentava imaginar o que tinha acontecido com o garoto. Ele sabia, é claro. Adolescência, trabalho, casamento e divórcio. Quando notou que pensava naquele menino como outra pessoa, soube que ele não existia mais. A vida chegou sorrateira, feito um estranho com voz macia pedindo informações, atraindo com doces que se era jovem demais, inocente demais pra recusar.
Aqueles foram bons tempos, com certeza. Entre os jogos de bola, os amigos, o tédio das aulas, a chegada do parque ao bairro a cada seis meses e a presença que parecia eterna dos pais, o garoto poderia acreditar que aquele contentamento tranquilo e constante era o estado natural das coisas. O homem não diria que era infeliz atualmente, apenas que a ideia de felicidade se adaptou à realidade. Tinha um emprego, tinha um filho que via quinzenalmente, tinha saúde e até mesmo saia às vezes, quando não estava muito cansado e algum conhecido o convidava para uma festa de aniversário de casamento ou coisa do tipo.
O garoto só notara que as coisas estavam começando a mudar durante aquela partida, depois do último dia de aula da 8ª série. Tinha sido o dezembro mais quente dos últimos anos, mas o garoto e os amigos não estavam dispostos a deixar passar em branco o fim do ginásio. Eles nem se deram ao trabalho de trocar os uniformes, não iriam mais usá-los, e a bola correu como não fazia há tempos, tão atulhados tinham estado com as provas finais. Não estavam todos ali; alguns estavam saindo com garotos de outras classes, ou já tinham começado uma rotina de estudos para tentar vaga numa escola técnica, ou estavam ocupados com as primeiras namoradas, ou simplesmente tinham perdido o interesse. Aqueles que estavam, porém, jogaram a tarde inteira. O garoto pensara que estavam jogando porque gostavam, porque podiam e porque foi o que sempre fizeram quando estavam juntos. O homem acha que jogaram porque depois de todo o Fundamental juntos estavam indo pra escolas diferentes, porque depois da massa maleável que suas mentes e vontades tinham sido até então, começavam a se solidificar em formas diferentes e sabiam disso, porque estavam crescendo e levaria anos para que aqueles moleques percebessem o quanto isso podia ser traiçoeiro. Quando terminaram o jogo naquele dia já tinha escurecido e a única iluminação do campo eram as lâmpadas dos postes, que começavam a falhar. O garoto se despediu dos amigos naquela noite de modo trivial, do mesmo modo que sempre fizera, e, em algum momento depois daquilo, deu por si como um homem contando os anos que tinham passado. Não se lembrava de outros jogos depois daquele, mal se deu conta de quando deixou de se preocupar com os estudos pra se preocupar com o trabalho – deve ter sido mais ou menos na mesma época em que começaram a jogar lixo no campinho – e às vezes perguntava a algum conhecido da época se ele sabia como estava um ou outro daqueles garotos. Parece que quase todos tinham se mudado ou perdido o contato.
O terreno, porém, continuava ali. Mesmo não morando mais naquela vizinhança, o homem tinha ido até lá no dia em que descobrira que fora reprovado no vestibular, na manhã em que fora demitido do primeiro emprego e alguns dias depois do divórcio. Só pra dar uma passada. Essas vontades de visitar aquele lugar pareciam estar aumentando com o passar dos anos e o homem achava que devia parar com aquilo antes que se tornasse um hábito. Não tinha tempo pra desperdiçar com essas visitas, tinha um trabalho para ir, prestações e uma pensão a pagar, se queria jogar bola devia entrar no clube da empresa e ver se tinha vaga para si no time do setor de contas.
O homem pôs as mãos nos bolsos para protegê-las do frio e começou a andar, deixando para trás o terreno baldio e tomando o caminho do ponto de ônibus. Não costumava pensar no que teria que fazer no serviço, mas sabia que teria bastante trabalho ao decorrer do dia e logo aquela visita seria esquecida. Naquele fim de semana veria o filho, talvez devesse ensiná-lo a jogar bola, se já não soubesse. Por um momento imaginou que deveria falar com ele sobre o garoto, sobre o campinho, sobre aquela tarde de dezembro e sobre acordar assustado como se tivesse ficado dormindo por anos. Achou melhor não. O filho na certa não entenderia, porque também era um garoto e se lhe dissesse algo poderia apenas acelerar o efeito que queria evitar. Não importa a conversa que tivessem, era inevitável, a tarde de dezembro chegaria mais cedo ou mais tarde para ele, então era melhor que ao menos por enquanto ficasse sem saber a quantidade de lixo que as pessoas podem deixar acumular em um campinho abandonado.
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2020.10.02 09:03 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 3: Conduzir no UK]

Olá amigos. Hoje vamos novamente falar de carros, desta feita das diferenças que encontrei entre a condução no UK e em Portugal. Como é meu hábito e apanágio, vou desperdiçar o vosso tempo a explicar porque é que eu acho que as diferenças são o que são, em vez de prestar o serviço útil que seria especificar quais as diferenças exactas. Pode ser que se consigam tirar umas pelas outras.

Take-Aways Principais

Guinar para a direita em caso de emergência

Guinar (verbo): * dirigir um veículo abruptamente numa certa direcção, normalmente como reação a algo abrupto e inesperado; * mudar radicalmente de opinião acerca de um assunto, normalmente porque a opinião anterior deixou de nos ser vantajosa (ver: política).
Quando se começa a conduzir muito novo, como foi o meu caso, desenvolvem-se instintos para certas coisas. Por exemplo, se se nos apresenta um perigo de frente, então o instinto é o de encostar à direita primeiro e fazer perguntas depois; toda a gente treina a encostar à direita, por isso todos fazemos o mesmo e todos ficamos todos em segurança. Não tem que haver pânicos nem descontrolos; há que colocar o veículo em segurança (seja lá qual for o estado anterior) e depois logo se vê o que é que se faz e fez e de quem é a culpa.
Isto é, até conduzirmos num país em que toda a gente guina à esquerda, claro.
Um dia destes atravessava uma pequenina aldeia no interior profundo do Sudoeste. (Uma pequena tangente: as aldeias pequeninas do interior profundo do Sudoeste são das coisas mais bonitas que já vi. Tropeçam-se em abadias da idade média e em monumentos pré-históricos, é incrível.) Obviamente, a rua era estreita demais para caberem dois carros. Nestes casos noto os meus instintos continentais a tomarem conta da condução, e dou por mim a colocar o carro mais à direita que à esquerda. Não tem mal; de qualquer modo vou sozinho. Pouco depois a rua abre-se numa (espectacular) praça ampla e deparo-me com uma senhora num Range Rover em claro excesso de velocidade directamente à minha frente, dirigindo-se na minha direção e, portanto, na direcção do meu precioso carro novo. Eu guinei à direita, ela guinou à esquerda (dela), bom travão e ficámo-nos pelos embaraços. Ela deitou as mãos à cabeça, e eu tive que dar o braço a torcer; regressei ao meu lado da estrada de olhos fixos em frente. Travões foram testados, palavrões foram ditos, lições foram aprendidas.
Eu defendo que a adaptação à condução no UK se divide em 4 fases mais ou menos distintas:
  1. Primeiras semanas: "foda-se caralho de onde é que veio aquele não sei fazer nada ai vem aí uma rotunda AI FODA-SE AFINAL SÃO DUAS VALHA-ME NOSSA SENHORA VAMOS TODOS MORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER----"
  2. "Afinal isto até se faz": começa-se a ganhar alguma confiança e deixa-se o "piloto automático" tomar conta de vez em quando.
  3. "Afinal não": apanha-se um susto (vide senhora do Range Rover), e a condução volta a ser tensa.
  4. Verdadeira adaptação: depois de uns milhares de quilómetros e de umas idas a Portugal, um tipo nota finalmente que parece tão familiar conduzir de um lado como do outro. Não há hesitações, consegue-se prever o fluxo do trânsito, sabe-se onde andam as rodas, e por aí fora.
Este episódio marcou a minha fase 3. Naturalmente, neste momento encontro-me na última destas 4 fases, o que se consegue facilmente compreender uma vez que não vejo o futuro. Ainda assim parece-me razoável que assim seja: é comum os processos de aprendizagem e adaptação se fazerem em "tentativas", em ondas e bochechos até estabilizarem em algo confortável. Cavalgamos no sentido de nos sentirmos melhor, mais confiantes, e por isso tapamos buracos no chão com tábua fina. Quando pisamos a tábua ela racha, e aprendemos que temos que a trocar por tábua mais grossa.
O instinto é, pelo menos para mim, uma parte muito importante da condução. Eu habituei-me a ter uma noção quase extra-corpória de onde está o carro, onde vai passar, o que é que os outros estão e vão fazer, etc. E todo o processo é completamente inconsciente: basta-me ir com atenção e toda a condução se faz suavemente e por si própria. Aliás, uma das primeiras coisas que notei quando comecei a conduzir aqui foi o quão exausto estava depois de uma viagem; todo o processo era muito mais manual, muito menos fluído e muito mais difícil de manter.

Conduzir é mais que guiar, é comunicar

Eu não sei das vossas inclinações filosóficas, mas eu cá perco-me um bocado com pesquisas; vem com o trabalho na academia, suponho. Ora sucede que, segundo se consta em ramos como a Psicologia, a comunicação entre pessoas é muito mais do que verbal. Claro que todos nós sabemos, conscientemente ou não, que isso é verdade: uma mulher dizer "não" enquanto morde o lábio é muito diferente de dizer "não" enquanto nos esbofeteia, o que por sua vez é muito diferente de dizer "não" enquanto nos esfaqueia no abdómen. O que ela disse foi o mesmo, mas a intenção era claramente diferente. São essas subtis marcas não-verbais que fazem toda a diferença na interacção do dia-a-dia.
Ora a condução, na medida em que envolve uma série de processos de mediação, não é mais que uma forma de comunicação. Ao colocarmos o carro em certo local indicamos que queremos avançar; os piscas indicam para onde vamos (quando se usam); podemos acenar para ceder passagem, ou abanar a cabeça para explicar pacientemente que não pretendemos ceder passagem. Podemos buzinar para expressar descontentamento, ou ofensa, ou felicidade porque o Benfica ganhou. Podemos trocar o escape por um barulhento para comunicarmos a todo o mundo que somos profundamente atrasados mentais. Podemos colar o logo da FPF na mala do carro de modo a mostrarmos a todos que não só somos portugueses, como também não sabemos distinguir o futebol dos verdadeiros símbolos nacionais. Podemos até abalroar um peão ou um ciclista como forma de lhes fazermos ver que a estrada não é sítio para eles.
Todos estes actos são pequeninas mensagens que indicam aos outros utilizadores da via o que pretendemos fazer. A condução está cheia destas pistas. É como manter uma conversa: "eu vou para ali", dizemos nós com o pisca, "ok, mas eu passo primeiro", diz o outro condutor avançando, "ok, passa então", dizemos nós parando, e por aí fora. Ora, como em toda a boa forma de comunicação, povos diferentes falam línguas diferentes. Eu defendo que na condução se passa exactamente o mesmo.
Em Portugal a comunicação entre condutores é muito franca e aberta: toda a gente que vai mais devagar que eu é um caracol do caralho, e toda a gente que vai mais depressa é doido. Ninguém passa à frente porque eu é que sou importante, e outros que tais típicos silogismos Latinos. Obviamente que a mim, como português, a "língua" a mim me parece aberta, clara e óbvia. A habituação ao estilo português de condução permite-nos prever muito bem o que é que vai acontecer, e decidir de acordo com isso. Conseguimos saber quando esperar que o veículo à nossa frente acelere, sabemos como esperar que reaja a mudanças no limite de velocidade, sabemos como reagir a uma travagem na autoestrada, etc. Estamos integrados na massa de condutores que nos rodeia, aos quais estamos unidos por uma teia de micro-acções (não confundir com a fraude das micro-expressões) que nos fazem entender uns com os outros de forma natural, quais formigas no carreiro.
Um condutor estrangeiro topa-se à distância. Na minha terrinha é costume receberem-se alguns carros de matrícula francesa entre o fim de Julho e o início de Setembro, mas nem era preciso olhar para a matrícula! A forma como se posicionam, como contornam uma rotunda, até como avaliam quando entrar num cruzamento traem logo a estrangeirisse (ou a emigrância longa). Claro que o logo da FPF no vidro de trás acaba por denunciar muitos, mas garanto que também não era preciso. (Nota: ainda não apliquei no meu carro o obrigatório logo da FPF. Eu pensava que me chegava um pacote da embaixada assim que comprasse o carro, mas noto que até nas coisas importantes a diplomacia portuguesa me está a falhar.)
No UK, as pessoas parecem ter para a condução a mesma atitude que têm no dia-a-dia umas com as outras: uma certa vontade de não agravar, uma delicadeza assertiva e um pragmatismo típico que tornam o processo bastante diferente do nosso. Isto complica a habituação à condução aqui para lá do óbvio "fazer tudo ao contrário". Eu até diria que a condução à esquerda é uma falsa barreira, e que a adaptação é muito mais profunda que isso. Existem expectativas diferentes, dicas diferentes e assunções diferentes. Numa palavra, o trânsito inglês é "ordeiro". As filas unem-se por "zippering", os limites de velocidade são respeitados, as manobras anunciam-se atempadamente com piscas. As marcas da estrada são claras, abundantes e respeitadas. Não se fazem arrancadas, não se corta à frente de ninguém; estamos todos nisto juntos. O trânsito é cooperativo e não adversarial. Obviamente que há excepções, mas estamos aqui a falar no sentimento geral e esse é, sem dúvida, muito diferente do português.
Inicialmente, a sensação é assoberbante. É como tentar falar uma língua que nunca falámos antes. Eu não sei o que é que estas pessoas estão a fazer, nem porquê, nem com que intenção. Obviamente estamos todos a tentar chegar a algum lado, mas os detalhes escapam, e toda a gente sabe que o diabo está nos detalhes. É como ouvir alguém falar criolo: eu percebo algumas palavras, uma expressão aqui e ali que traem a origem portuguesa, mas a mensagem global ilude-me. Uma coisa que fez muita diferença foi entender que as rotundas pequeninas (aquelas desenhadas no chão) na realidade não são rotundas; são cruzamentos. Dá-se prioridade à direita, e não se entra lá dentro enquanto lá estiver alguém. Entender isto foi um salto enorme para mim.
Como é óbvio, o episódio ali acima da senhora do Range Rover foi coisa comum durante algum tempo. Entrei mal em rotundas, parei em cima de grelhas, fiz outras coisas completamente erradas por não entender um sinal, e por aí fora. Curiosamente, nunca andei em contramão nem nunca achei particularmente estranho conduzir ao contrário. A Maria diz que puxo um bocadinho à direita quando estou distraído, mas eu acho que é do vinho que ela bebe ao almoço.
Eu suspeito que haverá toda uma área de estudo acerca desta ideia de "conduzir é comunicação", porque não sou esperto o suficiente para estar aqui a descobrir ramos da filosofia. Até podia jurar que li um paper ou dois sobre as teorias de negociação de cruzamentos, e da forma como isso se podia codificar como linguagem. Ou então sou parvo. ¯\_(ツ)_/¯

Mais devagar é lesma, mais depressa é acelera

A velocidade é um exemplo óbvio de um aspecto da condução em que Portugal e o UK são radicalmente diferentes. Ora eu, português de gema, chego à A1 e afino o cruise control na velocidade mais elevada a que posso circular sem ser multado: 150. A essa velocidade, meros 30km/h acima do limite legal, vou constantemente a ultrapassar e a ser ultrapassado. Há uma certa formalidade em todos os desvios: a velocidade obriga a que as mudanças de faixa sejam feitas cuidadosamente, indicadas com antecedência, e até avisadas com sinais de luzes durante a noite. Acelera sim, parvo não.
Por outro lado, em terras de Sua Majestade a velocidade é o inimigo número 1; o condutor médio aqui seria visto em Portugal como "uma lesma do caralho". Mas pensemos um bocadinho: andar depressa é muito bonito, mas suponhamos que eu não sou novo, ou que estou cansado, ou que acabei de receber más notícias. Conduzir depressa nessas condições é geralmente uma má ideia mas, mais do que isso, a minha capacidade de prever o que fazem os aceleras fica fortemente diminuída. Se todos respeitarmos o limite, que por sua vez deve ser mais ou menos sensato, então garantimos que a estrada é um ambiente mais inclusivo e menos perigoso para todos. Consequentemente, torna-se muito menos excitante para nós, pessoas novas e (excessivamente) confiantes, que gostamos de apertar. Além disso, a velocidade é fortemente fiscalizada e as multas são muito caras.
Não, a sério, as multas são muita caras. Vi os preços e decidi que andar devagar já não me incomodava assim tanto.
Inicialmente, atravessar uma aldeia a 30mph trazia-me ânsias. "O que é que eu vou a fazer a esta velocidade? Vou ficar velho antes de lá chegar!"" Mas com o tempo habituei-me a um estilo de condução mais lânguido, mais relaxado. Posso ouvir uma musiquinha ou um podcast enquanto atravesso a aldeia nas calmas. Nada de mal me vai acontecer porque, francamente, indo a 30mph pára-se quase instantaneamente. É quase zen!
As estradas de campo, pelo menos para estes lados, são uma experiência completamente diferente. O limite de velocidade por omissão numa A ou B road é de 60mph, aproximadamente 100km/h, ou 10km/h mais alto que o limite português. A isto alia-se uma característica interessante das estradas secundárias inglesas: são muito estreitas e não têm bermas; aqueles 60mph parecem 200! É possível praticar uma condução muito divertida, perfeitamente dentro dos limites da legalidade e da segurança. Para pessoas se viram forçadas a comprar um carro menos pontente do que inicialmente esperavam, é muito bom ainda assim se conseguir tirar algum prazer da condução mais "dinâmica".
Ainda assim, na presença de outros carros volta-se ao ordeiro. E isto nota-se até na condução de outros: é comum ir calmamente por estas estradas, e ver um carro aproximar-se por trás com uma atitude mais aventureira, apenas para depois se colocar tranquilamente atrás de mim como se nenhuma pressa alguma vez tivesse tido. Nada de tailgating, nada de tentativas parvas de ultrapassagem, apenas refrescante respeito pelo meu direito de respeitar o limite de velocidade naquela particular situação. E quando há uma aberta ou uma secção de duas faixas, então lá vai ele com pressa outra vez. A chico-espertice parece mais rara.

Toda a gente em todo o lado

Há um aspecto da sociedade no UK, pelo menos aqui no Sul, que nunca vejo discutido quando se fala em viver cá: este país é muito mais congestionado que Portugal. Há mais pessoas em todo o lado, há escassez de casas, há muito trânsito. Eu estou habituado a atravessar a estrada de campo entre Coimbra e a Figueira a meio da noite sem me cruzar com absolutamente ninguém. Tal coisa nunca me aconteceu aqui. Mesmo com uma rotina algo fora do comum, estou sempre limitado pelo trânsito onde quer que vá. Isto resulta, geralmente, numa condução mais lenta e aborrecida do que aquilo a que podemos estar habituados em Portugal. Ou, agora que já estou habituado, numa condução mais zen.
A própria infrastrutura contribui de forma negativa para isto. Pelo menos em relação ao que estou habituado, a rede de autoestradas do UK é menos extensa que a portuguesa (em relação à população e à área). Eu estou muito habituado a, onde quer que vá em Portugal, haver autoestrada quase de porta a porta. Claro que ter vivido sempre em cidades com bons acessos é um factor importante! Mas há vários caminhos relativamente extensos que faço com frequência, entre sítios "importantes" aqui, para os quais não há nenhuma ligação rápida. De um modo geral, noto que demoro mais tempo a cobrir distâncias semelhantes vs o que fazia em Portugal. A distância Bristol-Londres parece muito, muito, muito maior que a distância Coimbra-Porto. Claro que é maior, mas parece ainda maior do que o maior que já é.
Com uma rede de autoestradas com menos cobertura, torna-se muito comum as estradas de campo, aquelas bonitas das quais a gente gosta, estarem congestionadas: trânsito de caminho casa-trabalho-casa, trânsito agrícola, camiões ou bicicletas, etc. Assim, apesar de o limite de velocidade nas estradas de campo ser elevado, é relativamente raro conseguir-se fazer uma viagem com alguma distância a uma velocidade média decente. Como as estradas são estreitas, e como há aquele respeito a todo o trânsito, é muito mais difícil resolver isso com ultrapassagens.
Um aparte, e sabendo que é uma opinião altamente controversa e que só me vai trazer chatices: eu entendo que se um ciclista
então é um filho da puta e devia-lhe crescer um ananás no cu. Eu percebo que toda a gente tem direito a utilizar a infraestrutura. Eu entendo que o ciclista tem tanto direito a usar a estrada como eu. Mas do mesmo modo que os camiões de vez em quando encostam para deixar passar a fila, não ficava nada mal ao menino da licra fazer o mesmo. Eu quando sei que vou andar devagar, por exemplo porque vou em passeio ou a ver a paisagem, então também encosto de vez em quando para deixar os outros passar; lá porque eu posso usar a estrada para fazer isso, não quer dizer que seja fixe atrasar toda a gente que tem o azar de vir atrás de mim. É altamente irritante fazer 10km ou mais em segunda atrás de uma fila gigante, e chegar atrasado a todo o lado, só porque o Barry decidiu que hoje era dia de salvar o planeta. Po caralho, Barry.
A condução em autoestrada é muito diferente da nossa. Obviamente que há aceleras, mas regra geral o trânsito flui "en bloc" a 75 mph, suspeito porque o cruise control é muito comum cá. A diferença de velocidade entre caros é muito menor, e simultaneamente a velocidade absoluta a que todos circulamos é mais baixa. A condução em autoestrada parece menos "formal" do que em Portugal. É mais fluída, mas de uma forma desagradável: os ingleses não têm reservas nenhumas em meter pisca e atravessarem-se à nossa frente a 75mph. As ultrapassagens são muito frequentes, mas fazem-se com diferenciais de velocidade muito mais baixos, e por isso demoram muito mais tempo. Há muito mais trânsito de pesados na autoestrada, por isso são mais esburacadas e vê-se muito "snail races", aquele fenómeno em que um camião que circula a 61.2mph demora 2847289167219 horas a ultrapassar um camião que circula a 61.19mph.
A questão do congestionamento também se aplica, naturalmente, ao estacionamento. Os lugares são relativamente limitados e normalmente são pagos. Nem todas as casas que estão disponíveis para arrendacomprar têm estacionamento associado e, particularmente nas cidades, ter estacionamento privado é claramente um luxo. Eu tenho estacionamento privado neste bloco de apartamentos, mas isso é relativamente raro até aqui no campo. Sempre que quero visitar algum local faço questão de escolher de antemão onde é que pretendo estacionar, e até aponto o GPS logo para o estacionamento. Mas nem tudo são más notícias: é normal haver estacionamento pago e relativamente fácil em qualquer sítio que se queira visitar, e os preços normalmente não são horripilantes. Um contra-exemplo fácil é o centro de Bournemouth, onde normalmente pago umas 8£ para estacionar durante 6 horas. E uma boa parte dos estacionamentos aceita pagamento contactless, e alguns até são completamente ticketless, o que até é fixe. De um modo geral:

Conclusão

Eu podia escrever sobre conduzir durante dias, e talvez revisite o assunto no futuro. Não só é uma actividade que me traz uma satisfação imensa, como é algo que me intriga intelectualmente. Parece obviamente uma má ideia alguém propôr "ei zé, vamos dar a cada pessoa um caixote de lata de 2 toneladas, e fazê-los andar em velocidade, em sentidos opostos, a meros centímetros uns dos outros". Toda a experiência parece condenada à catástrofe mas nós, do nosso jeito humano, lá fazemos a coisa funcionar. É muito interessante ver que não só fazemos com que a condução seja algo que seja útil, como povos diferentes têm abordagens diferentes à "solução" para que funcione. Nós cultivamos um estilo de condução, os ingleses outros, e com um bocadinhod e tradução até acabam por encaixar.
Como referi antes, nesta altura acredito que a condução à esquerda é um "red herring" (um peixe vermelho?) no que toca ao processo de adaptação à condução aqui. Conduzir à esquerda é estranho, concedo, mas não é o mais estranho. Uma parte crucial da condução é sermos capazes de prever o que os outros vão fazer, de sabermos o que esperar e, posto de uma forma simples, as coisas aqui são diferentes.
As estradas estreitas de campo foram a salvação da minha saúde mental durante o lockdown. Estar fechado o dia todo, legalmente impedido de sair para tudo o que não seja essencial e receoso do contágio, é algo que pesa na mente. A possibilidade de me fechar seguro dentro do carro e passear foi um escape gigante. Geralmente, adoro conduzir aqui, nem muito mais nem muito menos que em Portugal. São dois estilos diferentes, mas ambos têm as suas virtudes.
É importante mencionar novamente, para benefício de quem lê na diagonal, que a minha experiência é altamente individual e que procurei relatar o espírito geral da vivência através de uma generalização que pode não funcionar. Obviamente que há excepções; obviamente que há parvos em todo o lado, e por vezes o parvo sou eu.
Para o próximo episódio estou a pensar fazer uma espécie de "rescaldo das crises" e cobrir o Brexit e a pandemia mais ou menos como um. Apitem na caixinha se acham boa ideia.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

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Referências

Hoje não há :)
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2020.10.02 05:18 proxy019 Black psycho - morte subita (historia original)

-oi , meu nome é Even atualmente tenho 19 anos, mas vim aqui para contar a minha historia, entao..tudo começou quando eu tinha 11 anos ...
Eu tenho heterocromia e uma doença desconhecida que faz meu olho sangrar, tinha acabado de entrar em uma escola nova e realmente naquela escola não tinha nada de diferente ..professores, alunos e como sempre pessoas para fazer bulling comigo , essas pessoas se chamavam : Mark , Kevin e James eles nunca me deixavam em paz.
"-Hey diferentona , porque não arranca esse olho de uma vez ?! Você é uma aberração ! Nunca deveria ter existido, seus pais devem estar completamente deprimidos por voce ter nascido , ah é verdade você não tem pais hahaha"
Pois é , meus pais tinham morrido em um acidente e eu fui morar com a minha tia. Ela era muito liberal sempre me deixava sair a hora que eu quisesse , então basicamente enquanto eu estou fora significa que ela tinha "se livrado" de mim eu não me importava com isso obviamente. Eu sempre pensei que na minha vida nada iria mudar ate eu me formar e arrumar um emprego , mas pelo visto me Enganei, no 7° ano (14 anos) eu conheci um garoto legal e gentil ficar perto dele me fazia me sentir viva e eu não entendia o porque , ele sempre me apoiou, mesmo sendo julgado por andar comigo , sim...pela primeira vez eu tinha um amigo (o que era raro pra mim já que eu não me enturmava muito bem)....
lembranças
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(James) -kevin, quem é aquele cara com a esquisita ?!
(Kevin) -não faço a menor ideia , mas não gostei dele. Mark , De um jeito naquele cara !
(Mark) -sim.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(Mark) -Ei , você !! VEM AQUI !
(Eu) -Timothy não vá ! Ele vai te machucar
(Tim) -vai ficar tudo bem
(Mark) * tenta dar um soco * Timothy desvia e ele acaba acertando a parede , enquanto isso tim segura seu pulso e soca a sua barriga .
(Tim) -Volte e fale para seus "amiguinhos" que eu cheguei na escola e que enquanto eu viver esta garota não vai ser o saco de pancadas de vocês ! (Ele sussurra no ouvido de Mark )
(Kevin) -QUE ?!! QUEM ELE PENSA QUE É PARA FALAR ASSIM COM A GENTE ??
(James) -temos que dar um jeito de separar ele da even e por um fim nisso !
(Kevin) -primeiro , eu que mando aqui ! Segundo , esqueçam a Even nosso problema e com aquele "tim"
os outros 2 apenas concordam balançando a cabeça
enquanto tim batia no mark eu o observei sem entender nada do porque ele estava protegendo uma pessoa que acabou de conhecer ..no fim do dia nos conversamos bastante para nos conhecermos melhor
(Tim) -me diz, oque é isso no seu olho ? sempre foi assim ?
(eu) -na verdade nao , ele começou a sangrar quando eu tinha 5 anos
(Tim) -e tem cura ?
(eu) -nao....
(Tim) -ouh....desculpa
(eu) -tudo bem , mas eu presciso ir para minha casa agora
(Tim) -a, ok
(eu/pensamento) -acho que foi grosseiro ter ido embora e deixado o tim sozinho logo apos ele ter me ajudado.. bem , agora é tarde acho que ele vai perceber com quem esta andando e vai me iguinorar como todos os outros
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(na minha casa , 10:00 da noite)
(eu/pensamento) -nao ...sera que ele realmente vai me abandonar um dia ?? eu ....NAO é melhor eu parar de falar besteiras e ir dormir ! ele nunca faria isso nao é ?! ....se bem que nos conhecemos hoje ..nao ! eu vou dormir !
apago as luzes
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(2 messes depois do tim ter entrado na escola ninguem mais fazia bulling comigo)
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(james) -tem certeza que vamos ter que fazer isso ?
(kevin) -nao questione ! vamos fazer como eu falei
(mark) -isso esta indo longe demais ...
(kevin) -eu nao te perguntei
(mark) -sim!
mark e kevin tentaram ajudar james mas quando viram era tarde demais , kevin deu um soco no rosto de tim o fazendo cair no chao , e logo apos os 2 correram .
Fiquei paralizada por 1 minuto e quando vi o tim se aproximar completamente sujo de sangue eu tentei me afastar de la mas ele segurou meu braço falando :
"-nao tenha medo , nao vou te machucar e voce sabe disso", eu ainda estava em choque pelo oque avia acontecido , mas ele me abracou e eu pude sentir o coraçao dele, prometi nunca contar nada pra ninguem e manter tudo em segredo , com o passar dos anos ele me ensinou a me defender para evitar os "ataques" daquele "grupinho" .
(3 anos depois) (17 anos)
ambos tinham se tornado mais fortes como se estivessem prontos para uma guerra. kevin deixou bem claro que queria "falar" com gente as 3 horas , como eu sei disso ? ele jogou uma pedra na minha janela escrito isso , e com "falar" provavelmente é com os punhos ...se ele acha que vai ser tao facil assim ele esta enganado hehe....
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
(as 3h em um Bosque no meu bairro)
(tim) -tem certeza que é aqui ?
(eu) -era essa a localizacao escrita na pedra -w-
(tim) -rsrrssrsr
(kevin) -EI , OTARIOS !!
(eu) -olha quem finalmente chegou * me viro para olhar para o ele *
(kevin) -VAO !!!!!!!!!!
cada um deles estava armado, eu levei um tiro no ombro mais chutei o braço de um deles e peguei as armas , sai atirando contra tudo que eu vi pela frente , devo ter matado 4 deles enquanto tim matou 5 , (kevin tinha levado 2 tiros na perna e Mark 1 no braço ) o ultimo "capanga" que estava vivo tentou atacar tim por tras ele desviou e eu o matei so que esse homem era uma distraçao e por um momento eu so escutei o tiro e o corpo caindo ,me virei e....vi o corpo do tim no chao eles aviam o cercado e deram 2 tiros na cabeça dele ,eu nao aguentei ver meu amigo morto e desmaiei ..quando acordei estava em um hospital os medicos falaram que sobrevivi por muito pouco , tentei saber oque havia acontecido com o tim e eles falaram que o corpo nao foi encontrado , eu fiquei em panico como ele nao viram o corpo ?? estava muito bem exposto ! ...antes que eu pudesse falar algo eles disseram que eu tinha que passar por uma ultima cirurgia para tirar a bala que tinha ficado no meu ombro ...
(1 semana depois)
eu recebi alta e a primeira e unica coisa que eu fiz foi correr ate o local da briga e realmente nao tinha sinais do corpo do tim, continuei procurando mas sem sucesso, completamente triste pelo oque aconteceu eu resolvi passar pelo lago que eu e ele treinavamos..... e olhando para aquele lago pude ver la no fundo o corpo do tim ,eu finalmente entendi ,para eles nao serem pegos jogaram o corpo dele no lago e me incriminaram ...presciso fugir daqui rapido , mas perante o seu corpo tim eu juro, EU VOU TE VINGAR !
andando pelo bosque eu escontrei uma caverna em que eu podia me abrigar ...
5 dias se passaram....
eu sequestrei o kevin e o levei para a caverna , nesta altura de como as coisas estavam eu ja nao tinha mais sanidade mental , eu o amarrei em uma arvore (perto da caverna) , peguei minha faca , tapei a boca dele com um pano e começei a rasgar sua pele ...abri os seus 2 braços e arranquei um osso de cada um deles , com os seus proprios ossos furei os olhos e abri a barriga dele e arranquei o seu rim , tirei o pano da sua boca e coloquei o rim nela, desamarrei ele da arvore e quebrei suas pernas e comecei a descrever a situaçao do seu amigo para kevin ja que ele estava cego , Mark estava esquartejado e com seu cerebro retirado do seu corpo...minhas ultimas façanhas com kevin foram retirar suas tripas e o inforcar com elas, quando estavam completamente mortos os joguei um pouco longe de mim para os animas selvagens devorar os corpos, quando achei que iria passar a morar naquela caverna , uma figura alta e sem face apareceu atras de mim e me teletransportou para um lugar cheio de assasinos onde me mandou chamar de "lar".
(Eu/pensamento) bem...vinguei a morte de tim , fugi do meu sofrimento , e ganhei uma nova vida com pessoas que me entendem , acho que não presciso de mais nada ...mas daria de tudo para Timothy ainda estar aqui comigo....
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2020.09.28 10:24 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 2: Que se lixe isto, vou comprar um carro]

Olá amigos. Hoje vamos falar de carros, um assunto que me é muito querido.

Take-Aways Principais

Driving is love, driving is life

Quando tinha 14 anos os meus pais deram-me uma motinha de 50cc velhinha. Tinha dezenas de milhares de quilómetros, estava a precisar de algum trabalho, gastava muita (MUITA) gasolina, mas era minha. A partir desse dia tornei-me independente: tinha a possibilidade de ir onde quisesse, quando quisesse. Toda a cidade passou a estar acessível no espaço de minutos e não horas, e as aldeias envolventes em "meias horas" e não horas. Deixei de ter que pedir para que me levassem aos sítios, passei a ir quando queria ou precisava. Com algum dinheiro da mesada podia ir saindo com os amigos e começando a ter uma vida mais "adulta". Pouco tempo depois, ainda por volta dos 14, aprendi a conduzir carros também (em estradas privadas, claro).
O valor desta transição é absolutamente imensurável no desenvolvimento de um miúdo. Passa a haver responsabilidade. Quando tinha acidentes, o que acontece de certeza, a culpa era minha e havia consequências. O corpo doía, a mota aparecia riscada e a precisar de reparações, e o que não conseguisse fazer eu tinha que encontrar forma de pagar. Os vizinhos queixavam-se do barulho. Quando chovia chovia-me em cima, e quando fazia frio de manhã a mota não queria pegar. Mas! Quando queria ir ao Continente comprar doces podia ir, quando queria ir visitar o meu pai não tinha que pedir boleia a ninguém, e por aí fora.
A experiência de começar a conduzir muito cedo, particularmente no ambiente "controlado" de uma cidade pequena, serve também para desenvolver algum instinto (à falta de melhor expressão) para a condução, nomeadamente para as duas partes fundamentais que as constituem:
Eu não sei como tem sido ultimamente, mas o processo de obter a licença dos 14 anos há quase 20 anos atrás era ridiculamente simples. Eu sinto que isso não é necessariamente mau, pois reduz a barreira de entrada à condução numa altura em que ainda é possível ganhar aquele "jeito" para a condução sem se tornar uma coisa estrangeira e forçada. Tudo somado, foi facilmente uma das experiências que mais serviram para me fazer crescer naquela altura, e algo que pretendo certamente incutir em infelizes filhos que alguma vez venha a ter.
Quando fiz 18 anos deram-me um carro (muito) velhinho para as minhas voltinhas em Coimbra, para onde iria estudar. Mais uma vez, é um privilégio: era muito velhinho, o seguro era baratinho e o imposto também, mas mesmo assim nem toda a gente conseguia ter o seu próprio carro. Por ter carro nunca precisei de usar os autocarros muito regularmente, o que me permitiu poupar noutras coisas: podia fazer as minhas próprias mudanças quando mudava de casa, podia participar em actividades extra-aulas com mais facilidade, etc etc. Fui quase sempre designated driver, mas sempre foi uma responsabilidade que aceitei com muito gosto: é bom de ter a oportunidade de levar os meus amigos a casa em segurança no fim de uma noite de castanhada. Se eu próprio quisesse participar na castanhada, a Maria normalmente voluntariava-se para trazer o carro para casa.
Ter um carro velho, sem modernices como sensores (ahah), GPS, rádio (exacto), direcção assistida ou ABS, permitiu-me fazer certas coisas. Com a liberdade de experimentar, pude tentar fazer várias reparações eu próprio; notavelmente, o disco de embraiagem que neste momento está nesse carro, que ainda anda, fui eu que o coloquei lá. Pude também fazer uso de alguns baldios que há em Coimbra e arredores para aprender a controlar o carro em situações mais extremas; uma espécie de curso de condução em condições adversas do homem pobre. O que é que acontece se tiver que fazer uma travagem de emergência em piso escorregadio? Como compensar a falta de ABS caso as rodas tranquem? E se a traseira deslizar?
Conduzir, para mim, não é um privilégio nem uma mania nem um capricho. É uma das pedras basilares da forma como lido com o dia-a-dia, uma forma inalienável de independência. O transporte pessoal é uma extensão do meu corpo e conduzir é um escape muito, muito importante.

Viver no campo sem carro

Durante os primeiros 6 meses que passei no UK tive que viver sem transporte próprio; apenas conduzi carros alugados por curtos períodos para ver casas ou fazer mudanças. Usei esses meses para me ambientar, deixar passar o primeiro inverno, estabelecer-me no trabalho e tratar de todas aquelas burocracias que discutimos no capítulo anterior. Aguentei todo esse tempo graças ao facto de a empresa para quem trabalho oferecer um serviço de shuttles para funcionários, que liga o campus às cidades e vilas mais próximas, numa das quais eu vivo. Isto permitiu-me não me preocupar com transportes para o trabalho durante meses, o que foi uma benesse incrível.
Estes primeiros meses foram de adaptação, de exploração e de cometer erros parvos. De aprender a perceber os Ingleses, como se comportam nas coisas mais básicas, e de me tentar misturar com eles com sucesso. Eu optei por viver no campo (i.e. significativamente fora das cidades grandes aqui à volta) por várias razões:
Tirando as viagens casa-trabalho-casa, a minha mobilidade estava muito reduzida. Ir a qualquer lado envolvia caminhar uma distância suficientemente grande para me chatear, no mínimo até à estação dos comboios e depois outro tanto onde quer que fosse. Ir às compras era um pau no cu porque tinha que as arrastar pelo monte acima até casa, pelo menos até descobrir que os supermercados entregam em casa por um preço muito muito razoável.
E depois há a rede de transportes. Eu adoro andar de comboio, mas infelizmente aqui é impossível. Nós somos dois, e ir à cidade mais próxima custa-me, pelo menos, umas 20 libras em bilhetes de comboio. Para comparação, demoro uns 25min a chegar lá de carro (mais ou menos o mesmo) e gasto talvez 2 ou 3 libras de combustível. Já para não falar no congestionamento a certas horas, em que não só os bilhetes são estupidamente mais caros, como temos que fazer a viagem toda em pé. Viagens grandes então nem se fala! Eu quero ir à Escócia ver se encontro a Nessie, e a viagem de comboio para 2 pessoas, ida e volta, ia-me custar facilmente 1000£!! Os comboios em si são espectaculares; fazem os nossos velhinhos Intercidades parecer ainda mais velhos e merdosos do que são mesmo.
Aos autocarros aplicam-se comentários semelhantes, com algumas agravantes. Não só são caros como tendem a não andar a horas, são populados com as pessoas mais nojentas que se consiga imaginar, e devem ser limpos à saída da fábrica e nunca mais.
Se calhar sou eu que sou maniento, se calhar acham que sou um snob mal habituado que anda de cu tremido desde cachopo, se calhar acham que devia era viver uns anos sem carro para ver o que é bom. Eu cá acho que paguei as minhas favas e agora mereço andar de carro até me doerem os joellhos. Eu antes quero poder ter carro e viver deslocado da cidade, do que viver no centro e andar no meio do magote enfiado em autocarros bolorentos e metros a cheirar a mijo. São escolhas. Não vejo grande apelo na "vida cultural" da cidade, da qual até posso desfrutar pegando no carrito e indo lá ver o que é o quê.

Comprar um carro

Um dia destes, com a conta do banco recheada de dinheiro de devolução de impostos, decidi que estava na hora de comprar um carro. Andei a ver carros novos e usados, e decidi que o hot hatch era para mim. Algo na vizinhança das 20000 libras, 10 pagas à entrada e outras 10 pagas em prestações durante uns 3 anos. Parecia-me razoável, estava bem dentro dos limites do que podia pagar e não me impedia de ir chegando aos meus objectivos de poupança.
Marquei um test drive e apanhei um comboio até ao stand. Chegado lá, aproveitei para fazer todas as perguntas e mais alguma ao vendedor, entre as quais como funcionaria o financiamento. Aí ele entregou as más notícias: com menos de 3 anos de residência, é virtualmente impossível conseguir financiamento para um carro, muito menos naqueles valores. Chateei-me, chamei um taxi e fui-me embora sem muito mais conversa. Fiquei fodido. Ainda verifiquei junto do meu banco com esperança da que eles, sabendo quanto ganho, etc, fizessem um jeitinho. Os valores a que me podia candidatar era muito mais baixos do que alguma vez funcionariam, por isso desisti do financiamento. Pela primeira vez na minha vida, ia comprar um carro a pronto.
Passei umas semanas a estudar melhor o mercado de usados. Andei a ver no autotrader [1], aparentemente o site mais popular de anúncios de carros. A primeira coisa em que reparei foi o quão mais baratos os carros são aqui que em Portugal. Eu sempre achei os carros usados caríssimos em Portugal, mas isto trouxe à luz o quão roubado o tuga médio é quando compra um carro. Para terem uma ideia, um familiar meu tinha comprado um carro por 5000€ (valor ajustado ao mercado) pouco antes de me mudar para cá. O mesmo carro, mesmo ano, mesmo trim level, com menos quilómetros, aqui custava 750£. Telefonei-lhe a gozar com ele, foi incrível.
Então decidi que o meu orçamento seria os tais 10k que pretendia originalmente dar como entrada. Deixei de parte a ideia do hot hatch para poder comprar algo mais recente, pois queria um carro com 2 ou 3 anos no máximo. Este limite não era tanto por cagança, mas porque queria apostar mais na fiabilidade do que noutros aspectos. Um carro mais novo, com menos quilómetros, tem uma probabilidade menor de me dar problemas no início, o que me compra tempo para conhecer o panorama de oficinas aqui à volta, o que esperar do seguro, etc. Pequeno, novo, simples, fiável; fui à caça
Há um conjunto de coisas a ter em atenção quando se procurar um carro usado:
Curiosamente, acabei por comprar o meu carro no mesmo stand onde fui antes, ao mesmo vendedor que me tinha entregue a triste notícia sobre o financiamento. Ele ficou impressionado por me ver de volta, mas a vida tem dessas coisas. Apenas fiz um test drive, e comprei imediatamente o carro. Pode parecer precipitado, mas:
bom negócio. Um bocadinho acima do valor de mercado segudo o autotrader, mas nada de muito preocupante.
Ficou marcado ir levantar o carro dali a 2 dias, e entretanto teria de tratar do seguro. Eu já tinha feito algumas simulações de seguros, portanto sabia o que esperar, mas mesmo assim achei caro: quase 1000£ ano para o seguro de um carro pequeno. Entretanto tenho explorado melhor o assunto, e parece que o mercado de seguros no UK sofre de graves problemas:
Para tornar o sistema verdadeiramente insultuoso, há seguradoras que oferecem potenciais descontos se instalarmos no carro um tracker da sua eleição [4]. Ou seja: cobram o que quiserem e ainda querem saber onde ando e a que velocidade ando, e se eu conduzir "bem" segundo lá os critérios deles, fazem-me um desconto; se não gostarem da minha condução sobem-me o preço. Naturalmente, mandei-os passear e paguei mais por um seguro sem tracker. Honestamente, acho a mera proposta de me deixar espiar por um potencial desconto no seguro nojenta: é o reflexo de um sistema profundamente partido. Ninguém diz a um português o que é conduzir "bem", caralho.
O seguro do carro trata-se todo online, o que para mim é muito estranho, e até se pode verificar online se o carro tem seguro [5]. Os comparadores de preços [6] são nosso amigos, mas cuidado com eles por vezes; já li casos de pessoas que tiveram apólices canceladas por tentarem muitas comparações com detalhes ligeiramente diferentes (infelizmente não encontrei uma ref para esta, mas penso que foi no /LegalAdviceUK). Correndo o risco de me repetir, o sistema de seguros auto aqui está profundamente desregulado e a precisar de alguém com tomates para o resolver. Certamente não será o BoJo.
No dia em que levantei o carro:
Dias depois recebi o novo V5C em meu nome. O V5C é uma espécie de livrete, ou "documento único" se formos modernos, mas ao contrário do livrete nunca deve andar no carro pois é muito fácil transferir o V5C para outro nome sem intervenção do dono anterior. Mais curiosamente ainda, o V5C não prova propriedade do carro, apenas quem é o "registered keeper" dele. Por outras palavras, a minha única forma de demonstrar que sou dono do carro é a factura que me deram quando o comprei. Neat.
Sentei-me no carrito, carreguei no botão para arrancar o motor pensando "que modernice", e ele lá acordou. Curiosamente, só nesta altura é que me ocorreu: se calhar não era uma má ideia ir ler sobre as regras da estrada aqui. Sorte a minha, o governo tem a totalidade do Highway Code [8] disponível no site, e tenho-o lido aos bocadinhos. Mais sobre isso no próximo capítulo.
Curiosamente, não é preciso termos connosco nenhuma documentação quando conduzimos [9]. Os Ingleses têm uma abordagem diferente da nossa no que toca à documentação; é tudo guardado em bases de dados do governo, e eles só precisam de verificar a matrícula contra a base de dados para saber se está tudo bem. O condutor apenas precisa de ter a carta de condução, e alguma identificação por conveniência. Eu pessoalmente costumo ter o cartão de cidadão e a carta de condução. Idealmente teria o passaporte, mas evito andar com o passaporte no bolso, e o cartão de cidadão deve ser mais do que suficiente como identificação até no mundo pós-brexit. Na realidade penso que a carta de condução por si chegaria, mas mais vale estar seguro né?
Virei proprietário do meu próprio veículo! Mais um, porque nunca vendi o bolinhas que está em Portugal.

Conclusão

Tenho que confessar que estou impressionado pela positiva com a experiência que foi comprar um carro no UK. O processo foi muito mais simples do que esperava, e praticamente tudo se tratou no stand na hora da compra. Até o seguro podia ter ficado logo resolvido, mas eu preferi fazer em casa com mais algum controlo sobre isso. Nota-se que é um sistema muito mais polido que em Portugal, pelo menos na minha experiência.
A minha relação próxima com a condução começa a entrar, infelizmente, em rota de colisão com o status quo: vivemos num mundo que cada vez menos suporta o transporte individual. Há gente a mais no mundo, e há carros a mais no mundo, há fumo a mais no mundo. Na realidade, há "a mais no mundo" de quase tudo o que é mau, pessoas incluídas. Sinto que esta minha necessidade de conduzir vai brevemente bater de frente contra a necessidade global de cortar no transporte individual a favor de transportes colectivos. Até lá, vou aproveitar as espectaculares estradas de campo aqui à volta, particularmente a horas em que não estejam completamente congestionadas. Fiquem de olho, o próximo capítulo vai falar sobre a experiência que é conduzir no UK, e como é que difere do que eu esperava.
Desta feita apontei para um post mais curto que o anterior, que essencialmente parte este assunto em dois: este primeiro cobre o processo de como (e porquê) comprei o carro, e o seguinte vai cobrir a experiência de conduzir em si. Notei que o engagement no capítulo 1 foi menor que nos posts anteriores, e suspeito que ler uma epopeia tão longa não ajuda; digam-me nos comments se tenho razão.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.

Referências

Capítulos Anteriores

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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.25 21:58 Vedovati_Pisos Como Domar Cavalos – O guia completo para iniciantes

Domar cavalos não é uma tarefa fácil e é recomendado que não se faça sozinho. O peso do animal e sua animosidade natural fazem com que a sua violência possa ser fatal para o homem.
Um coice de cavalo no local errado pode matar uma criança e até um homem de 100 quilos. Logo, todo cuidado é pouco.
Se você tem uma pequena ou grande fazenda, começa a fazer a incursão de cavalos em seus campos e tem dúvidas sobre como domá-los, saiba, há dois tipos de doma, a tradicional e racional.
O primeiro tipo de doma exige a velha agressividade, força e, muitas vezes, o uso da violência para poder domar o animal.
O segundo é uma forma mais racional de dominar o cavalo, usando racionalidade no lugar da violência. Em suma, tornar-se confiante para o cavalo é fundamental.
Segundo especialistas do ramo, a doma racional é mais eficaz do que a doma tradicional. Mas para isso é preciso que o dono use métodos para conquistar a confiança do cavalo e assim fazer com que ele siga suas ordens.
As técnicas para tanto são: criar exercícios que deixem claro na cabeça do cavalo a repetição de movimentos, de práticas que o façam ganhar tempo e o cansem ao ponto dele passar a obedecer os comandos.
É preciso aprender a entender o animal e trabalhar os comandos de acordo com essa percepção.
Os cavalos são animais que exercem certo fascínio em muitas pessoas, isso porque, além de muito bonitos, também proporcionam momentos incríveis de diversão e descontração. Porém, antes de sair cavalgando com o seu amigo, como nos filmes de Hollywood, é importante saber como domar os cavalos.
Antes que você pense que a doma é uma forma de domínio do animal saiba que se trata muito mais de ganhar a confiança dele do que de exercer algum poder sobre ele.
A técnica Horsemanship
Muitos estudos realizados com cavalos selvagens provaram que os animais aprendem muito mais facilmente seguindo sugestões de palavras chave do que sob coação ou maus tratos.
Essa técnica é conhecida como Horsemanship e forma cavalos mais dóceis e assim mais seguros para as pessoas.
A partir do momento que se desenvolve essa ideia de palavras chave no treinamento, o cavalo passa a gostar de trabalhar com conjunto com o cavaleiro.
Dessa forma, passa a realizar cada vez mais rápido e mais eficientemente o que lhe é pedido.
Esses bons resultados são vistos principalmente em cavalos de competição.
Quando eles se sentem parte do processo de vitória passam a obedecer os comandos de maneira mais inteligente. A forma como essa doma é realizada está baseada no entendimento dos instintos dos animais.
Os instintos de movimentos podem ser conduzidos através de indicações de palavras chave.
Esse tipo de doma é realizado através do reforço de ideias, ou seja, de repetir sempre ações acompanhadas de palavras.
Poderíamos definir como um treinamento como o dos cães que a partir de palavras obedecem a comandos. Apesar de ser um método relativamente mais lento de doma compensa muito, pois se pode ter a certeza de a longo prazo ter conquisto a confiança e amabilidade do animal.
Lembre-se sempre que se você transmite confiança terá um animal confiante, mas se transmitir agressividade terá um animal agressivo.
Primeiros passos para domar um cavalo
Ganhe a confiança do cavalo
Desenvolver uma relação estreita com o cavalo é essencial para ganhar sua confiança, o que favorecerá a doma mais tarde.
Passe algum tempo com o cavalo todos os dias. No início, apenas fique perto dele e escove seu pelo.
A escovação do pelo conecta o cavalo ao dono, fortalecendo o vínculo entre os dois. Deixe-o por perto enquanto você trabalha no pasto — assim, ele aprenderá a confiar em você.
Converse com ele e conforte-o sempre que ele se assustar com alguma coisa.
• Cavalos são presas na natureza, o que explica a facilidade com que se assustam. Se seu cavalo não conviver com pessoas desde o nascimento, tenderá a ter medo delas.
• Ainda que o cavalo ou potro seja jovem demais para ser treinado, você pode conviver com ele para ganhar sua confiança e acostumá-lo à presença de outras pessoas.
• Antes de começar o treinamento, passe um bom tempo junto do animal para ganhar sua confiança.
A segurança vem em primeiro lugar
Cavalos são animais poderosos, podem ferir pessoas gravemente. Sempre que estiver treinando seu animal, lembre-se de tomar algumas precauções para garantir sua segurança. Procure ficar dentro do campo de vista dele na maior parte do tempo. Quando for necessário ir aonde ele não possa vê-lo, vá correndo a mão ao longo do corpo dele, a fim de que ele não perca a referência da sua posição.
• A posição mais segura para se estar é ao lado esquerdo, alinhado à orelha e perto da cabeça do cavalo. Nesse lugar, ele o enxergará facilmente.
• Converse com o animal sempre que estiver fora do campo de vista dele. Isso o ajuda a saber onde você está.
• Não passe por trás do cavalo e nem fique parado à frente da cabeça dele.
• Não se ajoelhe e nem fique sentado perto do cavalo. Quando for necessário mexer nos cascos dele, curve-se para a frente em vez de se agachar
Dê um passo de cada vez
Domar um cavalo é um processo demorado — cada etapa tem de ser totalmente concluída antes que se possa começar a próxima.
Cada novo comando que o cavalo aprende deve ter alguma relação com o anterior.
Lembre-se de que o objetivo do treinamento é fazer com que o animal fixe novos hábitos.
De outro modo, o treinamento não será bem-sucedido.
• Nunca desista. O cavalo aceitará certas etapas do treinamento melhor que outras. Quando se começa a treinar um cavalo, você está assumindo um compromisso enorme.
• Encerre cada lição com um sucesso. Termine cada sessão logo após um progresso, por menor que seja — como conseguir pôr o cabresto perto da cabeça do cavalo.
Nunca fique irritado com o cavalo
Jamais grite, agrida, atire objetos ou seja agressivo com o animal. Isso poderia assustá-lo e desfazer a confiança que você conquistou tão arduamente. Converse com o cavalo num tom de voz calmo e baixo.
• Se o cavalo desobedecer às suas ordens, corrija-o com calma, sem demonstrar agressividade. Faça um som de “shhh” para sinalizar ao animal que ele fez algo de errado.
Recompense cada sucesso
Reforços positivos, como petiscos e carinho, fazem com que o cavalo o obedeça mais facilmente.
Reforços negativos, como um empurrão com os dedos ou um tapinha, também podem ser empregados, desde que isso não cause medo no animal.
Se você estiver montado, pode puxar as rédeas ou pressionar o animal com as pernas levemente.
• Jamais use reforços negativos que amedrontem ou causem dor. Além do mais, tais reforços devem ser constantes e firmes, nunca abruptos. Mantenha o gesto negativo até que o cavalo se corrija e pare imediatamente após ele realizar o comando corretamente.
Treinando o cavalo para aceitar o cabresto
Habitue o animal às suas mãos
O primeiro passo para pôr o cabresto no cavalo é acostumá-lo a ter as mãos do dono em sua cabeça, orelhas e pescoço.
Faça isso lentamente. Nunca saia do campo de vista do animal e não o assuste.
Eleve as mãos até ele lentamente — o cavalo se sentirá ameaçado se suas mãos se aproximarem muito rápido.
Repita esse procedimento até que você possa tocar o animal sem problemas.
Faça elogios sempre que o cavalo obtiver alguma melhora. Até as melhoras que parecem insignificantes, como conseguir aproximar a mão mais alguns centímetros do rosto do cavalo ou tocá-lo por alguns segundos, precisam ser elogiadas.
Recompense cada sucesso do cavalo com petiscos.
Acostume o cavalo ao cabresto
No início, deixe-o ver e farejar o cabresto nas suas mãos. Faça isso por alguns dias, com a intenção de que o cavalo reconheça que o objeto não é perigoso.
O próximo estágio é colocar o cabresto sobre a cabeça e o focinho do animal, sem afivelá-lo. Quando, por fim, o cavalo parecer confortável assim, você poderá afivelar o cabresto.
• Talvez isso exija várias tentativas. Seja calmo e paciente, tentando progredir um pouco a cada dia.
• Quando for possível prender o cabresto, deixe-o na cabeça do cavalo por alguns dias.
Apresente as rédeas ao cavalo
Comece a habituá-lo a elas juntamente com o cabresto, também colocando-as no rosto do animal.
Com muita delicadeza, tente lograr o cavalo a abrir a boca para receber o freio.

Ponha o freio
Além das rédeas, o bicho também tem de se familiarizar com o freio.
Lentamente, coloque-o na boca do animal. No início, deixe-o lá por apenas alguns minutos, e vá aumentando esse período gradativamente.
• Colocar melado no freio é um modo de estimular o cavalo a aceitá-lo e de tornar a experiência mais agradável para ele.
Ponha a coroa do freio
Uma vez que o freio possa ser colocado sem resistência por parte do cavalo, coloque a coroa do freio. Não afivele as tiras por enquanto.
Acostume o cavalo ao novo objeto até que você possa afivelar as tiras. Lembre-se de que isso só deve acontecer depois que o animal deixar de estranhar a sensação da coroa em sua cabeça e orelhas.
Ensinando o cavalo a charretear
O que é o charreteado
O charreteado é o processo em que o treinador conduz o cavalo por uma arena com a intenção de consolidar o domínio sobre ele. Também conhecido como doma de baixo, o charreteado permite ao treinador conduzir o cavalo por uma arena durante o treinamento.
Treine o cavalo do chão
Antes de montar no animal, ganhe a confiança dele no chão.
Prenda uma corda ao cabresto. Puxar a corda muito abruptamente também pode causar desconforto.
Lembre-se de que o cavalo passará a temer o charreteado se sentir desconforto ou dor.
• Mova o corpo junto com o cavalo para que a tensão da corda seja sempre homogênea. Eventualmente, o animal se acostumará a ir para onde é guiado em vez de puxar a corda.
Charreteie o cavalo
Ao charretear o cavalo, faça com que ele siga uma trajetória circular com o maior raio possível, uma vez que um círculo pequeno poderia provocar lesões nas pernas, ligamentos e tendões do cavalo.
O diâmetro do círculo deve ser de, pelo menos, 18m. Procure fazê-lo pelo menos uma vez ao dia, sempre usando a linguagem corporal para direcioná-lo e controlar sua velocidade.
Com o passar do tempo, faça com que o cavalo galope numa velocidade cada vez maior, até que ele possa trotar apenas se guiando por seus comandos.
• Se possível, pratique o exercício acompanhado de alguém experiente com cavalos. Peça a ele para ficar atrás ou perto de você. Sempre que o cavalo fechar o círculo, a pessoa deverá caminhar na direção dele até que ele retome a trajetória normal.
• Nunca toque o animal durante o charreteado: todos os comandos devem ser dados através da corda e da linguagem corporal.
• O charreteado é um exercício de confiança: a cada vez que o cavalo fizer o que se espera dele, interrompa o contato visual e diminua a pressão exercida nele.
• Não faça o cavalo andar na mesma direção por mais do que 10 minutos consecutivos. Uma vez que essa atividade exige muito do corpo do animal, ele terá de praticar muito antes que possa andar por períodos mais longos.
• O charreteado não deve demorar mais do que 15 ou 20 minutos.
Treine o cavalo para obedecer comandos
Ensine-o a andar ao seu lado apropriadamente enquanto você o conduz com uma corda.
À medida que ele anda em círculos à sua volta, transmita a ele alguns comandos de voz.
Ensine as palavras “pare”, “fique”, “ande” e “volte”.
Priorize os comandos de parar e andar antes de passar para os seguintes. Ao fim desta etapa, você poderá ensinar comandos mais rápidos, como o “trote”.
• Evite usar comandos muito parecidos, como é o caso de “trote” e “volte”. O cavalo pode ficar confuso, uma vez que o som de tais palavras é tão similar.
• Se quiser, substitua “volte” por “recuar”.
• O “ôa!”, som utilizado para que o cavalo pare ou desacelere, deve ser empregado apenas quando você estiver montado.
Ensine o animal a respeitar seu espaço
Durante o treino, o cavalo colocará a superioridade do treinador à prova.
Para disputar a liderança com você, o cavalo poderá empurrá-lo com o ombro.
Em tais situações, você deve mostrar que é o líder: se o cavalo se aproximar de você, pressione as costelas dele, a cerca de 30cm do ombro.
Os líderes de manadas selvagens investem contra essa região para repreender os outros cavalos. O animal deverá se deslocar para o lado e dar a você algum espaço.
Ensine ao cavalo como responder à pressão
Ela é transmitida ao cavalo através do cabresto, então prenda uma corda a essa peça e pare à direita dele, perto de sua orelha e olhando na mesma direção que ele.
Segure a corda a alguns centímetros do grampo. Puxe-a para a direita, para longe de você; o cavalo eventualmente cederá à pressão e virará a cabeça para a direita.
Assim que ele o fizer, libere a pressão da corda e ofereça alguma recompensa.
• Repita o processo do lado esquerdo. Puxe a corda para longe do corpo do animal e ele deverá virar a cabeça para a esquerda.
• Depois de ensinar o truque em ambos lados, o cavalo aprenderá a olhar na sua direção.
• Repita o processo à frente e atrás do cavalo.
• O cavalo aprenderá a deslocar a cabeça na direção de onde a corda é puxada para diminuir a pressão no cabresto.
Treinando o cavalo para aceitar a sela
Apresente a sela
O cavalo deverá se familiarizar com o peso e o som da sela em seu lombo. Assim como fizera com o cabresto e com o freio, dê ao cavalo um certo tempo para se acostumar com o som, o cheiro e a aparência da sela.
Uma vez que ele esteja acostumado ao objeto, segure a sela acima do lombo do animal, sem deixar que ela toque nele.
Ponha o baixeiro ou a manta no lombo do cavalo
Quando ele deixar de estranhar a sela, coloque o baixeiro no lombo do cavalo e deixe-o lá por alguns minutos. Caso a reação do cavalo seja positiva, tire o baixeiro de lá.
Repita o processo várias vezes e de ambos os lados para que o cavalo se acostume a ser selado de ambas maneiras.
• Se o cavalo ficar apavorado a ponto de a situação fugir do controle, remova o baixeiro rapidamente e tente de novo quando ele estiver mais calmo.
• Se você quer um tipo de sela mais bonito, recomenda-se o uso do baixeiro, que costuma ter um acabamento melhor do que a manta. No entanto, ele é menos confortável, e portanto deve ser apresentado ao animal junto com a sela. Se a sela se ajusta perfeitamente ao lombo do cavalo, o uso da manta ou do baixeiro é dispensável.
Ponha a sela no cavalo
Apresente a sela pacientemente, sempre acariciando e falando com o cavalo para acalmá-lo.
Deixe a peça por apenas alguns minutos, depois a remova. Repita o processo em ambos lados do cavalo.
• Nesta etapa, remova todas as tralhas e ferragens da sela.
Afivele o látego no cavalo lentamente
Aperte o látego um pouco mais a cada dia, especialmente se o cavalo parece inquieto. Caso o animal ainda esteja muito apavorado, solte o látego e volte a deixar a sela desamarrada no lombo do cavalo.
• Quando o cavalo permitir que o látego seja completamente afivelado, incline-se contra o corpo do cavalo, apoiando-se nele.
Habitue o cavalo aos estribos
Faça o charreteado com a sela e os estribos. Isso ajudará o cavalo a se acostumar com a sensação de carregar tais objetos. Além disso, comece a colocar os outros acessórios na sela.
• Realize cada etapa do processo lentamente. Sempre espere o cavalo perder o medo de um elemento da sela antes de introduzir outro, e nunca adicione mais de um elemento de uma vez.
Charreteie com a sela
Exercite o animal selado quando ele for capaz de permanecer assim por longos períodos.
Treinando o cavalo para ser montado
Prepare o cavalo para a montaria
Até aqui, você interagiu com o cavalo do chão, no nível dos olhos dele. Leve o cavalo para perto de algo em que você possa subir, como uma cerca de madeira.
Escale o objeto até ficar numa altura acima da cabeça do cavalo.
Ponha peso no lombo do animal
Peça ajuda de um cavaleiro experiente para ensinar o cavalo a se acostumar ao peso de uma pessoa.
Num primeiro momento, o cavaleiro deve apenas se debruçar sobre a sela (em vez de se sentar nela).
Peça que ele faça isso com gentileza para que o cavalo não se assuste.
• Quando o cavalo aceitar o peso, acaricie-o e recompense-o.
Peça que o cavaleiro monte no cavalo
Em primeiro lugar, o cavaleiro deve pôr seu pé esquerdo no estribo. O próximo passo é passar o outro pé por cima do animal, sem chutá-lo, e sem impor uma pressão desigual em seu lombo, para depois encaixar o pé direito no outro estribo.

• O cavaleiro deve ficar curvado todo o tempo, uma vez que o cavalo se espantaria caso o enxergasse. Além do que, a pessoa deve se apoiar na sela e não nas rédeas, uma vez que isso também poderia assustar o animal.
Cavalgue lentamente
Com o cavaleiro montado, conduza o cavalo devagar. Aos poucos, afaste-se do animal.
Peça que o cavaleiro apanhe as rédeas e puxe-as devagar e com cuidado, a fim de que o cavalo não se assuste. Para que o cavalo comece a andar, ele deverá dar um comando verbal e apertá-lo levemente com as pernas.
Tente montar
Agora que um cavaleiro experiente sondou o terreno, é a sua vez de montar.
Montar um cavalo pela primeira vez pode ser perigoso e só deve ser feito com a supervisão de um domador ou cavaleiro profissional. Suba com cuidado, evitando chutar o lombo do cavalo ou puxar as rédeas. Ande com o animal por alguns passos, pare e desça.
• Aumente gradativamente o período em que você permanece montado ao longo das próximas semanas ou meses. Só tente cavalgar rapidamente depois que o cavalo parecer confortável andando em velocidade normal.
• Pode ser necessário um ano de treinamento (ou mais) até que você possa trotar e andar a galope com o animal em questão. Não tente acelerar o processo, já que isso poderia levar o cavalo a desenvolver medos ou vícios.
Dicas úteis
• Use comandos de uma palavra e use a mesma palavra sempre para que o cavalo não fique confuso.
• Tranquilize o cavalo se ele abaixar as orelhas ou se demonstrar outros sinais de medo.Alguns cavalos toleram sessões de treinamento mais longas que outros. Aprenda a detectar os sinais que seu cavalo emite quando está cansado.
• Faça exercícios de aquecimento antes da sessão de treinamento e, ao final dela, faça exercícios de relaxamento.
• Antes de apresentar um novo comando, pratique e reveja aqueles que o cavalo já domina e use-os como base para o comando a ser ensinado.
• Antes de montar no animal pela primeira vez, salte para o alto algumas vezes ao lado dele. Depois de saltar, dê uns tapinhas leves na sela. Desse modo, ele não se assustará quando você subir nele.
• O cavalo precisa saber quem é que manda: se ele se recusar a executar algum comando, não interrompa a sessão. Isso daria ao animal a impressão de que ele pode abandonar o treinamento quando quiser.
• É improvável que você venha a domar o cavalo se não possui experiência. É melhor pagar um domador do que se arriscar a levar um coice ou ser pisoteado.
Avisos
• Cavalos leem os sinais que transmitimos através de nossas emoções e linguagem corporal. Se você ficar tenso e ansioso, o cavalo também ficará.
• Fique alerta e preste atenção à linguagem corporal. Quando notar que o cavalo está de orelhas abaixadas ou batendo as patas dianteiras no chão, acalme-o. Se a sessão tiver durado muito tempo ou se o animal parecer irritado, em pânico ou confuso, faça uma pausa. Lembre-se de que a doma do cavalo requer paciência, não força bruta.
• Nenhum cavalo pode ser montado antes dos dois anos de idade. Montá-lo antes disso pode deixá-lo lesionado para o resto da vida.
• Seja cuidadoso quando o cavalo estiver de orelhas abaixadas. É normal que o cavalo vire as orelhas para trás — isso apenas indica que ele está prestando atenção ao que se passa atrás de si. As orelhas abaixadas, por outro lado, denotam medo e agressividade — que pode se voltar contra você ou contra outros cavalos.

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2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
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2020.09.18 14:34 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 0: Introdução]

Post anterior: https://www.reddit.com/portugal/comments/itrx1l/estou_a_pensar_escrever_uma_s%C3%A9rie_de_textos_sobre/
Olá amigos.
Perguntei-vos se estariam interessados numa série de posts acerca da minha experiência enquanto emigrante no UK. A resposta pareceu positiva, por isso vou começar a publicar o que vou escrevendo. Este primeiro post serve de introdução para ditar o mote dos restantes; aproveito para deixar aqui uma série de notas que depois escuso de repetir nos seguintes.

Que merda é esta?

Há-de ser um relato mais ou menos organizado da minha vivência como emigrante, escritos de forma predominantemente episódica. Cada capítulo pretenderá abordar um tema diferente que, na minha opinião, poderá afectar outras pessoas na mesma situação que eu. Basicamente, cada capítulo relatará grosso modo uma situação que me fez pensar "puta que pariu, porque é que não me disseram isto antes?"
Mais concretamente, quero:
Antes de começarmos, algumas coisas importantes de referir:

O que é que vem a seguir?

Este post é uma introdução muito básica ao "projecto" que estou a começar. Neste momento tenho esta introdução escrita, e mais alguns capítulos pensados e alinhavados. Para já, tenho alguns temas principais acerca dos quais gostaria de (ou comecei a) escrever:
Não os vou escrever por ordem, garantidamente. Sintam-se à vontade para sugerir tópicos, já acrescentei um ou outro de comments no outro post. Vou tentar manter os posts ligados uns com os outros com um índice ali no topo.

Quem és tu, e porque é que hei-de querer saber disto?

Por razão nenhuma. Lê este; se gostares, provavelmente vais gostar do resto. Se achaste que é só um gajo a dissertar sobre temas da vida, então acertaste na mouche. Se não gostas de gajos a dissertar sobre temas da vida, talvez não gostes disto.
Eu sou um gajo qualquer, suspeito que parecido com muitos vós: casa dos 30, carreira em tecnologia, mania que é esperto, emigrado recente. Acho que a minha experiência enquanto emigrante é deprimentemente mediana, e é aí que vejo o valor deste esforço. Entre decidir que queria vir e o dia de hoje, passei por uma série de situações que suspeito que muitos outros também atravessaram, e para as quais gostaria de ter tido aviso. Alguns exemplos de que me lembro de repente:
Eu também não sabia de nenhuma destas (e outras coisas), e às vezes saiu-me do bolso não saber disso.
A minha experiência provavelmente foge da média em alguns aspectos cruciais: não vivo nem trabalho numa cidade, vim já com um contrato de trabalho permanente assinado, e por aí fora. Escrever sobre alguns desses aspectos talvez passe a ser mais um exercício de memória pessoal que outra coisa, ou talvez as minhas peripécias pessoas ressoem com alguém, logo vemos.

Motivação

Um bocadinho do que está por trás das razões que me trouxeram para aqui:

Porquê NÃO emigrar?

Quando fui entrevistado para a posição em que estou agora, o entrevistador final (depois de umas 5 entrevistas para a mesma posição) perguntou-me: "estás nessa empresa há coisa de um ano, porque é que te queres mudar?". A minha resposta foi simples: não quero.
Em Portugal a vida tem uma leveza que não consigo encontrar em mais lado nenhum. Ganha-se pouco, é certo, e as oportunidades são muito limitadas, mas:
e por aí fora. A minha vida em Portugal era de uma tranquilidade incrível. O trabalho era especializado e pouco exigente, trabalhava com amigos de longa data na minha área de formação (que adoro). A minha rotina estava extremamente solidificada, vivia numa cidade que adoro (ah Coimbra!), conseguia-me facilmente sustentar, vivia numa casa boa numa zona boa. Visto de fora, tudo estava OK. A opção fácil teria sido deixar-me ficar; tinha facilmente emprego para a vida e poucas chatices.
Ainda assim...

Porquê emigrar?

Há uma certa insatisfação que vem com o saber que chegaste ao topo muito cedo, e que o topo não é tão alto como querias. Eu sou extremamente ambicioso, não do ponto de vista materialista e egoísta, mas mais numa eterna ânsia de ser melhor no que faço. Eu tive a espectacular sorte de escolher uma profissão pela qual me apaixonei, e de ter conseguido sempre trabalhar nela estes anos todos. O meu trabalho foi aparentemente tendo qualidade, e fui indo por aí acima. Um mestrado vira doutoramento, que vira bolsas, que vira escrita de projectos, que vira posições em empresas, que vira posições séniores.
No entanto, há um tecto máximo para o que se pode fazer em Portugal na minha área: o mercado é dominado por empresas muito pequeninas, altamente subsidiodependentes, e nas quais honestamente não vejo futuro. Eu não quero passar o resto da minha vida profissional a trabalhar num "one-man army", eternamente a desenvolver soluções que nunca vão vingar porque, convenhamos, há limites para o que uma equipa pequena consegue fazer. É extremamente descolhoante ver o nosso trabalho, que toda a gente diz que é muito bom, ficar perpetuamente atrás por falta de recursos, ou manpower, ou investimento, ou o que lhe quisermos chamar. Dei por mim a tornar-me uma pessoa frustrada, daquelas que vêm as notícias e dizem mal de tudo, mesmo do bom; pequenino e sempre zangado. Decidi procurar outras coisas.
Mudei-me para o UK com contrato assinado para uma multinacional gigantesca, bom salário, boa zona do país e, acima de tudo, projectos incríveis desenvolvidos por pessoas com as quais tenho aprendido muito. Estou novamente no caminho certo.
Eu não me mudei pelo clássico "ganhar mais". Obviamente que triplicar o salário de um dia para o outro é fixe, obviamente que é fixe comprar carros a pronto (mais sobre isso mais tarde), obviamente que ir às compras e nem olhar para a conta é bom; mas há mais que mova um gajo. O salário é um factor, mas é um factor.
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
Edit: desculpem a formatação manhosa no início, esqueci-me do modo markdown.
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2020.09.15 01:46 211100mmm para aqueles que se criticam muito e precisam de um pouco de paz...espero que possa te ajudar pelo menos 1%

Como lutar contra seu crítico interno

Quase todos nós temos um personagem dentro de nossas mentes que podemos chamar de crítico interno. Ele tende a fazer suas visitas tarde da noite, espera até que estejamos muito cansados ​​ou fisicamente esgotados - e então começa a sussurrar coisas cruéis e terríveis para nós a fim de destruir todas as possibilidades de paz, autoconfiança e autoconfiança compaixão. Está basicamente convencido de que não deveríamos realmente existir - e é extremamente sutil e inventivo em nos dizer o porquê. É, in extremis, o crítico interno que diz às pessoas para irem e se matarem.
Muitas vezes, em face de mais um ataque do crítico interno, nossas mentes congelam: simplesmente não sabemos como responder. Estamos em um túnel sozinhos com o crítico e esquecemos que pode haver qualquer outra perspectiva a ser aplicada em nossa situação. Deixamo-nos ser atacados por acusações impiedosas - e afundamos na autoflagelação e no desespero.

Devemos - quando nossas mentes ficarem claras - preparar uma ou duas coisas que possamos dizer ao crítico quando ele vier chamar, com a adaga ou serra elétrica na mão. Aqui estão algumas sugestões:
Crítico interno: Você é um perdedor total.
Nunca há uma história de vida; a diferença entre esperança e desespero está em uma maneira diferente de contar histórias contrastantes a partir do mesmo conjunto de fatos. Claro que você pode interpretar tudo como uma tragédia; claro que há material suficiente para um suicídio. Mas vamos tentar outro caminho. Esta é outra maneira de contar a história de sua vida: 'Contra todas as probabilidades, você tentou viver decentemente; você cometeu alguns erros graves, como todos os humanos farão, e pagou um preço muito alto por eles. De muitas maneiras, você sofreu muito mais do que merecia. Você passou pelo inferno. Mesmo assim, você tentou ser bom e amou algumas pessoas de maneira adequada e tentou continuar. ' Em sua lápide, pode dizer: 'Tentei muito.' Ou 'Apesar de tudo, o coração estava no lugar certo'. E essa seria uma história igualmente válida e muito mais gentil.
Você é nojento; você não merece compaixão
A essa altura, podemos nos perguntar de onde vem esse crítico interno. Só há uma resposta: um crítico interno sempre foi um crítico externo que foi internalizado. Você está falando consigo mesmo como outra pessoa uma vez falou com você - ou uma vez o fez sentir. Afaste-se desse lunático cruel e louco - e questione o que eles estão fazendo em sua mente. É realmente uma maneira de falar com alguém? Você fica feliz em reconhecer suas falhas, todas elas, cada uma delas; você está feliz em pedir desculpas e expiar e fazer grandes reparações e aceitar o que você tem vindo para você, mas isso? Alguém merece isso ? Este crítico só quer que você morra - e eles não têm o direito de andar desimpedidos, com a marreta na mão, nas salas de sua mente.
Todo mundo sabe como viver longe de você.
Outra sugestão caracteristicamente angustiante. Mas não sabemos. Só conhecemos as pessoas de fora, pelo que decidem nos dizer e, naturalmente, escondem todas as partes ruins que conhecemos em nós. Quase certamente, outros estão ficando loucos, outros estão devastados pela culpa e pelo medo. Naturalmente, algumas pessoas parecem ter vidas perfeitas - mas isso só porque você não as conhece bem o suficiente. Ninguém é normal ou muito feliz de perto. A vida é uma luta para todos. Pare de comparar o que você sabe sobre o seu eu profundo com os painéis publicitários que outras pessoas colocam sobre suas vidas.
Você cometeu erros imperdoáveis
Aquele de novo. Não adianta negar. A melhor defesa é a retirada: claro! Claro que você cometeu alguns erros terríveis e até catastróficos! Claro que você foi um idiota! Mas você pode tirar um momento para lembrar sua infância, para convocar o que você passou, o pano de fundo de onde você veio. Que chance você tinha de ser, pelo menos parcialmente são? É incrível que você consiga se levantar e dizer seu próprio nome. Não fazemos pessoas perfeitas por aqui. Esta é uma clínica para deficientes. Pare de se torturar com a ideia de que algum dia você poderia ter sido perfeito; fique surpreso por você existir.
Nunca vai ficar melhor.
A verdade é: você não sabe. Ninguém conhece o futuro. As coisas mais estranhas e terríveis aconteceram de repente; e as coisas mais estranhas e adoráveis ​​também podem acontecer de repente. O desespero presume que você conhece o resto da história. Continue.
O desastre está a caminho; uma catástrofe está chegando.
O crítico interno adora estimular o terror; ele insiste que algo terrível está para acontecer. Você deve derrotar este crítico sádico em seu próprio jogo. Pare de esperar que as coisas sejam divertidas e depois se permita ter medo de desastres. Antecipe o ataque. Sim, pode haver problemas, mas no final, e daí. Eles podem ser tratados. A vida pode continuar mesmo a um ritmo muito reduzido. As pessoas conseguiram continuar com apenas uma perna, ou no exílio, ou com um amigo ou uma ninharia. Isso pode ser tratado.
Ninguém te ama ou poderia te amar.
Esse parece especialmente tentador, principalmente por volta das três da manhã. Mas isso não pode ser verdade. Você sofreu, é honesto e pode ser gentil. Isso é o suficiente para alguém ficar com você. A maioria dos humanos ama vencedores, mas você não precisa da "maioria" dos humanos. Concentre-se no subconjunto pequeno com corações muito grandes. Seja honesto com eles sobre sua dor; eles encontrarão o caminho até você.
Voce é tão feio
Sim, possivelmente, mas muitas pessoas também são e quando você as ama, você começa a ver sua alma e a amar seu caráter nelas. Provavelmente, há muito tempo você não pensa na aparência da maioria das pessoas que ama profundamente.
Onde você vai estar daqui a cinco anos?
Nesse ponto, quem se importa? Corte a vida em incrementos muito menores. Veja se consegue chegar à próxima refeição e a um bom banho, e isso já seria uma conquista suficiente. Reduza a ambição como uma pré-condição para a sobrevivência. Considere como um triunfo se nada de absolutamente terrível acontecer na próxima hora. Comemore os próximos dez minutos pacíficos.
Você quer morrer, não é - e provavelmente deveria.
Absolutamente não. Você só está achando difícil viver, mas quer viver muito. Você quer encontrar uma maneira de ser um ser humano decente e continuar. E você vai.
Nesse ponto, o crítico interno pode sair furioso por ter sido resistido e por algumas horas nos deixar em paz. Nesse ínterim, devemos lembrar como era ter cinco anos e ser cuidado com ternura por alguém que acariciava nossos cabelos e tinha um apelido gentil para nós. As coisas ficaram mais difíceis para nós desde então, mas o que merecemos não mudou: todos nós ainda somos crianças pequenas, dignas de perdão e precisando de muita folga. Estamos nos arrastando e tentando fazer o nosso melhor nas circunstâncias.
-SchoolOfLife
para mais textos assim:
https://www.theschooloflife.
espero que tenha gostado, boa sorte!!!e relaxe!!
Paz.
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2020.09.10 15:51 henrylore Najiyu Ep 2 - Rivais de reinos diferentes, o mais forte prevalece...

L: ...
H: Imura...
L: o tio...
ei, henry
H: hm?
L: você disse que veio aqui pra se descobrir e descobrir novas coisas né?
H: sim-?
L: e eu digo que eu vim aqui para..
destruir esse maldito reino
*se levanta
H: L-lusk nao
L: *sai correndo em direção ao lado de fora
H: ESQUECEU DO QUE O IMURA FALOU?
L: EU NÃO-
*para em frente a um cavaleiro
??⁴: *percebe lusk e aponta a lança pra ele
*ataca
L: uh oh
**acontece um barulho MT aleatório e o lusk se vê dentro da casa
L: uh- pq q eu tô aqui dentro?
*olha pra frente
H: *parado na frente do cara com um corte no braço
L: MALUCO COMEQUE TU FEZ ISSO
H: com a minha cara
??⁴: então você é a raposa
*prepara outro ataque
Im: *aparece na frente dele
H e L: IMURA?!
Im: *defende a porrada com um troço não identificado
eu não deixarei com que chegues nelex
MENINOX VAO!
L: CAVALO O VELHO É SINISTRO
H: *sai correndo
L: *segue o henry
Guarda¹(q era o ??⁴): é melhor não se meter, velho
Im: eu tenho 58 anox, é melhor não me chamar de velho.
*puxa objeto não identificado e abre ele direitinho
*é uma lança
*chuta o guarda e puxa a lança
de mim voxex não paxam.
**voltando pro Henry e o Lusk
L: Ô SUA LAVADEIRA VOCÊ TA MALUCO?
H: que foi
L: como voce fez aquilo??
E POR QUR VOCÊ FEZ AQUILO
H: queria ter a cara cortada em 2 é?
L: vai que eles cortam meu cabelo, seria estiloso
H: 🙄
Guarda²: *aparece na frente dos dois
aqui você não passa.
H: °°
L: *levanta as mãos e faz uma ventania que joga o cara pra trás
Gua²: então você não é uma criança comum
L: é claro que não, eu tenho doutorado em química
Gua²: *ataca com a lança de cima pra baixo
H: *puxa lusk pra trás
L: *cai de BUNDA no chão
PPPP QJAL FOI MANÉ
H: se você ficar se jogando assim nos caras você vai acabar perdendo o nariz
L: é mano... eu não quero parar de sentir cheiros
Gua²: *junta as mãos e levanta um monte de terra formando uma barreira
L: mas aí o que a gente faz cm o cara?
H: é, ai complicou
você tem alguma técnica que de dano e não só fique repelindo?
L: *pensando
*chão começa a tremer
Gua²: *sai de dentro da terra e joga lusk na direção da parede
H: *pega um pedaço de madeira meio afiado do chão e vai em direção ao guarda
Gua²: *segura mão do henry e chuta ele pra longe
PRISÃO DE CORRENTES
*daí ele cria umas correntes em volta do Henry e prende ele
H: *cai no chão
L: HENRY
H: EU NAO VOU SAIR DAQUI TAO CEDO
É COM VOCÊ
Gua²: agora que a raposa está presa, falta acabar com o resto...
H: LUSK!! ELE NAO VAI TE PRENDER ELE VAI TE FATIAR IGUAL UM QUEIJO
(Nota: os guardas não usam armaduras como os convencionais, eles usam só uma roupa bem pesada que parece ser de frio, mas ela é reforçada com um tecido bem forte e com algumas proteções de madeira e tals)
Gua²: *mira com a lança na cara do lusk e ataca
L: *leva o ataque
H: ih, morreu
L: *some
H: ????
Gua²: *acerta a própria parede
L: *atrás da parede concentrado juntando as mãos
*aponta pro cara e cria uma ventania na ponta do punho
e agora... SOCO DE AR
*voa uma rajada de ar muito forte no cara e ele sai voando
Gua²: *bate numa vendinha e o teto cai em cima dele
L: isso vai deixar ele imóvel um pouco
deixa eu te solta- *ve o Henry em pé olhando pro cara caído lá na frente
H: foi uma queda e tanto né
deve ter doído
L: COMO É QUE VOCE SAIU SEU PADEIRO DE CONFEITARIA
H: ah eu?
as correntes dele eram falsas, eram feitas de terra igual a parede dele aí
L: eu devia imaginar... _se o elemento dele é terra tudo vai ser de terra né..."
H: a terra permaneceu me apertando muito forte no início, mas com o tempo ele esqueceu de controlar ela e ela de tornou terra comum
daí ela se afetou pela ventania e umidade
L: espera um pouco...
SENDO ASSIM VOCÊ PODIA TER SAÍDO E ME AJHDADO NE MANÉ
H: deu preguiça...
L: merda.
**aparece um cara atrás do Henry com uma faca no pescoço do Henry
H: eita.
Guarda??: te peguei.
H: ah não
L: O GUARDA pera... O QHE VOCÊ FEZ COM O IMURA
(detalhe: eles tavam todos com uma máscara de madeira lol)
Guarda¹: é complicado *tira a máscara
..
*mostra o rosto q é o Imura
Im: menino, se entregarmos a raposa eles nos deixarão, e permitirão que fiquemos mais com a vila, menino!
L: ...
Im: faça isso pela gente...
L: TIO IMURA VOCÊ SVAE QUE ELE É MEU AMIGO EU NÃO VOU MATAR UM AMIGO MEU PRA SALVAR UMA VILA ONDE TODO MUNDO ME ODEIA
(grande parte do pessoal ouve isso pq da até eco)
Im: MENINO...
H: LUSK NAO É O IMURA
L: que
H: O IMURA FALA TUDO COM X, NAO LEMBRA????
L: é verdade...
*junta as mãos e prepara outro ataque
Im½: *segura as mãos do lusk com correntes
L: carapaças.
Im½: *prende lusk pelos pés afundando ele na terra
agora que eu já tenho o que eu quero
H: *lembra do doke
Do: o rsino é perigoso, eu não quero que você desça lá nunca.
Im½: *leva um golpe por trás e deixa de ser o Imura e vira um guarda normal fodase
Gua½: O QUE
Villager: QUAL FOI CABEÇA DE CARA!
L: o que?
Vi¹: Nós o ouvimos, Lusk e vos perdoamos, relaxeis
L: *se solta das "correntes"
ASSIM QUE SE FALA
Gua½: *levanta faca e ataca o Henry
L: EITA NAOO
H: *aparecw atras do lusk
oi
L: AAA COMO É QUE VOCÊ CHEGOU AQUI
H: eu troquei de lugsr com um barril
L: UM BARRIL DE CREAM SODA???
*olha pro guarda e...
Gua½: *todo melado de um líquido parecido suco de uva só que mais roxo
... isso é
decepcionante.
*prende o cara da aldeia num casulo e aponta pro lusk
VOCÊ ESTÁ ME ATRAPALHANDO
H: beleza chama o serviço de atendimento ao consumidor aí então
Gua½: HWAAAAA
L: SOCO DE AR
Gua½: *desvia
VOCÊ JA ACERTOU UMA NO OUTRO GUARDA E ACHA QUE EU CAIO NESSA?
AHEUEHHE
H: °° ideia, atira em mim
*sai correndo
L: MAGIA DS VENTO
RAJADA DA VENTANIA VERBAL
H: *troca de lugar com o guarda
Gua½: oh.
H: boa.
L: AH É CONSEGUIMOS
né Henry?
Henry?
H: *cai no chão
aaah
trocar de lugar com as pessoas é tão cansativo~
L: eu esqueci aue você gasta 3kg de mana pra isso
Vi¹: *sai do casulo
MEU DEUS O QUE ROLOU
L: eu chutei todos ele com a ajuda do meu fiel escudeiro HENR-
H: *deitado no chão dormindo
L: ... é, eu chutei eles
Vi¹: eu não sabia que você usava elementos
**surge uma porrada de gente
Vi²: é nem eu
Vi³: nem eu
Vi⁴: muito menos eu
Vi⁵: e eu também não
L: é, eu nunca me dei o trabalho de mostrar...
??: IXO FOI GENIAL MENINO AHSUEHEHEBE
L: IMURAAAAAAA
*abraça o velho
Vi¹: 😊 aí, cara, Henry né
H: hm?? oi
Vi¹: voce fez um ótimo trabalho. meu nome é Yaru
H: yaru hmm
prazer
*tenta levantar mas dói o braço q foi cortado

Vi¹: pode ir na casa da enfermeira ali ela tem medicamentos que devem te ajudar
mas aí... vocês dois
H e L: *olha pros 2
Ya: o que farão a partir de agora?
L: ...
H: ... a gente tava com uns planos de sair
L: é, conhecer a capital... e naji...
Yu: ...
(muitos)Vi: *conversando
Yu: vocês sabem que não vai ser fácil como foi aqui né
H: uhum
L: *concorda
Yu: e mesmo assim vocês querem?
Im: a qual foi Yura... deixa ox meninox... deixeis.
Yu: ...
Im: maix...
H e L: hm?
Im: amanhã.
POR QUE HOJE A NOTCHE TEREMUX RANGO GRATUITO!!!
L: OOOOH ISSO VAI SSR MUITO LEGAL TIO VALEU
H: *olhando o lusk abraçando o Imura
Yu: *chega e coloca a mão no ombro do Henry
aí.. eu confio que vocês dois vão chutar a cara daqueles caras..
vocês conseguem
mas... o lusk é meio maluco vê se ele não faz merda, ok?
H: beleza
Yu: VAMOS NSSSA PESSOAL
**um tempo depois
(o cenário tá de noite, o Henry tá na cachoeira num meio de um monte de arvorezinha com frutos roxos e vermelhos)
H: *olhando pra cima
*só se escuta a cachoeira caindo
(nota: o Henry ainda tá com um rasgado no braço mas ele tá com ataduras agora)
H: ...
eu... sempre me senti mal em deixar as pessoas preocupadas
e eu acho que agora eu tô sentindo mesmo isso
L: *Poe a mao no ombro do Henry
H: EI ah é tu
L: *comendo um bolinho
ainda preocupado?
H: um pouco
L: aí... ele provavelmente sabe que você sabe se cuidar, cara
logo ele tá descendo aí
H: ele não pode encontrar com o reino de novo...
L: ... ele era um cavaleiro?
H: sim... os cavaleiros foram trocados depois que outra pessoa assumiu o poder depois do rei Felix ter desaparecido
então os antigos cavaleiros não são tão bem vistos quanto antes
eles são como figuras que resolveram se distanciar...
L: covardes. é assim que eles são vistos...
mas quem liga?
*ainda comendo o bolinho
se alguém te ama, não liga se vai ser chamado de covarde por isso, né?
H: hehe, vai que vamo logo *dá um tapa nas costas do lusk
L: *deixa o bolinho cair
MEUS BOLINHO CAIU NO CHÃO NAAAO
H: JSKSNDHDNEKE
**no dia seguinte
Yu: adeus pessoal
Im: FALOW VOLTEM XEMPRE
H: falow
L: adeus.
**depois de um pouquinho longe
L: cara eu prometo no futuro arrumar um lugar pra eles no reino, pra eles não terem que morar tão isolados assim
aí eles vão ter uma casa legal e divertida
H: seria bolado.
L: nao seria?
aahahana se eu vou conseguir
O IMURA VAI ABRIR O NOVO IFOOD
H: ahajsnsjsjs
o que é ifood?
L: sei lá uma ideia de um restaurante de entregas que você pede e elas chegam
genial né?
H: voce que pensou nisso?
L: sim, dai eu me perdi de casa
**vem uma kunai voando do além
L: *empurra Henry pro lado
**kunai cai no chão e quase acerta eles
L: o que tá acontecendo?
H: ...
L: *olham por uma montanha
(tem tipo uma descida que leva pra uma parte mais cheia de árvore da floresta)
L: *vê uns corpos e facas no chão
que isso mano.
??: *aparece atrás deles (um cara bem alto e gordão com um facão na mão)
e aí
H: OU QUEM É TU
??: o que fazem aqui no meio de uma batalha? querem morrer
L: *junta as mãos discretamente
RAJADA DE VENTO
*empurra o cara um pouquinho pra trás
grf
??: hmm
H: como não?!
L: ele é muito pesado
??: meu turno agora.
*levanta uma mão e faz uma bola de ar
*joga nos dois numa velocidade muito alta
H: °°
L: é... aí... fodeu..
??²: REFLEXO DA LUZ
*golpe volta igual uma bala e corta a bochecha do cara
??⁰: sempre se intrometendo né, Nevaska
Ne: esqueceu que sua luta é comigo?
*aponta com o polegar pro próprio rosto
(é uma mulher bem baixinha, com o cabelo branco, uma cauda de raposa e orelhas de rosa, com uma roupa de manga comprida branca com detalhes pretos e cor gelo, luvas pretas e botas cor de gelo)
H: você é, uma raposa também?
Ne: sim mas a gente trata disso depois
antes eu vou me divertir um pouco com esse patriarca aqui
:3 (é literalmente a cara q ela faz)
FIM NO PRÓXIMO EPISODIO:
-Ep 3- Nevaska, a ninja raposa do gelo!
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2020.09.05 11:57 Zaigard Sobre a solidão e "como conhecer novas pessoas"

Bom dia a todos,
Muitas vezes leio por aqui pessoas a sofrer de solidão e depressão e a pedir conselhos sobre como arranjar amigos. Se pesquisarmos pela internet fora, existem muitos conselhos e ideias de como conhecer pessoas.
Mas quando alguém jovem entre os 20 e 40 diz que quer conhecer pessoas, ela/a quer conhecer pessoas da sua idade e com interesses semelhantes.
Alguns dos conselhos mais comuns são:
Frequentar cafes e bares
Ir para o ginásio ou piscina
Participar em grupos de corrida ou caminhada
Frequentar aulas de luta, dança ou ioga
Participar num curso de línguas ou culinária
Participar em eventos, meetups ou encontros organizados
Clube de artes ou fotografia
Ir a festas ou festivais
Aparentemente todos estes conselhos são oportunidades garantidas de conhecer pessoas novas, mas a realidade demográfica portuguesa estraga a situação.
Sim se eu frequentar o cafe local, tiver aulas de dança três vezes por semana e for à piscina ao fim de semana, vou conhecer novas pessoas, mas vou conhecer por norma pessoas de 60+ anos. Sendo Portugal um país de idosos, tudo é dimensionado para idosos pois são eles a maioria a frequentar as situações e são eles quem mais tempo tem para participar.
Por exemplo, o clube de fotografia da minha terra é 100% reformados com mais de 65.
E vamos ser realistas, os ginásios e aulas de luta, línguas e afins não são os melhores sítios para fazer amigos, os jovens que as frequentam estão lá para fazer a sua rutina e seguir caminho, pois tem pressa devido ao emprego, amigos, filhos etc, só quem terá tempo para falar são reformados.
Resumidamente, este conselhos americanizados podem funcionar em sociedade mais jovens ou em grands cidades europeias, mas por aqui, vão depender muito mais da tua capacidade. Quem sempre teve facilidade em fazer amigos certamente vai arranjar maneira de conhecer novos sempre problemas, seguindo ou não estas ideias.
Estar a frequentar uma atividade, que nem nos interessa muito, pois o principal objetivo era conhecer malta da nossa idade, e acabar só conhecendo pessoas com quem pouco ou nada temos em pouco é bastante dececionante.
Quem sempre teve dificuldade fazer amizades está lixado e estes conselhos em pouco ou nada vão ajudar.
Sendo realistas, o primeiro passo para conhecer potenciais amigos, é já ter amigos. Quem por situações da vida se depara numa situação em que não tenha amigos vai passar um mau bocado e não há uma estratégia magica que o ajude, a sorte será o principal fator para escapar a tal situação.
Numa nota pessoal, nos últimos anos, tenho vivido sem um único amigo, mas com dezenas de "conhecidos próximos" mas com idades, interesses e vivencias, completamente diferentes da minha.
Uma ultima nota, arranjar amigos no local de trabalho, ou entre clientes, não só é difícil como é, por norma, uma péssima ideia misturar relações pessoais com profissionais.
Quais são as vossas opiniões? Acham que estou totalmente errado e tiveram experiencias totalmente diferentes? Estiveram numa situação de solidão e conseguiram resolver o problema seguindo estas ideias? Gostava de ler algumas opiniões e ideias diferentes.
Versão resumida: Existem muitos conselhos para conhecer pessoas, mas em Portugal, vais acabar por conhecer idosos e pessoas com quem não tens nada em comum, pelo que não há uma solução verdadeira para o problema da solidão.
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2020.09.04 05:42 SpeedHS11 Edgar Allan Poe - O Gato Preto e Outras Histórias

Edgar Allan Poe - O Gato Preto e Outras Histórias (editora PandorgA) 
https://preview.redd.it/216yppdxq1l51.jpg?width=566&format=pjpg&auto=webp&s=e5378e193d4acd6aab19abf302c57accc2e82527
Este livro contém 4 contos:
- o gato preto (1843)
- Ligeia (1838)
- a queda da Casa de Usher (1839)
- pequena conversa com a múmia (1839)

O Gato Preto (1843) 
''NÃO ESPERO NEM PEÇO que acreditem neste relato estranho, porém simples, que estou prester a escrever. Louco seria se eu o esperasse, em um caso onde meus próprios sentidos rejeitam o que eles mesmos testemunham.''
Faço das palavras de Poe as minhas, o conto começa com Poe falando de sua paixão por animais, e que sempre foi mimado pelos pais em relação à isso, o conto carrega toda uma história por trás, a começar pelo nome Plutão, que é o apelido de Hades (deus dos mortos), a cor preta, a superstição de que gatos pretos seriam bruxas disfarçadas e também a ideia de sete vidas dos gatos, todas essas características se encaixam perfeitamente no enredo do conto.
Com o passar do tempo, Poe foi mudando para uma pessoa pior, graças ao alcoolismo, se tornando mais melancólico, irritável, e indiferente às todos ao seu redor, menos ao gato, porém isso não durou muito tempo e o gato agora também passara a sofrer assim como todos os outros com as atitudes de Poe.
Quando Poe voltava para casa após mais uma noite de puro alcoolismo, percebeu que Plutão evitava-o, percebendo isso tratou de agarrar o gato, porém, o gato ficou assustado (com razão) e acabou dando uma pequena mordida em sua mão, isso despertou uma fúria (como o próprio Poe diz, demoníaca) e ele acaba por arrancar o olho do gato com um canivete que estava em seu bolso.
''de fazer o mal pelo único desejo de fazer o mal'' E foi assim que Poe fez o que ele julgava errado mas fez. Em uma manhã fria ele enforcou e matou o gato, no galho de uma árvore enquanto lágrimas escorriam de seus olhos, segundo as próprias palavras de Poe: ''enforquei-o porque sabia que assim fazendo estava cometendo um pecado - um pecado mortal, que comprometeria então minha alma importal e a colocaria - se tal coisa fosse possível - além do alcance da infinita misericórdia do Deus mais misericordioso e mais terrível.'' A noite do mesmo dia terminou com a casa de Poe em chamas, a cortina de seu quarto pegou fogo e por pouco conseguiram sair todos vivos e a casa acabou completamente destruída.
No dia seguinte ao incêndio, quando Poe visita as ruínas do que sobrou de sua casa, todas as paredes com exceção de uma tinham desabado e justo nessa única parede que não havia sido destruída completamente, estavam as palavras ''estranho!'', ''singular!'' e outras expressões similares, que despertaram a curiosidade de Poe, porém, o que mais o intrigava era o fato de que nessa mesma parede havia a figura de um gato de um gato gigantesco e havia uma corda ao redor do pescoço do anomal, Poe criou uma grande explicação para o ocorrido e se deu por satisfeito, embora dessa forma tenha prontamente satisfeito a razão, ele não poderia dizer o mesmo quanto à sua consciência.
Sem mais nem menos, surge um gato preto extremamente parecido com Plutão, no meio da noite em mais um dia de bebidas de Poe, os dois acabam gostando um do outro e assim, o gato segue para a casa de Poe e logo se familiariza com a casa e a esposa. Aos poucos por alguma razão Poe começou a sentir uma aversão ao gato, o fato do animal não ter um olho e a marca no peito do gato que antes era indefinida, mas agora essa marca branca passa a ser a imagem do enforcamento, contribuiram para essa aversão.
Certo dia enquanto ia para o seu porão, o gato mais uma vez o seguia e acompanhava-o, desta vez o gato acompanhava Poe enquanto descia as escadas e quando o fazendo cair, isso despertou uma fúria demoníaca em Poe, que na mesma hora pegou seu machado, quando estava pronto para matar o animal sua mulher interviu, desviando o golpe, sem pensar Poe enfiou o machado na cabeça de sua mulher, ela caiu morta sem sequer gemer.
Poe agora precisava se livrar do corpo, pensou e chegou na conclusão que deveria emparedá-la no porão, o que ele fez foi retirar os tijolos de um ponto da parede que havia uma saliência de uma falsa chaminé e fez no final das contas um ótimo trabalho.
O gato obviamente assustado com a situação fugiu e nunca mais voltou, isso despertou uma sensação de alívio em Poe, ele se sentia um homem livre, a sua consciência em relação sua mulher, pertubava- o pouco. No dia seguinte policiais foram até a casa fazer uma última busca e quando já estavam prestes a ir embora, Poe cita o quanto aquele porão fora bem construído e acaba por bater na parede com a bengala que segurava, na qual estava o cadáver de sua mulher do coração.
O eco da batida nem tinha acabado de soar quando uma voz de dentro respondeu com um uivo, como se tivesse vindo do inferno, com isso Poe quase desmaia até a parede do lado oposto, o cadáver ''com a boca vermelha escancarada e o olho solitário de fogo, estava sentada a criatura hedionda cujos ardis tinham me seduzido ao assassinato, e cuja voz delatora havia me condenado à forca. Eu tinha emparedado o monstro dentro da tumba!''
Ligeia (1838) 
O conto começa com Poe lembrando-se de Ligeia, fazendo grandes elogios e lembrando-se apenas que a encontrou pela primeira vez em alguma grande e decadente cidade às margens do Reno. Poe não se lembra do nome de sua família.
''Não existe beleza rara sem que haja algo de estranho em suas proporções''. Poe segue exaltando Ligeia: Alta, porte majestono, a quietude complacente de seu comportamento... A pele rivalizava com o mais puro marfim, a imponente fronte sobressaindo e a delicada proeminência acima de suas têmporas, as brilhantes e negras madeixas, negras como as asas de um corvo, luxuriantes cachos naturais, suas linhas delicadas do nariz, as covinhas, os olhos bem maiores do que o comum, a magnífica curvatura do lábio superior e o aspecto suave e voluptuoso do inferior. Ele se lembra de seus olhos, incríveis e incomuns, largos e luminosos, e sentiu fortes sentimentos ao lembrar de seus olhos, que só sentiu os mesmos sentimentos raramente quando: viu o crescimento de uma videira, numa mariposa, uma borboleta, um fluxo de água corrente...
Poe lembra dos primeiros anos de casamento, em que ele confiava em Ligeia em nível de confiança semelhante à de uma criança, a ser guiada por ela, em um caótico de investigação metafísica em que se achava ocupado durante os primeiros anos de casamento. Enquanto Poe acompanhava de perto a morte de Ligeia na cama, ela demonstra todo a sua paixão e pede a Poe que leia alguns de seus versos, logo após Poe terminar a leitura, Ligeia ergueu-se e teve espasmos, e então, abaixou os braços retornando ao leito de morte e morreu.
Meses depois do ocorrido, Poe, compra uma abadia em um lugar remoto da Inglaterra se casa com Lady Rowena, no primeiro mês de casamento ela temia o violento mau-humor de Poe seu temperadomento, que tanto evitava e amava. No segundo mês de casamento Lady Rowena fica doente e demora para se recuperar até que um segundo e mais violento acesso a acometeu, colocando-a de volta à cama em sofrimento, ela começa a ficar doente de forma mais grave e reccorente, Poe então decide dar uma taça de vinho para recuperá-la, foi aí então que ele ouviu passos leves sobre o carpete próximo a cama, e então quando Rowena estava prestes a bebero cálice, ele viu caindo dentro da taça, três ou quatro grande gotas de um brilhante líquido, porém ele achou que fosse tudo imaginação e não mencionou o fato à ela, algum tempo depois ela morre e seu corpo é preparado para o túmulo.
Com o tempo, Poe percebe que suas bochechas voltam a ficarem vermelhas, durante alguns dias ele escuta alguns sons do cadáver e havia até mesmo uma leve pulsação de seu coração, ela estava viva, porém, sempre indo e voltando da morte, com grandes sinais à prova, mas Poe não se importava e estava cansado das violentas emoções.
De repente, ela ergue-se da cama, cambaleando de olhos fechados avanã para o meio do quarto, Poe se aproxima e toca, fazendo assim cair os tecidos sinistros que a enrolavam, revelando assim seus cabelos negros, mais negros que as asas de um corvo da meia-noite e os grandes olhos, grandes, negros e selvagens de seu perdido amor, Lady Ligeia.
A queda da Casa de Usher (1839) 
Poe percorri de cavalo um caminho escuro, chegando à casa de Usher (sua caraterística principal era parecer excessivamente antiga) ele sente uma sensação de insuportável melancolia invadir seu espírito, ele chega até a sala grande e imponente em que Usher (um dos únicos amigos de infãncia e adolescência de Poe) estava, Usher então se levanta do sofá e o comprimenta calorosamente. Com sua voz que variava rapidamente de um indecisão trêmula até uma forma pesada e lenta de falar, ele contou sobre o objetivo da visita e do consolo que ele esperava sentir com a presença de Poe e abordou a causa de sua doença, disse que era um mal constitucional e familiar para o qual ele já não tinha esoerança de encontrar uma cura.
Ele sofria de um aguçamento mórbido dos sentidos: só suportava as comidas mais insípidas, só podia uisar vestes de certa textura, o cheiro de todas as flores o oprimia, uma mera luz fraca torturava seus olhos e somente alguns sons não lhe inspiravam horror. Poe percebe pouco a pouco por meio de alusões entrecortadas e ambíguas, ele estava dominado por certas impressões supersticiosas com relação ao imóvel onde vivia e de onde, por muitos anos, nunca havia se aventurado a sair, superstições acerca de uma influência cuja força hipotética foi descrita em termos muito obscuros para ser relatada aqui e a aproximação evidente e iminente da morte de sua querida e amada irmã, lady Madeline.
Lady Madeline tinha uma apatia, uma devastação física lenta e gradual, e frequentes afecções de um caráter parcialmente cataléptico. Até então, lutara com firmeza contra a doença e não se entregara à cama, mas, ao final da noite, ela sucumbiu e Poe nunca mais a veria a mesma dama pelo menos enquanto vivesse.
Usher declarou que tinha a intenção de preservar o corpo da irmã por quinze dias (antes de finalmente sepultá-la), em uma das várias câmara que existiam dentro dos muro principais da casa, a razão era o caráter incomum da morte da falecida e as inevitáveis perguntas inoportunas e impulsivas por parte dos médicos, Poe ajuda pessoalmente nos preparativos do sepultamento temporário, levam ao à uma câmara que estivera fechada por muito tempo e lá é revelado que Usher e sua irmã eram gêmeos.
Uma noite tempestuosa, ma terrivelmente bela invadiu o quarto quase erguendo-os do chão, um vapor agitado subia pela casa e a encobria como uma mortalha, Poe logo retirou Usher de perto da janelo e colocou-o na poltrona, lendo um de seus romances favoritos: ''O Louco Triste'' de Sir Launcelot Canning.
Ao terminar a leitura, em que um escuto havia caído sobre um piso de prata, Poe, como escuta como se relamente um escudo de bronze tivesse caído com todo seu peso sobre um pavimento de prata. Quando Usher é questionado por Poe sobre o barulho, Usher: ''Sim, eu ouço e tenho ouvido. Por muito... muito... muito tempo... por muitos minutos, muitas horas, muitdos dias ouvi... Nós a colocamos viva no túmulo! INSENSATO! ESTOU LHE DIZENDO QUE ELA AGORA ESTÁ DO OUTRO LADO DA PORTA!''
Como em um passe de mágica, a porta para que Usher apotava abriu lentamente, e lá estava a figura alta e amortalhada de lady Madeline Usher. Então, com um lamento baixo, desabou pesadamente sobre o corpo do irmão, e em sua agonia final, arrastou-o para o chão, morto, vítima dos terrores que havia previsto.
Poe então foge horrorizado daquele quarto e daquela mansão, de repente, uma luz forte surgiu no caminho, era a luz da lua cheia, um vermelho escalarte que brilhava através daquela rachadura na mansão e que se estendia até do telhado até o chão. Dali veio um sopro forte do redemoinho, as grandes paredes desabavam enquanto se ouvia uma demorada e tumultuada gritaria, como se o ruído viesse de mil aguaceiros, e o lago profundo e gélico aos seus pés se fecharam, de forma sombria e silenciosa, sobre os destroços da ''Casa de Usher''.
Pequena Conversa Com a Múmia (1839) 
O simpósio (festa após um banquete) da noite anterior tinha sido demais para Poe, com uma dor de cabeça miserável e caindo de sono preferiu fazer uma última refeição antes de dormir (Welsh rabbit). Porém, ainda não completara o terceiro ronco quando a camapinha começa a tocar furiosiamente, era um bilhete do doutor Pononner, que dizia que obteve o consentimento dos direitos do museu da cidade para examinar uma Múmia, em um salto se levantou da cama rumo à casa do doutor.
Chegando na casa do doutor ele encontrara um grupo ansioso e a Múmia, encontrada às margens do Nilo, estendida sobre a mesa de jantar, acâmara onde fora encontrada a Múmia era rica em ilustrações, isso indicava uma vasta riqueza do morto. Encontraram o corpo em ótimo estado de preservação, sem nenhum odor perceptível, cor avermelhada, olhos removidos e substituídos por olhos de vidro, cabelos e dentes em boas condições. Quando perceberam que já passava de duas horas da manhã, decidiram adiar a dissecação até a noite seguinte, porém, alguém surgiu com a ideia de fazer um experimento com a pilha de Volta (aplicar eletricidade).
Prestes a ir embora, Poe se depara com as pálpebras da Múmia coberta pelas pálpebras, depois do choque inicial decidiram prosseguir com um novo experimento, e, durante o mesmo, a Múmia desfere um pontapé no doutor Ponnonner que foi lançado à rua janela abaixo. Depois de iniciarem o teste elétrico a Múmia espirrou, sentou e se dirigiu aos senhores Gliddon e Buckingham com um egípcio perfeito um discurso, neste discurso ele reclamou de ser despido num dia frio e da forma como fora tratado.
Gliddon fez um discurso em que citava principalment os enormes benefícios que a ciência podera obter com o desenrolamento e a evisceração das múmias e aproveitou o momento para se desculpar por qualquer incômodo que pudéssemos ter causado à múmia Allamistakeo, reparando que ela estava se tremendo de frio, o doutor correu e logo voltou com uma casaca preta, um par de calças xadrez azul-celeste, uma camisa xadrezinha cor de rosa, um colete de brocado com abas, um sobretudo branco, uma bengala de passeio, um chapéu sem aba, um par de botas de verniz, um par de luvas de pelica cor de palha, um monóculo, um par de suíças e uma gravata cascata.
Seguiu-se uma série de perguntas e de cálculos pelos quais se tornou evidente que a antiguidade da múmia tinha sido muito mal avaliada, haviam passado cinco mil e cinquenta anos e alguns meses desde que ela tinha sido despachada. Logo depois a múmia explica o princípio fundamental do embalsamento e que gozava de ter o privilégio de ter nas veias sangue do Escaravelho, pois só assim teria o direito em sua época de ser embalsamado vivo. O Escaravelho era o brasão, as ''armas'' de uma família muito nobre e muito distinta, pois era comum se retirar o cérebro e as vísceras do cadáver antes de embalsamá'lo, só o clá dos Escaravelhos não seguia essa regra.
''Veja nossa arquitetura!'' gritava Ponnonner. ''A Fonte Bowling-Green!Ou, se esse espetáculo e imponente demais, contemple por um instante o Capitólio, em Washington, D. C.! E o bom doutorzinho chegou até a detalhar de forma minuciosa as proporções do edifício a que se referia. Explicou que o pórtico era adornado com não menos que vinte e quatro colunas, cada uma com um metro e meio de diâmetro e colocadas a três metros de distância umas das outras.
O conde respondeu que lamentava não se lembrar das dimensões precisas de nenhum dos edifícios principais da cidade de Aznac, cuja fundação se perdia na noite dos séculos, mas cujas ruínas permaneciam ainda de pé, se lembrou de ter visto um palácio secundário que tinha cento e quarenta e quatro colunas, com onze metros de circunferência e sete metros de distância entre cada uma delas, o acessoa esse pórtiro, vindo do Nilo, era feito através de uma avenida de três quilômetros, composta por esfinges, estátuas e obeliscos de seis, dezoito e trinta metros de altura. O palácio em si tinha, só em uma das direções três quilômetros de comprimento e deveria ter, ao todo, uns onze de circuito. As paredes eram ricamente decoradas, por dentro e por fora, com pinturas hieroglíficas. Ele não pretendia afirmar que até cinquenta ou sessenta dos Capitólios do doutor poderiam ter sido construídos dentro dessas paredes, mas que tinmha absoluta certeza de que duas ou três centenas deles se espremeriam ali com alguma dificuldade.
Nisso se seguiu a noite com os cavalheiros fazendo perguntas complexas ao egípcio, que respondia todas surpreendentemente bem, os cavalheiros não sabiam mais que perguntas fazerem, pois, a cada pergunta que faziam, o egípcio respondia todas e simplesmente os calava com sua superioridade egípcia em basicamente todas as áreas mencionadas pelos cavalheiros ali presente.
Porém, quando estavam prestes a serem derrotados intelectualmente, Ponnonner perguntou se as pessoas no Egito realmente pretendiam rivalizar com as pessoas modernas, na importantíssima questão do vestuário. O conde então olhou para os suspensórios de suas calças e, segurando a ponta de seu fraque, segurou-os perto dos olhos por alguns minutos. Deixando-os cair finalmente, sua boca escancarou-se gradualmente de uma orelha à outra, mas não me lembro se respondeu alguma coisa.
O egípcio baixou a cabeça. Nunca houve um triunfo tão completo, nunca antes a derrota foi assumida com tanto despeito, Poe pega seu chapéu e parte para casa. Chegou em casa depois das quatro horas da manhã e foi-se deitar, agora eram dez horas da manhã com Poe escrevendo estas lembranças, ansioso para saber quem será o Presidente em 2045, iria procurar o doutor Ponnonner e pedir para que seja embalsamado por alguns séculos.
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.08.27 00:11 exibido40tenado Preciso de conselhos, por favor.

Sou uma pessoa que raramente da ideia em mulheres (username checa fora). Se eu conheço consigo conversar de boa, mas conversar com desconhecidos/das é muito complicado para mim. Nessa quarentena a solidão tá me matando, e to pensando em começar a interagir com uma mina que eu "conheço" de vista. Acho que ela sabe que eu pelo menos eu existo, porque lembro dela ter me pedido o isqueiro algumas vezes em alguns rolês, inclusive uma vez na cachoeira (QUE FUMANTE NÃO LEVA ISQUEIRO PARA CACHOEIRA ? [PENSOU MEU CÉREBRO QUERENDO ME BENEFICIAR], "CARA, ELA TA TÃO NA SUA")
O problema é que eu não tenho sei a rede social dela e nem sei o nome dela, vou ter que fazer um trabalho de stalker para descobrir (ou perguntar para algum amigo). Só que fico com medo, não sei se na quarentena é o melhor momento para abordar alguém com essas intenções. Penso em seguir ela, e se eu for retribuído começar a responder stories, mandar um oi, sei lá, vê se rola alguma coisa. O maior problema é que minha autoestima não é lá essas coisas, e ela é uma mulher MARAVILHOSA, todas as vezes que ela me agradecia o isqueiro, minha perna tremia kkkkkkk
To contando isso porque da última vez que fui inventar de seguir uma mina que eu era afim no instagram, e jurava que tinha rolado uma conexão, acabou que no dia que eu conheci ela, ela ficou com meu melhor amigo (nos conhecemos por acaso e sentamos na mesa dum bar). Na real eu nem me importei muito, porque os dois são pessoas fantásticas, mas poxa, machucou um pouco... É isso, eu sei que a resposta para a minha pergunta é : SIGA ESSA MINA, VAI EM FRENTE. Mas eu me sinto meio babaca/estranho seguindo alguém que eu não conheço direito...
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2020.08.24 07:11 aquele_esquisito Me alienei completamente em relação as pessoas (Histórias de Quarentena)

Esse ano tá sendo bem interessante para mim até agora, comecei com 23 anos, virgem, bv, com zero experiências íntimas com mulheres, sem nunca de fato ter valorizado essas aventuras, isto é, nunca ter buscado de fato. Sempre fui no menor número possível de festas, nunca engajei em nenhum tipo de flerte com uma mulher e com isso nunca cheguei perto não só das ppks alheias como não sei o que é amar uma mulher. Basicamente era um incel sem a parte de odiar as mulheres, só a de não ver necessidade em transar mesmo, sem nenhum vitimismo, *quase um assexual que sente vontade física de transar mas não psicológica. *
Pois bem "ano novo, vida nova", pensei comigo mesmo que ia mudar isso, não deve ser tão difícil, ainda sou jovem sem ser garoto demais, quase empregado, não sou horrendo, os anos de academia me transformaram em uma pessoa atraente de corpo e sou absurdamente interessado (quase de maneira autista) em saber das coisas/conceitos/ideias/ciências/formas de arte, me transformando numa máquina de boas conversas por ter assunto pra infinidade de tempo. Por que decidi mudar isso? Literalmente por pensar com o meu pau, depois dos 20 parece que minha libido triplicou e eu não via a hora de finalmente comer alguém. E aí eu ainda caí na isca de "tem mais de 20 e é virgem? teu padrão é muito alto" que me deu um falso senso de segurança, ou seja, fui em todas que deram bola.
Usando tinder já comecei a perceber que ter um grande conhecimento de vários assuntos não significa ter uma boa conversa de bate e pronto, por isso passei uns tempos dando match com qualquer menina (mesmo que longe) só pra treinar o meu gingado na conversa com elas, depois de umas semanas consegui uma melhora boa (e agora quase indo pro fim do ano já me sinto um mestre das conversas) e comecei a de fato marcar encontros.
Pelo tipo de texto que estou escrevendo você pode talvez imaginar um autista metido que se acha o rei da cocada, e é meio assim que eu me sinto comigo mesmo, mas na vida real eu consigo me passar por uma pessoa completamente normal e sociável, o lance é que eu estou fazendo força para isso internamente. Sempre achei isso meio normal porque apesar de ser extremamente introvertido nunca fui tímido e sempre convivi com coletividades de amigos ao longo da minha vida ATÉ a faculdade quando todo mundo foi separando, daí eu tenho um senso de normalidade bastante bem desenvolvido, a partir dai é questão de querer mesmo.
Primeira menina foi logo na época de carnaval (apesar de ter passado longe de blocos), foi com ela que eu perdi o BV de todas maneiras possíveis e desenvolvi mais habilidade com mulheres, saímos durante a semana quase toda (ela era de fora) mas não conseguimos transar por conta de terceiros empacando o bonde (a vontade foi tanta que chegamos a ficar nos esfregando em alguns lugares públicos). Viu? Não foi tão difícil, vou transar bem mais rápido que imaginava, eu só precisava achar alguém que morasse sozinha pra facilitar tudo. O único alerta que essa primeira vez me deu foi que eu não gostei da experiência, e eu to acostumado a não gostar de saídas sociais/fingir ser normal, passo por isso a vida inteira, mas acho que por essa vez ter aprofundado mais na minha intimidade acabei odiando mais do que uma simples ocasião social.
Sai com a segunda um tempo depois e essa era bem mais quieta e tranquila que a primeira, com essa não rolou nada e eu não fiquei tão desconfortável, depois percebi que foi porque foi basicamente um rolê que eu tenho com meus amigos, daí o nível de conforto foi proporcional a isso e não a de ir pra trocar saliva com uma mulher. Essa segunda era espetacularmente linda apesar de não parecer tão interessada como a primeira (que também era bonita!). A partir daí eu percebi que tava fácil demais e decidi tentar ser mais criterioso a fim de achar uma mulher bonita que fosse transar comigo sem as frescuras sociais, porque meu pau tava mandando em mim.
Enfim, achei uma mina com 28 anos que tava querendo, marquei um pouco antes das minhas aulas começarem mas tive que dar uma adiada por um problema, porém o encontro nunca de fato aconteceu pois por ironia divina, o corona estourou e a pandemia começou. A partir daí vou dar uma acelerada na história, pois desse início de março até hoje continuei acessando o tinder assiduamente quase como um vício de autoestima com a desculpa de treinar meu papo com mulheres, e sem intenção de quebrar a quarentena.
Fiz todos tipos de perfil possível (pedindo sexo na bio, super fofo, esquisito, descolado...) e dei match com todo tipo de mulher possível, tive várias conversas a ponto da minha habilidade social ter crescido bastante, porém acabei chegando no ponto de saturação mais que completa. Lembra quando eu disse que ia ser mais criterioso? Isso subiu absurdamente a minha cabeça a ponto de eu literalmente achar todas as mulheres do app feias ou indesejáveis de alguma forma, antes eu literalmente tinha uma certa luxúria por quase todas porém isso foi morrendo com as conversas. Porque eu começava a conversar no meu modo ultra social (quase um superego em esteroides) e levava uma conversa foda em vários lugares imagináveis, conseguia colocar as minas fissuradas em continuar a conversar comigo, me chamar pra conversar tomando iniciativa e tudo mais. Mas aí eu percebi que comecei a odiar as conversas, porque a dura realidade é que nenhuma mulher passa um tempo psicopata aprendendo a conversar com homens no tinder pra ter a conversa perfeita.
Isto é, apesar de eu tomar a dianteira, as conversas para mim começaram a ser absurdamente horríveis e pouco proveitosas, porque as mulheres em geral são seres humanos normais, que em sua maioria são completamente entediados consigo mesmo e desinteressantes. Deixou de ser sobre conquistar as meninas com a lábia das palavras para "Quero uma conversa interessante pra mim", e obviamente não encontrei ainda uma menina psicopata ao ponto de seguir o guia que eu descrevi, mesmo as boas de conversa batiam no meu ego me dizendo "nossa, se eu consegui isso com essa, talvez eu consiga algo melhor". Até agora eu consegui umas 5 meninas a tentarem me convencer a quebrar a quarentena com elas.
Olha a merda no que eu me tornei, esses últimos parágrafos são estreitamente das profundezas da minha mente, onde eu comecei a levar essas conversas de merda e encontros como achievements sociais. Que foi de certa forma como eu abordei tudo isso no começo sem perceber, quero transar porque sim, meu pau me ordena, quero perder o BV para poder falar livremente com as pessoas que eu já beijei (não gosto de mentir sobre isso e sempre admito o que sou sem vergonha quando o assunto surge em conversa com amigos) e não sou um completo inapto social por tentar e ser rejeitado. Finalmente me encontrei numa posição de poder e comecei a usar isso pra aumentar o ego pura e simplesmente, fui me tornando uma mina aleatória de only fan que coleciona macho que paga tudo pra ela (famosos simps).
"Nossa, que fanfic de adolescente retardado" pode passar pela sua mente, pois bem, a dose de realidade chegou para mim, porque apesar de não ser horrendo eu não sou nenhum modelo, então teve uma hora que eu basicamente bati no meu limite de beleza no tinder e a atenção que eu tava recebendo secou completamente. Comecei aceitando qualquer uma com um perfil super amigável e convidativo, pra aceitar até umas meninas que considero meio feias com um perfil mais interessante, pra começar a encontrar com meninas regulares/do meu nível pra até algumas mais bonitas com um perfil super esquisito (pra filtrar tipos de menina que eu não queria), e aí eu estagnei, ainda to um pouco longe do topo da pirâmide mais fui um pouco mais longe do que imaginava. Fui de perdedor de boas, para perdedor com um falso senso de poder, para perdedor carente que tentou voar muito perto do sol, tudo isso também por não gostar da ideia de correr atrás de mulher, parto do princípio que se a mina não tiver iniciativa pra vir falar comigo é porque pra ela não tem nada ali e já descarto de cara.
Eu basicamente sinto que estou passando, ao longo dos últimos anos, por um processo de alienação completo de relações sociais à lá ted kaczynski, e eu sinto que essa era uma das últimas barreiras que eu tinha pra quebrar: a do sexo oposto. Já tinha normalizado na minha cabeça a minha própria desumanização e completa insignificância, pra estender isso pra colegas/amigos/parentes, e finalmente sinto que estou me descolando do tecido dos relacionamentos, ou de mulheres no geral. O que eu achei mais perceptível desse processo foi que o meu "pensar com o pau" meio que se tornou temporário, antes eu poderia ter me masturbado ou não e ainda havia um certo desejo por mulheres, agora eu sinto que sou uma pessoa quando estou com tesão e quando não estou mais simplesmente volto a não dar a mínima pra estar com uma mulher (eu já não ligava pro aspecto de companhia da relação, agora então o sexual parece ter ido embora também assim que esvazio o saco), inclusive com algumas dessas meninas que encontrei cheguei a fazer chamadas pra ficar me masturbando e é mata conversa na certa, porque o meu tesão acumulado por aquela pessoa desaparece da face da terra com uma gozada e eu não consigo nem mais falar com ela. Não sei se já estou estragado pro sexo, porque tenho certeza que depois de transar o meu desejo vai ser ficar sozinho comendo uma pizza e ouvindo música.
Pra quem for comentar em nofap e parar de ver pornô, eu não me masturbo com tanta frequência ao longo do ano, inclusive já fiz no fap de 3 meses duas vezes (outra isca que não serve pra muita coisa), também quase não consumo pornô, minha libido é muito errática com a masturbação, posso passar um tempo me masturbando 3-4 vezes por mês (tendo muita ocupação e coisas pra resolver) para chegar uma sequência de três dias de vagabundo e me masturbar 4-5 vezes por dia, quantificando num ano passo longe de vício por punheta ou pornô.
O mais engraçado da história toda é que todo esse processo aconteceu com auxílio do isolamento físico da quarentena que me possibilitou a chegar nesse ponto de alienação sem nem transar ainda. To quase me sentindo como o androide no fim do Ex-Machina que vai pra sociedade viver como uma pessoa normal, visto que to bem perto de finalizar a faculdade, vou tentar arranjar um emprego, morar sozinho, e finalmente virar um adulto de fato, a única coisa que eu tava sentindo dever nesse quesito de amadurecimento era a parte de relacionamento, principalmente o sexo porque de fato eu nunca tive interesse em montar família com casamento/filho/cachorro/gato, nem a ideia de namorar me atraia já bem novinho justamente por desgostar dessa ideia do companheirismo, minha última esperança era transar, mas isso eu acho que nem faço mais questão de concretizar.
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